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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Derrocada na muralha de Almeida


Em Almeida ocorreu uma derrocada de parte da muralha da fortaleza daquela vila, no sítio da Praça Alta, tendo-se registado a queda de pedras.


Foto: Câmara Municipal de Almeida

Uma ocorrência na sequência das intempéries que se têm feito sentir e que levou à tomada de medidas de sinalização e proibição de acesso, “de forma a salvaguardar a proteção de todas as pessoas que ali possam circular”, como informou a Câmara Municipal de Almeida.

Aquela autarquia apela “ao respeito pela sinalização existente e à não aproximação da zona interditada.”

De referir ainda que ocorreu uma derrocada numa parte da estrutura da Ponte dos Gaiteiros. Esta ponte integra um caminho rural que estabelece ligação a Valverde e à Estrada Nacional 340.

Por motivos de segurança, a ponte encontra-se devidamente vedada, estando interdita a circulação sobre a mesma até nova avaliação das condições estruturais.



Eduardo Flor: na procura das melhores fotos


Natural da Guarda, Eduardo Flor é Técnico de Prótese Dentária. Contudo, desde sempre que procurou atividades para os seus tempos de lazer de forma a tornar a sua vida “menos monótona”, como disse ao CORREIO DA GUARDA.

“Pratiquei caça, pesca, tiro de competição, danças de Salão e neste momento a fotografia ocupa-me todo o tempo disponível”. Para onde quer que vá, Eduardo Flor vai sempre acompanhado de máquina fotográfica. “E na ausência dela, uso o telemóvel”, acrescenta no seu peculiar tom jovial.

Dos seus projetos não exclui fazer um catálogo com as espécies de aves existentes no distrito da Guarda.

 

Eduardo FLOR.jpg

Quando surgiu o interesse pela fotografia?

Digamos que o interesse pela fotografia surgiu logo a seguir a ter deixado a caça, sentia falta de andar pelo monte à procura de algo.

Depressa me apercebi que o podia fazer com uma máquina fotográfica. Passei então, a ter muito mais prazer em andar pela natureza a “caçar” fotograficamente sem interferir com os animais e seu ecossistema.

A emoção é a mesma, rastejo, escondo-me e espero muitas vezes horas para conseguir o meu objetivo, trazer as melhores imagens que posso ou por vezes nada...

 

Que géneros de fotos prefere? Fotografia de rua, paisagem, retrato…?

Durante muitos anos pratiquei apenas fotografia de natureza, porém, comecei a reparar que, por vezes, observava paisagens espetaculares e únicas, monumentos, pessoas dignas de um registo fotográfico.

A atividade em ambiente agrícola entre outras, que poderiam enriquecer o meu portfólio. Neste momento, se bem que o foco principal é a natureza, não deixo de aproveitar uma boa fotografia, quer seja paisagem ou retrato, não esquecendo a fotografia urbana que gosto de fazer nas grandes cidades.

 

Fotografia a cores ou a preto e branco?

Como o meu foco principal é a fotografia da Natureza, as minhas fotos são na maioria a cores, pois as aves têm cores lindíssimas que se perderiam se fosse a preto e branco; pessoas, aldeias ambiente rural e urbano prefiro o registo a preto e branco.

 

Preocupa-se com o trabalho de edição das fotografias? É um trabalho moroso?

Como faço fotos em ficheiros Raw, todas elas passam por programas de edição, primeiro, porque tenho que as passar para jpeg, que é um ficheiro em que a foto fica com menos resolução, ficando assim preparada para ser postada numa qualquer rede social ou outro, e também para dar um toque nas sombras, quando é preciso, ou para dar um jeito nos enquadramentos.

Como tenho o cuidado de ajustar as funções da câmara às condições do local onde vou permanecer para fotografar, permite-me perder pouco tempo depois na edição.

 

A zona da Guarda é a preferida para os seus trabalhos? Que outras zonas em especial?

A zona da Guarda é a zona onde fotografo mais frequentemente, não por ser a preferida, mas por ser a zona onde habito; para o tipo de fotografia que mais faço (aves) a minha zona preferida é Aveiro, onde a biodiversidade é muito rica, a espécies de aves é muito superior devido à morfologia dos terrenos e zonas marítimas.

Também gosto de ir até Espanha para fotografar Aves Rapinas e algumas vezes vou para as Lagoas de Sesimbra, aquando das migrações das aves para essa zona.

 

O que gosta mais de fotografar na Guarda?

A riqueza dos nossos monumentos, que fazem já parte do meu portfólio, mas que não me canso de procurar outras perspetivas, a realização de eventos que tragam muita gente à rua, para aí sim me deliciar a fotografar expressões.

No Inverno, quando as neblinas estão localizadas na parte mais alta da cidade, também é um prazer fotografar e quando neva na mais alta.

 

Como têm reagido as pessoas à suas fotos?

A reação no geral é muito positiva; em primeiro lugar porque muitas das aves que publico nas redes sociais não são fáceis de registar e não são vulgares, de cores lindíssimas, de uma beleza invulgar.

Sendo habitual deslocar-me a muitos locais, fora do nosso distrito, tenho uma variedade enorme de espécies. Como publico fotos em várias páginas do facebook é frequente ter fotos reconhecidas e em destaque por esses grupos, daí que o feedback me parece positivo.

Foto ave - Eduardo Flor.jpg

O digital incrementou, junto das pessoas em geral, o gosto pela fotografia?

A facilidade com que agora se pode ter a experiência de fotografar, não é a mesma de há vinte anos atrás; neste momento com um simples telemóvel se pode tirar uma fotografia e publicar nas redes sociais sem nenhum custo, tornando assim mais fácil a experiência de fotografar, porém terá de se diferenciar a arte de fotografar e a simples captura de imagem.

Também o facto de podermos visualizar a imagem no imediato, assim como a facilidade de obter a foto, vem incentivar mais pessoas a fotografar.

Penso que não havendo a necessidade de criar condições especiais para a revelação, assim como a ausência dos custos associados, são também fatores facilitadores.

 

Fazer fotografia implica uma permanente atualização dos equipamentos?

Penso que no momento de comprar o equipamento deve-se pensar o que se pretende fotografar, pois teremos de comprar uma máquina, lente ou lentes, para vários tipos de fotografia.

O meu conselho é comprar uma camara média que, no momento da compra, pode ser um pouco mais cara, mas será uma máquina que durante uns anos servirá perfeitamente para o nosso objetivo sem precisarmos de atualizar o equipamento.

Conselho, perguntar sempre opinião a alguém que fotografe, um fotógrafo experiente dará sempre bons conselhos...

 

Os preços dos equipamentos são hoje mais acessíveis?

Bastantes mais acessíveis e não só; as máquinas fotográficas, neste momento são dotadas de configurações que há meia dúzia de anos atrás ninguém sonharia, filtros interiores, edição de imagem, GPS, Bluetooth, permitem isos altíssimos sem ruído nas fotos e, muito importante, bastante mais leves.

 

Para além das iniciativas que tem havido, na área de fotografia, o que podia ser ainda feito para aproximar o público em geral dos trabalhos fotográficos aqui produzidos?

Passeios fotográficos, como fazíamos antes da pandemia. Exposições de fotografia, debates com o tema “Fotografia”, realizar oficinas com abordagem a este tema.

Ave - Foto Eduardo Flor.jpg

 

Tem algum episódio curioso, ou que lhe tenha deixado boas recordações, no decorrer da sua atividade fotográfica?

Tenho feito bastantes amigos fora do distrito da Guarda, com episódios circunstanciais engraçados.

Recordo um episódio, antes da pandemia. Fui com um colega também fotógrafo de natureza dar uma volta pela zona de Figueira Castelo Rodrigo; andámos toda a manhã a fotografar, por volta das 13 horas fomos procurar um sítio para comer qualquer coisa.

Chegamos a uma aldeia e fomos a dois cafés para ver se nos podiam fazer uma sandes, mas nem pão nem nada para comer, mais à frente perguntámos a um habitante se haveria alguma aldeia perto daquela onde conseguíssemos comer algo. Disse logo que não, por ali não havia nada, mas para irmos à Casa do Povo onde estariam a preparar uns frangos para os caçadores de uma batida aos javalis, podia ser que dispensassem algum.

Lá fomos nós e realmente lá tinham as grelhas com frangos, dirigimo-nos ao senhor que estava a tomar conta da grelha e perguntamos se nos dispensava um frango, o senhor respondeu logo que sim e passados dois minutos já tínhamos uma mesa com pão caseiro um frango e umas cervejas, conversa mais conversa, o que fazíamos, o que fotografámos,

de onde eramos, se queríamos mais carne, que conheciam uma pessoa na Guarda com o meu apelido…bem, comemos até estarmos satisfeitos e ainda me ofereceram um garrafão de azeite!...

 

E episódio menos agradável?

Dois episódios menos agradáveis: o primeiro foi no verão passado, estava num local já há umas horas à espera que aparecesse algo para fotografar; de repente vem um bando de abelharucos beber água, quando aparecem, são cinco minutos de dezenas

de mergulhos, uma coisa brutal de se ver e fotografar, azar...ficaram tão perto de mim que a minha lente não os conseguia fotografar, foi mesmo uma grande frustração.

O segundo foi há três semanas atrás, descobri uma colónia também de abelharucos, uma das espécies de pássaros mais bonitos que vêm, nesta altura para acasalamento e fazer os ninhos em buracos profundos na terra onde criarão os filhos. Estavam muito juntos e em voos rasantes junto aos ninhos; coloquei a máquina no tripé e vai de disparar dezenas de fotos. Todo contente vim para casa rever as fotos que tinha feito...uma desgraça!... a maior parte todas desfocadas pois tinha alterado os modos da máquina para outro tipo de fotos e não fiz a respetiva correção. Importante, antes de sair de casa reparar nos valores da máquina, para não acontecerem erros destes.

Foto - Eduardo Lourenço.jpg

Que projetos tem no campo da fotografia?

Fazer umas quantas exposições com a fauna que temos por aqui… E quem sabe, fazer um catálogo com as espécies de aves do nosso Distrito.


Entrevista de:

Hélder Sequeira.

A propósito da Prisão Sanatório da Guarda...


Os edifícios da antiga Prisão Sanatório e da Cadeia Comarcã, como outros na Guarda, não podem ser dissociados do estudo da evolução citadina na segunda metade do século passado. As referidas estruturas devem ser valorizadas e estudadas face ao papel que desempenharam durante muito tempo; sobretudo a Prisão Sanatório pelo facto de ter sido pioneira em Portugal.

A construção de prisões-sanatório para o internamento dos presos condenados a qualquer pena privativa de liberdade, “que sejam tuberculosos ou predispostos para a tuberculose e necessitem de um tratamento compatível com um regime moderado de prisão” tinha sido já considerada na reforma dos serviços prisionais definida em 1936, através do Decreto-Lei nº 26643, de 28 de maio.

A necessidade de serem criados estabelecimentos prisionais com este perfil ficava sobejamente justificada face aos “graves e visíveis” inconvenientes do internamento de presos com tuberculose “nas prisões comuns”. Por outro lado, e como era referido no mencionado texto legal, “também não parece recomendável o internamento dos presos doentes nos sanatórios ou nas outras instalações destinadas a tuberculosos em geral (…)”; daí que a opção tenha sido pela “criação de uma prisão especial”.

Edifício que, como era sublinhado, foi construído “junto de um sanatório em funcionamento, com o principal intuito de, no interesse do Tesouro Público, aproveitar o material e o pessoal especializado pertencente a esse estabelecimento”.

Era igualmente anotado que a Prisão Sanatório da Guarda tinha “características novas dentro dos serviços penitenciários e que vai funcionar também em novos moldes, através do regime de colaboração a estabelecer com o Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”. O Decreto-Lei nº 40231, de 6 de julho de 1955, veio dar “existência jurídica” à Prisão Sanatório da Guarda.

A esta distância temporal, uma alusão ao facto poderá, para alguns, justificar apenas, e com alguma benevolência, um tímido registo de ocorrências do passado. Contudo, importa salientar que a entrada em funcionamento da Prisão Sanatório da Guarda representou mais uma inquestionável afirmação desta cidade – à época – no panorama nacional; isto na sequência de outros importantes serviços ou melhoramentos aqui realizados na primeira metade do século XX.

A escolha da Guarda para a localização desse estabelecimento prisional teve em conta, como já foi dito, a existência do conceituado Sanatório Sousa Martins (inaugurado em maio de 1907) e do seu reputado corpo clínico; aliás foi ele que assegurou o apoio médico e cirúrgico, no âmbito do protocolo estabelecido, então, entre o Ministério da Justiça e a Direção Geral de Assistência. Na Guarda teve lugar, neste contexto, a primeira aplicação prática dessa cooperação; atitude similar foi seguida, mais tarde, na Prisão Hospital S. João de Deus, cuja construção terminou muito tempo depois da inauguração do complexo prisional guardense.

A Prisão Sanatório da Guarda – junto à Cadeia Comarcã, inaugurada na mesma data, 29 de janeiro de 1955 – foi edificada para receber os reclusos, de todo o país, portadores de doenças pulmonares.

Como noticiou a imprensa citadina, a Prisão Sanatório era um “edifício magnífico, ocupando uma área de 1100 metros quadrados. Nas suas enfermarias e nos quartos de isolamento, optimamente mobilados, podem albergar-se mais de cem reclusos”. O Ministro da Justiça, de então, expressou, na altura, o desejo de “que muitos saiam daqui mais sãos no corpo, sobretudo mais sãos na alma”.

Prisão Sanatório - Guarda.jpg Foto de Arquivo_HS

 

No mapa nacional dos serviços prisionais, a mais alta cidade portuguesa ficava dotada, com uma estrutura ímpar, enquadrada na propalada “revolução no espírito e na orgânica”, fomentada e defendida pelos dirigentes políticos da época.

Por outro lado, ao serem viabilizadas novas instalações para a Cadeia Comarcã da Guarda libertou-se o centro da cidade do “espectáculo desagradável”, numa expressão da imprensa local, decorrente da permanência e do contacto com os presos, e asseguraram-se – pelo menos era essa a intenção oficialmente manifestada – novas condições para a desejada regeneração dos reclusos.

As duas prisões (e edifícios anexos para os guardas e serviços de apoio) representaram um investimento de cerca de 5 000 contos, verba muito significativa nos tempos (igualmente difíceis no plano financeiro), que decorriam.

A partir de 1971 passou a funcionar nas instalações da Prisão Sanatório o Estabelecimento Prisional Regional da Guarda, até porque “a evolução entretanto verificada nos métodos de tratamento da tuberculose determinou o encerramento daquela unidade prisional”, como era evocado no Decreto-Lei nº 359/85 de 3 de setembro que decretou a extinção da Prisão Sanatório da Guarda.

Apesar das sucessivas alterações, a matriz da Prisão Sanatório da Guarda permanece naquela estrutura que ladeia o atual Parque da Saúde, constituindo um património guardense em relação ao qual temos o dever da memória…

 

Hélder Sequeira

Discos Pedidos na Rádio


“Discos Pedidos” é o título da curta metragem, realizada por Luís Sequeira, que fala de um dos mais carismáticos programas da Rádio Altitude, nas décadas que antecederam a revolução de 25 de Abril de 1974.

O realizador referiu que “Discos Pedidos dá-nos a conhecer a realidade tão querida dos programas com esse formato, na Rádio Altitude (…). Este filme, mostra o lado de lá dos discos pedidos com um fiel retrato de uma espécie de jukebox do povo."

Discos Pedidos na Rádio Altitude

No filme/ documentário é também evocado o contexto político e social, bem como referidas algumas das músicas que eram alvo da censura e a formas como eram contornados os obstáculos para a sua difusão, por parte dos locutores/animadores de emissão.

A curta-metragem (que contou com a participação de antigos colaboradores e profissionais da Rádio Altitude, como é o caso de Emílio Aragonez) tem exteriores gravados no Parque da Saúde da Guarda, onde funcionou o antigo Sanatório Sousa Martins, e filmagens nas instalações da estação emissora guardense. Pode ser vista aqui.