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sábado, 1 de agosto de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

 


A Câmara Municipal está a preparar a candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.

Para a Câmara da Guarda a candidatura “será o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos. Cultura é o que faz de nós o que somos e o sonho do que queremos vir a ser.” Daí que a edilidade guardense solicite a colaboração ativa de todos através do preenchimento (até ao dia 15 de agosto) de um questionário, ao qual pode aceder aqui.

“Colabore na construção de uma visão cultural forte e partilhe este questionário com familiares e amigos, porque todos contam”, pede a autarquia.

“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

O município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais.

“A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.


Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.


terça-feira, 21 de julho de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

A Câmara Municipal da Guarda vai apresentar a sua candidatura a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.


Segundo a Câmara Municipal da Guarda, “a candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

Assim o município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. “A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.

Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Guarda vai ter variante de ligação à VICEG

 


A empreitada da obra “Regeneração e Mobilidade Urbana do Vale do Cabroeiro”, na Guarda, tem já o visto do Tribunal de Contas, reunindo as condições para se iniciarem os trabalhos de construção.

Estes incluem a abertura da variante da Rotunda dos Efes, conhecida também pela variante da “Ti Jaquina” (Joaquina Escada era uma conhecida figura da cidade e de inúmeras pessoas que a contactaram mercê da sua atividade comercial; durante 36 anos geriu um negócio que funcionou no Quiosque situado junto à atual Rotunda, o qual foi demolido em outubro de 2012)

Esta obra era um projeto aguardado pelos guardenses há mais de 30 anos A autarquia tinha já recebido o aval também do Tribunal de Contas ao financiamento da execução da obra, através da contratação do empréstimo e tem já à disposição todos os terrenos abrangidos pela operação urbanística.

A obra, entregue a um consórcio constituído por três empresas da Guarda, vai criar um novo acesso com cerca de um quilómetro entre o centro da cidade e a Via de Cintura Externa (VICEG) “criando uma nova centralidade e uma nova dinâmica na mobilidade”.

De referir que se assegura assim a ligação à rede viária da malha urbana dos bairros envolventes, Bairro da Senhora dos Remédios, Bairro da Luz, Bairro do Pinheiro, Póvoa do Mileu e Parque Industrial, “criando o acesso e infraestruturas para a maior área de expansão urbanística da Guarda das últimas décadas, possibilitando a construção de 500 novas habitações”, de acordo com informação divulgada nas redes sociais pela autarquia guardense.

Esta intervenção, com um prazo de execução de cerca de 3 anos, inclui o prolongamento em cerca de dois quilómetros da Ecovia já existente por forma a unir os bairros adjacentes, ligando a mobilidade urbana ciclável e pedonal da cidade, valorizando e salvaguardando a arborização e a estrutura verde, em sintonia com os corredores ecológicos e as valências recreativas.

“A obra é uma peça central do Plano Estratégico Guarda 2040 e não servirá apenas para a fluidez do trânsito, mas também para fixar pessoas. Com a intervenção será iniciada a maior área de expansão urbanística da Guarda das últimas décadas.” É sublinhado na informação divulgada pelo município guardense.


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Simpósio Internacional de Arte Contemporânea


A 9ª edição do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC) vai decorrer na Guarda de 11 a 19 de junho. 

Este evento irá decorrer sob diversas formas de expressão artística, como pintura, escultura, cerâmica, fotografia, arte urbana, instalação, literatura, teatro e música. As iniciativas vão espalhar-se por vários lugares da cidade, como o Museu da Guarda, Torre de Menagem, Capela do Solar dos Póvoas, Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (anfiteatro ao ar livre), Campus Internacional de Escultura Contemporânea, Foyer do Teatro Municipal da Guarda, espaço ExpoEcclesia e Sítio Arqueológico da Póvoa do Mileu.


Nesta edição, que decorrerá sob o lema “Entre o Lugar e o Horizonte”, o objetivo é criar uma ponte entre o património edificado, a paisagem urbana e as artes. Estarão envolvidos artistas locais, nacionais e internacionais, numa programação que inclui exposições de arte, instalação de arte digital, arte urbana, residências artísticas, oficinas, visitas comentadas, roteiros literários, palestras, cursos, música clássica, performances e intervenções no espaço urbano.

À semelhança das edições anteriores, o SIAC é dirigido a todos os públicos, desde profissionais da educação a estudantes, à comunidade em geral. O evento coloca a arte contemporânea no centro da vida cultural da cidade da Guarda, proporcionando momentos e experiências enriquecedoras ao nível individual e coletivo.

Nas residências artísticas haverá lugar para a pintura ao vivo por Peter Balikó (Hungria), Veronika Blyzniuchenko (Ucrânia), Blackson Fernando Afonso (Angola) e Beatriz Vieira da Silva (Guarda, Portugal). Na área da escultura estarão a trabalhar Maria Leal da Costa (Portugal) e José Luís Hinchado Morales (Espanha) e na cerâmica artística Iliana de Carvalho Menaia (Portugal) e Ana Marques Loureiro (Portugal). Na arte têxtil de parede estará a criar ao vivo Luísa Leão (Brasil) e na instalação artística Lara Amaral – (Guarda, Portugal). Pela cidade surgirão intervenções de arte urbana pelas mãos de André Silveira (Dub) – (Portugal), Nuno Aparício (Nuno Miles) (Guarda, Portugal) e Telmo Lourenço (Guarda, Portugal). 

O programa inclui a dinamização de um curso de vidragem de cerâmica pelo Mestre Pedro Rafael (Portugal) e um curso de arte urbana por Desy CXXIII (Guarda, Portugal). Serão realizadas três palestras conduzidas por Cristina Neiva Correia, conservadora do Palácio Nacional da Ajuda sobre “A arte da porcelana – do século XVIII à contemporaneidade”; por Pedro Renca, coordenador do projeto Casa de Artes da ULS de Coimbra dedicada à “Arte-Terapia: quando fazer arte é o melhor remédio” e por Nuno Horta, designer e artista visual, numa apresentação dedicada ao tema “Da página ao prestígio: o Impacto dos Catálogos de Arte”.

O programa inclui a visita performativa aos rituais funerários romanos no Mileu “Funus – Rituais de despedida”, no Conjunto Histórico do Mileu; a romaria literária pelo Centro Histórico “Pelos Passos dos Escritores da Guarda”, por Daniel Rocha e uma visita comentada ao Campus Internacional de Escultura Contemporânea, por Pedro Leitão e a Associação Hereditas. 

Durante o SIAC haverá lugar também à performance musical em quatro momentos com “O Lugar é nosso”, por Tiago Sami Pereira e convidados; Diogo Andrade com guitarra clássica; “Beat no Museu”, pelo DJ B. Riddim e Maze e “Entre o Lugar e o Horizonte”, pelo Trio Allegro, no dia de encerramento do SIAC.

Durante o evento estarão patentes ainda nove exposições: a sala expositiva João Mendes Rosa recebe a exposição coletiva “Incerteza Objetiva”, com curadoria de Martim Brion e com trabalhos de Pedro Boese, Martim Brion, Anna-Maria Bogner, Marco Stanke, José Maçãs de Carvalho e João Jacinto; a Galeria d’Arte Evelina Coelho acolhe a exposição de pintura e escultura “Com olhos de ver”, da dupla António Sousa Amaral e José Manuel Pereira; o Espaço #4 recebe a exposição evocativa “Ezequiel Batoréu: Dar forma às cores”; no espaço ExpoEcclesia estará a mostra “O Caminho da Criação: Horizontes cruzados, a partir da coleção do Museu da Guarda, com projeção em diaporama de fotografia de natureza por Eduardo Flor; a Torre de Menagem recebe  “Cerâmicas que contam Histórias” por Pedro Rafael; o Foyer do TMG recebe as exposições de fotografia “Mulheres (in)Foco”, de Inês Bernardo e a coletiva “Guardamente! – Registos visuais da cidade mais alta”, de Catarina Vilhena, Inês Bernardo e Arménio Bernardo; a Capela do Solar dos Póvoas “Lugar / Deslugar”, com artistas urbanos da região do Porto e da Guarda e com curadoria de Dub e o Espaço #5 recebe a coletiva “Entre o Lugar e o Horizonte”, com obras realizadas pelos artistas em residência no SIAC#9, a inaugurar no último dia do evento.

O programa pode ser consultado aqui


domingo, 19 de abril de 2026

Vinil "Beat da Montanha": lançado o Vol. I


       No Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda foi  apresentado  na passada  sexta-feira, 17 de abril, o “Beat na Montanha Vol. 1” em formato vinil e digital, editado pelo TMG.

Este trabalho nasceu de processos criativos desenvolvidos em contextos educativos, comunitários e prisionais, reunindo rap e cultura bass como ferramentas de expressão coletiva. Com produção de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira) e participação especial de Maze (Dealema), o álbum dá voz a histórias reais onde cada música é um encontro de talento, expressão, transformação e comunicação coletiva.


Beat na Montanha é um projeto de inclusão social através da arte onde música e palavra se encontram para dar a conhecer vozes que por norma não são ouvidas. “Une crianças, jovens e comunidades vulneráveis num encontro de criatividade, expressão e liberdade de movimento. Cada nota, cada verso, cada imagem é um gesto de inclusão, esperança e transformação”, aliado à sensibilidade artística de cada um.


“O Beat na Montanha aposta fortemente na inclusão social, não apenas como ação artística, mas como espaço de integração, comunidade, expressão de identidade, reconhecimento da diversidade e oportunidades iguais de participação criativa”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

Para ele, “a arte surge como ferramenta de transformação onde a música, a escrita, o som ou a imagem são vistos como meio de conectar diferentes pessoas, dar voz a quem normalmente não teria visibilidade, fomentando a autoestima, comunicação e empatia.”


Por outro lado, acrescentou, o Beat na Montanha “incentiva a descoberta de talento e expressão pessoal, oferecendo meios para que os participantes explorem diversas aptidões (ritmo, voz, imagem, vídeo, composição, escrita), e aprendam técnicas artísticas, colaborando e comunicando coletivamente. Insere grupos vulneráveis ou marginalizados (crianças em instituições sociais; reclusos) num contexto de criação artística coletiva e de valorização com a restante comunidade.”

Ao envolver escolas, instituições sociais e prisões, o Beat na Montanha demonstra que a arte, especialmente música e cultura urbana –onde neste projeto se destaca a sonoridade Hip-Hop – pode ser uma ponte entre realidades distintas e gerar laços comunitários, empatia, reconciliação e inclusão social.


Inclui ainda vertentes audiovisuais, design e ferramentas multimédia, ajudando a desenvolver competências técnicas e criativas nos participantes, algo que pode ter impacto educativo, cultural e até profissional no futuro dessas pessoas.

O vinil está já pode ser adquirido.






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A propósito de Ernesto Pereira

 

Jornalista, advogado e jurista, Ernesto Pereira nasceu na Guarda a 9 de fevereiro de 1903.

Para a posteridade deixou múltiplos, quanto dispersos, testemunhos das suas observações, análises; sustentadas numa inteligência lúcida e brilhante, num trabalho determinado em prol do desenvolvimento da sua cidade.

Embora o seu espólio não seja muito vasto, legou-nos textos de excelente recorte literário, a par de outros onde emergem as suas convicções, a postura moral, uma personalidade forte, uma cultura vasta.

Licenciado em Direito, a paixão pelo jornalismo cresceu progressivamente, e em paralelo, com a sua dedicação à causa da Guarda; no início de 1926, fundou o jornal a Actualidade, projeto que prosseguiu um ano depois em Pinhel, onde se radicou por motivos de ordem profissional.

Naquela cidade integrou a Comissão Orientadora da Frente Única Republicana, empenhando-se, por outro lado, na revitalização da corporação dos Bombeiros Voluntários. Fundou, na cidade falcão, o Colégio, do qual não pôde ser diretor porque o Ministério da tutela o considerava da oposição ao sistema político vigente.

Como por várias vezes deixou claro, o causídico guardense não era pessoa para desistir perante as contrariedades. “Por mil vezes que a pedra se despenhe, voltarei, com muitos esforços, canseiras e sacrifícios, a empurrá-la. E nunca desistirei – porque nunca desiste o homem verdadeiramente digno desse nome”; uma predisposição que demonstrava também na barra do Tribunal, independentemente da complexidade dos processos, servindo-se das suas qualidades oratórias, em tantas ocasiões postas ao serviço de casos que sabia, à partida, dificilmente seriam remunerados.

Num processo julgado no Tribunal da Guarda, em que eram acusados alguns estudantes por desrespeito a um agente da autoridade, Ernesto Pereira assumiu a defesa dos jovens, sem indagar ou avaliar as possibilidades económicas dos mesmos; dirigindo-se ao Juiz, sustentou que “tão digna é a toga que V. Exª usa como a capa negra de um estudante”.

Depois de uma passagem, profissional, pelo Porto voltou à Guarda onde, a partir de 1942, foi editor da Revista Altitude. Lutou pela criação do Museu da Guarda onde viria a assumir funções diretivas.

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Empossado no cargo de Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico.

Por certo seria a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

Os problemas urbanísticos estiveram, igualmente, no rol das preocupações do edil guardense. A localização do Colégio Feminino, o novo Cine Teatro, a regularização do Bairro do Bonfim (e da entrada da cidade por esse lado), a abertura dos arruamentos de acesso à Sé, bem como a urbanização da Guarda-Gare foram assuntos devidamente equacionados junto das entidades por quem passava a sua resolução.

No ano seguinte foi nomeado Governador Civil da Guarda, cargo no decorrer do qual procurou afirmar o distrito e incrementar o seu desenvolvimento através de eixos rodoviários e ferroviários; neste último plano, para além das atenções que dedicou às linhas da Beira Alta e Beira Baixa, defendeu a “necessidade urgente de prolongar até Barca de Alva a marcha do comboio diário que sai do Porto, cerca das 15.55 até ao Tua (...). Levar tal comboio até Barca de Alva representa um valioso benefício para as populações do Douro, tanto do lado da Beira e distrito da Guarda, como do lado de Trás-os-Montes e distrito de Bragança”.

Ao longo do período em que desempenhou as funções de Governador Civil, o relacionamento com as autoridades espanholas da província de Salamanca inscreveu-se nas suas prioridades de atuação, procurando incrementar contactos oficiais e pessoais, certo de que seria uma excelente fórmula para resolver muitas questões resultantes da convivência fronteiriça.

Na cidade, o seu círculo íntimo de amigos integrava o Dr. João de Almeida e o Dr. João Gomes (advogado, democrata convicto, opositor ao regime e que foi, como é do domínio público, uma das mais prestigiadas e consideradas personalidades políticas no pós-25 de Abril).

Em 1952, Ernesto Pereira deixou a Guarda para tomar posse como Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, passando a residir em Lisboa, onde, com frequência, recebia os amigos mais chegados, como António Andrade, Ladislau Patrício, e José Domingues Paulo (uma das grandes amizades dos seus últimos anos).

O seu irmão Abel Pereira (conhecido jornalista do Diário Popular) era outra das presenças, frequentes, na sua casa, onde viria a falecer em Julho de 1966.

A figura deste guardense não se pode analisar fora do contexto da sua época, e desarticulada de um conjunto de determinantes pessoais e familiares. Ernesto Pereira é, sem dúvida, um nome grande da Guarda, cidade onde deixou obra feita ou definida; os regulares contactos ou o convívio com personalidades politicamente posicionadas, não significaram, necessariamente, o partilhar de ideias e objetivos, sobretudo quando se tinha um rigoroso conceito de amizade e um espírito de permanente defesa da liberdade de expressão e pensamento.

Era um homem que procurou sempre a verdade, “essa doce miragem que perpetuamente fascina”, como escreveu em 1926.

A cidade de Pinhel tem o seu nome consagrado na toponímia local, o mesmo acontecendo na Guarda; cidade que não deve esquecer esta carismática personalidade do passado século (como advogado, como jornalista, como autarca, como Governador, como Juiz) .

 

Hélder Sequeira 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Câmara da Guarda envia apoio para a Marinha Grande

 

A Câmara Municipal da Guarda vai enviar hoje para a Marinha Grande uma equipa de apoio com viaturas operacionais, ferramentas e materiais (como lonas), para ajudar as populações afetadas pela depressão Kristin.

Segundo a autarquia guardense, esta ação está a ser desenvolvida em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, a Câmara Municipal da Marinha Grande, a Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande e a Estrutura de Missão para as Zonas Afetadas pela Depressão Kristin, “garantindo uma resposta coordenada no terreno”.


A equipa é composta por 10 elementos (eletricistas, serralheiros, canalizadores, técnicos e operacionais), que vão proceder ao levantamento das necessidades mais urgentes e intervir logisticamente no apoio às populações. Após este levantamento, o Município da Guarda irá solicitar a colaboração para a cedência de materiais a encaminhar para a Marinha Grande.