A minha Lista de blogues

Mostrar mensagens com a etiqueta Almeida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Almeida. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Batalha do Côa

 

Hoje, 24 de julho, ocorre a passagem do 216º aniversário da trágica batalha do Côa, ocorrida no decurso da progressão dos militares franceses no contexto da terceira invasão das tropas de Napoleão.

As tropas anglo-lusas lutaram contra as forças do exército francês do Marechal Ney, no local do Cabeço Negro, junto às margens do rio. Esta batalha antecedeu a queda da fortaleza de Almeida e a sua ocupação pelas tropas que entraram em Portugal, sob o comando de Massena.


Christa Hook, La division légère repoussant les 
grenadiers du 66e de ligne sur le pont de la Côa.© Christa Hook.

Este rio, recorde-se, foi até 1297 foi o limite da fronteira entre os territórios dos reinos de Portugal e Castela; atravessa o concelho de Almeida e é um dos poucos a correr de sul para norte. Com a assinatura do Tratado de Alcanices, por D. Fernando de Castela e D. Dinis de Portugal, o castelo de Almeida – entre outras fortalezas – passou para o domínio da coroa portuguesa.

Esta zona teve uma grande importância estratégica, do ponto de vista militar; aqui se travaram, ao longo dos séculos, várias batalhas. A importância da fortaleza de Almeida cedo foi acentuada; após o primeiro de dezembro de 1640, o rei D. João IV ordenou a sua reparação, face aos momentos e às difíceis contendas que se avizinhavam.

Desde logo ficou percetível o papel preponderante que Almeida ia ter no processo bélico de manutenção da independência. A vila foi transformada em sede do quartel-general do Governador de Armas da Beira, constituindo-se na mais importante praça do reino português.

Álvaro de Abranches, um dos conjurados da Revolução de 1640 e membro do Conselho de Guerra de D. João IV, foi o primeiro Governador de Armas de Almeida, empenhando-se, de imediato no seu eficaz guarnecimento, rentabilizado o sistema de fortificações de que estava dotada.

 Mais tarde a história de Almeida cruza-se com as célebres, quanto dramáticas, invasões francesas. Destas, a terceira incursão conduzida por André Massena foi a que deixou marcas mais profundas na denominada “Estrela de Pedra”.

Após a conquista de Ciudad Rodrigo (Espanha), em 10 de Junho de 1810, pelas tropas francesas o objetivo do exército invasor era o domínio da praça portuguesa, que teria cerca de 2000 habitantes e estava guarnecida com 5 000 soldados e 115 peças de artilharia. Com a aproximação das forças francesas, o comando do exército anglo-luso apelou aos habitantes para abandonarem as suas casas e levarem os seus haveres.

Nos primeiros dias de agosto de 1810 o Marechal Massena mandou avançar o Oitavo Corpo do exército francês, sob o comando de Junot, dando início ao cerco de Almeida, a 10 de agosto, cuja guarnição militar era chefiada pelo coronel inglês Guilherme Cox, sendo Tenente-Rei o almeidense Francisco Bernardo da Costa.

O cerco decorria há 17 dias quando, ao cair da noite, uma granada francesa provocou uma explosão em cadeia que destruiu o paiol principal, onde estavam armazenadas 75 toneladas de pólvora; centenas de mortos e enormes danos no interior da fortaleza foi o balanço imediato da tragédia. Na manhã seguinte, 27 de agosto de 1810, Massena exigiu do comandante inglês a rendição imediata da praça, o que acabou por suceder nessa noite.

A fortaleza de Almeida, em estilo Vauban, tem uma planta em forma de estrela irregular, integrando seis baluartes: o de S. Francisco, São João de Deus, Santa Bárbara (designado também de Praça Alta), do Trem (ou de Nossa Senhora das Brotas), Santo António e São Pedro, articulados com idêntico número de revelins.

O conjunto monumental deste baluarte beirão encontra-se rodeada por largos e profundos fossos. Para além das majestosas Portas de Santo António e São Francisco destacam-se no complexo desta fortaleza abaluartada as casamatas, espaços subterrâneos cuja estrutura e solidez os tornava imunes às bombas da época.

No interior do perímetro amuralhado encontra-se o Quartel das Esquadras que ficou a dever-se ao Conde de Lippe (Frederico Guilherme de Schaumburg-Lippe), edifício onde estiveram instaladas forças de infantaria; a antiga Casa dos Governadores da Praça de Almeida; o edifício do Corpo da Guarda Principal (onde funciona a Câmara Municipal), a Igreja da Misericórdia, a Casa dos Vedores Gerais, a Casa da Câmara e o Antigo Convento de Nossa Senhora do Loreto (atual Igreja Matriz) são outros edifícios emblemáticos desta vila do distrito da Guarda.


Hélder Sequeira 

 

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Prémio Literário Júlio Pinheiro

 

As candidaturas para a terceira edição do Prémio Literário Júlio Pinheiro vão decorrer entre 15 de março de 2026 e 15 de abril de 2026.

A Fundação Família Luzia Esteves Pinheiro, em parceria com a Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo do Município de Almeida, pretende com esta iniciativa prestar homenagem à memória, ao legado cultural e ao contributo intelectual do Padre José Júlio Esteves Pinheiro, falecido em 11 de julho de 2020.

Natural de Malhada Sorda (Almeida), onde nasceu a 6 de agosto de 1935, Júlio Pinheiro foi ordenado sacerdote em 20 de agosto de 1958, por D. Domingos da Silva Gonçalves, foi coadjutor da Paróquia da Conceição na Covilhã e em 1959 coadjutor e capelão do Hospital do Sabugal; lecionou no Externato Secundário do Sabugal. José Júlio Pinheiro esteve também ligado aos migrantes na Polónia e em França, onde foi assistente nacional dos emigrantes e diretor da Revista “Evangelho e Vida”.

Licenciado em Psicologia, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, fez posteriormente a licenciatura em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em França obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doctorat d’Etat. Integrou o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e desenvolveu ampla atividade na área do ensino.

A partir de 1991 foi professor da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, tendo sido também docente da Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto do Instituto Politécnico da Guarda.

Colaborou com vários jornais e revistas, nomeadamente com o jornal quinzenário “Notícias da Guarda”, o semanário “A Guarda” e a Revista “Praça Velha”, além de outras publicações de perfil cultural ou académico.


A terceira edição do prémio literário com o seu nome é subordinada ao tema “Caminhos”, convidando os autores a refletirem sobre percursos, escolhas, travessias e encontros que moldam identidades e constroem histórias. O prémio promove a criação literária contemporânea em língua portuguesa e em língua francesa, valorizando também a diáspora da aldeia natal do homenageado, Malhada Sorda.

“Mais do que uma distinção, este prémio representa um compromisso com a preservação da memória e dos valores que marcaram o percurso do Padre José Júlio Esteves Pinheiro. Afirma-se como um espaço de estímulo à criatividade, à reflexão e à expressão artística, incentivando escritores a contribuir para o enriquecimento do panorama literário e cultural.” É referido numa nota informativa divulgada a propósito deste prémio.

Ao longo das suas edições, o Prémio Literário Padre José Júlio Esteves Pinheiro tem consolidado o seu papel como referência no incentivo à produção literária, reunindo participantes de diversos pontos do mundo onde a língua portuguesa permanece viva.

“A continuidade desta iniciativa reforça o compromisso da organização com a promoção da cultura, da leitura e da valorização da literatura como património vivo e em constante construção.”

Os interessados podem obter mais informações aqui.

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Derrocada na muralha de Almeida


Em Almeida ocorreu uma derrocada de parte da muralha da fortaleza daquela vila, no sítio da Praça Alta, tendo-se registado a queda de pedras.


Foto: Câmara Municipal de Almeida

Uma ocorrência na sequência das intempéries que se têm feito sentir e que levou à tomada de medidas de sinalização e proibição de acesso, “de forma a salvaguardar a proteção de todas as pessoas que ali possam circular”, como informou a Câmara Municipal de Almeida.

Aquela autarquia apela “ao respeito pela sinalização existente e à não aproximação da zona interditada.”

De referir ainda que ocorreu uma derrocada numa parte da estrutura da Ponte dos Gaiteiros. Esta ponte integra um caminho rural que estabelece ligação a Valverde e à Estrada Nacional 340.

Por motivos de segurança, a ponte encontra-se devidamente vedada, estando interdita a circulação sobre a mesma até nova avaliação das condições estruturais.