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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Invasão francesa recordada em Almeida

 


Em Almeida vai decorrer a partir de hoje e até domingo, 30 de agosto, mais uma edição da recriação histórica do cerco daquela vila, ocorrido durante a terceira invasão francesa em 1810. Esta iniciativa é já considerada uma referência nacional e internacional na recriação das invasões napoleónicas.

Recorde-se que no passado dia 24 de julho foi assinalado mais um aniversário da trágica batalha do Côa, ocorrida no decurso da progressão dos militares franceses. As tropas anglo-lusas lutaram contra as forças do exército francês do Marechal Ney, no local do Cabeço Negro, junto às margens do rio; esta batalha antecedeu a queda da fortaleza de Almeida e a sua ocupação pelas tropas que entraram em Portugal, sob o comando de Massena.


O Rio Côa foi, até 1297, foi o limite da fronteira entre os territórios dos reinos de Portugal e Castela; atravessa o concelho de Almeida e é um dos poucos a correr de sul para norte. Com a assinatura do Tratado de Alcanices, por D. Fernando de Castela e D. Dinis de Portugal, o castelo de Almeida – entre outras fortalezas – passou para o domínio da coroa portuguesa.

Esta zona teve um grande papel estratégico, do ponto de vista militar; aqui se travaram, ao longo dos séculos, várias batalhas. A importância da fortaleza de Almeida cedo foi acentuada; após o primeiro de dezembro de 1640, o rei D. João IV ordenou a sua reparação, face aos momentos e às difíceis contendas que se avizinhavam.

Desde logo ficou percetível o papel preponderante que Almeida ia ter no processo bélico de manutenção da independência. A vila foi transformada em sede do quartel-general do Governador de Armas da Beira, constituindo-se na mais importante praça do reino português.


Álvaro de Abranches, um dos conjurados da Revolução de 1640 e membro do Conselho de Guerra de D. João IV, foi o primeiro Governador de Armas de Almeida, empenhando-se, de imediato no seu eficaz guarnecimento, rentabilizado o sistema de fortificações de que estava dotada.

A história de Almeida cruza-se, mais tarde, com as célebres – quanto dramáticas – invasões francesas. Destas, a terceira incursão conduzida por André Massena foi a que deixou marcas mais profundas na denominada “Estrela de Pedra”.

Após a conquista de Ciudad Rodrigo (Espanha), em 10 de Junho de 1810, pelas tropas francesas o objetivo do exército invasor era dominar a praça portuguesa, que teria cerca de 2000 habitantes e estava guarnecida com 5 000 soldados e 115 peças de artilharia. Com a aproximação das forças francesas, o comando do exército anglo-luso apelou aos habitantes para abandonarem as suas casas e levarem os seus haveres.

Nos primeiros dias de agosto de 1810 o Marechal André Massena mandou avançar o Oitavo Corpo do exército francês, sob o comando de Junot, dando início ao cerco de Almeida, a 10 de agosto, cuja guarnição militar era chefiada pelo coronel inglês Guilherme Cox, sendo Tenente-Rei o almeidense Francisco Bernardo da Costa.

O cerco decorria há 17 dias quando, ao cair da noite, uma granada francesa provocou uma explosão em cadeia que destruiu o paiol principal, onde estavam armazenadas 75 toneladas de pólvora; centenas de mortos e enormes danos no interior da fortaleza foi o balanço imediato da tragédia.

Na manhã seguinte, 27 de agosto de 1810, Massena exigiu do comandante inglês a rendição imediata da praça, o que acabou por suceder nessa noite.

A fortaleza de Almeida, em estilo Vauban, tem uma planta em forma de estrela irregular, integrando seis baluartes: o de S. Francisco, São João de Deus, Santa Bárbara (designado também de Praça Alta), do Trem (ou de Nossa Senhora das Brotas), Santo António e São Pedro, articulados com idêntico número de revelins.

O conjunto monumental deste baluarte beirão encontra-se rodeada por largos e profundos fossos. Para além das majestosas Portas de Santo António e São Francisco destacam-se no complexo desta fortaleza abaluartada as casamatas, espaços subterrâneos cuja estrutura e solidez os tornava imunes às bombas da época.


No interior do perímetro amuralhado encontra-se o Quartel das Esquadras que ficou a dever-se ao Conde de Lippe (Frederico Guilherme de Schaumburg-Lippe), edifício onde estiveram instaladas forças de infantaria; a antiga Casa dos Governadores da Praça de Almeida; o edifício do Corpo da Guarda Principal (onde funciona a Câmara Municipal), a Igreja da Misericórdia, a Casa dos Vedores Gerais, a Casa da Câmara e o Antigo Convento de Nossa Senhora do Loreto (atual Igreja Matriz) são outros edifícios emblemáticos desta vila do distrito da Guarda.

A recriação histórica começa hoje, pelas 22h00 no Picadeiro D’el Rey acontece o Baile e Sarau Cultural Oitocentista “Do Salão até à Praça”.

O Município de Almeida promove, amanhã e domingo (29 a 30 de agosto), visitas técnicas subordinadas ao tema "Da efeméride do Imperador à tomada da Fortaleza: uma visita pela Praça-forte de Almeida". Esta atividade é um convite para o público geral, desafiando o visitante a explorar as marcas de guerra deixadas nas muralhas abaluartadas e no centro histórico de Almeida, descobrindo vários pontos de interesse, no contexto do cerco efetuado entre os dias 15 a 28 de agosto de 1810.


O percurso orientado, com uma extensão de 2,2 quilómetros e uma hora e trinta minutos de duração, ocorre no sábado das 10.30 às 12 horas e das 17h30 às 19 horas, enquanto que no domingo será das 15 às 16h30, com ponto de encontro no Centro Interpretativo da Fortalezas Abaluartadas da Raia, Portas Externas de São Francisco, em Almeida.

Com esta recriação histórica, que se inicia já hoje, Almeida “regressa ao passado, recriando episódios, ambientes, personagens e vivências de outras épocas, num evento que conjuga a valorização do património histórico e cultural com a animação e a participação do público”.

Durante estes três dias vão decorrer, paradas militares, acampamentos históricos, demonstrações de táticas de batalha, enquanto no Mercado Oitocentista, os visitantes podem observar a recriação do trabalho de artesãos, mercadores e ofícios do século XIX.


Hélder Sequeira 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Batalha do Côa

 

Hoje, 24 de julho, ocorre a passagem do 216º aniversário da trágica batalha do Côa, ocorrida no decurso da progressão dos militares franceses no contexto da terceira invasão das tropas de Napoleão.

As tropas anglo-lusas lutaram contra as forças do exército francês do Marechal Ney, no local do Cabeço Negro, junto às margens do rio. Esta batalha antecedeu a queda da fortaleza de Almeida e a sua ocupação pelas tropas que entraram em Portugal, sob o comando de Massena.


Christa Hook, La division légère repoussant les 
grenadiers du 66e de ligne sur le pont de la Côa.© Christa Hook.

Este rio, recorde-se, foi até 1297 foi o limite da fronteira entre os territórios dos reinos de Portugal e Castela; atravessa o concelho de Almeida e é um dos poucos a correr de sul para norte. Com a assinatura do Tratado de Alcanices, por D. Fernando de Castela e D. Dinis de Portugal, o castelo de Almeida – entre outras fortalezas – passou para o domínio da coroa portuguesa.

Esta zona teve uma grande importância estratégica, do ponto de vista militar; aqui se travaram, ao longo dos séculos, várias batalhas. A importância da fortaleza de Almeida cedo foi acentuada; após o primeiro de dezembro de 1640, o rei D. João IV ordenou a sua reparação, face aos momentos e às difíceis contendas que se avizinhavam.

Desde logo ficou percetível o papel preponderante que Almeida ia ter no processo bélico de manutenção da independência. A vila foi transformada em sede do quartel-general do Governador de Armas da Beira, constituindo-se na mais importante praça do reino português.

Álvaro de Abranches, um dos conjurados da Revolução de 1640 e membro do Conselho de Guerra de D. João IV, foi o primeiro Governador de Armas de Almeida, empenhando-se, de imediato no seu eficaz guarnecimento, rentabilizado o sistema de fortificações de que estava dotada.

 Mais tarde a história de Almeida cruza-se com as célebres, quanto dramáticas, invasões francesas. Destas, a terceira incursão conduzida por André Massena foi a que deixou marcas mais profundas na denominada “Estrela de Pedra”.

Após a conquista de Ciudad Rodrigo (Espanha), em 10 de Junho de 1810, pelas tropas francesas o objetivo do exército invasor era o domínio da praça portuguesa, que teria cerca de 2000 habitantes e estava guarnecida com 5 000 soldados e 115 peças de artilharia. Com a aproximação das forças francesas, o comando do exército anglo-luso apelou aos habitantes para abandonarem as suas casas e levarem os seus haveres.

Nos primeiros dias de agosto de 1810 o Marechal Massena mandou avançar o Oitavo Corpo do exército francês, sob o comando de Junot, dando início ao cerco de Almeida, a 10 de agosto, cuja guarnição militar era chefiada pelo coronel inglês Guilherme Cox, sendo Tenente-Rei o almeidense Francisco Bernardo da Costa.

O cerco decorria há 17 dias quando, ao cair da noite, uma granada francesa provocou uma explosão em cadeia que destruiu o paiol principal, onde estavam armazenadas 75 toneladas de pólvora; centenas de mortos e enormes danos no interior da fortaleza foi o balanço imediato da tragédia. Na manhã seguinte, 27 de agosto de 1810, Massena exigiu do comandante inglês a rendição imediata da praça, o que acabou por suceder nessa noite.

A fortaleza de Almeida, em estilo Vauban, tem uma planta em forma de estrela irregular, integrando seis baluartes: o de S. Francisco, São João de Deus, Santa Bárbara (designado também de Praça Alta), do Trem (ou de Nossa Senhora das Brotas), Santo António e São Pedro, articulados com idêntico número de revelins.

O conjunto monumental deste baluarte beirão encontra-se rodeada por largos e profundos fossos. Para além das majestosas Portas de Santo António e São Francisco destacam-se no complexo desta fortaleza abaluartada as casamatas, espaços subterrâneos cuja estrutura e solidez os tornava imunes às bombas da época.

No interior do perímetro amuralhado encontra-se o Quartel das Esquadras que ficou a dever-se ao Conde de Lippe (Frederico Guilherme de Schaumburg-Lippe), edifício onde estiveram instaladas forças de infantaria; a antiga Casa dos Governadores da Praça de Almeida; o edifício do Corpo da Guarda Principal (onde funciona a Câmara Municipal), a Igreja da Misericórdia, a Casa dos Vedores Gerais, a Casa da Câmara e o Antigo Convento de Nossa Senhora do Loreto (atual Igreja Matriz) são outros edifícios emblemáticos desta vila do distrito da Guarda.


Hélder Sequeira 

 

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Prémio Literário Júlio Pinheiro

 

As candidaturas para a terceira edição do Prémio Literário Júlio Pinheiro vão decorrer entre 15 de março de 2026 e 15 de abril de 2026.

A Fundação Família Luzia Esteves Pinheiro, em parceria com a Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo do Município de Almeida, pretende com esta iniciativa prestar homenagem à memória, ao legado cultural e ao contributo intelectual do Padre José Júlio Esteves Pinheiro, falecido em 11 de julho de 2020.

Natural de Malhada Sorda (Almeida), onde nasceu a 6 de agosto de 1935, Júlio Pinheiro foi ordenado sacerdote em 20 de agosto de 1958, por D. Domingos da Silva Gonçalves, foi coadjutor da Paróquia da Conceição na Covilhã e em 1959 coadjutor e capelão do Hospital do Sabugal; lecionou no Externato Secundário do Sabugal. José Júlio Pinheiro esteve também ligado aos migrantes na Polónia e em França, onde foi assistente nacional dos emigrantes e diretor da Revista “Evangelho e Vida”.

Licenciado em Psicologia, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, fez posteriormente a licenciatura em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em França obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doctorat d’Etat. Integrou o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e desenvolveu ampla atividade na área do ensino.

A partir de 1991 foi professor da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, tendo sido também docente da Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto do Instituto Politécnico da Guarda.

Colaborou com vários jornais e revistas, nomeadamente com o jornal quinzenário “Notícias da Guarda”, o semanário “A Guarda” e a Revista “Praça Velha”, além de outras publicações de perfil cultural ou académico.


A terceira edição do prémio literário com o seu nome é subordinada ao tema “Caminhos”, convidando os autores a refletirem sobre percursos, escolhas, travessias e encontros que moldam identidades e constroem histórias. O prémio promove a criação literária contemporânea em língua portuguesa e em língua francesa, valorizando também a diáspora da aldeia natal do homenageado, Malhada Sorda.

“Mais do que uma distinção, este prémio representa um compromisso com a preservação da memória e dos valores que marcaram o percurso do Padre José Júlio Esteves Pinheiro. Afirma-se como um espaço de estímulo à criatividade, à reflexão e à expressão artística, incentivando escritores a contribuir para o enriquecimento do panorama literário e cultural.” É referido numa nota informativa divulgada a propósito deste prémio.

Ao longo das suas edições, o Prémio Literário Padre José Júlio Esteves Pinheiro tem consolidado o seu papel como referência no incentivo à produção literária, reunindo participantes de diversos pontos do mundo onde a língua portuguesa permanece viva.

“A continuidade desta iniciativa reforça o compromisso da organização com a promoção da cultura, da leitura e da valorização da literatura como património vivo e em constante construção.”

Os interessados podem obter mais informações aqui.

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Derrocada na muralha de Almeida


Em Almeida ocorreu uma derrocada de parte da muralha da fortaleza daquela vila, no sítio da Praça Alta, tendo-se registado a queda de pedras.


Foto: Câmara Municipal de Almeida

Uma ocorrência na sequência das intempéries que se têm feito sentir e que levou à tomada de medidas de sinalização e proibição de acesso, “de forma a salvaguardar a proteção de todas as pessoas que ali possam circular”, como informou a Câmara Municipal de Almeida.

Aquela autarquia apela “ao respeito pela sinalização existente e à não aproximação da zona interditada.”

De referir ainda que ocorreu uma derrocada numa parte da estrutura da Ponte dos Gaiteiros. Esta ponte integra um caminho rural que estabelece ligação a Valverde e à Estrada Nacional 340.

Por motivos de segurança, a ponte encontra-se devidamente vedada, estando interdita a circulação sobre a mesma até nova avaliação das condições estruturais.