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sábado, 11 de julho de 2026

Hotel Turismo da Guarda: requalificação vai avançar

 

O Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou ontem na Guarda que já tinha assinado o despacho de adjudicação das obras de requalificação do edifício do Hotel Turismo, desta cidade.


De acordo com aquele membro do Governo, a adjudicação foi feita ao grupo Lince. O Grupo The Lince Hotels é um projeto “que nasceu do sonho e motivação de Domingos Correia- CEO do Grupo Arliz- em apostar na diferença, excelência, autenticidade e inovação na hospitalidade. Uma aposta clara deste grupo hoteleiro português que se antecipa às expectativas, necessidades e motivações de quem nos procura.” É referido no sítio daquele grupo na internet.

Para a prossecução deste processo de requalificação falta agora a autorização do Ministério das Finanças, seguindo-se depois à apresentação do projeto à Câmara Municipal da Guarda. Recorde-se que no passado mês de março tinha sido aberto, pelo Turismo de Portugal, concurso público para requalificação do edifício, sendo mencionada a opção de compra a partir do quarto ano. As obras, a cargo do Grupo Lince, deverão ser concluídas num prazo entre 18 a 24 meses.

O edifício do Hotel de Turismo da Guarda, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, encerrou a 31 de outubro de 2010. Esta unidade hoteleira, cuja propriedade era detida pela Sociedade Hotel de Turismo – da qual a autarquia guardense era a única acionista – foi vendida, por 3,5 milhões de euros, ao Instituto de Turismo de Portugal (ITP) que ali previa instalar ali uma Escola-Hotel, de quatro estrelas.

A venda do imóvel já tinha sido aprovada, pela maioria socialista, em reunião do executivo municipal, decisão ratificada, posteriormente, na Assembleia Municipal, com os votos do PS e do único deputado da CDU; os deputados do PSD e do Bloco de Esquerda votaram contra. Mais tarde o executivo municipal aprovou a dissolução da Sociedade Hotel de Turismo da Guarda, que em 2007 tinha adquirido esta unidade hoteleira à Câmara Municipal, após ter terminado o contrato de concessão com a empresa arrendatária.

A escolha do local para a construção deste Hotel foi feita, na década de trinta do século passado, pelo executivo municipal da Guarda, apoiado no parecer da Comissão de Iniciativa e Turismo. O projeto arquitetónico – da autoria de Vasco Regaleira – foi apresentado, publicamente, em 1933. Dificuldades de vária ordem, nomeadamente de ordem financeira, atrasaram as obras de construção, iniciadas em janeiro de 1934, no então denominado Campo da Boavista.

Ernesto Pereira, empossado em 1946 como Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na conclusão das obras construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria também a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

A inauguração do Hotel de Turismo da Guarda – à época uma das unidades hoteleiras mais prestigiadas de Portugal – ocorreu a 6 de julho de 1947, sendo concessionado pela entidade proprietária, a Câmara Municipal

Na década de 60 foram realizadas obras de ampliação do edifício, as quais seriam concluídas em 1971. Anos mais tarde o hotel viria a alvo de algumas melhorias e de transformações internas, de forma a adaptar-se às novas solicitações e necessidades de uma estrutura deste género, um dos alojamentos preferidos (e selecionado), durante décadas, nesta região do interior.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Capacitação Digital dos Operadores Turísticos


O Município da Guarda está a promover o Programa Municipal de Capacitação Digital dos Operadores Turísticos para que as empresas possam melhorar e promover a presença digital dos seus negócios.


Segundo a autarquia, a medida prevê a disponibilização de vouchers de serviços até dois mil euros por empresa, em áreas como a fotografia, vídeos, gestão de redes sociais, websites, lojas e-commerce e posicionamento digital.

Este apoio é vocacionado a micro, pequenas e médias empresas, e empresários em nome individual, nomeadamente dos setores do alojamento local e turismo rural, restauração e similares, agências de viagem e operadores turísticos.

O programa, promovido em parceria com o NERGA – Associação Empresarial da Região da Guarda, e com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pretende contribuir para a modernização digital dos operadores locais, reforçando a sua capacidade de comunicação, visibilidade e competitividade, contribuindo para a valorização da oferta turística do concelho. As empresas abrangidas pelo programa não terão custos.

A Câmara Municipal da Guarda disponibiliza assistência técnica especializada para acompanhar gratuitamente todo o processo, incluindo o esclarecimento sobre o programa, a validação de elegibilidade, o apoio na preparação da documentação e o acompanhamento da candidatura.

Outras informações complementares podem ser obtidas através da linha de apoio 924 139 483.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

II Congresso Mundial Turismo do Interior na Guarda

 

O II Congresso Mundial Turismo do Interior decorrerá na cidade da Guarda nos dias 18 e 19 de novembro, deste ano.

Este congresso, que acontece pela primeira vez em Portugal, vai juntar autarcas, empresários, profissionais de turismo, professores universitários, estudantes da área de turismo e dirigentes da administração local num debate alargado sobre os desafios e oportunidades dos territórios do interior com o objetivo de delinear estratégias de desenvolvimento para os dois territórios.

O evento é organizado pela Associação Ibérica de Turismo do Interior, com o apoio do Câmara Municipal da Guarda e do Turismo do Centro.


A apresentação deste congresso foi feita hoje no Teatro Municipal da Guarda através de uma conferência de imprensa. O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, destacou a importância do evento para a estratégia de afirmação e valorização do território colocando a Guarda na centralidade ibérica e na montra do turismo mundial.

O autarca lembrou que a Guarda está no epicentro de um território que ostenta várias chancelas da UNESCO e que já se deu início à ambição de ver o Centro Histórico da Guarda reconhecido como Património Mundial.

De referir que este II Congresso Mundial Turismo do Interior conta já com a confirmação de representantes de diversos países como Espanha, Jordânia, Irlanda, Colômbia, Alemanha, Egito, Estados Unidos da América, Bolívia, Polónia, Argentina e Angola. 


sexta-feira, 27 de março de 2026

Escola de Agroecologia em Aldeias de Montanha

 

A localidade de Lapa dos Dinheiros, em Seia, vai acolher entre 27 e 29 de março a primeira Escola de Agroecologia de Montanha, uma atividade dedicada a valorizar e aprender mais sobre o castanheiro.

Este projeto, promovido pela Rede de Aldeias de Montanha, afirma-se pelo seu carácter inovador ao juntar o conhecimento técnico, através da parceria com a Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) e o saber das comunidades locais. “Esta união serve de base a um modelo de turismo comunitário e regenerativo. Neste modelo, o turista não é um mero espectador, pois é envolvido ativamente na preservação da paisagem.” É referido em nota informativa a propósito desta iniciativa.

Na Escola de Agroecologia de Montanha o objetivo é regenerar os soutos como ativos que asseguram a regulação do ciclo hídrico, conservação do solo, fixação do dióxido de carbono, promoção da biodiversidade e, simultaneamente, geram valor económico direto para as populações e para o setor do turismo.

Através de experiências de turismo comunitário, o visitante assume um papel de "cuidador" da paisagem. Um exemplo prático será o workshop de enxertia no Souto da Lapa dos Dinheiros. Este processo envolve as pessoas da aldeia e partilha de saber.

“Esta edição dedicada às "Culturas do Castanheiro" marca o arranque de um ciclo mais ambicioso. Estão já previstas outras edições da Escola de Agroecologia com temáticas distintas, unidas pela mesma estratégia de valorização da paisagem, do conhecimento técnico e do turismo comunitário.”



A Escola irá percorrer outras Aldeias de Montanha dos concelhos que integram a rede, nomeadamente Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Celorico da Beira, Guarda, Covilhã, Fundão e Oliveira do Hospital, adaptando-se às especificidades e recursos de cada aldeia.

Os destaques do programa na Lapa dos Dinheiros incluem momentos de transferência de conhecimento com o ICNF, a ESAV e o Centro de Interpretação da Serra da Estrela, momentos de imersão gastronómica como a "Mesa Partilhada".

Com a Escola de Agroecologia de Montanha, propõe-se um novo paradigma onde o turista aprende, mas também contribui ativamente para regenerar paisagens, criando uma ligação com o território. As inscrições e o programa detalhado podem ser consultados aqui


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Incrementar a cooperação


Ao longo do ano são múltiplos, e diversificados no perfil, os eventos que ocorrem nesta região do interior; iniciativas que incrementam, sem dúvida, fluxos de visitantes e contribuem para animação e desenvolvimento da economia regional.

Contudo, e tendo em conta, os indicadores das últimas décadas, a marca deixada por estas realizações poderia ser mais ampla se tivessem referenciada uma estratégia global, pensada a partir de um entendimento sério das organizações com vista a um trabalho em rede, objetiva e empenhadamente delineado.

A conjugação de esforços e de sinergias, as cedências necessárias para um planeamento consensual, a rentabilização de recursos humanos e financeiros, a rotatividade de algumas iniciativas, a promoção conjunta do território, a afirmação da matriz regional, a predisposição em pensar a construção do futuro, entre outras atitudes, permitiria um cenário substancialmente diferente; ao nível da procura da região, cativando novos visitantes, incentivando a sua permanência nas nossas terras por um período mais longo; assegurando argumentos sólidos e persuasivos…

Por várias vezes sublinhámos, noutras publicações, que continua a subsistir a tendência para pensar no imediato, circunscrevendo-o a áreas limitadas e numa lógica centrípeta de interesses pessoais, locais ou concelhios, teimosamente enfeudada no desconhecimento do que se passa nos territórios circunvizinhos; é certo que há alguns exemplos de boas práticas de cooperação mas, infelizmente, são raros e por vezes a sua desejada continuidade é interrompida.


Sem colocar em causa a prevalência de eventos que constituem cartazes dos centros urbanos onde são realizados, os quais têm demonstrado um contínuo crescimento e inequívoca adesão dos públicos a quem se destinam, será de equacionar um entendimento ao nível da calendarização, de forma a permitir uma maior abrangência dos projetos e realizações.

Todos os anos, e nomeadamente em épocas perfeitamente identificadas (o ciclo das feiras do queijo da serra pode ser um exemplo), se verifica uma pulverização de iniciativas, coincidindo com frequência nas mesmas datas e muito próximas geograficamente.

A implementação de uma agenda regional bilingue – alcançado que fosse o entendimento imprescindível para um equilibrado e eficaz planeamento – reunindo o máximo de contributos institucionais, associativos, pessoais resultaria num eficaz contributo para uma publicação onde estivesse, em cada ano, uma informação o mais completa possível dos eventos culturais, desportivos, económicos, sociais, científicos; a par de uma indicação clara de roteiros turísticos, locais a visitar, sabores a apreciar, unidades hoteleiras ao dispor, livros sobre a região/escritores ligados a esta zona, órgãos de comunicação existentes, museus, artesanato local, praias fluviais, tradições, coletividades, etc…

Embora o suporte tradicional – agenda impressa – seja adequado à distribuição em pontos estratégicos, nos eixos de circulação de visitantes nacionais ou estrangeiros, postos de turismo, unidades hoteleiras, feiras de promoção turística, o atual contexto tecnológico permite outras formas de consulta e disponibilização, mormente através de uma aplicação pensada para o telemóvel. A reunião e simplificação da informação facilitará a procura por parte dos vários escalões etários.

Nos tempos de hoje, a velha máxima de que “a união faz a força” tem mais sentido e o interior deve, urgentemente, acentuar a coesão se quiser superar os desafios do presente, reivindicar medidas de apoio, combater a ausências e o abandono de terras e lugares, onde prevalecem memórias, uma vasta riqueza patrimonial, cultural e paisagística.

É preciso passar, sem delongas, dos discursos retóricos sobre a importância da cooperação para compromissos sólidos e medidas práticas; visíveis e consequentes.

Naturalmente que neste processo de valorização do nosso território deverá estar, sempre, presente, a participação do cidadão, numa demonstração clara do seu empenho em intervir na promoção e desenvolvimento; não adianta ter manifestações enérgicas e palavras críticas nas redes sociais (como se elas fossem a solução…) e quando desafiado a colaborar remete-se à indiferença, ao afastamento, ao derrotismo…

É fundamental criar novos e profícuos entendimentos, a abertura de novos caminhos para a cooperação, para o desenvolvimento global e sustentado de uma região com muitas potencialidades por explorar.


Hélder Sequeira