O Secretário de
Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou ontem na Guarda que já tinha assinado
o despacho de adjudicação das obras de requalificação do edifício do Hotel Turismo,
desta cidade.
De acordo com
aquele membro do Governo, a adjudicação foi feita ao grupo Lince. O Grupo The
Lince Hotels é um projeto “que nasceu do sonho e motivação de Domingos Correia-
CEO do Grupo Arliz- em apostar na diferença, excelência, autenticidade e
inovação na hospitalidade. Uma aposta clara deste grupo hoteleiro português que
se antecipa às expectativas, necessidades e motivações de quem nos procura.” É referido
no sítio daquele grupo na internet.
Para a prossecução
deste processo de requalificação falta agora a autorização do Ministério das
Finanças, seguindo-se depois à apresentação do projeto à Câmara Municipal da
Guarda. Recorde-se que no passado mês de março tinha sido aberto, pelo Turismo
de Portugal, concurso público para requalificação do edifício, sendo mencionada
a opção de compra a partir do quarto ano. As obras, a cargo do Grupo Lince,
deverão ser concluídas num prazo entre 18 a 24 meses.
O edifício do Hotel
de Turismo da Guarda, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, encerrou a
31 de outubro de 2010. Esta unidade hoteleira, cuja propriedade era detida pela
Sociedade Hotel de Turismo – da qual a autarquia guardense era a única acionista
– foi vendida, por 3,5 milhões de euros, ao Instituto de Turismo de Portugal
(ITP) que ali previa instalar ali uma Escola-Hotel, de quatro estrelas.
A venda do
imóvel já tinha sido aprovada, pela maioria socialista, em reunião do executivo
municipal, decisão ratificada, posteriormente, na Assembleia Municipal, com os
votos do PS e do único deputado da CDU; os deputados do PSD e do Bloco de
Esquerda votaram contra. Mais tarde o executivo municipal aprovou a dissolução
da Sociedade Hotel de Turismo da Guarda, que em 2007 tinha adquirido esta
unidade hoteleira à Câmara Municipal, após ter terminado o contrato de
concessão com a empresa arrendatária.
A escolha do
local para a construção deste Hotel foi feita, na década de trinta do século
passado, pelo executivo municipal da Guarda, apoiado no parecer da Comissão de
Iniciativa e Turismo. O projeto arquitetónico – da autoria de Vasco Regaleira –
foi apresentado, publicamente, em 1933. Dificuldades de vária ordem,
nomeadamente de ordem financeira, atrasaram as obras de construção, iniciadas
em janeiro de 1934, no então denominado Campo da Boavista.
Ernesto Pereira,
empossado em 1946 como Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946,
empenhou-se, desde logo, na conclusão das obras construção do Hotel de Turismo,
na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a
cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria também a
pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos
Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre
gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que
certamente não lhe será negada”.
A inauguração do
Hotel de Turismo da Guarda – à época uma das unidades hoteleiras mais
prestigiadas de Portugal – ocorreu a 6 de julho de 1947, sendo concessionado
pela entidade proprietária, a Câmara Municipal
Na década de 60
foram realizadas obras de ampliação do edifício, as quais seriam concluídas em
1971. Anos mais tarde o hotel viria a alvo de algumas melhorias e de
transformações internas, de forma a adaptar-se às novas solicitações e
necessidades de uma estrutura deste género, um dos alojamentos preferidos (e selecionado),
durante décadas, nesta região do interior.



