Hoje celebramos a Rádio Altitude,
evocamos nomes, gerações, serviço público, determinação, criatividade,
solidariedade, memórias, uma história ímpar.
Setenta e oito anos conferem a esta
emissora guardense um estatuto muito especial, uma marca que devemos honrar e
salvaguardar adaptando-a ao atual contexto social, económico e cultural e também
aos caminhos abertos pela tecnologia.
A Rádio Altitude é indissociável da
Guarda e desta vasta região da beira serra. Revisitar o seu passado não
representa um mero exercício ritualista ou saudosismo lamechas; deve, sim,
constituir um ato de reflexão sobre os contributos vertidos na história desta
rádio, por pessoas que a viveram apaixonada e responsavelmente; podemos lembrar
– e numa rápida referência a alguns que já nos deixaram – Vaz Júnior, António
Pinheiro, António Santos, Luís Coutinho, Antunes Ferreira, Luís Coito, Vítor
Santos, Manuel Daniel, Bernardino Jorge, José Domingos ou Clavier Alves…que, à
semelhança de tantos outros nomes que ao longo de décadas trabalharam,
colaboraram e garantiram a evolução e consolidação de uma emissora que granjeou
admiração e afetos dentro e fora do território nacional; nomes que devem
merecer o nosso apreço por aquilo que deram à rádio e à região servida pelas suas
emissões.
Como afirmámos noutra ocasião,
estamos perante uma emissora de muitas vozes e rostos, de sonhos, de distintas
colaborações; esta é uma emissora de afetos, de ideias, de originalidades; uma
emissora com espírito solidário que lhe deu alma desde o longínquo ano de 1948.
A sua génese, a sua longevidade, o
seu percurso ímpar e a sua matriz beirã conferem-lhe uma posição especial na história
da Rádio em Portugal, mas também uma maior responsabilidade. Atualmente as
emissões radiofónicas passam em larga medida, pelo meio digital, num recurso
cada vez mais ligado às modernas aplicações e tecnologias. Por outro lado, hoje
a Inteligência Artificial (IA) apresenta novos caminhos para mais eficiência e
múltiplas vantagens ao nível da melhoria da programação e interação com os
ouvintes. Para além da automação das emissões a IA apresenta-se como forte apoio
para produção de notícias, definição da sequência musical e de conteúdos
programáticos convidativos e heterógenos.
Embora se deva ter em conta que a
Inteligência Artificial pode ser um precioso auxiliar dos profissionais não
pode ser esquecida a essência da Rádio. A humanização deste meio de comunicação
é fundamental e as pessoas não podem ser afastadas do seu processo evolutivo.
É fundamental que a função social da
rádio continue a prevalecer, mesmo face ao desenvolvimento das tecnologias da
informação. Assim, não é apenas no plano das ondas hertzianas que tem de ser
posicionada a proposta radiofónica; a rádio tem de assegurar uma estratégia
rigorosa e clara no vasto horizonte da emissão online.
O fortalecimento da sua presença será
sustentado, em larga medida, pela atenção à realidade social, económica,
cultural e política da região onde a Rádio está sediada. As pessoas, para além
do entretenimento ou companhia que a rádio lhes proporciona, querem boas
condições de audição, uma informação rápida, em cima da hora ou do
acontecimento de proximidade; querem igualmente um interlocutor atento,
objetivo e credível, uma rádio com gente dentro, de entrega a um serviço
público, solidário, afetivo.
Uma rádio que questione, esclareça,
atue pedagogicamente, aponte erros, noticie triunfos, sinta e transmita o
pulsar da região, chame a si novos públicos; não é um trabalho fácil, mas o
êxito constrói-se com competência, perseverança, humildade, diálogo,
criatividade e sentido de responsabilidade.
Ao comemorar-se o septuagésimo oitavo
aniversário da Rádio Altitude, devemos felicitar os seus atuais elementos e
homenagearmos os múltiplos contributos pessoais e coletivos que guindaram a RA
a uma posição de destaque no panorama radiofónico português.
A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural da nossa região e da cidade; marca que não deve ser esquecida. Parabéns Rádio Altitude!
Hélder Sequeira
