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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Evento internacional evoca Francisco de Pina

 

“Francisco de Pina e o percurso do Chữ Quốc ngữ: Ponte Cultural entre o Vietname e Portugal” é a designação do evento internacional que vai decorrer na Guarda entre 6 e 8 de outubro promovida pela Associação para a Promoção da Cultura Vietnamita (APCV), com o apoio do Município da Guarda, que pretende evocar o legado de Francisco Pina, missionário jesuíta natural da Guarda e figura pioneira no desenvolvimento do sistema de escrita vietnamita em alfabeto latino; por outro lado, esta atividade procura ainda reforçar os laços históricos e culturais entre Portugal e o Vietname.


O programa deste evento acolhe mesas-redondas, exposições, apresentações de obras e uma sessão solene de homenagem, com especialistas portugueses e vietnamitas, representantes institucionais e convidados dos dois países. No dia 8 de outubro terá lugar no Teatro Municipal da Guarda, pelas 17 horas, uma sessão de homenagem a Francisco de Pina.

***

Na galeria de personalidades ilustres da Guarda há nomes que não têm tido a visibilidade merecida e continuam desconhecidas para muitos.

É o caso do jesuíta Francisco de Pina, “personalidade central de um notável encontro de línguas e de culturas no distante Oriente, no longínquo século XVII”, a quem António Salvado Morgado – de quem são as palavras atrás transcritas – tem vindo a dedicar (há vários anos) particular atenção, estudando a sua vida e obra, afirmando um louvável empenho na sua divulgação.

Aliás, na revista “Praça Velha” (nº 41) António Salvado Morgado publicou um oportuno e elucidativo artigo intitulado “Francisco de Pina, revisitado”.

Através de um excelente texto, documentalmente bem suportado, apresenta-nos este missionário guardense. Como sublinha, este “jesuíta, português, missionário e linguista” contribuiu para que a Guarda esteja perenemente ligada à história do atual Vietname, que adotou o alfabeto latino. Um facto que fica a dever-se, especialmente, ao labor de Francisco de Pina, o qual aprendeu  no século XVII a língua local (o anamita) estudando-a pormenorizadamente e, consequentemente, avançando com a sua romanização.

Convém notar que os padres a quem era incumbida a missão evangelizadora tiveram, desde logo, a perceção de que esse trabalho, para ser eficaz, teria de passar pela utilização das línguas nativas, evoluindo para a elaboração de gramáticas e dicionários.

António Salvado Morgado, na publicação atrás mencionada, refere que graças ao missionário português e “a outros que continuaram o caminho que ele traçou, o presente do passado não é só memória. Com ele o presente do passado é realidade viva nas letras e signos linguísticos com que se exprime um povo de milhões de pessoas, o Quôc ngû, a língua nacional do Vietname. E isso é presente”.

Francisco de Pina terá nascido entre março e setembro de 1586, falecendo em 15 de dezembro de 1625, com 40 anos, e quando muito havia a esperar do seu saber e trabalho. “Esquecido pela História, ele tem andado desaparecido por detrás da obra iniciada por ele há mais de quatro séculos e que culminou há mais de um século na língua oficial do Vietname (…)”, escreveu António Salvado Morgado.

O Japão terá sido o destino inicial de Francisco de Pina, mas as perseguições que eram movidas aos cristãos alteraram os seus planos e fixou-se na Cochinchina, em 1617, depois de ter estado alguns anos em Macau.

De referir que este jesuíta esteve em destaque no seminário “Testemunhos de Amizade entre Portugal e o Vietname desde o Século XVII”, realizado em Lisboa há cinco anos, numa organizado da Sociedade Portuguesa de Geografia e pela NamPor – Associação de Amizade Portugal-Vietname.

Assim, a Guarda vai recordar este seu filho ilustre, viabilizando um melhor conhecimento da sua dimensão como português, religioso e linguista; proporcionando o “reencontro do mestre de língua com a História. História do Vietname e de Portugal e da Guarda”.

 

Hélder Sequeira


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Faleceu Emílio Aragonez

 

Emílio Aragonez faleceu hoje, a poucos dias de completar os 92 anos.  Foi, durante décadas, uma das vozes mais populares das emissões radiofónicas feitas, em onda média, a partir da cidade mais alta de Portugal. 

O seu funeral será amanhã, pelas 10h30, após missa de corpo presente na Igreja da Misericórdia da Guarda. O velório decorre hoje, a partir das 16 horas na Casa Mortuária da Misericórdia.

Emílio Aragonez _foto HS (2).jpg

Personalidade com profundas ligações à Rádio Altitude, Emílio Aragonez nasceu em 21 de setembro de 1934, em Portalegre. Para a Guarda veio com cinco anos. Posteriormente, face às contingências resultantes da atividade profissional do pai, foi viver para Cascais, Pinhel, Peniche e Seia, após o que ocorreu o regresso definitivo à Guarda.

Com onze anos começou a trabalhar na Ourivesaria Correia, na Guarda. “Fui para lá ganhar 80 escudos por mês e passados dois meses fui aumentado para cem”. As aulas no Liceu ficaram para trás, pois os horários não eram compatíveis com o trabalho; o estudo circunscreveu-se ao período da noite. Emílio Aragonez frequentou o Colégio de S. José, a Escola Comercial e Industrial e a Escola dos Gaiatos, nesta cidade.

Aos dezoito anos abriu o seu primeiro estabelecimento comercial, na Rua 31 de Janeiro. Três anos depois mudou-se para a Rua do Campo, instalando-se no antigo espaço da Espingardaria Sport, que pertencera a um antigo chefe da Polícia; iniciava-se um ciclo de atividade na área da relojoaria e ótica; contudo, circunstâncias diversas contribuíram, muitos anos depois, para o abandono da vida comercial e empresarial. Ficou, deste modo, aberto o caminho para uma dedicação total ao jornalismo e à rádio.

Desde os dezanove anos que mantinha, aliás, uma permanente paixão pela Rádio Altitude, onde começou a colaborar no início da década de cinquenta. “Foi aberto concurso para pessoas externas ao Sanatório, concorri e fui admitido. Para mim era um desafio. Trabalhava durante o dia e à noite ia para a Rádio, a apresentar discos pedidos, que eram imensos. Contudo isto representava o início da concretização de um sonho, de estar ligado à rádio e à informação”.

Nos primórdios da sua atividade radiofónica teve por companheiros alguns dos internados no Sanatório Sousa Martins. “Havia, naturalmente, muito receio deste contacto com os doentes”, temor a que não escapava a própria cidade. Os tuberculosos eram cuidadosamente evitados pela generalidade da população da cidade, onde, então, se via muita pobreza.

 “Recordo-me de haver largas dezenas de pessoas que se dirigiam ao Lactário para obterem o leite destinado à alimentação dos filhos; iam buscar a sopa à Cozinha Económica, na altura a funcionar noutras instalações. Aos dias de mercado, sobretudo, apareciam muitos rapazes e raparigas descalços e isso já diz muito sobre a realidade social”.

Nessa época, as emissões da Rádio Altitude eram à noite, tendo depois passado a existir um espaço na hora do almoço. “Comecei também a fazer algumas das emissões desse horário, mas o trabalho mais alargado era aos fins-de-semana, dado que alguns doentes faltavam; havia um que tinha um programa desportivo, outro era responsável por um programa vocacionado para as questões culturais e um outro realizava o “Vento do Norte”, que foi um programa muito polémico”.

Predominavam os programas de discos pedidos, os quais registavam uma permanente avalanche de solicitações, cujo atendimento se ia prolongando por semanas sucessivas. “Eram tantos os pedidos e o espaço tão reduzido que era colocado um disco num dia e outros em programas posteriores. Por vez para se ouvirem quatro dedicatórias tinha de se esperar um mês”, lembrava (numa entrevista que registámos há alguns anos) Emílio Aragonez, mais tarde rendido ao fascínio das reportagens.

Nesse período, e anos subsequentes, havia regras rígidas relativamente às emissões radiofónicas e, como aconteceu até ao 25 de Abril de 1974, a polícia política estava sempre atenta, e atuante. Mesmo assim, Emílio Aragonez desvaloriza essa interferência. “As notícias que eram transmitidas, nos primeiros tempos, eram baseadas nos jornais e estes já tinham passado pela censura”. O que não impediu diversas chamadas de atenção por parte do Administrador ou Diretor da Rádio, e a deslocação, por duas vezes, às instalações de P.I.D.E., contudo sem quaisquer consequências.

Uma delas foi “por causa de um disco que tinha sido transmitido e depois desapareceu; o disco tinha sido gravado em França e era de uma voz portuguesa, já não sei se era do Zeca Afonso ou do Adriano Correia de Oliveira”.

A seguir ao 25 de Abril, a estação viveu momentos de grande agitação e geraram-se tentativas de “tomar o Altitude”. “Alguns dias após a data da revolução cheguei a estar 24 horas sem poder sair da Rádio, por imposição do MFA, onde esteve uma força militar comandada pelo alferes Pardalejo”.

Pessoa de improviso fácil, e anotações rápidas, Emílio Aragonez assegurava os diretos da rádio de uma forma atrativa, suscitando o interesse informativo, curiosidade e audição atenta. 

“Na década de setenta, quando Marcelo Caetano se deslocou a Manteigas, julgo que para inaugurar o edifício da Câmara, houve um atraso de mais de uma hora, em relação ao horário previsto. Como não havia possibilidades de desfazermos a ligação e voltar a retomá-la – os meios eram bem diferentes dos atuais – tive de aguentar a transmissão, recorrendo apenas a duas curtas entrevistas. O resto do tempo falei de Manteigas, da Serra, das potencialidades turísticas e de outras informações e descrições que fui considerando oportunas”.

A Rádio foi, sem reservas, uma grande afeição da sua vida, feita de trabalhos, desencontros, incompreensões silêncios, amarguras e felicidade; vida simultaneamente enraizada em convicções e em princípios, passando ao lado, de eventuais críticas ou atitudes injustificadas.

Ao longo de décadas, deu voz à notícia, trouxe à luz da ribalta questões tantas vezes ignoradas; desencadeou o confronto de opiniões, denunciou injustiças, foi porta-voz de múltiplas aspirações de terras e gentes. “Estive, sempre, na vanguarda da informação, sem nunca hipotecar a minha consciência profissional nem trair os meus princípios”.

Emílio Aragonez assumiu o jornalismo e a rádio sem nunca esquecer a função social subjacente; o que, aliás, foi sempre reconhecido pelos ouvintes, a quem nunca negou a sua presença, e voz, mesmo em situações nas quais motivos de ordem pessoal, o cansaço ou a doença aconselhavam repouso.

“Muitas vezes acabava por dormir na Rádio, nomeadamente quando vinha às tantas da noite de alguma reportagem e tinha de abrir a emissão no dia seguinte”. Quando a cidade acordava envolta em espesso manto de neve “a rádio chegava a abrir mais cedo e era a partir daí que praticamente se comandava a cidade. Era um trabalho de autêntico serviço público, com informações sobre os vários estabelecimentos de ensino, circulação nas estradas, funcionamento dos serviços públicos. Ouvir o Altitude era essencial”.

Sempre atento ao quotidiano, na sua memória circulam, volvidos estes anos, muitas imagens e sons que pertencem aos bastidores da rádio; fora do estúdio de emissão havia lugar a dramas individuais, sofrimentos, dificuldades a superar, batalhas contra o tempo, necessidade de discernir e graduar com rapidez aquilo que era matéria informativa e não mero adereço de projeções institucionais ou pessoais; ocorriam confrontos marcantes no percurso individual e profissional; impressões muitas vezes gravadas de maneira indelével, que não pactuam com o esquecimento.

Emílio ARAGONEZ _homenagem.JPG Emílio Aragonez no dia da homenagem que lhe foi prestada pelo Rotary Club da Guarda. Na foto (esquerda para a direita): António Martinho, Albino Bárbara, António José Teixeira, Emílio Aragonez, Helder Sequeira, Carlos Martins.

 

O nascimento de Emílio Aragonez para a rádio, e a projeção que alcançou através desta popular emissora, ocorreu na época das emissões em onda média, quando a frequência modulada estava longe de ser uma realidade na estação CSB-21, o indicativo atribuído à Rádio da mais alta cidade portuguesa.

A sua voz aquecia as noites guardenses, esbatia a solidão, aumentava progressivamente o auditório, despertando incontidas manifestações de simpatia. “Diziam-me que a minha voz era agradável e depois, também pelo que me é dito, tinha uma maneira muito peculiar de falar. Isto começou, realmente, nos programas da noite, quando a cidade precisava de companhia e a companhia era a rádio. Foram anos, anos e anos com a minha voz a entrar pela casa das pessoas”.

Por outro lado, Emílio Aragonez salientou-nos ter havido um largo período “em que os outros tinham um certo receio de levantar os problemas. Eu dei sempre a cara, mesmo sabendo que iria sofrer dissabores; não só eu como a minha família.” Mas não há lugar a arrependimentos, dizia-nos, há alguns anos, em tom inequívoco. Embora a faceta de jornalista seja a mais conhecida, era um intransigente defensor da música portuguesa, presença constante nos espaços radiofónicos por ele animados, sem cair no gosto medíocre.

A sua aparência descontraída, porventura mesmo descuidada, reflexo da sua peculiar forma de ser e do desprendimento pelos bens materiais, não raro originava humorísticos episódios, partilhados depois nos círculos de colegas e amigos, os quais facilmente lhe reconheciam mais virtudes do que defeitos.

A Rádio Altitude representou para Emílio Aragonez “praticamente uma vida toda. Uma pessoa que entra para ali aos 19 anos e fica lá até aos 68 obviamente que representa tudo”, como nos afirmava, sem hesitações. “Esqueci-me muitas vezes que tinha família, esqueci-me dos amigos e vivia para o Altitude. Era tudo para mim!...”.

Há dois anos foi o protagonista principal da curta metragem "Discos Pedidos", tendo regressado aos estúdios da sua Rádio.

Emílio Aragonez era uma memória viva da Guarda – das suas estórias e tradições – igual a si próprio, referência de um tempo cúmplice das ondas hertzianas, quais laços de solidariedade com a cidade e uma vasta região…

Até sempre, Amigo Aragonez!...


Hélder Sequeira 

 

 

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Valhelhas: praia fluvial do ano


A praia de Valhelhas, no concelho da Guarda, ficou em primeiro lugar no concurso "Praia Fluvial do Ano 2026", que contou com 216 participações.
Tratou-se de uma iniciativa do Guia das Praias Fluviais, tendo a votação decorrido em linha. Estavam elegíveis as praias fluviais e zonas balneares de todo o país, classificadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Relativamente ao distrito, de referir que a praia fluvial de Loriga (Seia) ficou em segundo lugar, a praia de Aldeia Viçosa (Guarda) em 12º, Ponte de Juncais em 18º lugar, Quinta da Taberna (Guarda) em 23º lugar e Alfaiates (Sabugal) em 25º.



terça-feira, 25 de agosto de 2026

Exposições de fotografia na Guarda

 


Foto de Alfredo Cunha 


No âmbito das comemorações do 25.º aniversário, o Centro de Estudos Ibéricos tem patentes duas exposições que foram inauguradas a 19 de agosto, para assinalar o Dia Mundial da Fotografia.

A mostra fotográfica sobre o projeto "Transversalidades: fotografia sem fronteiras", apresentará várias fotografias premiadas nas diferentes edições do concurso, o qual teve início em 2011. A exposição estará patente na Sala Tempo e Poesia da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, até 19 de setembro, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30.

A exposição "Olhares... a propósito do Dia Mundial da Fotografia", com fotografias de autores da Guarda, pode ser visitada – também até 19 de setembro – no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda, das 10h às 22h, de segunda-feira a sábado.

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Interlocuções entre Música e Tradição

 


O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) promove nos dias 25 e 26 de setembro, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, o Seminário “Interlocuções entre Música e Tradição: das Paisagens Culturais às Paisagens Sonoras”.

Reunindo investigadores de distintas Instituições de Ensino Superior e Centros de Investigação de Portugal e de Espanha, o Seminário propõe um espaço de reflexão e diálogo interdisciplinar em torno das múltiplas formas através das quais as práticas musicais e sonoras participam na construção, preservação, transformação e interpretação das paisagens sonoras e culturais de diferentes países.

Ao longo de dois dias, serão abordadas temáticas relacionadas com a música tradicional, os processos de patrimonialização, a documentação e valorização do património musical e organológico, as manifestações festivas, as práticas comunitárias e as relações entre tradição e contemporaneidade.

O programa inclui ainda a apresentação do livro Iberografias nº 52 “Música e Tradição. Sons, Objetos, Instrumentos e Paisagens” da autoria de Rosário Santana e Helena Santana, numa sessão que reforça a importância da investigação e divulgação do património musical enquanto espaço de encontro entre memória, criação e conhecimento.

Os interessados podem fazer a inscrição e obter mais informações em www.cei.pt


domingo, 23 de agosto de 2026

"Caminho da Criação" na Guarda

 

Na ExpoEcclesia está patente ao público a exposição de arte contemporânea «O Caminho da Criação: Horizontes Cruzados», uma mostra de forte pendor contemplativo que reúne obras da coleção do Museu da Guarda.

Na próxima quarta-feira, é neste cenário de encontro entre arte, espiritualidade e contemplação que, a partir das 21 horas, irá atuar Julieta Silva.

Esta musicóloga, multi-instrumentista e intérprete vai convidar todos os interessados a fazer «uma viagem pelo cancioneiro português e ibérico» — uma viagem pelas raízes, pelas memórias e pelas sonoridades que atravessam gerações.



 

domingo, 16 de agosto de 2026

Presumível incendiário detido pela PJ

 


O Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária em estreita articulação com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Centro Interior (GTRI Centro Interior – constituído por elementos da GNR, ICNF e PJ), deteve, na madrugada de hoje, fora de flagrante delito, o presumível autor de um incêndio florestal em Vila Boa, Sabugal.

No âmbito das diligências desenvolvidas a PJ contou ainda com importante colaboração dos Militares da GNR do Posto Territorial do Sabugal – Comando Territorial da Guarda – e dos Bombeiros Voluntários do Soito.

O incêndio teve início cerca das 20h30 do dia 14 de agosto, tendo o suspeito efetuado a sua ignição com recurso a sobrantes de podas de vegetação que acumulou dentro de uma levada de água completamente seca, tendo propagação sido lenta.

Seguidamente, através de chama direta, deu início a uma segunda ignição com o potencial de carbonizar uma grande extensão de terreno, povoado por freixos e carvalhos adultos (um ecossistema maduro e com grande biodiversidade), não tendo tal ocorrido em virtude da pronta intervenção da Corporação de Bombeiros mencionada, auxiliada por vários populares.

Foram imediatamente mobilizadas várias equipas da PJ, que, juntamente com o GTRI Centro Interior, efetuaram a recolha e consolidação de elementos de prova, o que permitiu levar à detenção do suspeito, que assumiu a autoria do incêndio, encontrando-se a colaborar com a investigação.

O detido, um homem com 52 anos, foi presente a primeiro Interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de prisão preventiva. O Inquérito é titulado pelo DIAP da Guarda.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Judiciária da Guarda deteve 20 pessoas

 

O Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária levou a cabo uma operação policial na qual foram detidas 20 pessoas, que de forma organizada, forneciam estupefacientes para os Estabelecimentos Prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego.

Esta operação, realizada esta segunda e terça feiras, contou com o apoio do Corpo de Guardas Prisionais, esta segunda e terça feiras.

Em causa estão os crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

A operação “Tranca Segura” resulta de uma investigação com a colaboração do Corpo de Guardas Prisionais e da Direção do Estabelecimento Prisional da Guarda, que decorre há cerca de um ano, motivada por ações de prevenção no E.P. da Guarda, em virtude da deteção e apreensão de estupefacientes dentro do referido Estabelecimento.


Tais ações levaram à detenção sequencial de três homens e uma mulher quanto tentavam introduzir pólen de haxixe transportado no interior do corpo, cocaína dissimulada dentro de um rolo de carne e de drogas sintéticas impregnadas em supostas mensagens de crianças escritas em papel. No prosseguimento da investigação identificou-se o grupo completo, constituído pelos agora detidos, apurando-se que também disseminavam tais produtos ilícitos nas comunidades onde residiam, nomeadamente nas cidades da Guarda e Viseu.

A Polícia Judiciária deu cumprimento a 23 mandados de busca domiciliária e não domiciliária, tendo sido cumpridos 19 mandados de detenção. Foi ainda detido um cidadão, em flagrante delito, por posse de arma proibida. Foram realizadas buscas nos EP da Guarda, Coimbra e Lamego.

A intervenção do Corpo de Guardas Prisionais, deu-se em especial ao nível do GISP – Grupo de Intervenção e Segurança Prisional e com três equipas cinotécnicas.

Em resultado destas diligências foram encontradas e apreendidas 80 doses individuais de heroína, 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diverso calibre, incluindo o das armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis, três viaturas e cerca de 81 mil euros em dinheiro.

A operação “Tranca Segura” envolveu outras unidades da PJ, que em estreita colaboração com o DIC da Guarda, contribuíram para o sucesso da ação, designadamente a Diretoria do Centro, os Departamentos de Investigação Criminal de Leiria, de Aveiro, a Unidade de Armamento e Segurança – UAS e ainda a Unidade de Perícias Tecnológicas e Informáticas – UPTI, desta Polícia, envolvendo 85 Inspetores, 10 Seguranças e três Especialistas de Polícia Científica.

Os detidos, 17 homens e três mulheres, foram presentes ao DIAP da Guarda, cujo inquérito é ali titulado.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Bola Parda da Guarda com galardão internacional

 

 

A Bola Parda da “Guarda 21” foi distinguida com nova estrela nos Great Taste Awards 2026.

Aquele produto tradicional voltou a ser reconhecido pelo seu sabor e qualidade, conquistando nova distinção na edição deste ano dos Great Taste Awards, realizado no Reino Unido. Num concurso internacional de excelência, que contou com a participação de cerca de 15.000 produtos, a receita da “Guarda 21” evidenciou-se, mais uma vez, perante um painel de jurados exigente.


Com esta recente distinção, a Bola Parda passa a somar um total de quatro medalhas no seu currículo. “Este galardão reflete o nosso compromisso contínuo com a tradição e a utilização de ingredientes nobres, com natural destaque para o azeite e fruta de produção própria, que lhe conferem um caráter e sabor inconfundíveis”, é mencionado numa nota informativa da Guarda 21, dinamizada por Ludovina Margarido.

“Continuamos empenhados em preservar a excelência dos nossos produtos regionais, da nossa gastronomia e cultura.” A simplicidade do bolo, húmido, com um aroma rico e sabor incrível foram determinantes para a conquista de mais um galardão.



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Festival de Blues na Guarda

 


Os Midnight Club Blues Band vão atuar, hoje, na Guarda no âmbito da Festival de Blues, organizado pelo município guardense.

Com uma identidade própria, marcada pela autenticidade e pela paixão pelo género, Midnight Club Blues Band trazem à cidade mais alta e ao Festival de Blues da Guarda uma proposta que valoriza a vitalidade nacional.

“A sua presença reforça o equilíbrio entre grandes nomes internacionais e o talento português que continua a conquistar reconhecimento dentro e fora de portas.”

O concerto decorrerá, a partir das 21 horas, na Praça Luís de Camões (Praça Velha), com entrada livre.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bombeiros da Guarda: 150º aniversário

 


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses completa hoje 150 anos.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses resultou da iniciativa de um grupo de guardenses preocupados com inexistência de um corpo de bombeiros na cidade da Guarda.

A reunião que desencadeou o processo de criação desta associação humanitária ocorreu a 5 de agosto de 1876, na residência de Geraldo José Batoréu, que liderou o grupo fundador. Foi assim constituída a “Companhia dos Bombeiros Voluntários”.

Geraldo José Batoréu, Manuel Jacinto, António Gonçalves Ribas, Jerónimo Rodrigues Leal, José Lopes Faia Júnior, Jerónimo Rodrigues Outeiro, Alfredo d´Almeida Barbas, António da Cruz, João Bernardo d´Oliveira, José Joaquim Rodrigues, Joaquim Gonçalves Ribas e Amândio Augusto Ferreira foram os elementos da comissão que fundou este corpo de bombeiros.


Gerardo Batoréu

No passado dia 13 de junho decorreu uma homenagem a Gerardo José Batoréu, fundador da então Companhia de Bombeiros Voluntários da Guarda, evocando todos aqueles que, há 150 anos, deram início à história da instituição; essa homenagem integrou uma recriação histórica do momento da fundação, dinamizada pela Associação Hereditas, seguindo-se a inauguração de uma placa evocativa junto ao local onde Gerardo José Batoréu reuniu ilustres cidadãos guardenses para fundar a corporação dos voluntários egitanienses.

 

sábado, 1 de agosto de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

 


A Câmara Municipal está a preparar a candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.

Para a Câmara da Guarda a candidatura “será o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos. Cultura é o que faz de nós o que somos e o sonho do que queremos vir a ser.” Daí que a edilidade guardense solicite a colaboração ativa de todos através do preenchimento (até ao dia 15 de agosto) de um questionário, ao qual pode aceder aqui.

“Colabore na construção de uma visão cultural forte e partilhe este questionário com familiares e amigos, porque todos contam”, pede a autarquia.

“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

O município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais.

“A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.


Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Concerto no Museu assinala aniversário

 

No Museu da Guarda decorreu ontem, 30 de julho, um concerto intitulado “Um Piano no Pátio”, integrado no programa comemorativo daquela estrutura museológica.

Pátio do Museu da Guarda. Foto: Hélder Sequeira

Este concerto, que decorreu no pátio do Museu, contou com a soprano guardense Rita Morais que foi acompanhada ao piano por Kewen Wang. O repertório variado que foi apresentado encantou o público presente, que encheu aquele espaço do Museu da Guarda, fundado em 1940 pelo município guardense.

Em 1985 o Museu da Guarda passou para a tutela do Estado voltando a estar sob a égide municipal a partir de 2015, mantendo como valores a preservação do património e promoção cultural de excelência nas artes.

“As aspirações da cidade da Guarda à criação de um museu remontam aos finais do séc. XIX. Em 1910 foi criada uma comissão destinada à constituição de uma unidade museológica que compendiasse as vertentes arqueológicas e artísticas”, como se pode ler no sítio, na internet, do Museu da Guarda.

No contexto das comemorações centenárias da independência nacional (1640-1940), foi nomeada uma comissão instaladora daquele espaço museológico que, apesar da sua gestão municipal, assumia a designação de Museu Regional da Guarda – nome que nunca perdeu aliás até ser transferido para o Instituto Português do Património Cultural (IPPC).

Na sessão de Câmara de dia 6 de janeiro de 1940 o Museu foi oficialmente fundado por deliberação unânime do Executivo; o Museu ficaria instalado em parte do antigo seminário, cujas obras de adaptação foram custeadas pela autarquia, abrindo as suas portas ao público no dia 30 de julho de 1940.

“Em fevereiro de 1982, a Assembleia Distrital da Guarda e o IPPC assinavam um acordo de transferência do Museu da Guarda para a dependência daquela última entidade. Em 1983 iniciaram-se obras de remodelação do edifício e elaborou-se o programa museográfico para as coleções em depósito. Assim, o museu abriu ao público em junho de 1985, sob a designação de Museu da Guarda e na dependência do Instituto Português do Património Cultural.”

O Museu da Guarda passou, entretanto (2007) a depender do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), situação que se manteve até 2012. Com a criação da Direção-geral do Património Cultural (DGPC), extinguiu-se a Direção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e reorganizaram-se as restantes direções regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), que viram as suas competências reforçadas.

Em outubro de 2015, o Museu volta a estar sob a égide da Câmara Municipal da Guarda, regressando assim às suas origens tutelares.  O Museu da Guarda encontra-se instalado no complexo arquitetónico formado pelo antigo Paço Episcopal e o antigo Seminário da Guarda, complexo esse que começou a ser construído no início do século XVII.

“De localização privilegiada, em pleno coração da cidade da Guarda, trata–se, pois, de um edifício emblemático, com forte identidade simbólica na ordenação da envolvente urbana, assumindo, pois, preponderância numa vasta área comercial, cultual e de lazer.”


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lembrar Augusto Gil...

 

“Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim…

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim…”

 

O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 156º aniversário do seu nascimento.

Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.

 Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.

De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

AUGUSTO GIL

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.

Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.

O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

“Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

Helder Sequeira

domingo, 26 de julho de 2026

Judiciária da Guarda deteve presumível incendiário

 

Inspetores do Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária detiveram, no dia de ontem, fora de flagrante delito, o presumível autor de um incêndio rural ocorrido no passado dia 19 de julho, no interior da povoação de São Paio – Seia.

Esta detenção surge na sequência de diligências realizadas conjuntamente com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Centro Interior (GTRI Centro Interior – constituído por elementos da GNR, ICNF e PJ) e em estreita colaboração com o Núcleo de Proteção do Ambiente (NPA) da GNR de Gouveia-

Face aos factos, foram constituídas diversas equipas, integradas por elementos da PJ e do GTRI Centro Interior, que levaram a cabo a recolha de elementos de prova, concluindo-se assim pela forte indiciação do suspeito como autor do incêndio.

O detido, um homem de 56 anos, terá ateado o fogo com recurso a chama direta, num dos arruamentos da povoação, local que dada a sua orografia, potenciava a expansão do fogo, pela continuidade das habitações com a vegetação e terrenos agrícolas, pondo desta forma em perigo bens materiais de elevado valor, assim como as vidas dos habitantes e de animais.

O presumível autor atuou sem móbil comprovado, aparentemente por “incendiarismo” num quadro de provável alcoolismo. Refira-se que conforme informação do IPMA, à data o risco de incêndio era Muito Elevado.

O incêndio não assumiu maiores proporções em virtude da sua deteção precoce por parte dos populares residentes nas imediações, com o pronto alerta e eficaz intervenção dos bombeiros, apoiados por um meio aéreo.

Não fosse tal facto, a progressão do referido incêndio poderia ter colocado em perigo as habitações próximas e seus habitantes, bem como vastas manchas florestais e área agrícola. O detido, foi presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, tendo ficado sujeito a prisão preventiva.

O Inquérito é titulado pelo DIAP da Guarda.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

A Câmara Municipal da Guarda vai apresentar a sua candidatura a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.


Segundo a Câmara Municipal da Guarda, “a candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

Assim o município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. “A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.

Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.

 

 

sábado, 18 de julho de 2026

Guarda a nossa Rádio...

 

Fomos buscar o título deste apontamento de hoje à peça de teatro que escrevemos, e foi levada à cena, em 2023, aquando da comemoração do 75º aniversário da Rádio Altitude.

Uma peça para celebrar a rádio e, simultaneamente, proposta de reflexão sobre a função social deste meio de comunicação; sobretudo em regiões do interior, como esta zona da Beira Serra, onde nunca serão de mais os contributos que possam dar voz às populações, aos valores culturais e históricos, ao presente, aos sonhos do futuro.

A rádio continua a ter um papel fundamental na informação local e regional, na defesa da identidade destas terras e gentes. Nesta peça – cujo texto pode ser adaptado ou interpretado em diferenciados contextos geográficos, onde a rádio esteja presente – o espetador é levado para um estúdio, onde há vozes, músicas, memórias, sentimentos, sonhos, paixão, afetos; é desafiado a assistir a um programa de rádio, numa noite especial, onde se cruzam três gerações e que proporciona a revisitação de múltiplas estórias; a evocação de distintas vivências marcadas pela magia da rádio. No final há uma inesperada revelação e um comovido apelo para que a rádio se continue a reinventar e afirmar no futuro.

Há referências especiais, nomes e vozes que serão percetíveis aos leitores/espetadores; personagens que, como referido anteriormente, dão ao espetador a liberdade de as associar a outras vivências; são os afetos e a paixão pela Rádio que alimentam os diálogos, as memórias…

Na Guarda não faltam memórias da Rádio, que importa reter e salvaguardar, em torno de uma emissora que completa no próximo dia 29 de julho setenta e oito anos de emissões, mantendo a designação que assumiu no passado século no contento da vivência sanatorial da mais alta cidade portuguesa.

Embora já anos antes tenha havido alguma atividade radiofónica, ainda marcadamente experimental, a data oficial das emissões da Rádio Altitude é o dia 29 de julho de 1948.

Esta emissora “iniciou a sua sessão e, com ela, a sua vida oficial transmitindo depois do disco indicativo da estação, a saudação Salvé Rádio Altitude! proferida pela menina Aurora da Cruz, que foi escolhida para madrinha do Posto Emissor. Falou, em primeiro lugar, o Sr. Carlos Alberto Pereira, Vice-Presidente da Caixa Recreativa, que – anunciado pelo locutor de serviço com palavras de justa homenagem e consagração – começou por dizer: Rádio Altitude, posto emissor deste Sanatório, vai ser inaugurado oficialmente, depois de um período em regime experimental”. Assim noticiou o Bola de Neve, um jornal editado no Sanatório Sousa Martins

Como escrevemos em “O Dever da Memória – Uma Rádio no Sanatório da Montanha” (publicado em 2003), a Rádio Altitude é uma emissora com interessantes particularidades, originada no seio das experiências radiofónicas que ocorreram no Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão do Sanatório onde estava concentrado o grupo de doentes (de tuberculose) pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

No ano de 1947, o médico Ladislau Patrício (diretor do Sanatório Sousa Martins) aprovou (a 21 de outubro) o primeiro regulamento da emissora, onde estavam definidas orientações claras sobre o seu funcionamento; em finais desse ano as emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda. O início oficial das emissões regulares ocorreu, como atrás foi dito, em 29 de julho de 1948; um ano depois (1949) foi-lhe atribuído o indicativo CSB 21, identidade difundida por várias décadas.

A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa dos Internados no Sanatório Sousa Martins e mais tarde ao Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM); com a sua criação pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

Em 1961, mediante autorização oficial, a Rádio Altitude passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias, que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões da rádio guardense evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros, mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.


Até 1980 a Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda, mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou a emitir também em frequência modulada (FM), em 107.7 Mhz, alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz, que mantém na atualidade.

No ano de 1998, depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”. A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço do Sanatório Sousa Martins, hoje designado Parque da Saúde.

Ao celebramos, no próximo dia 29 de julho, o 78º aniversário das emissões regulares da RA devemos lembrar-nos que estamos perante uma rádio muito especial para a Guarda e região da beira serra. Uma rádio que tem o seu lugar na história da radiodifusão sonora em Portugal e encerra décadas de afetos, memórias, vivências, dedicação, serviço público, criatividade, formação, espírito solidário.

Esta emissora, confrontada com os desafios dos tempos hodiernos, permanece na memória coletiva das gentes beirãs…

 

Hélder Sequeira


in O Interior, 15 de julho 2026