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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Festival de Blues na Guarda

 


Os Midnight Club Blues Band vão atuar, hoje, na Guarda no âmbito da Festival de Blues, organizado pelo município guardense.

Com uma identidade própria, marcada pela autenticidade e pela paixão pelo género, Midnight Club Blues Band trazem à cidade mais alta e ao Festival de Blues da Guarda uma proposta que valoriza a vitalidade nacional.

“A sua presença reforça o equilíbrio entre grandes nomes internacionais e o talento português que continua a conquistar reconhecimento dentro e fora de portas.”

O concerto decorrerá, a partir das 21 horas, na Praça Luís de Camões (Praça Velha), com entrada livre.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bombeiros da Guarda: 150º aniversário

 


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses completa hoje 150 anos.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses resultou da iniciativa de um grupo de guardenses preocupados com inexistência de um corpo de bombeiros na cidade da Guarda.

A reunião que desencadeou o processo de criação desta associação humanitária ocorreu a 5 de agosto de 1876, na residência de Geraldo José Batoréu, que liderou o grupo fundador. Foi assim constituída a “Companhia dos Bombeiros Voluntários”.

Geraldo José Batoréu, Manuel Jacinto, António Gonçalves Ribas, Jerónimo Rodrigues Leal, José Lopes Faia Júnior, Jerónimo Rodrigues Outeiro, Alfredo d´Almeida Barbas, António da Cruz, João Bernardo d´Oliveira, José Joaquim Rodrigues, Joaquim Gonçalves Ribas e Amândio Augusto Ferreira foram os elementos da comissão que fundou este corpo de bombeiros.


Gerardo Batoréu

No passado dia 13 de junho decorreu uma homenagem a Gerardo José Batoréu, fundador da então Companhia de Bombeiros Voluntários da Guarda, evocando todos aqueles que, há 150 anos, deram início à história da instituição; essa homenagem integrou uma recriação histórica do momento da fundação, dinamizada pela Associação Hereditas, seguindo-se a inauguração de uma placa evocativa junto ao local onde Gerardo José Batoréu reuniu ilustres cidadãos guardenses para fundar a corporação dos voluntários egitanienses.

 

sábado, 1 de agosto de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

 


A Câmara Municipal está a preparar a candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.

Para a Câmara da Guarda a candidatura “será o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos. Cultura é o que faz de nós o que somos e o sonho do que queremos vir a ser.” Daí que a edilidade guardense solicite a colaboração ativa de todos através do preenchimento (até ao dia 15 de agosto) de um questionário, ao qual pode aceder aqui.

“Colabore na construção de uma visão cultural forte e partilhe este questionário com familiares e amigos, porque todos contam”, pede a autarquia.

“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

O município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais.

“A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.


Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Concerto no Museu assinala aniversário

 

No Museu da Guarda decorreu ontem, 30 de julho, um concerto intitulado “Um Piano no Pátio”, integrado no programa comemorativo daquela estrutura museológica.

Pátio do Museu da Guarda. Foto: Hélder Sequeira

Este concerto, que decorreu no pátio do Museu, contou com a soprano guardense Rita Morais que foi acompanhada ao piano por Kewen Wang. O repertório variado que foi apresentado encantou o público presente, que encheu aquele espaço do Museu da Guarda, fundado em 1940 pelo município guardense.

Em 1985 o Museu da Guarda passou para a tutela do Estado voltando a estar sob a égide municipal a partir de 2015, mantendo como valores a preservação do património e promoção cultural de excelência nas artes.

“As aspirações da cidade da Guarda à criação de um museu remontam aos finais do séc. XIX. Em 1910 foi criada uma comissão destinada à constituição de uma unidade museológica que compendiasse as vertentes arqueológicas e artísticas”, como se pode ler no sítio, na internet, do Museu da Guarda.

No contexto das comemorações centenárias da independência nacional (1640-1940), foi nomeada uma comissão instaladora daquele espaço museológico que, apesar da sua gestão municipal, assumia a designação de Museu Regional da Guarda – nome que nunca perdeu aliás até ser transferido para o Instituto Português do Património Cultural (IPPC).

Na sessão de Câmara de dia 6 de janeiro de 1940 o Museu foi oficialmente fundado por deliberação unânime do Executivo; o Museu ficaria instalado em parte do antigo seminário, cujas obras de adaptação foram custeadas pela autarquia, abrindo as suas portas ao público no dia 30 de julho de 1940.

“Em fevereiro de 1982, a Assembleia Distrital da Guarda e o IPPC assinavam um acordo de transferência do Museu da Guarda para a dependência daquela última entidade. Em 1983 iniciaram-se obras de remodelação do edifício e elaborou-se o programa museográfico para as coleções em depósito. Assim, o museu abriu ao público em junho de 1985, sob a designação de Museu da Guarda e na dependência do Instituto Português do Património Cultural.”

O Museu da Guarda passou, entretanto (2007) a depender do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), situação que se manteve até 2012. Com a criação da Direção-geral do Património Cultural (DGPC), extinguiu-se a Direção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e reorganizaram-se as restantes direções regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), que viram as suas competências reforçadas.

Em outubro de 2015, o Museu volta a estar sob a égide da Câmara Municipal da Guarda, regressando assim às suas origens tutelares.  O Museu da Guarda encontra-se instalado no complexo arquitetónico formado pelo antigo Paço Episcopal e o antigo Seminário da Guarda, complexo esse que começou a ser construído no início do século XVII.

“De localização privilegiada, em pleno coração da cidade da Guarda, trata–se, pois, de um edifício emblemático, com forte identidade simbólica na ordenação da envolvente urbana, assumindo, pois, preponderância numa vasta área comercial, cultual e de lazer.”


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lembrar Augusto Gil...

 

“Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim…

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim…

 

O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 156º aniversário do seu nascimento.

Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.

 Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.

De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

AUGUSTO GIL

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.

Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.

O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

Helder Sequeira

domingo, 26 de julho de 2026

Judiciária da Guarda deteve presumível incendiário

 

Inspetores do Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária detiveram, no dia de ontem, fora de flagrante delito, o presumível autor de um incêndio rural ocorrido no passado dia 19 de julho, no interior da povoação de São Paio – Seia.

Esta detenção surge na sequência de diligências realizadas conjuntamente com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Centro Interior (GTRI Centro Interior – constituído por elementos da GNR, ICNF e PJ) e em estreita colaboração com o Núcleo de Proteção do Ambiente (NPA) da GNR de Gouveia-

Face aos factos, foram constituídas diversas equipas, integradas por elementos da PJ e do GTRI Centro Interior, que levaram a cabo a recolha de elementos de prova, concluindo-se assim pela forte indiciação do suspeito como autor do incêndio.

O detido, um homem de 56 anos, terá ateado o fogo com recurso a chama direta, num dos arruamentos da povoação, local que dada a sua orografia, potenciava a expansão do fogo, pela continuidade das habitações com a vegetação e terrenos agrícolas, pondo desta forma em perigo bens materiais de elevado valor, assim como as vidas dos habitantes e de animais.

O presumível autor atuou sem móbil comprovado, aparentemente por “incendiarismo” num quadro de provável alcoolismo. Refira-se que conforme informação do IPMA, à data o risco de incêndio era Muito Elevado.

O incêndio não assumiu maiores proporções em virtude da sua deteção precoce por parte dos populares residentes nas imediações, com o pronto alerta e eficaz intervenção dos bombeiros, apoiados por um meio aéreo.

Não fosse tal facto, a progressão do referido incêndio poderia ter colocado em perigo as habitações próximas e seus habitantes, bem como vastas manchas florestais e área agrícola. O detido, foi presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, tendo ficado sujeito a prisão preventiva.

O Inquérito é titulado pelo DIAP da Guarda.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

A Câmara Municipal da Guarda vai apresentar a sua candidatura a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.


Segundo a Câmara Municipal da Guarda, “a candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

Assim o município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. “A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.

Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.

 

 

sábado, 18 de julho de 2026

Guarda a nossa Rádio...

 

Fomos buscar o título deste apontamento de hoje à peça de teatro que escrevemos, e foi levada à cena, em 2023, aquando da comemoração do 75º aniversário da Rádio Altitude.

Uma peça para celebrar a rádio e, simultaneamente, proposta de reflexão sobre a função social deste meio de comunicação; sobretudo em regiões do interior, como esta zona da Beira Serra, onde nunca serão de mais os contributos que possam dar voz às populações, aos valores culturais e históricos, ao presente, aos sonhos do futuro.

A rádio continua a ter um papel fundamental na informação local e regional, na defesa da identidade destas terras e gentes. Nesta peça – cujo texto pode ser adaptado ou interpretado em diferenciados contextos geográficos, onde a rádio esteja presente – o espetador é levado para um estúdio, onde há vozes, músicas, memórias, sentimentos, sonhos, paixão, afetos; é desafiado a assistir a um programa de rádio, numa noite especial, onde se cruzam três gerações e que proporciona a revisitação de múltiplas estórias; a evocação de distintas vivências marcadas pela magia da rádio. No final há uma inesperada revelação e um comovido apelo para que a rádio se continue a reinventar e afirmar no futuro.

Há referências especiais, nomes e vozes que serão percetíveis aos leitores/espetadores; personagens que, como referido anteriormente, dão ao espetador a liberdade de as associar a outras vivências; são os afetos e a paixão pela Rádio que alimentam os diálogos, as memórias…

Na Guarda não faltam memórias da Rádio, que importa reter e salvaguardar, em torno de uma emissora que completa no próximo dia 29 de julho setenta e oito anos de emissões, mantendo a designação que assumiu no passado século no contento da vivência sanatorial da mais alta cidade portuguesa.

Embora já anos antes tenha havido alguma atividade radiofónica, ainda marcadamente experimental, a data oficial das emissões da Rádio Altitude é o dia 29 de julho de 1948.

Esta emissora “iniciou a sua sessão e, com ela, a sua vida oficial transmitindo depois do disco indicativo da estação, a saudação Salvé Rádio Altitude! proferida pela menina Aurora da Cruz, que foi escolhida para madrinha do Posto Emissor. Falou, em primeiro lugar, o Sr. Carlos Alberto Pereira, Vice-Presidente da Caixa Recreativa, que – anunciado pelo locutor de serviço com palavras de justa homenagem e consagração – começou por dizer: Rádio Altitude, posto emissor deste Sanatório, vai ser inaugurado oficialmente, depois de um período em regime experimental”. Assim noticiou o Bola de Neve, um jornal editado no Sanatório Sousa Martins

Como escrevemos em “O Dever da Memória – Uma Rádio no Sanatório da Montanha” (publicado em 2003), a Rádio Altitude é uma emissora com interessantes particularidades, originada no seio das experiências radiofónicas que ocorreram no Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão do Sanatório onde estava concentrado o grupo de doentes (de tuberculose) pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

No ano de 1947, o médico Ladislau Patrício (diretor do Sanatório Sousa Martins) aprovou (a 21 de outubro) o primeiro regulamento da emissora, onde estavam definidas orientações claras sobre o seu funcionamento; em finais desse ano as emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda. O início oficial das emissões regulares ocorreu, como atrás foi dito, em 29 de julho de 1948; um ano depois (1949) foi-lhe atribuído o indicativo CSB 21, identidade difundida por várias décadas.

A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa dos Internados no Sanatório Sousa Martins e mais tarde ao Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM); com a sua criação pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

Em 1961, mediante autorização oficial, a Rádio Altitude passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias, que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões da rádio guardense evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros, mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.


Até 1980 a Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda, mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou a emitir também em frequência modulada (FM), em 107.7 Mhz, alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz, que mantém na atualidade.

No ano de 1998, depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”. A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço do Sanatório Sousa Martins, hoje designado Parque da Saúde.

Ao celebramos, no próximo dia 29 de julho, o 78º aniversário das emissões regulares da RA devemos lembrar-nos que estamos perante uma rádio muito especial para a Guarda e região da beira serra. Uma rádio que tem o seu lugar na história da radiodifusão sonora em Portugal e encerra décadas de afetos, memórias, vivências, dedicação, serviço público, criatividade, formação, espírito solidário.

Esta emissora, confrontada com os desafios dos tempos hodiernos, permanece na memória coletiva das gentes beirãs…

 

Hélder Sequeira


in O Interior, 15 de julho 2026

 

domingo, 12 de julho de 2026

Porto Vintage dedicado a Eduardo Lourenço

 

Na Guarda foi apresentado ontem, em antestreia mundial, o vinho de autor “Celebrar Eduardo Lourenço”.

Esta criação de autor, um Porto Vintage 2023, foi desenvolvida por Tiago Alves de Sousa, um dos mais reconhecidos nomes da nova geração do vinho português que, entre outros galardões, foi distinguido com o prémio “Jovem Enólogo do Ano” 2025.


A sessão de apresentação deste vinho “Celebrar Eduardo Lourenço”, com edição limitada, decorreu ontem no anfiteatro da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, no âmbito do Guarda Wine Fest quer termina hoje nesta cidade e se afirma como uma montra privilegiada do potencial vínico e gastronómico do interior de Portugal. Esta apresentação integrou-se ainda na comemoração dos 25 anos do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), de que Eduardo Lourenço foi mentor.

Reforçando a ligação entre património cultural, literatura e enologia este vinho nasce do encontro entre duas referências da cultura portuguesa: o pensamento de Eduardo Lourenço e a excelência da enologia contemporânea. “Este vinho não é apenas uma homenagem, é uma declaração! (...) Estamos a dizer ao país aquilo que Eduardo Lourenço sempre soube: que a geografia não é um fardo, pode ser o centro do pensamento. Que a Guarda não está à margem de nada, está no centro de tudo o que importa. Aqui o vinho não é só um produto. É cultura. É pensamento. É identidade”, afirmou o Presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa a propósito deste momento de homenagem ao ensaísta português.

A Guarda Wine Fest está a decorrer na Alameda de Santo André e encerra na noite de hoje. A entrada é gratuita.


sábado, 11 de julho de 2026

Hotel Turismo da Guarda: requalificação vai avançar

 

O Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou ontem na Guarda que já tinha assinado o despacho de adjudicação das obras de requalificação do edifício do Hotel Turismo, desta cidade.


De acordo com aquele membro do Governo, a adjudicação foi feita ao grupo Lince. O Grupo The Lince Hotels é um projeto “que nasceu do sonho e motivação de Domingos Correia- CEO do Grupo Arliz- em apostar na diferença, excelência, autenticidade e inovação na hospitalidade. Uma aposta clara deste grupo hoteleiro português que se antecipa às expectativas, necessidades e motivações de quem nos procura.” É referido no sítio daquele grupo na internet.

Para a prossecução deste processo de requalificação falta agora a autorização do Ministério das Finanças, seguindo-se depois à apresentação do projeto à Câmara Municipal da Guarda. Recorde-se que no passado mês de março tinha sido aberto, pelo Turismo de Portugal, concurso público para requalificação do edifício, sendo mencionada a opção de compra a partir do quarto ano. As obras, a cargo do Grupo Lince, deverão ser concluídas num prazo entre 18 a 24 meses.

O edifício do Hotel de Turismo da Guarda, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, encerrou a 31 de outubro de 2010. Esta unidade hoteleira, cuja propriedade era detida pela Sociedade Hotel de Turismo – da qual a autarquia guardense era a única acionista – foi vendida, por 3,5 milhões de euros, ao Instituto de Turismo de Portugal (ITP) que ali previa instalar ali uma Escola-Hotel, de quatro estrelas.

A venda do imóvel já tinha sido aprovada, pela maioria socialista, em reunião do executivo municipal, decisão ratificada, posteriormente, na Assembleia Municipal, com os votos do PS e do único deputado da CDU; os deputados do PSD e do Bloco de Esquerda votaram contra. Mais tarde o executivo municipal aprovou a dissolução da Sociedade Hotel de Turismo da Guarda, que em 2007 tinha adquirido esta unidade hoteleira à Câmara Municipal, após ter terminado o contrato de concessão com a empresa arrendatária.

A escolha do local para a construção deste Hotel foi feita, na década de trinta do século passado, pelo executivo municipal da Guarda, apoiado no parecer da Comissão de Iniciativa e Turismo. O projeto arquitetónico – da autoria de Vasco Regaleira – foi apresentado, publicamente, em 1933. Dificuldades de vária ordem, nomeadamente de ordem financeira, atrasaram as obras de construção, iniciadas em janeiro de 1934, no então denominado Campo da Boavista.

Ernesto Pereira, empossado em 1946 como Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na conclusão das obras construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria também a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

A inauguração do Hotel de Turismo da Guarda – à época uma das unidades hoteleiras mais prestigiadas de Portugal – ocorreu a 6 de julho de 1947, sendo concessionado pela entidade proprietária, a Câmara Municipal

Na década de 60 foram realizadas obras de ampliação do edifício, as quais seriam concluídas em 1971. Anos mais tarde o hotel viria a alvo de algumas melhorias e de transformações internas, de forma a adaptar-se às novas solicitações e necessidades de uma estrutura deste género, um dos alojamentos preferidos (e selecionado), durante décadas, nesta região do interior.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Interior Sonoro: criatividade, inclusão e multidisciplinaridade


“Interior Sonoro. Que grande trip, meu!” é o espetáculo multidisciplinar que terá lugar, amanhã (4 de julho) no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, a partir das 16 horas. A entrada é livre, mediante o levantamento prévio do bilhete.


Este espetáculo tem direção artística de B. Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), cruzando música, teatro, escrita e fotografia num percurso de criação coletiva, construída com participantes da CERCIG e da Associação PALOP.

Para Luís Fidalgo Sequeira, “nenhum processo está totalmente definido de forma prévia. Existe uma intenção, uma ideia, uma direção, mas tudo se constrói através da partilha entre as pessoas, no tempo que investimos e nas experiências conjuntas que nos vão guiando de forma natural, sem forçar nada, só deixar acontecer, como o tempo.”

O diretor artístico do “Interior Sonoro” esclarece que “o arco narrativo Trauma, Sombra e Sonho, foi algo pensado como proposta inicial para o espetáculo. Curiosamente, acabou por fazer sentido com tudo aquilo que a CERCIG desenvolve e até com experiências e situações com as quais a Associação PALOP da Guarda se depara.”

Instado a comentar o papel dos formadores, neste projeto, considera que eles “também têm o seu impacto através da sua diversidade, cruzando vários caminhos, mas com um propósito comum. Ao longo das sessões do Interior Sonoro surgiram muito mais do que exercícios criativos. Surgiram conversas que se prolongaram para além das atividades propostas. Surgiram memórias partilhadas pela primeira vez, gritos de revolta, qualidades que eram desconhecidas até aquele momento. Surgiram perguntas difíceis, momentos de descoberta, episódios de humor ou outros mais sérios. Surgiu a escuta e a cumplicidade. Aproximámo-nos e deixámo-nos levar, deixámos o tempo acontecer.”

Aludindo ao percurso percorrido, ao longo dos meses em que foi construído este trabalho que amanhã será apresentado no TMG, Luís Fidalgo Sequeira diz que “os cadernos começaram por receber as primeiras palavras soltas e acabaram por guardar reflexões, poemas, narrativas, letras de canções, memórias, recortes. Algo que nos irá acompanhar e que a nossa mente preservará com o maior carinho. Os exercícios de expressão corporal deram lugar a novas formas de confiança e comunicação. A música transformou emoções, ideias e experiências em ritmo, voz e numa presença evidente. A fotografia registou não apenas aquilo que era visível, mas também os pequenos gestos, as relações, os detalhes e todos aqueles instantes que definem um processo coletivo. Nós somos isso: um coletivo multidisciplinar.”

Aliás, um aspeto que o diretor artístico de “Interior Sonoro” sublinha nas suas declarações a propósito deste projeto. “O resultado não se resume a uma só disciplina artística. Cada linguagem acrescenta uma nova camada de significado aquilo que desenvolvemos de forma conjunta. No teatro habita a história. A escrita permite organizar pensamentos e emoções. A música é o ponto de encontro. A imagem preserva aquilo que as palavras nem sempre conseguem descrever.”

Por outro lado, acrescenta Luís Fidalgo Sequeira, “também surgiram relações de amizade entre participantes, formadores, técnicos e direção artística. Diferentes gerações, com percursos de vida distintos e diferentes referências culturais que através da comunicação conseguiram canalizar toda a partilha em novas perspetivas, reforçando a ideia de que a criação coletiva se constrói precisamente a partir da diferença.”

Assim, Luís Fidalgo Sequeira refere que amanhã, no TMG, vai ser apresentada “apenas uma parte visível desse percurso. As canções, os textos, as fotografias e os registos documentais são o resultado real de meses de trabalho. Mas existem outras dimensões que permanecem fora destas páginas: as conversas, os ensaios, os momentos de superação, as descobertas individuais, tristezas, as pessoas que decidiram sair quando realmente faziam falta e não se deram conta. Foram muitos os laços construídos ao longo deste caminho.”

B. Riddim retém que “talvez seja aí que resida a verdadeira obra. Não apenas no que foi criado, mas em tudo aquilo que se tornou possível através do processo. Na verdade, são todos esses meses, aquelas sessões, aquelas horas em que estivemos juntos que nos trouxe a este ponto.”

Este projeto é complementado com um livro e um disco que integra dez temas originais que cruzam Hip-Hop, spoken word e criação colaborativa. Igualmente com direção artística, produção, gravação e mistura de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), o vinil reúne participantes da CERCIG e da Associação PALOP, contando ainda com as participações de Maze, Kei e Miguel Silva.

“Inspirado pelos conceitos de Trauma, Sombra e Sonho, o álbum nasce de um processo de criação artística desenvolvido ao longo de vários meses com ambas as entidades participantes, transformando diferentes experiências, memórias e perspetivas numa narrativa musical comum. Entre a escrita, a palavra dita e a interpretação, cada tema reflete o encontro de diferentes vozes e linguagens numa obra que ultrapassa o seu contexto de origem.” Referiu Luís Fidalgo Sequeira

A masterização esteve a cargo de Gonçalo Peixoto e a edição é do Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Disponível em formato digital e em edição física integrada no livro do Interior Sonoro, o álbum (com o mesmo nome) afirma-se como uma peça central de um universo artístico que inclui também o anteriormente aludido espetáculo multidisciplinar e uma série documental.


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Semana Nacional de Formação do Desporto Escolar

Na Guarda está a decorrer até amanhã, 3 de julho, a X Semana Nacional de Formação do Desporto Escolar.

Este evento reúne cerca de 600 professores de Educação Física e do Desporto Escolar, de todo o país. Os participantes têm oportunidade de aprofundar conhecimentos e partilhar experiências em 18 áreas temáticas, num programa diversificado que visa reforçar a formação contínua dos docentes e promover a qualificação do ensino da Educação Física.


Capela da Senhora dos Remédios

 

Guarda

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Novo PDM da Guarda entra hoje em vigor

 

O novo Plano Diretor Municipal (PDM) da Guarda entra hoje em vigor, publicada que foi, ontem em Diário da República, a delimitação da Reserva Ecológica Nacional do concelho

A partir de agora estão definidas as novas regras e orientações a que devem obedecer as ações de ocupação, uso e transformação do solo na área de intervenção do PDM.

Com este novo Plano foi quadruplicada a área para as empresas, através de cerca de 1000 hectares preparados para a indústria, a logística e a tecnologia. Em reserva, e segundo divulgou a autarquia guardense, estão já 600 hectares.

O novo Plano Diretor contribui para a concretização da estratégia de desenvolvimento territorial que prossegue a visão de “afirmar a Guarda como um território qualificado e com a qualidade de vida que promove a fixação da população”.

Por outro lado, com a entrada em vigor deste novo Plano será balizado “um desenvolvimento económico sustentável, reforçando a sua base económica e atratividade turística com base na valorização da sua localização”, que não esquecerá o “seu património natural, paisagístico e cultural”.

Como se pode ler no texto do documento, afirmar a Guarda como centro urbano de referência no contexto regional e nacional é um dos objetivos estratégicos sublinhado no Plano Diretor Municipal.

O novo PDM articula-se com o propósito de consolidar a Guarda como “um importante nó da cadeia logística nacional internacional e internacional potenciando os efeitos multiplicadores da instalação do Porto Seco”.

Ficam, assim, criadas as condições para que a Guarda acolha uma das grandes áreas empresariais do país.

Segundo o novo PDM, a estratégia de desenvolvimento territorial e a visão são sustentadas em quatro eixos de intervenção: melhoria da qualidade de vida, do bem-estar e da coesão social e territorial; salvaguarda e valorização do património natural, paisagístico, cultural, edificado e arqueológico; ordenamento florestal e proteção civil; competitividade, afirmação e consolidação da posição do concelho da Guarda na região.


terça-feira, 30 de junho de 2026

Guarda vai ter variante de ligação à VICEG

 


A empreitada da obra “Regeneração e Mobilidade Urbana do Vale do Cabroeiro”, na Guarda, tem já o visto do Tribunal de Contas, reunindo as condições para se iniciarem os trabalhos de construção.

Estes incluem a abertura da variante da Rotunda dos Efes, conhecida também pela variante da “Ti Jaquina” (Joaquina Escada era uma conhecida figura da cidade e de inúmeras pessoas que a contactaram mercê da sua atividade comercial; durante 36 anos geriu um negócio que funcionou no Quiosque situado junto à atual Rotunda, o qual foi demolido em outubro de 2012)

Esta obra era um projeto aguardado pelos guardenses há mais de 30 anos A autarquia tinha já recebido o aval também do Tribunal de Contas ao financiamento da execução da obra, através da contratação do empréstimo e tem já à disposição todos os terrenos abrangidos pela operação urbanística.

A obra, entregue a um consórcio constituído por três empresas da Guarda, vai criar um novo acesso com cerca de um quilómetro entre o centro da cidade e a Via de Cintura Externa (VICEG) “criando uma nova centralidade e uma nova dinâmica na mobilidade”.

De referir que se assegura assim a ligação à rede viária da malha urbana dos bairros envolventes, Bairro da Senhora dos Remédios, Bairro da Luz, Bairro do Pinheiro, Póvoa do Mileu e Parque Industrial, “criando o acesso e infraestruturas para a maior área de expansão urbanística da Guarda das últimas décadas, possibilitando a construção de 500 novas habitações”, de acordo com informação divulgada nas redes sociais pela autarquia guardense.

Esta intervenção, com um prazo de execução de cerca de 3 anos, inclui o prolongamento em cerca de dois quilómetros da Ecovia já existente por forma a unir os bairros adjacentes, ligando a mobilidade urbana ciclável e pedonal da cidade, valorizando e salvaguardando a arborização e a estrutura verde, em sintonia com os corredores ecológicos e as valências recreativas.

“A obra é uma peça central do Plano Estratégico Guarda 2040 e não servirá apenas para a fluidez do trânsito, mas também para fixar pessoas. Com a intervenção será iniciada a maior área de expansão urbanística da Guarda das últimas décadas.” É sublinhado na informação divulgada pelo município guardense.


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Biblioteca Municipal alargou horário

 

A Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), na Guarda, alargou a partir de 26 de junho, o seu horário de funcionamento da sala de apoio ao estudo.

Assim, aquela sala passou a estar disponível das 9h às 22 horas, sem interrupção, de segunda a sábado.

O alargamento do horário daquele espaço pretende dar, segundo a autarquia guardense, condições ao estudo dos jovens tendo em conta a preparação da época de exames.


quarta-feira, 24 de junho de 2026

Feira de São João na Guarda

 

Um dos cartazes da Guarda, durante largas décadas foi a feira São João, que desempenhava um importante papel de dinamização económica e social, integrando um conjunto de certames com forte projeção regional.

A feira anual de São João, que ocorre no dia 24 de junho na Guarda, foi criada em 1255 por carta régia de D. Afonso III; este documento estabelecia, como assinalou a historiadora Virgínia Rau, que “devia começar oito dias antes da festa de S. João Baptista e durar quinze dias. Todos os que viessem à feira com as suas mercadorias estariam seguros e isentos de penhora durante trinta dias”.

No decorrer da segunda dinastia a feira de São João continuava a registar grande importância e no século XV era costume os “criadores e lavradores de Castelo Branco e do seu termo levarem os gados da sua criação para venda na feira da Guarda”.

Nos finais do século dezanove a cidade enchia-se, muitos dias antes de “grande quantidade de forasteiros”, e não faltavam, pelas principais artérias as “costumadas fogueiras com danças e cantos”. O teatro, os concursos de gado e as touradas constituíam alguns dos pontos de atração do cartaz citadino, nesses dias de enorme agitação festiva e de muitas transações comerciais.

A viagem de comboio até à Guarda era incentivada com significativas reduções nos preços, oportunidade aproveitada por numerosas pessoas, que engrossavam a multidão de visitantes espalhados por todos os cantos da cidade.

Este quadro, festivo, comercial e religioso – componente que também não faltava – repetiu-se, com mais ou menos cambiantes, durante décadas, deixando um inquestionável impacto na vida da cidade.

Aliás, a própria Câmara Municipal da Guarda deliberou, em julho de 1954, solicitar ao Governo a “necessária autorização para considerar como feriado municipal no concelho da Guarda o dia 24 de junho de cada ano”.

O executivo municipal, de então, argumentava que os festejos de São João “desde tempos imemoriais atingem proporções de relevo”, sendo por isso considerado “dia festivo em toda a região”; por outro lado, a Câmara Municipal aduzia a realização da “importante feira anual de S. João, reputada a de maior expansão e amplitude da região por a ela acorrerem com os seus produtos e gados as populações de toda a região beirã e até transmontana”; as estas razões, acrescentava-se ainda a intenção de o dia passar a figurar no período das “futuras Festas da Cidade” da Guarda.

O médico e escritor Ladislau Patrício (o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins) anotava, numa das suas obras, que “nas vésperas do dia 24 de junho, noite e madrugada, é contínuo o formigueiro de feirantes, a pé, a cavalo, em carroças e em carros de bois, tropeçando nos calhaus soltos dos caminhos impérvios, ou batendo o macadame das estradas poeirentas e brancas”.

Hoje a realidade é distinta, por diversas razões (nomeadamente pela mudança radical nos hábitos de consumo e de comércio), mas a feira de São João, na Guarda, continua a ser uma referência no ciclo anual destes eventos, com possibilidade de se afirmar no calendário com a sua identidade e a renovação consentânea com os tempos de hoje.

 

Hélder Sequeira


terça-feira, 23 de junho de 2026

Rádio F: trigésimo sexto aniversário

 

A Rádio F, que emite a partir da cidade da Guarda, assinala hoje o trigésimo sexto aniversário.

“Desde a sua génese, a Rádio F pautou-se por um cuidado, não apenas na vertente tecnológica, mas sobretudo no fator humano. A estação tem servido durante décadas, como uma verdadeira escola, preparando profissionais que viriam a singrar em órgãos de comunicação de âmbito nacional.” É referido, no sítio da Rádio F, a propósito deste aniversário.

“Outro dos pontos é a evolução que a Rádio F teve desde o início desta década, com a aposta numa programação mais direcionada para a comunidade, com programas com claro interesse da opinião pública”, é sublinhado depois.

Nesta data, a Rádio F lembra Virgílio Ardérius, seu fundador e o diretor até 2023, ano em que faleceu. “Estamos determinados a fazer não apenas mais uma estação de rádio, mas sim uma rádio de nível superior”, garantia o Presidente da Direção da Fundação Frei Pedro. “Chamar-se-á Rádio F este jovem parceiro de outras estações já existentes quer no concelho da Guarda, quer nos concelhos vizinhos; Rádio F porque os seus animadores entendem identificá-la, logo a partir do seu nome, com a cidade-berço deste projeto (...) Por outras palavras - fugindo de regionalismos acerbos e doentios  -  a Rádio F tem como vocação natural dar cor da cidade e da região, impedir que os seus problemas, os seus anseios, os seus sonhos se mantenham num limbo (embora cor-de-rosa) do esquecimento mais ou menos assumido, mais ou menos incompetente.”


domingo, 21 de junho de 2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

Guarda: Beat no Museu

 


B.Riddim e Maze dão corpo ao universo do Beat na Montanha Vol. 1, editado pelo Teatro Municipal da Guarda (TMG) em formato vinil e digital, “um arquivo vivo de memórias, vozes e experiências sem filtro.” Esta proposta musical está agendada para amanhã, 17 de junho, a partir das 21h30, no Pátio do Museu da Guarda.

Beat na Montanha, em formato Live AV Set, “nasce de encontros, vivências e processos criativos desenvolvidos em territórios educativos, comunitários e prisionais”, como foi referido a propósito deste espetáculo, com entrada livre.

Entre o Rap, o Spoken Word e as vibrações da cultura Bass, som e imagem fundem-se em tempo real através do vídeo reativo, criando uma experiência imersiva onde a resistência e a transformação ganham presença coletiva.

Esta iniciativa está integrada no programa do IX Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC), organizado pela Câmara Municipal da Guarda / Museu da Guarda e que decorre até 19 de junho.