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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Interior Sonoro: criatividade, inclusão e multidisciplinaridade


“Interior Sonoro. Que grande trip, meu!” é o espetáculo multidisciplinar que terá lugar, amanhã (4 de julho) no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, a partir das 16 horas. A entrada é livre, mediante o levantamento prévio do bilhete.


Este espetáculo tem direção artística de B. Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), cruzando música, teatro, escrita e fotografia num percurso de criação coletiva, construída com participantes da CERCIG e da Associação PALOP.

Para Luís Fidalgo Sequeira, “nenhum processo está totalmente definido de forma prévia. Existe uma intenção, uma ideia, uma direção, mas tudo se constrói através da partilha entre as pessoas, no tempo que investimos e nas experiências conjuntas que nos vão guiando de forma natural, sem forçar nada, só deixar acontecer, como o tempo.”

O diretor artístico do “Interior Sonoro” esclarece que “o arco narrativo Trauma, Sombra e Sonho, foi algo pensado como proposta inicial para o espetáculo. Curiosamente, acabou por fazer sentido com tudo aquilo que a CERCIG desenvolve e até com experiências e situações com as quais a Associação PALOP da Guarda se depara.”

Instado a comentar o papel dos formadores, neste projeto, considera que eles “também têm o seu impacto através da sua diversidade, cruzando vários caminhos, mas com um propósito comum. Ao longo das sessões do Interior Sonoro surgiram muito mais do que exercícios criativos. Surgiram conversas que se prolongaram para além das atividades propostas. Surgiram memórias partilhadas pela primeira vez, gritos de revolta, qualidades que eram desconhecidas até aquele momento. Surgiram perguntas difíceis, momentos de descoberta, episódios de humor ou outros mais sérios. Surgiu a escuta e a cumplicidade. Aproximámo-nos e deixámo-nos levar, deixámos o tempo acontecer.”

Aludindo ao percurso percorrido, ao longo dos meses em que foi construído este trabalho que amanhã será apresentado no TMG, Luís Fidalgo Sequeira diz que “os cadernos começaram por receber as primeiras palavras soltas e acabaram por guardar reflexões, poemas, narrativas, letras de canções, memórias, recortes. Algo que nos irá acompanhar e que a nossa mente preservará com o maior carinho. Os exercícios de expressão corporal deram lugar a novas formas de confiança e comunicação. A música transformou emoções, ideias e experiências em ritmo, voz e numa presença evidente. A fotografia registou não apenas aquilo que era visível, mas também os pequenos gestos, as relações, os detalhes e todos aqueles instantes que definem um processo coletivo. Nós somos isso: um coletivo multidisciplinar.”

Aliás, um aspeto que o diretor artístico de “Interior Sonoro” sublinha nas suas declarações a propósito deste projeto. “O resultado não se resume a uma só disciplina artística. Cada linguagem acrescenta uma nova camada de significado aquilo que desenvolvemos de forma conjunta. No teatro habita a história. A escrita permite organizar pensamentos e emoções. A música é o ponto de encontro. A imagem preserva aquilo que as palavras nem sempre conseguem descrever.”

Por outro lado, acrescenta Luís Fidalgo Sequeira, “também surgiram relações de amizade entre participantes, formadores, técnicos e direção artística. Diferentes gerações, com percursos de vida distintos e diferentes referências culturais que através da comunicação conseguiram canalizar toda a partilha em novas perspetivas, reforçando a ideia de que a criação coletiva se constrói precisamente a partir da diferença.”

Assim, Luís Fidalgo Sequeira refere que amanhã, no TMG, vai ser apresentada “apenas uma parte visível desse percurso. As canções, os textos, as fotografias e os registos documentais são o resultado real de meses de trabalho. Mas existem outras dimensões que permanecem fora destas páginas: as conversas, os ensaios, os momentos de superação, as descobertas individuais, tristezas, as pessoas que decidiram sair quando realmente faziam falta e não se deram conta. Foram muitos os laços construídos ao longo deste caminho.”

B. Riddim retém que “talvez seja aí que resida a verdadeira obra. Não apenas no que foi criado, mas em tudo aquilo que se tornou possível através do processo. Na verdade, são todos esses meses, aquelas sessões, aquelas horas em que estivemos juntos que nos trouxe a este ponto.”

Este projeto é complementado com um livro e um disco que integra dez temas originais que cruzam Hip-Hop, spoken word e criação colaborativa. Igualmente com direção artística, produção, gravação e mistura de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), o vinil reúne participantes da CERCIG e da Associação PALOP, contando ainda com as participações de Maze, Kei e Miguel Silva.

“Inspirado pelos conceitos de Trauma, Sombra e Sonho, o álbum nasce de um processo de criação artística desenvolvido ao longo de vários meses com ambas as entidades participantes, transformando diferentes experiências, memórias e perspetivas numa narrativa musical comum. Entre a escrita, a palavra dita e a interpretação, cada tema reflete o encontro de diferentes vozes e linguagens numa obra que ultrapassa o seu contexto de origem.” Referiu Luís Fidalgo Sequeira

A masterização esteve a cargo de Gonçalo Peixoto e a edição é do Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Disponível em formato digital e em edição física integrada no livro do Interior Sonoro, o álbum (com o mesmo nome) afirma-se como uma peça central de um universo artístico que inclui também o anteriormente aludido espetáculo multidisciplinar e uma série documental.


domingo, 21 de junho de 2026

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Inclusão através da arte

 

O "Beat na Montanha Vol. I ", com produção do guardense B.Riddim, editado pelo Teatro Municipal da Guarda em formato LP e digital, já pode ser adquirido, aqui.

"Este trabalho mergulha na energia da primeira e segunda temporada do projeto, Centro Escolar de Gonçalo e Aldeia S.O.S. e Estabelecimento Prisional da Guarda e Mondego, respetivamente, contando ainda com a participação de Maze, dos Dealema.


A sonoridade fica marcada pelo rap e pela cultura bass, dando voz a histórias que nasceram da criatividade coletiva de jovens e comunidades vulneráveis. Cada faixa deste álbum é um encontro de talento, expressão, transformação e comunicação coletiva.

Uma experiência sonora que celebra a inclusão através da arte." É referido a propósito deste trabalho.


domingo, 19 de abril de 2026

Vinil "Beat da Montanha": lançado o Vol. I


       No Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda foi  apresentado  na passada  sexta-feira, 17 de abril, o “Beat na Montanha Vol. 1” em formato vinil e digital, editado pelo TMG.

Este trabalho nasceu de processos criativos desenvolvidos em contextos educativos, comunitários e prisionais, reunindo rap e cultura bass como ferramentas de expressão coletiva. Com produção de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira) e participação especial de Maze (Dealema), o álbum dá voz a histórias reais onde cada música é um encontro de talento, expressão, transformação e comunicação coletiva.


Beat na Montanha é um projeto de inclusão social através da arte onde música e palavra se encontram para dar a conhecer vozes que por norma não são ouvidas. “Une crianças, jovens e comunidades vulneráveis num encontro de criatividade, expressão e liberdade de movimento. Cada nota, cada verso, cada imagem é um gesto de inclusão, esperança e transformação”, aliado à sensibilidade artística de cada um.


“O Beat na Montanha aposta fortemente na inclusão social, não apenas como ação artística, mas como espaço de integração, comunidade, expressão de identidade, reconhecimento da diversidade e oportunidades iguais de participação criativa”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

Para ele, “a arte surge como ferramenta de transformação onde a música, a escrita, o som ou a imagem são vistos como meio de conectar diferentes pessoas, dar voz a quem normalmente não teria visibilidade, fomentando a autoestima, comunicação e empatia.”


Por outro lado, acrescentou, o Beat na Montanha “incentiva a descoberta de talento e expressão pessoal, oferecendo meios para que os participantes explorem diversas aptidões (ritmo, voz, imagem, vídeo, composição, escrita), e aprendam técnicas artísticas, colaborando e comunicando coletivamente. Insere grupos vulneráveis ou marginalizados (crianças em instituições sociais; reclusos) num contexto de criação artística coletiva e de valorização com a restante comunidade.”

Ao envolver escolas, instituições sociais e prisões, o Beat na Montanha demonstra que a arte, especialmente música e cultura urbana –onde neste projeto se destaca a sonoridade Hip-Hop – pode ser uma ponte entre realidades distintas e gerar laços comunitários, empatia, reconciliação e inclusão social.


Inclui ainda vertentes audiovisuais, design e ferramentas multimédia, ajudando a desenvolver competências técnicas e criativas nos participantes, algo que pode ter impacto educativo, cultural e até profissional no futuro dessas pessoas.

O vinil está já pode ser adquirido.






terça-feira, 7 de abril de 2026

Projeto "Interior Sonoro" em curso na Guarda


No Café-Concerto do Teatro Municipal foi apresentado ontem o projeto “Interior Sonoro” idealizado e dirigido por Luís Fidalgo Sequeira e promovido pelo Município da Guarda através do TMG, com apoio do programa Centro2030 – Inclusão pela Cultura.


Este projeto, que cruza a arte e a inclusão, reúne utentes da CERCIG e da Associação de Estudantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) em sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e mindfulness.

O “Interior Sonoro” tem como guião o eixo “sombra, sonho e trauma”. Na sessão da apresentação do projeto, a vereadora da Câmara Municipal da Guarda, Cláudia Guedes, destacou a importância da iniciativa por contribuir para uma cidade mais inclusiva, mais humana e mais coesa, considerando ser mais do que um projeto artístico. “É a prova de que a arte e a cultura podem fazer a diferença”, destacou.


Por seu turno, Paula Machado, da administração da CERCIG, afirmou que esta experiência tem sido para os utentes da instituição “uma terapia pela arte ou mesmo arte com terapia”. Rafaela Lourenço, da Associação PALOP, disse que, “no início, houve muitas incertezas, mas agora há muita gente a cantar, a dançar e a compor, e esta descoberta de talentos devemos muito aos nossos formadores”.

Guiado pelo eixo “Sombra, Sonho e Trauma”, o projeto, com direção artística do guardense Luís Fidalgo Sequeira conta com a colaboração, como formadores, do rapper Maze (André Neves, dos Dealema, escrita terapêutica criativa), Joana Cavaleiro (encenação), Miguel Silva (fotografia/imagem), Hugo Quelhas (escrita criativa) e Vanessa Rei (psicóloga).

O resultado do processo culminará no espetáculo de apresentação, no Teatro Municipal da Guarda (TMG) no próximo dia 4 de julho de 2026, englobando ainda a criação de um livro com conteúdo do processo e um álbum de temas originais.


“O ‘Interior Sonoro’ é um projeto de cariz intercultural e para reforçar o sentido de comunidade através da criação de uma obra musical multidisciplinar”, explicou Luís Fidalgo Sequeira (com o nome artístico B.Riddim); lembrou ainda que este trabalho vem na sequência de outro projeto da sua autoria realizado na Guarda e intitulado ‘Beat na Montanha’, o qual começou em 2023. A inclusão social aliada ao estímulo criativo na área da música e da escrita foi a ideia chave do projeto concebido por ele, dirigido a crianças e jovens entre os 6 e os 16 anos. Nessa primeira edição, o projeto implementou uma fusão sonora de vários instrumentos clássicos com eletrónica, gerando texturas que possam ser usadas para uma ligação com textos em prosa e verso; não esquecerá, também, a exploração de capacidades vocais. O primeiro “Beat na Montanha” foi, nesse ano, desenvolvido com o envolvimento de crianças e jovens do Centro Escolar de Gonçalo e Aldeia S.O.S. da Guarda.

No ano seguinte (2024), no âmbito da segunda edição do Beat na Montanha, a música e a escrita serviram também de estímulo à criatividade de 20 mulheres e homens reclusos num projeto de inclusão que os levou ao palco do Teatro Municipal da Guarda; a segunda edição do Beat na Montanha foi “um projeto de inclusão social, com incidência na cultura cigana” que permitiu “levar as pessoas da etnia cigana ao TMG”, como nos recordou Luís Fidalgo Sequeira, para quem esse trabalho representou “uma capacidade de mudança, não só de mentalidades, mas também do paradigma sobre as pessoas que estão privadas de liberdade".

Na terceira edição do Beat na Montanha (projeto idealizado por B.Riddim/Luís Fidalgo Sequeira) os protagonistas foram os alunos do Agrupamento de Escolas da Sé, Guarda. “Durante vários meses, crianças e jovens mergulharam num processo criativo intenso, sob orientação artística de Luís Sequeira, Maze e Miguel Silva”. Criação, ritmo e imagem no topo da montanha foi a proposta para espetáculo final multidisciplinar (música e imagem) apresentado no TMG. Nessa terceira edição, a ideia foi “abrir um leque de opções, não só na parte educacional, a nível pedagógico e educativo, mas também como obra final em si, será uma obra de maiores dimensões, porque inclui teatro, coisa que não acontecia no projeto anterior”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

“Foi uma forma de prescrição social, onde a criatividade se torna uma ferramenta de bem-estar. A arte tem um impacto direto na nossa saúde mental”. Comentava, então, a psicóloga Vanessa Rei a propósito do Beat na Montanha 3.0. “A música, o movimento, a palavra criativa, ativam partes do cérebro ligados à emoção, à empatia e à nossa autorregulação, porque nem todos nós conseguimos expressar através das palavras; a imagem acaba por se tonar uma ponte entre o nosso mundo interno e externo”.

Em o “Interior Sonoro”, e como foi já dito, o eixo ‘Sombra, Sonho e Trauma’ é o guião deste projeto de Luís Fidalgo Sequeira, também autor da dramaturgia, da música e realizador de um documentário sobre o projeto.


Os cerca de 50 participantes – 34 da CERCIG [Cooperativa para Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda] e 16 da Associação PALOP, integrada por estudantes e trabalhadores de países africanos de língua oficial portuguesa radicados na Guarda – estão a frequentar sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e “mindfulness”.

“Cada pessoa, cada participante, tem uma história completamente diferente. E é uma magia descobrir isso ao longo do processo criativo”, disse Luís Fidalgo Sequeira.

O espetáculo do dia 4 de julho será um musical com “muito rap, muito hip-hop, aos quais vamos acrescentar uma carga teatral para falar de emoções, vamos trazer também alguma ironia e crítica social para chamar a atenção do público para as comunidades imigrantes e para as pessoas que têm algumas incapacidades motoras e cognitivas.”

Em simultâneo está a ser realizada um documentário com três episódios, sobre o andamento do projeto.

A psicóloga Vanessa Rei está a fazer um estudo “qualitativo e quantitativo” sobre o impacto do ‘Interior Sonoro’ nos participantes. “O objetivo é ver a sua evolução ao longo do tempo e também nos servirá como métricas para que, no futuro, as possamos apresentar e tê-las também como objeto de estudo para outros projetos que possam eventualmente surgir”.

De referir que no dia da estreia do espetáculo, a 4 de julho no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, será ainda apresentado um livro com o conteúdo do processo criativo e um álbum de temas originais do ‘Interior Sonoro’.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

"Interior Sonoro" : arte e inclusão na Guarda

 

“Interior Sonoro” é a designação de um projeto que está a ser promovido pelo Município da Guarda e Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Este projeto, que cruza a arte e a inclusão, reúne participantes da CERCIG e da Associação de Estudantes dos Países Africanos de Língua Oficia Portuguesa em sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e mindfulness.



Guiado pelo eixo “Sombra, Sonho e Trauma”, o projeto, com direção artística do guardense B.Riddim (Luís Sequeira) conta ainda com a colaboração, como formadores, de Maze, Joana Cavaleiro, Miguel Silva, Hugo Quelhas e Vanessa Rei.

O resultado do processo culmina no espetáculo de apresentação, no Teatro Municipal da Guarda (TMG) no próximo dia 4 de julho de 2026, englobando ainda a criação de um livro com conteúdo do processo e um álbum de temas originais.