“Interior Sonoro. Que grande trip,
meu!” é o espetáculo multidisciplinar que terá lugar, amanhã (4 de julho) no
Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, a partir das 16 horas. A entrada
é livre, mediante o levantamento prévio do bilhete.
Este espetáculo tem direção artística
de B. Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), cruzando música, teatro, escrita e
fotografia num percurso de criação coletiva, construída com participantes da
CERCIG e da Associação PALOP.
Para Luís Fidalgo Sequeira, “nenhum
processo está totalmente definido de forma prévia. Existe uma intenção, uma
ideia, uma direção, mas tudo se constrói através da partilha entre as pessoas,
no tempo que investimos e nas experiências conjuntas que nos vão guiando de
forma natural, sem forçar nada, só deixar acontecer, como o tempo.”
O diretor artístico do “Interior
Sonoro” esclarece que “o arco narrativo Trauma, Sombra e Sonho, foi algo
pensado como proposta inicial para o espetáculo. Curiosamente, acabou por fazer
sentido com tudo aquilo que a CERCIG desenvolve e até com experiências e
situações com as quais a Associação PALOP da Guarda se depara.”
Instado a comentar o papel dos formadores,
neste projeto, considera que eles “também têm o seu impacto através da sua
diversidade, cruzando vários caminhos, mas com um propósito comum. Ao longo das
sessões do Interior Sonoro surgiram muito mais do que exercícios criativos.
Surgiram conversas que se prolongaram para além das atividades propostas.
Surgiram memórias partilhadas pela primeira vez, gritos de revolta, qualidades
que eram desconhecidas até aquele momento. Surgiram perguntas difíceis,
momentos de descoberta, episódios de humor ou outros mais sérios. Surgiu a
escuta e a cumplicidade. Aproximámo-nos e deixámo-nos levar, deixámos o tempo
acontecer.”
Aludindo ao percurso percorrido, ao longo
dos meses em que foi construído este trabalho que amanhã será apresentado no TMG,
Luís Fidalgo Sequeira diz que “os cadernos começaram por receber as primeiras
palavras soltas e acabaram por guardar reflexões, poemas, narrativas, letras de
canções, memórias, recortes. Algo que nos irá acompanhar e que a nossa mente
preservará com o maior carinho. Os exercícios de expressão corporal deram lugar
a novas formas de confiança e comunicação. A música transformou emoções, ideias
e experiências em ritmo, voz e numa presença evidente. A fotografia registou
não apenas aquilo que era visível, mas também os pequenos gestos, as relações,
os detalhes e todos aqueles instantes que definem um processo coletivo. Nós
somos isso: um coletivo multidisciplinar.”
Aliás, um aspeto que o diretor
artístico de “Interior Sonoro” sublinha nas suas declarações a propósito deste
projeto. “O resultado não se resume a uma só disciplina artística. Cada
linguagem acrescenta uma nova camada de significado aquilo que desenvolvemos de
forma conjunta. No teatro habita a história. A escrita permite organizar
pensamentos e emoções. A música é o ponto de encontro. A imagem preserva aquilo
que as palavras nem sempre conseguem descrever.”
Por outro lado, acrescenta Luís
Fidalgo Sequeira, “também surgiram relações de amizade entre participantes,
formadores, técnicos e direção artística. Diferentes gerações, com percursos de
vida distintos e diferentes referências culturais que através da comunicação
conseguiram canalizar toda a partilha em novas perspetivas, reforçando a ideia
de que a criação coletiva se constrói precisamente a partir da diferença.”
Assim, Luís Fidalgo Sequeira refere
que amanhã, no TMG, vai ser apresentada “apenas uma parte visível desse
percurso. As canções, os textos, as fotografias e os registos documentais são o
resultado real de meses de trabalho. Mas existem outras dimensões que
permanecem fora destas páginas: as conversas, os ensaios, os momentos de superação,
as descobertas individuais, tristezas, as pessoas que decidiram sair quando
realmente faziam falta e não se deram conta. Foram muitos os laços construídos
ao longo deste caminho.”
B. Riddim retém que “talvez seja aí
que resida a verdadeira obra. Não apenas no que foi criado, mas em tudo aquilo
que se tornou possível através do processo. Na verdade, são todos esses meses,
aquelas sessões, aquelas horas em que estivemos juntos que nos trouxe a este
ponto.”
Este projeto é complementado com um
livro e um disco que integra dez temas originais que cruzam Hip-Hop, spoken
word e criação colaborativa. Igualmente com direção artística, produção,
gravação e mistura de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), o vinil reúne
participantes da CERCIG e da Associação PALOP, contando ainda com as
participações de Maze, Kei e Miguel Silva.
“Inspirado pelos conceitos de Trauma,
Sombra e Sonho, o álbum nasce de um processo de criação artística desenvolvido
ao longo de vários meses com ambas as entidades participantes, transformando
diferentes experiências, memórias e perspetivas numa narrativa musical comum.
Entre a escrita, a palavra dita e a interpretação, cada tema reflete o encontro
de diferentes vozes e linguagens numa obra que ultrapassa o seu contexto de
origem.” Referiu Luís Fidalgo Sequeira
A masterização esteve a cargo de
Gonçalo Peixoto e a edição é do Teatro Municipal da Guarda (TMG).
Disponível em formato digital e em
edição física integrada no livro do Interior Sonoro, o álbum (com o mesmo nome)
afirma-se como uma peça central de um universo artístico que inclui também o anteriormente
aludido espetáculo multidisciplinar e uma série documental.




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