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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Prémio Cinco Estrelas Regiões para Catedral da Guarda

 


Foto: CMG

A Sé Catedral da Guarda conquistou o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria “Monumentos”, no distrito da Guarda.

O Prémio Cinco Estrelas Regiões distingue, de acordo com a opinião dos consumidores portugueses, o melhor que cada região do país tem para oferecer a nível de recursos naturais, gastronomia, arte e cultura, património e outros ícones regionais de referência nacional.

Na edição deste ano, o processo de avaliação contou com a participação de cerca de 500.000 consumidores, tendo sido evidenciados 1.048 marcas e eleitos 100 ícones regionais.

A construção da atual Sé Catedral começou no reinado de D. João I (a partir de 1390), tendo as obras decorrido com lentidão e apenas foram concluídas no reinado de D. João III, em 1517, quando D. Jorge de Melo era Bispo da Guarda.



sábado, 21 de março de 2026

João Baldi: um músico na toponímia guardense...


Considerado como um dos melhores músicos do seu tempo João Baldi tem o seu nome consagrado na toponímia da Guarda, cidade onde viveu alguns anos.

João Baldi nasceu em Lisboa no ano de 1770, filho de Carlo Baldi tenor italiano ao serviço da Patriarcal de Lisboa.

No Seminário Patriarcal recebeu, a partir dos onze anos, uma destacada parcela da sua instrução que muito beneficiou dos ensinamentos musicais de mestres como João de Sousa Carvalho, Jerónimo Francisco de Lima, Braz Francisco de Lima e Camilo Cabral.

Desde cedo manifestou as suas excecionais aptidões, assumindo-se rapidamente como cantor, organista e pianista distinto.

Como compositor ter-se-á estreado antes dos 19 anos.

No ano de 1789 veio para a Guarda, passando a desempenhar, na Catedral as funções de mestre de capela; num período de grande brilho musical da Sé guardense, com D. Jerónimo Rogado do Carvalhal a dirigir os destinos da diocese.

João Baldi_foto_.png

Após cinco anos na Guarda, João Baldi rumou para a Sé de Faro e seis anos depois regressou a Lisboa, onde foi ocupar o lugar de segundo mestre da Real Capela da Bemposta.

Nessa altura exercia aí as funções de primeiro mestre o contrapontista e organista Luciano Xavier dos Santos; na sequência da morte deste, em 1806, João Baldi passou a ocupar o lugar principal.

Eminente compositor e organista, João José Baldi morreu a 18 de maio de 1816, com apenas 46 anos.

Por ocasião das comemorações do 804º aniversário da Guarda decorreu nesta cidade um concerto que proporcionou a estreia moderna da “Missa para Coro, Solistas e Orquestra”; uma obra que, recorde-se, foi recuperada pelo padre José Pinto Geada

Esta partitura tem para a Sé Catedral da Guarda, e como sustentou José Pinto Geada, uma «dupla importância: primeiro, por representar um dos grandes Mestres que por ela passaram; segundo, sendo o único espécime que resta do antigo arquivo incendiado nas invasões francesas, torna-se, ele mesmo, o símbolo de um espólio valioso, onde outros compositores estariam, de certo, representados”.

João Baldi deixou uma vasta obra, quer ao nível da música religiosa, quer na área da música profana. De lembrar que foi no seu tempo que ocorreram as invasões francesas, tendo sido também mobilizado, como oficial.

Nesses anos compõe vários hinos militares e dois “Te Deum”, assinalando também o final das invasões napoleónicas com o drama lírico “Ulisseia libertada”. João Baldi está, justamente, referenciado na toponímia guardense, mas também a merecer uma das novas placas que, permitindo uma melhor identificação da rua, viabilizará através do código QR associado um melhor conhecimento deste compositor.

 

Helder Sequeira