“Francisco de Pina e o percurso do Chữ
Quốc ngữ: Ponte Cultural entre o Vietname e Portugal” é a designação do evento
internacional que vai decorrer na Guarda entre 6 e 8 de outubro promovida pela
Associação para a Promoção da Cultura Vietnamita (APCV), com o apoio do
Município da Guarda, que pretende evocar o legado de Francisco Pina,
missionário jesuíta natural da Guarda e figura pioneira no desenvolvimento do
sistema de escrita vietnamita em alfabeto latino; por outro lado, esta atividade
procura ainda reforçar os laços históricos e culturais entre Portugal e o
Vietname.
O programa deste evento acolhe
mesas-redondas, exposições, apresentações de obras e uma sessão solene de
homenagem, com especialistas portugueses e vietnamitas, representantes
institucionais e convidados dos dois países. No dia 8 de outubro terá lugar no
Teatro Municipal da Guarda, pelas 17 horas, uma sessão de homenagem a Francisco
de Pina.
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Na galeria de personalidades ilustres
da Guarda há nomes que não têm tido a visibilidade merecida e continuam
desconhecidas para muitos.
É o caso do jesuíta Francisco de
Pina, “personalidade central de um notável encontro de línguas e de culturas no
distante Oriente, no longínquo século XVII”, a quem António Salvado Morgado –
de quem são as palavras atrás transcritas – tem vindo a dedicar (há vários
anos) particular atenção, estudando a sua vida e obra, afirmando um louvável
empenho na sua divulgação.
Aliás, na revista “Praça Velha” (nº
41) António Salvado Morgado publicou um oportuno e elucidativo artigo
intitulado “Francisco de Pina, revisitado”.
Através de um excelente texto,
documentalmente bem suportado, apresenta-nos este missionário guardense. Como
sublinha, este “jesuíta, português, missionário e linguista” contribuiu para
que a Guarda esteja perenemente ligada à história do atual Vietname, que adotou
o alfabeto latino. Um facto que fica a dever-se, especialmente, ao labor de
Francisco de Pina, o qual aprendeu no
século XVII a língua local (o anamita) estudando-a pormenorizadamente e,
consequentemente, avançando com a sua romanização.
Convém notar que os padres a quem era
incumbida a missão evangelizadora tiveram, desde logo, a perceção de que esse
trabalho, para ser eficaz, teria de passar pela utilização das línguas nativas,
evoluindo para a elaboração de gramáticas e dicionários.
António Salvado Morgado, na publicação atrás mencionada, refere que graças ao missionário português e “a outros que continuaram o caminho que ele traçou, o presente do passado não é só memória. Com ele o presente do passado é realidade viva nas letras e signos linguísticos com que se exprime um povo de milhões de pessoas, o Quôc ngû, a língua nacional do Vietname. E isso é presente”.
Francisco de Pina terá nascido entre
março e setembro de 1586, falecendo em 15 de dezembro de 1625, com 40 anos, e
quando muito havia a esperar do seu saber e trabalho. “Esquecido pela História,
ele tem andado desaparecido por detrás da obra iniciada por ele há mais de
quatro séculos e que culminou há mais de um século na língua oficial do
Vietname (…)”, escreveu António Salvado Morgado.
O Japão terá sido o destino inicial
de Francisco de Pina, mas as perseguições que eram movidas aos cristãos
alteraram os seus planos e fixou-se na Cochinchina, em 1617, depois de ter
estado alguns anos em Macau.
De referir que este jesuíta esteve em
destaque no seminário “Testemunhos de Amizade entre Portugal e o Vietname desde
o Século XVII”, realizado em Lisboa há cinco anos, numa organizado da Sociedade
Portuguesa de Geografia e pela NamPor – Associação de Amizade
Portugal-Vietname.
Assim, a Guarda vai recordar este seu
filho ilustre, viabilizando um melhor conhecimento da sua dimensão como
português, religioso e linguista; proporcionando o “reencontro do mestre de
língua com a História. História do Vietname e de Portugal e da Guarda”.
Hélder Sequeira





















