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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Festival de Blues na Guarda

 


Os Midnight Club Blues Band vão atuar, hoje, na Guarda no âmbito da Festival de Blues, organizado pelo município guardense.

Com uma identidade própria, marcada pela autenticidade e pela paixão pelo género, Midnight Club Blues Band trazem à cidade mais alta e ao Festival de Blues da Guarda uma proposta que valoriza a vitalidade nacional.

“A sua presença reforça o equilíbrio entre grandes nomes internacionais e o talento português que continua a conquistar reconhecimento dentro e fora de portas.”

O concerto decorrerá, a partir das 21 horas, na Praça Luís de Camões (Praça Velha), com entrada livre.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Judiciária da Guarda deteve suspeito de tráfico de estupefacientes


 


O Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária (PJ) deteve, ontem, um homem por comercialização de um elevado número de embalagens contendo canábis, totalizando cerca de 27,5 kg.

A investigação decorria há cerca de dois anos e tinha como objeto as lojas exploradas pelo detido nas cidades do Porto, Caldas da Rainha e Lisboa, destinando-se à venda de bens de consumo, derivados da canábis, flor de canábis, resinas, óleos, essências, cremes, gomas vegetais e outros.

A operação “Over Limit” envolveu outras unidades da PJ, que em estreita colaboração com o DIC da Guarda, contribuíram para o sucesso da ação, designadamente a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de estupefacientes – UNCTE, as Diretorias do Norte e do Centro, o Departamento de Investigação Criminal de Leiria e ainda o Laboratório de Polícia Científica.

Após desenvolvimento de um elevado número de diligências, entre as quais buscas a lojas e armazéns, foi possível demonstrar-se que os produtos comercializados e armazenados num armazém nas Caldas da Rainha continham uma percentagem elevada de THC e HHC, produtos esses que se destinavam a ser consumidos por inalação e ingestão (pastilhas vegetais).

 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bombeiros da Guarda: 150º aniversário

 


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses completa hoje 150 anos.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses resultou da iniciativa de um grupo de guardenses preocupados com inexistência de um corpo de bombeiros na cidade da Guarda.

A reunião que desencadeou o processo de criação desta associação humanitária ocorreu a 5 de agosto de 1876, na residência de Geraldo José Batoréu, que liderou o grupo fundador. Foi assim constituída a “Companhia dos Bombeiros Voluntários”.

Geraldo José Batoréu, Manuel Jacinto, António Gonçalves Ribas, Jerónimo Rodrigues Leal, José Lopes Faia Júnior, Jerónimo Rodrigues Outeiro, Alfredo d´Almeida Barbas, António da Cruz, João Bernardo d´Oliveira, José Joaquim Rodrigues, Joaquim Gonçalves Ribas e Amândio Augusto Ferreira foram os elementos da comissão que fundou este corpo de bombeiros.


Gerardo Batoréu

No passado dia 13 de junho decorreu uma homenagem a Gerardo José Batoréu, fundador da então Companhia de Bombeiros Voluntários da Guarda, evocando todos aqueles que, há 150 anos, deram início à história da instituição; essa homenagem integrou uma recriação histórica do momento da fundação, dinamizada pela Associação Hereditas, seguindo-se a inauguração de uma placa evocativa junto ao local onde Gerardo José Batoréu reuniu ilustres cidadãos guardenses para fundar a corporação dos voluntários egitanienses.

 

sábado, 1 de agosto de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

 


A Câmara Municipal está a preparar a candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.

Para a Câmara da Guarda a candidatura “será o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos. Cultura é o que faz de nós o que somos e o sonho do que queremos vir a ser.” Daí que a edilidade guardense solicite a colaboração ativa de todos através do preenchimento (até ao dia 15 de agosto) de um questionário, ao qual pode aceder aqui.

“Colabore na construção de uma visão cultural forte e partilhe este questionário com familiares e amigos, porque todos contam”, pede a autarquia.

“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

O município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais.

“A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.


Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Concerto no Museu assinala aniversário

 

No Museu da Guarda decorreu ontem, 30 de julho, um concerto intitulado “Um Piano no Pátio”, integrado no programa comemorativo daquela estrutura museológica.

Pátio do Museu da Guarda. Foto: Hélder Sequeira

Este concerto, que decorreu no pátio do Museu, contou com a soprano guardense Rita Morais que foi acompanhada ao piano por Kewen Wang. O repertório variado que foi apresentado encantou o público presente, que encheu aquele espaço do Museu da Guarda, fundado em 1940 pelo município guardense.

Em 1985 o Museu da Guarda passou para a tutela do Estado voltando a estar sob a égide municipal a partir de 2015, mantendo como valores a preservação do património e promoção cultural de excelência nas artes.

“As aspirações da cidade da Guarda à criação de um museu remontam aos finais do séc. XIX. Em 1910 foi criada uma comissão destinada à constituição de uma unidade museológica que compendiasse as vertentes arqueológicas e artísticas”, como se pode ler no sítio, na internet, do Museu da Guarda.

No contexto das comemorações centenárias da independência nacional (1640-1940), foi nomeada uma comissão instaladora daquele espaço museológico que, apesar da sua gestão municipal, assumia a designação de Museu Regional da Guarda – nome que nunca perdeu aliás até ser transferido para o Instituto Português do Património Cultural (IPPC).

Na sessão de Câmara de dia 6 de janeiro de 1940 o Museu foi oficialmente fundado por deliberação unânime do Executivo; o Museu ficaria instalado em parte do antigo seminário, cujas obras de adaptação foram custeadas pela autarquia, abrindo as suas portas ao público no dia 30 de julho de 1940.

“Em fevereiro de 1982, a Assembleia Distrital da Guarda e o IPPC assinavam um acordo de transferência do Museu da Guarda para a dependência daquela última entidade. Em 1983 iniciaram-se obras de remodelação do edifício e elaborou-se o programa museográfico para as coleções em depósito. Assim, o museu abriu ao público em junho de 1985, sob a designação de Museu da Guarda e na dependência do Instituto Português do Património Cultural.”

O Museu da Guarda passou, entretanto (2007) a depender do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), situação que se manteve até 2012. Com a criação da Direção-geral do Património Cultural (DGPC), extinguiu-se a Direção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e reorganizaram-se as restantes direções regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), que viram as suas competências reforçadas.

Em outubro de 2015, o Museu volta a estar sob a égide da Câmara Municipal da Guarda, regressando assim às suas origens tutelares.  O Museu da Guarda encontra-se instalado no complexo arquitetónico formado pelo antigo Paço Episcopal e o antigo Seminário da Guarda, complexo esse que começou a ser construído no início do século XVII.

“De localização privilegiada, em pleno coração da cidade da Guarda, trata–se, pois, de um edifício emblemático, com forte identidade simbólica na ordenação da envolvente urbana, assumindo, pois, preponderância numa vasta área comercial, cultual e de lazer.”


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lembrar Augusto Gil...

 

“Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim…

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim…

 

O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 156º aniversário do seu nascimento.

Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.

 Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.

De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

AUGUSTO GIL

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.

Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.

O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

Helder Sequeira

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Rádio Altitude: 78 anos de emissões

 

Hoje celebramos a Rádio Altitude, evocamos nomes, gerações, serviço público, determinação, criatividade, solidariedade, memórias, uma história ímpar.

Setenta e oito anos conferem a esta emissora guardense um estatuto muito especial, uma marca que devemos honrar e salvaguardar adaptando-a ao atual contexto social, económico e cultural e também aos caminhos abertos pela tecnologia.


A Rádio Altitude é indissociável da Guarda e desta vasta região da beira serra. Revisitar o seu passado não representa um mero exercício ritualista ou saudosismo lamechas; deve, sim, constituir um ato de reflexão sobre os contributos vertidos na história desta rádio, por pessoas que a viveram apaixonada e responsavelmente; podemos lembrar – e numa rápida referência a alguns que já nos deixaram – Vaz Júnior, António Pinheiro, António Santos, Luís Coutinho, Antunes Ferreira, Luís Coito, Vítor Santos, Manuel Daniel, Bernardino Jorge, José Domingos ou Clavier Alves…que, à semelhança de tantos outros nomes que ao longo de décadas trabalharam, colaboraram e garantiram a evolução e consolidação de uma emissora que granjeou admiração e afetos dentro e fora do território nacional; nomes que devem merecer o nosso apreço por aquilo que deram à rádio e à região servida pelas suas emissões.

Como afirmámos noutra ocasião, estamos perante uma emissora de muitas vozes e rostos, de sonhos, de distintas colaborações; esta é uma emissora de afetos, de ideias, de originalidades; uma emissora com espírito solidário que lhe deu alma desde o longínquo ano de 1948.

A sua génese, a sua longevidade, o seu percurso ímpar e a sua matriz beirã conferem-lhe uma posição especial na história da Rádio em Portugal, mas também uma maior responsabilidade. Atualmente as emissões radiofónicas passam em larga medida, pelo meio digital, num recurso cada vez mais ligado às modernas aplicações e tecnologias. Por outro lado, hoje a Inteligência Artificial (IA) apresenta novos caminhos para mais eficiência e múltiplas vantagens ao nível da melhoria da programação e interação com os ouvintes. Para além da automação das emissões a IA apresenta-se como forte apoio para produção de notícias, definição da sequência musical e de conteúdos programáticos convidativos e heterógenos.

Embora se deva ter em conta que a Inteligência Artificial pode ser um precioso auxiliar dos profissionais não pode ser esquecida a essência da Rádio. A humanização deste meio de comunicação é fundamental e as pessoas não podem ser afastadas do seu processo evolutivo.

É fundamental que a função social da rádio continue a prevalecer, mesmo face ao desenvolvimento das tecnologias da informação. Assim, não é apenas no plano das ondas hertzianas que tem de ser posicionada a proposta radiofónica; a rádio tem de assegurar uma estratégia rigorosa e clara no vasto horizonte da emissão online.

O fortalecimento da sua presença será sustentado, em larga medida, pela atenção à realidade social, económica, cultural e política da região onde a Rádio está sediada. As pessoas, para além do entretenimento ou companhia que a rádio lhes proporciona, querem boas condições de audição, uma informação rápida, em cima da hora ou do acontecimento de proximidade; querem igualmente um interlocutor atento, objetivo e credível, uma rádio com gente dentro, de entrega a um serviço público, solidário, afetivo.

Uma rádio que questione, esclareça, atue pedagogicamente, aponte erros, noticie triunfos, sinta e transmita o pulsar da região, chame a si novos públicos; não é um trabalho fácil, mas o êxito constrói-se com competência, perseverança, humildade, diálogo, criatividade e sentido de responsabilidade.

Ao comemorar-se o septuagésimo oitavo aniversário da Rádio Altitude, devemos felicitar os seus atuais elementos e homenagearmos os múltiplos contributos pessoais e coletivos que guindaram a RA a uma posição de destaque no panorama radiofónico português.

A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural da nossa região e da cidade; marca que não deve ser esquecida. Parabéns Rádio Altitude!


Hélder Sequeira




domingo, 26 de julho de 2026

Judiciária da Guarda deteve presumível incendiário

 

Inspetores do Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária detiveram, no dia de ontem, fora de flagrante delito, o presumível autor de um incêndio rural ocorrido no passado dia 19 de julho, no interior da povoação de São Paio – Seia.

Esta detenção surge na sequência de diligências realizadas conjuntamente com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Centro Interior (GTRI Centro Interior – constituído por elementos da GNR, ICNF e PJ) e em estreita colaboração com o Núcleo de Proteção do Ambiente (NPA) da GNR de Gouveia-

Face aos factos, foram constituídas diversas equipas, integradas por elementos da PJ e do GTRI Centro Interior, que levaram a cabo a recolha de elementos de prova, concluindo-se assim pela forte indiciação do suspeito como autor do incêndio.

O detido, um homem de 56 anos, terá ateado o fogo com recurso a chama direta, num dos arruamentos da povoação, local que dada a sua orografia, potenciava a expansão do fogo, pela continuidade das habitações com a vegetação e terrenos agrícolas, pondo desta forma em perigo bens materiais de elevado valor, assim como as vidas dos habitantes e de animais.

O presumível autor atuou sem móbil comprovado, aparentemente por “incendiarismo” num quadro de provável alcoolismo. Refira-se que conforme informação do IPMA, à data o risco de incêndio era Muito Elevado.

O incêndio não assumiu maiores proporções em virtude da sua deteção precoce por parte dos populares residentes nas imediações, com o pronto alerta e eficaz intervenção dos bombeiros, apoiados por um meio aéreo.

Não fosse tal facto, a progressão do referido incêndio poderia ter colocado em perigo as habitações próximas e seus habitantes, bem como vastas manchas florestais e área agrícola. O detido, foi presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, tendo ficado sujeito a prisão preventiva.

O Inquérito é titulado pelo DIAP da Guarda.

sábado, 25 de julho de 2026

Poesia e independência crítica


Numa antologia sobre o autor de “Luar de Janeiro, José Miguel Amarelo anotava que “os grandes homens enobrecem o berço em que nasceram, pelas suas obras e agigantam-se nas cinzas do túmulo em que repousam pela memória do seu povo. Augusto Gil é uma glória da Guarda. Os monumentos da palavra que condensam a alma deste povo, exigem análoga recordação na memória imortal do mesmo povo: o monumento que melhor perpetua a nossa admiração pelo poeta e homem da Guarda é o canto vibrante da sua lírica”.

Vem isto a propósito da passagem (no final do corrente mês) dos 156 anos após o nascimento deste poeta. Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente.

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela” e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias de Augusto Gil, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Augusto GIL.jpeg

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correção, e é artista. Ter emoção e ter correção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra. Contudo, como já qui escrevemos nas colunas de “O Interior”, prevalece ainda um grande desconhecimento sobre o poeta guardense; a sua projeção vai muito para além da popular “Balada da Neve” e desdobra-se em várias facetas. A sua obra suscita outras abordagens, como bem sublinhou Helena Rocha Pereira, num estudo intitulado “Poetas Gregos em Augusto Gil”. “Para quem conhecer apenas em Augusto Gil o poeta de verso dúctil e cadência fácil, cuja musicalidade lhe granjeou o aplauso dos salões nas primeiras décadas deste século, o cantor de temas não raro marcados pelo circunstancial, o autor sob a influência confessada de António Nobre, João de Deus, Guerra Junqueiro — para esses, será certamente motivo de surpresa ouvir falar da presença de modelos helénicos na sua arte (…)”.

Os versos de Augusto Gil foram também letra de alguns fados, nomeadamente o “Passeio de Santo António”, mas a sua atividade desenvolveu-se ainda no campo do jornalismo, pois dirigiu A Actualidade, publicação editada entre 1910 e 1912. Este jornal mereceu do matemático e docente universitário Aureliano Mira Fernandes o seguinte comentário: “(..) Tem ele mais do que a atitude altiva de quem não deve: tem a independência crítica de quem não pede. E, e se o não dever nobilita, porque eleva, o não pedir glorifica, porque educa.”

Augusto Gil insurgiu-se, nas páginas do semanário, contra as ameaças à liberdade de imprensa, defendeu os ideais republicanos, criticou frontalmente os erros da classe política – mormente dos seus correligionários – defendeu a democracia e os verdadeiros interesses da Guarda; onde “a demagogia da terra, de braço dado com a imbecilidade, criou a Augusto Gil todos os embaraços, lhe acarretou sensaborias e desgostos, sem deixar de o insultar”…o que deixou, aliás, transparecer nos seus versos: “Com alguns, não obstante reparti /Metade de minh’alma e do meu pão.../ Nas lutas que tiveram combati / Com um ardor, com uma exaltação, / Que nunca em pugnas minhas consegui...”

Acrescentando depois que “Quando lhes veio o dia da vitória / E do prestígio que o dinheiro alcança / Entre gente venal e transitória, / Lançaram-me calúnias por lembrança /E rudes vitupérios por memória...”

O nome de Augusto Gil está presente, de norte a sul do território português, integrando a toponímia guardense e figurando ainda em muitas cidades e vilas de Portugal. Será oportuno anotar que muita informação biográfica sobre o poeta, nomeadamente a dispersa em plataformas digitais, carece de correção e atualização.

Se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, o jornalismo, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas. Esta cidade não pode deixar apagar a sua memória e de reconhecer a sua obra literária, a sua intervenção social, política e cultural; o seu exemplo de cidadão…

 

Hélder Sequeira

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Batalha do Côa

 

Hoje, 24 de julho, ocorre a passagem do 216º aniversário da trágica batalha do Côa, ocorrida no decurso da progressão dos militares franceses no contexto da terceira invasão das tropas de Napoleão.

As tropas anglo-lusas lutaram contra as forças do exército francês do Marechal Ney, no local do Cabeço Negro, junto às margens do rio. Esta batalha antecedeu a queda da fortaleza de Almeida e a sua ocupação pelas tropas que entraram em Portugal, sob o comando de Massena.


Christa Hook, La division légère repoussant les 
grenadiers du 66e de ligne sur le pont de la Côa.© Christa Hook.

Este rio, recorde-se, foi até 1297 foi o limite da fronteira entre os territórios dos reinos de Portugal e Castela; atravessa o concelho de Almeida e é um dos poucos a correr de sul para norte. Com a assinatura do Tratado de Alcanices, por D. Fernando de Castela e D. Dinis de Portugal, o castelo de Almeida – entre outras fortalezas – passou para o domínio da coroa portuguesa.

Esta zona teve uma grande importância estratégica, do ponto de vista militar; aqui se travaram, ao longo dos séculos, várias batalhas. A importância da fortaleza de Almeida cedo foi acentuada; após o primeiro de dezembro de 1640, o rei D. João IV ordenou a sua reparação, face aos momentos e às difíceis contendas que se avizinhavam.

Desde logo ficou percetível o papel preponderante que Almeida ia ter no processo bélico de manutenção da independência. A vila foi transformada em sede do quartel-general do Governador de Armas da Beira, constituindo-se na mais importante praça do reino português.

Álvaro de Abranches, um dos conjurados da Revolução de 1640 e membro do Conselho de Guerra de D. João IV, foi o primeiro Governador de Armas de Almeida, empenhando-se, de imediato no seu eficaz guarnecimento, rentabilizado o sistema de fortificações de que estava dotada.

 Mais tarde a história de Almeida cruza-se com as célebres, quanto dramáticas, invasões francesas. Destas, a terceira incursão conduzida por André Massena foi a que deixou marcas mais profundas na denominada “Estrela de Pedra”.

Após a conquista de Ciudad Rodrigo (Espanha), em 10 de Junho de 1810, pelas tropas francesas o objetivo do exército invasor era o domínio da praça portuguesa, que teria cerca de 2000 habitantes e estava guarnecida com 5 000 soldados e 115 peças de artilharia. Com a aproximação das forças francesas, o comando do exército anglo-luso apelou aos habitantes para abandonarem as suas casas e levarem os seus haveres.

Nos primeiros dias de agosto de 1810 o Marechal Massena mandou avançar o Oitavo Corpo do exército francês, sob o comando de Junot, dando início ao cerco de Almeida, a 10 de agosto, cuja guarnição militar era chefiada pelo coronel inglês Guilherme Cox, sendo Tenente-Rei o almeidense Francisco Bernardo da Costa.

O cerco decorria há 17 dias quando, ao cair da noite, uma granada francesa provocou uma explosão em cadeia que destruiu o paiol principal, onde estavam armazenadas 75 toneladas de pólvora; centenas de mortos e enormes danos no interior da fortaleza foi o balanço imediato da tragédia. Na manhã seguinte, 27 de agosto de 1810, Massena exigiu do comandante inglês a rendição imediata da praça, o que acabou por suceder nessa noite.

A fortaleza de Almeida, em estilo Vauban, tem uma planta em forma de estrela irregular, integrando seis baluartes: o de S. Francisco, São João de Deus, Santa Bárbara (designado também de Praça Alta), do Trem (ou de Nossa Senhora das Brotas), Santo António e São Pedro, articulados com idêntico número de revelins.

O conjunto monumental deste baluarte beirão encontra-se rodeada por largos e profundos fossos. Para além das majestosas Portas de Santo António e São Francisco destacam-se no complexo desta fortaleza abaluartada as casamatas, espaços subterrâneos cuja estrutura e solidez os tornava imunes às bombas da época.

No interior do perímetro amuralhado encontra-se o Quartel das Esquadras que ficou a dever-se ao Conde de Lippe (Frederico Guilherme de Schaumburg-Lippe), edifício onde estiveram instaladas forças de infantaria; a antiga Casa dos Governadores da Praça de Almeida; o edifício do Corpo da Guarda Principal (onde funciona a Câmara Municipal), a Igreja da Misericórdia, a Casa dos Vedores Gerais, a Casa da Câmara e o Antigo Convento de Nossa Senhora do Loreto (atual Igreja Matriz) são outros edifícios emblemáticos desta vila do distrito da Guarda.


Hélder Sequeira 

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

A Câmara Municipal da Guarda vai apresentar a sua candidatura a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.


Segundo a Câmara Municipal da Guarda, “a candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

Assim o município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais. “A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.

Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.

 

 

sábado, 18 de julho de 2026

Guarda a nossa Rádio...

 

Fomos buscar o título deste apontamento de hoje à peça de teatro que escrevemos, e foi levada à cena, em 2023, aquando da comemoração do 75º aniversário da Rádio Altitude.

Uma peça para celebrar a rádio e, simultaneamente, proposta de reflexão sobre a função social deste meio de comunicação; sobretudo em regiões do interior, como esta zona da Beira Serra, onde nunca serão de mais os contributos que possam dar voz às populações, aos valores culturais e históricos, ao presente, aos sonhos do futuro.

A rádio continua a ter um papel fundamental na informação local e regional, na defesa da identidade destas terras e gentes. Nesta peça – cujo texto pode ser adaptado ou interpretado em diferenciados contextos geográficos, onde a rádio esteja presente – o espetador é levado para um estúdio, onde há vozes, músicas, memórias, sentimentos, sonhos, paixão, afetos; é desafiado a assistir a um programa de rádio, numa noite especial, onde se cruzam três gerações e que proporciona a revisitação de múltiplas estórias; a evocação de distintas vivências marcadas pela magia da rádio. No final há uma inesperada revelação e um comovido apelo para que a rádio se continue a reinventar e afirmar no futuro.

Há referências especiais, nomes e vozes que serão percetíveis aos leitores/espetadores; personagens que, como referido anteriormente, dão ao espetador a liberdade de as associar a outras vivências; são os afetos e a paixão pela Rádio que alimentam os diálogos, as memórias…

Na Guarda não faltam memórias da Rádio, que importa reter e salvaguardar, em torno de uma emissora que completa no próximo dia 29 de julho setenta e oito anos de emissões, mantendo a designação que assumiu no passado século no contento da vivência sanatorial da mais alta cidade portuguesa.

Embora já anos antes tenha havido alguma atividade radiofónica, ainda marcadamente experimental, a data oficial das emissões da Rádio Altitude é o dia 29 de julho de 1948.

Esta emissora “iniciou a sua sessão e, com ela, a sua vida oficial transmitindo depois do disco indicativo da estação, a saudação Salvé Rádio Altitude! proferida pela menina Aurora da Cruz, que foi escolhida para madrinha do Posto Emissor. Falou, em primeiro lugar, o Sr. Carlos Alberto Pereira, Vice-Presidente da Caixa Recreativa, que – anunciado pelo locutor de serviço com palavras de justa homenagem e consagração – começou por dizer: Rádio Altitude, posto emissor deste Sanatório, vai ser inaugurado oficialmente, depois de um período em regime experimental”. Assim noticiou o Bola de Neve, um jornal editado no Sanatório Sousa Martins

Como escrevemos em “O Dever da Memória – Uma Rádio no Sanatório da Montanha” (publicado em 2003), a Rádio Altitude é uma emissora com interessantes particularidades, originada no seio das experiências radiofónicas que ocorreram no Sanatório Sousa Martins, cerca de 1946. Nessa altura, as rudimentares emissões circunscreviam-se ao pavilhão do Sanatório onde estava concentrado o grupo de doentes (de tuberculose) pioneiros deste projeto; apenas com a construção de novo emissor foi ganhando dimensão a aventura radiofónica.

No ano de 1947, o médico Ladislau Patrício (diretor do Sanatório Sousa Martins) aprovou (a 21 de outubro) o primeiro regulamento da emissora, onde estavam definidas orientações claras sobre o seu funcionamento; em finais desse ano as emissões já eram escutadas na malha urbana da Guarda. O início oficial das emissões regulares ocorreu, como atrás foi dito, em 29 de julho de 1948; um ano depois (1949) foi-lhe atribuído o indicativo CSB 21, identidade difundida por várias décadas.

A propriedade do primeiro emissor pertenceu, inicialmente, à Caixa Recreativa dos Internados no Sanatório Sousa Martins e mais tarde ao Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins (CERISSM); com a sua criação pretendeu-se auxiliar os doentes, especialmente no que dizia respeito “à sua promoção social e ocupação dos tempos livres”.

Em 1961, mediante autorização oficial, a Rádio Altitude passou a ter como suporte económico-financeiro as receitas publicitárias, que em muito contribuiriam para o auxílio dos doentes mais carenciados. As emissões da rádio guardense evoluíram, ao longo das primeiras décadas em função das disponibilidades técnicas, dos recursos humanos e financeiros, mas encontrando sempre no, crescente auditório, uma grande simpatia e um apoio incondicional.


Até 1980 a Rádio Altitude emitiu na frequência de 1495 Khz, em onda média (abrangendo não só o distrito da Guarda, mas igualmente os distritos de Viseu e Castelo Branco e algumas das suas áreas limítrofes), altura em que a sua sintonia passou a ser feita no quadrante dos 1584 khz. Após 1986, e com a liberalização do espectro radioelétrico passou a emitir também em frequência modulada (FM), em 107.7 Mhz, alterada, em 1991, para os 90.9 Mhz, que mantém na atualidade.

No ano de 1998, depois de ter sido determinada a extinção do Centro Educacional e Recuperador dos Internados no Sanatório Sousa Martins, foi decidida a realização de uma consulta pública, com vista à “transmissão da universalidade designada Rádio Altitude”, considerada a “única estrutura em funcionamento do ex-CERISSM”. A estação emissora entrou assim, com a sua aquisição por parte da Radialtitude–Sociedade de Comunicação da Guarda, num capítulo novo da sua existência, mantendo a ligação física ao antigo espaço do Sanatório Sousa Martins, hoje designado Parque da Saúde.

Ao celebramos, no próximo dia 29 de julho, o 78º aniversário das emissões regulares da RA devemos lembrar-nos que estamos perante uma rádio muito especial para a Guarda e região da beira serra. Uma rádio que tem o seu lugar na história da radiodifusão sonora em Portugal e encerra décadas de afetos, memórias, vivências, dedicação, serviço público, criatividade, formação, espírito solidário.

Esta emissora, confrontada com os desafios dos tempos hodiernos, permanece na memória coletiva das gentes beirãs…

 

Hélder Sequeira


in O Interior, 15 de julho 2026

 

domingo, 12 de julho de 2026

Porto Vintage dedicado a Eduardo Lourenço

 

Na Guarda foi apresentado ontem, em antestreia mundial, o vinho de autor “Celebrar Eduardo Lourenço”.

Esta criação de autor, um Porto Vintage 2023, foi desenvolvida por Tiago Alves de Sousa, um dos mais reconhecidos nomes da nova geração do vinho português que, entre outros galardões, foi distinguido com o prémio “Jovem Enólogo do Ano” 2025.


A sessão de apresentação deste vinho “Celebrar Eduardo Lourenço”, com edição limitada, decorreu ontem no anfiteatro da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, no âmbito do Guarda Wine Fest quer termina hoje nesta cidade e se afirma como uma montra privilegiada do potencial vínico e gastronómico do interior de Portugal. Esta apresentação integrou-se ainda na comemoração dos 25 anos do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), de que Eduardo Lourenço foi mentor.

Reforçando a ligação entre património cultural, literatura e enologia este vinho nasce do encontro entre duas referências da cultura portuguesa: o pensamento de Eduardo Lourenço e a excelência da enologia contemporânea. “Este vinho não é apenas uma homenagem, é uma declaração! (...) Estamos a dizer ao país aquilo que Eduardo Lourenço sempre soube: que a geografia não é um fardo, pode ser o centro do pensamento. Que a Guarda não está à margem de nada, está no centro de tudo o que importa. Aqui o vinho não é só um produto. É cultura. É pensamento. É identidade”, afirmou o Presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa a propósito deste momento de homenagem ao ensaísta português.

A Guarda Wine Fest está a decorrer na Alameda de Santo André e encerra na noite de hoje. A entrada é gratuita.


sábado, 11 de julho de 2026

Hotel Turismo da Guarda: requalificação vai avançar

 

O Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou ontem na Guarda que já tinha assinado o despacho de adjudicação das obras de requalificação do edifício do Hotel Turismo, desta cidade.


De acordo com aquele membro do Governo, a adjudicação foi feita ao grupo Lince. O Grupo The Lince Hotels é um projeto “que nasceu do sonho e motivação de Domingos Correia- CEO do Grupo Arliz- em apostar na diferença, excelência, autenticidade e inovação na hospitalidade. Uma aposta clara deste grupo hoteleiro português que se antecipa às expectativas, necessidades e motivações de quem nos procura.” É referido no sítio daquele grupo na internet.

Para a prossecução deste processo de requalificação falta agora a autorização do Ministério das Finanças, seguindo-se depois à apresentação do projeto à Câmara Municipal da Guarda. Recorde-se que no passado mês de março tinha sido aberto, pelo Turismo de Portugal, concurso público para requalificação do edifício, sendo mencionada a opção de compra a partir do quarto ano. As obras, a cargo do Grupo Lince, deverão ser concluídas num prazo entre 18 a 24 meses.

O edifício do Hotel de Turismo da Guarda, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, encerrou a 31 de outubro de 2010. Esta unidade hoteleira, cuja propriedade era detida pela Sociedade Hotel de Turismo – da qual a autarquia guardense era a única acionista – foi vendida, por 3,5 milhões de euros, ao Instituto de Turismo de Portugal (ITP) que ali previa instalar ali uma Escola-Hotel, de quatro estrelas.

A venda do imóvel já tinha sido aprovada, pela maioria socialista, em reunião do executivo municipal, decisão ratificada, posteriormente, na Assembleia Municipal, com os votos do PS e do único deputado da CDU; os deputados do PSD e do Bloco de Esquerda votaram contra. Mais tarde o executivo municipal aprovou a dissolução da Sociedade Hotel de Turismo da Guarda, que em 2007 tinha adquirido esta unidade hoteleira à Câmara Municipal, após ter terminado o contrato de concessão com a empresa arrendatária.

A escolha do local para a construção deste Hotel foi feita, na década de trinta do século passado, pelo executivo municipal da Guarda, apoiado no parecer da Comissão de Iniciativa e Turismo. O projeto arquitetónico – da autoria de Vasco Regaleira – foi apresentado, publicamente, em 1933. Dificuldades de vária ordem, nomeadamente de ordem financeira, atrasaram as obras de construção, iniciadas em janeiro de 1934, no então denominado Campo da Boavista.

Ernesto Pereira, empossado em 1946 como Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na conclusão das obras construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria também a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

A inauguração do Hotel de Turismo da Guarda – à época uma das unidades hoteleiras mais prestigiadas de Portugal – ocorreu a 6 de julho de 1947, sendo concessionado pela entidade proprietária, a Câmara Municipal

Na década de 60 foram realizadas obras de ampliação do edifício, as quais seriam concluídas em 1971. Anos mais tarde o hotel viria a alvo de algumas melhorias e de transformações internas, de forma a adaptar-se às novas solicitações e necessidades de uma estrutura deste género, um dos alojamentos preferidos (e selecionado), durante décadas, nesta região do interior.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Estrela – Geoparque Mundial da UNESCO

 

Hoje, 10 de julho assinala-se o sexto aniversário do Estrela – Geoparque Mundial da UNESCO, o qual integra a lista de 162 geoparques distribuídos por 44 países em todo o Mundo.

A Serra da Estrela obteve assim a sua primeira classificação UNESCO e Portugal o quinto Geoparque; localizado no centro de Portugal, o geoparque adota o nome da serra da Estrela.



No Pleistoceno, um campo de gelo desenvolveu-se no topo do planalto, criando os elementos que dotaram a região das suas características geológicas distintivas: depósitos glaciares como o campo de Moreias de Lagoa Seca, bem como aterros glaciares como o vale glaciar do Zêzere.

O geoparque apresenta também uma grande variedade de formas de alteração do granito, tais como as colunas de granito do Covão do Boi, um grande conjunto de colunas de granito natural, controladas por uma densa rede de fraturas ortogonais, bem como várias formas grandes, incluindo inselbergs (colinas isoladas ou montanhas subindo abruptamente de um plano) e formações menores em forma de cogumelo.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Capacitação Digital dos Operadores Turísticos


O Município da Guarda está a promover o Programa Municipal de Capacitação Digital dos Operadores Turísticos para que as empresas possam melhorar e promover a presença digital dos seus negócios.


Segundo a autarquia, a medida prevê a disponibilização de vouchers de serviços até dois mil euros por empresa, em áreas como a fotografia, vídeos, gestão de redes sociais, websites, lojas e-commerce e posicionamento digital.

Este apoio é vocacionado a micro, pequenas e médias empresas, e empresários em nome individual, nomeadamente dos setores do alojamento local e turismo rural, restauração e similares, agências de viagem e operadores turísticos.

O programa, promovido em parceria com o NERGA – Associação Empresarial da Região da Guarda, e com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pretende contribuir para a modernização digital dos operadores locais, reforçando a sua capacidade de comunicação, visibilidade e competitividade, contribuindo para a valorização da oferta turística do concelho. As empresas abrangidas pelo programa não terão custos.

A Câmara Municipal da Guarda disponibiliza assistência técnica especializada para acompanhar gratuitamente todo o processo, incluindo o esclarecimento sobre o programa, a validação de elegibilidade, o apoio na preparação da documentação e o acompanhamento da candidatura.

Outras informações complementares podem ser obtidas através da linha de apoio 924 139 483.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lopo de Carvalho: o primeiro diretor do Sanatório Sousa Martins

 

Há 104 anos, a 6 de julho, falecia na Guarda o médico Lopo José de Figueiredo de Carvalho, um nome indissociavelmente a esta cidade sobretudo ao Sanatório Sousa Martins, de que foi o primeiro diretor.

Natural de localidade de Tojal (concelho do Sátão), onde nasceu a 3 de maio de 1857, Lopo de Carvalho frequentou a Universidade de Coimbra e licenciou-se em Medicina no ano de 1883. Aluno brilhante, no final do curso foi convidado, pela sua Faculdade, a iniciar o doutoramento, proposta que declinou.

Nesse mesmo ano foi trabalhar para a Meda, como médico municipal; aí exerceu a sua atividade profissional, durante dois anos, prosseguida mais tarde na Guarda, passando ainda o seu percurso como clínico pelos Açores (Graciosa) e por Lisboa.

Com a fixação na Guarda (onde residiu até à sua morte) passou também a exercer as funções de professor do Liceu, à semelhança do que aconteceu com outras conhecidas figuras guardenses da época; cedo se começou a dedicar à causa da luta contra a tuberculose e a empenhar-se, ativamente, na criação de estruturas vocacionadas para o tratamento daquela doença assim como no estabelecimento de normas e regulamentos sanitários.

“A defesa contra a tuberculose está regulamentada convenientemente, há muito tempo, na cidade da Guarda e em todo o distrito; o essencial é cumprir-se a lei e isso é da exclusiva competência das autoridades (…). É esta cidade a única no país que regulamentou a sua defesa contra a tuberculose. Os primeiros aparelhos de Trillat (pelo formol sobre pressão), para a desinfecção das casas e das roupas, que vieram para o nosso país foram adquiridos pela Câmara da Guarda por proposta minha”, escreveu aquele médico na resposta a acusações que lhe foram dirigidas por alguns articulistas da imprensa local, cujo entendimento sobre a importância do Sanatório divergia das ideias de Lopo de Carvalho e de quantos o acompanhavam na afirmação e desenvolvimento daquela unidade de saúde.

O primeiro diretor do Sanatório respondia aos seus críticos dizendo que “a higiene não se pode fazer somente em artigos de jornais e ofícios burocráticos. Para se fazer higiene é preciso gastar-se muita água e dinheiro”.

A “Curabilidade da Tuberculose Pulmonar”, trabalho apresentado no Congresso de Medicina de Lisboa, foi uma das suas mais aplaudidas intervenções em reuniões científicas, na maioria das quais levantou a bandeira das potencialidades da Guarda como cidade da saúde. Aquando do “Congresso de Tuberculose” realizado em Londres, em 1901, foi convidado por Sir William Broadbent para a vice-presidência honorária daquele evento científico.

Os seus esforços, conjugados com o apoio recebido da Assistência Nacional aos Tuberculosos, a que presidia a Rainha D. Amélia, conduziram à construção do Sanatório da Guarda, inaugurado em 18 de maio de 1907.

Lopo de Carvalho seria agraciado, pelo Rei D. Carlos, com a Comenda de S. Tiago. “É de todo o ponto merecida a distinção, que recai sobre um verdadeiro homem de ciência, tisiólogo eminente, que tem sido, no nosso país, um dos mais denodados combatentes contra a tuberculose”, noticiou o Diário Ilustrado.

Redator do jornal “Estudos Médicos”, assim como de “Coimbra Médica”, Lopo de Carvalho colaborou também com as publicações “Movimento Médico”, “Revista de Medicina e Cirurgia” e “Medicina Contemporânea”.

O seu consultório funcionou no edifício conhecido (na atual Rua Vasco da Gama) por Dispensário o qual doou, em 1932, ao Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos. Na rua que ostenta o seu nome existe uma casa que Leopoldina Lopo de Carvalho (a esposa deste médico) doou à cidade, com finalidades específicas; destinado, inicialmente a Arquivo Distrital nela funcionou um Jardim Infantil com o nome da benemérita senhora.

Lopo José de Carvalho (pai de outro conceituado clínico e professor universitário, Fausto Lopo de Carvalho) faleceu na Guarda a 6 de julho de 1922. “O seu enterro foi a expressão mais rigorosa e levantada da consideração em que o povo da nossa terra tinha o ilustre homem de ciência”, realçou a imprensa citadina. O jornal Distrito da Guarda, a propósito do seu falecimento, escreveu que “o nome do Dr. Lopo de Carvalho não se perde no passado; o que se perde é a sua inteligência e os seus vastos conhecimentos científicos”.

O mesmo periódico, passados alguns anos, destacava os serviços “prestados a esta terra” pelo referido clínico. “E no estrangeiro, onde foi por várias vezes, tomando parte de congressos, ou em viagens de estudo, conhecia-se o seu nome em todas as estâncias de cura de tuberculose. Conhecia-se e admirava-se porque, nesta especialidade, o médico distinto pairava muito acima do normal”.

De entre os trabalhos publicados mencionamos “Seroterapia na Tuberculose Pulmonar”, “Uma Epidemia da Febre Tifóide”, “As causa da Febre Tifóide em Portugal” e “Tuberculosos Curados”, este em coautoria com Amândio Paul, que lhe sucedeu na direção do Sanatório Sousa Martins.

Lopo de Carvalho tem o seu nome na toponímia guardense, numa artéria localizada entre o início da Avenida dos Bombeiros Voluntários (onde hoje está o Centro Comercial) e o cruzamento das Ruas Vasco Borges, Rua do Comércio e Largo General João de Almeida.

 

Hélder Sequeira