Hoje, 24 de julho, ocorre a passagem
do 216º aniversário da trágica batalha do Côa, ocorrida no decurso da
progressão dos militares franceses no contexto da terceira invasão das tropas
de Napoleão.
As tropas anglo-lusas lutaram contra as forças do exército francês do Marechal Ney, no local do Cabeço Negro, junto às margens do rio. Esta batalha antecedeu a queda da fortaleza de Almeida e a sua ocupação pelas tropas que entraram em Portugal, sob o comando de Massena.
Este rio, recorde-se, foi até 1297
foi o limite da fronteira entre os territórios dos reinos de Portugal e
Castela; atravessa o concelho de Almeida e é um dos poucos a correr de sul para
norte. Com a assinatura do Tratado de Alcanices, por D. Fernando de Castela e
D. Dinis de Portugal, o castelo de Almeida – entre outras fortalezas – passou
para o domínio da coroa portuguesa.
Esta zona teve uma grande
importância estratégica, do ponto de vista militar; aqui se travaram, ao longo
dos séculos, várias batalhas. A importância da fortaleza de Almeida cedo foi
acentuada; após o primeiro de dezembro de 1640, o rei D. João IV ordenou a sua
reparação, face aos momentos e às difíceis contendas que se avizinhavam.
Desde logo ficou percetível o papel
preponderante que Almeida ia ter no processo bélico de manutenção da
independência. A vila foi transformada em sede do quartel-general do Governador
de Armas da Beira, constituindo-se na mais importante praça do reino português.
Álvaro de Abranches, um dos
conjurados da Revolução de 1640 e membro do Conselho de Guerra de D. João IV,
foi o primeiro Governador de Armas de Almeida, empenhando-se, de imediato no
seu eficaz guarnecimento, rentabilizado o sistema de fortificações de que
estava dotada.
Após a conquista de Ciudad Rodrigo
(Espanha), em 10 de Junho de 1810, pelas tropas francesas o objetivo do
exército invasor era o domínio da praça portuguesa, que teria cerca de 2000
habitantes e estava guarnecida com 5 000 soldados e 115 peças de artilharia.
Com a aproximação das forças francesas, o comando do exército anglo-luso apelou
aos habitantes para abandonarem as suas casas e levarem os seus haveres.
Nos primeiros dias de agosto de
1810 o Marechal Massena mandou avançar o Oitavo Corpo do exército francês, sob
o comando de Junot, dando início ao cerco de Almeida, a 10 de agosto, cuja
guarnição militar era chefiada pelo coronel inglês Guilherme Cox, sendo
Tenente-Rei o almeidense Francisco Bernardo da Costa.
O cerco decorria há 17 dias quando,
ao cair da noite, uma granada francesa provocou uma explosão em cadeia que
destruiu o paiol principal, onde estavam armazenadas 75 toneladas de pólvora;
centenas de mortos e enormes danos no interior da fortaleza foi o balanço
imediato da tragédia. Na manhã seguinte, 27 de agosto de 1810, Massena exigiu
do comandante inglês a rendição imediata da praça, o que acabou por suceder
nessa noite.
A fortaleza de Almeida, em estilo
Vauban, tem uma planta em forma de estrela irregular, integrando seis
baluartes: o de S. Francisco, São João de Deus, Santa Bárbara (designado também
de Praça Alta), do Trem (ou de Nossa Senhora das Brotas), Santo António e São
Pedro, articulados com idêntico número de revelins.
O conjunto monumental deste
baluarte beirão encontra-se rodeada por largos e profundos fossos. Para além
das majestosas Portas de Santo António e São Francisco destacam-se no complexo
desta fortaleza abaluartada as casamatas, espaços subterrâneos cuja estrutura e
solidez os tornava imunes às bombas da época.
No interior do perímetro amuralhado
encontra-se o Quartel das Esquadras que ficou a dever-se ao Conde de Lippe
(Frederico Guilherme de Schaumburg-Lippe), edifício onde estiveram instaladas
forças de infantaria; a antiga Casa dos Governadores da Praça de Almeida; o
edifício do Corpo da Guarda Principal (onde funciona a Câmara Municipal), a
Igreja da Misericórdia, a Casa dos Vedores Gerais, a Casa da Câmara e o Antigo
Convento de Nossa Senhora do Loreto (atual Igreja Matriz) são outros edifícios
emblemáticos desta vila do distrito da Guarda.
Hélder Sequeira
