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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Daniela Capelo preside ao Conselho Regional da CCDR Centro

 

Daniela Capelo foi eleita hoje como presidente do Conselho Regional da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.


Foto: CMPinhel

A Presidente da Câmara Municipal de Pinhel vai dirigir o Conselho Regional da CCDR durante os próximos quatro anos.

O Conselho Regional elegeu também Jorge Conde, ex-presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, como vice-presidente do Conselho Diretivo da CCDR Centro.

A nova Comissão Permanente do Conselho Regional da CCDR Centro passa a ter como presidente Daniela Capelo (presidente da Câmara Municipal de Pinhel),

vice-presidente António Ribeiro (presidente da Câmara Municipal de Seia), vice-presidente António Franco (presidente da Câmara Municipal da Mealhada) e como vogais Joaquim do Amaral, (presidente da Câmara Municipal de Nelas), Ana Paula Duarte (reitora da Universidade da Beira Interior), Carlos Rabadão (presidente do Instituto Politécnico de Leiria) e José Couto (presidente da direção Câmara de Comércio e Indústria do Centro).


Galo vai ser julgado na Guarda


O Julgamento e morte do Galo do Entrudo vai decorrer no próximo dia 15, integrado no programa do GuardaFolia, atividade a decorrer de 7 a 17 de fevereiro na cidade mais alta de Portugal.

“Já foi ópera, festival da canção e até espetáculo de marionetas gigantes. Este ano, o Julgamento do Galo, catarse coletiva da Guarda, sobe ao palco em formato Wrestling! Em 2026, na Guarda, expiamos os males do mundo com uma Luta de Galos, no Domingo Gordo de Carnaval”. Pode ler-se numa nota informativa da Câmara Municipal da Guarda, que organiza este evento.

O Julgamento e Morte do Galo, ponto alto do GuardaFolia 2026, será este ano uma produção do Teatro do Calafrio, “numa criação satírica, feroz e delirante sobre poder, 'showbiz', vigilância e eterna luta por ocupar o poleiro.”

O espetáculo, a iniciar pelas 18h30 de Domingo Gordo (dia 15 de fevereiro, na Praça Luís de Camões, após o desfile das freguesias), terá como ponto de partida um grande 'show-trial' onde será decidido o destino do Galo, numa mistura de justiça, manipulação e intriga. No centro estará o galináceo concebido pelo artista plástico Rui Miragaia. O espetáculo terá texto de Pedro Dias de Almeida e direção artística de Simão Barros.

 


O enredo, que culminará obviamente com a condenação do Galo à fogueira, decorre num tribunal transformado numa arena de 'Luta de Galos': quatro combates híbridos entre 'wrestling', MMA e lutas clandestinas, onde cada galo-personagem disputa o poleiro supremo, o trono frágil do poder.

No centro de tudo, um Showman omnipresente e omnipotente, parte apresentador de 'reality show' parte tirano, que controla a narrativa, manipula o público e guia o caos como quem muda canais.

À sua volta, a maquinaria judicial distorce-se até ao grotesco. Entre golpes coreografados, intrigas sujas e discursos inflamados, as lutas revelam não só as ambições dos galos, mas também a fragilidade das estruturas que fingem manter a ordem. Tudo culmina num ritual final em que o Galo é condenado, queimado e purificado não pelo peso da justiça, mas pela voracidade do espetáculo.


(Re)Conhecer a Toponímia…

 

Guarda - Rua dos Clérigos - Foto Helder Sequeira.

Por várias vezes escrevemos sobre a importância da toponímia, em cujo âmbito cabem múltiplos contributos e ações que podem suscitar uma ampla diversidade de estudos.

Se a investigação que pode ser desencadeada permitirá, por um lado, um enriquecimento cultural e o reforço da identidade local, por outro, irá identificar situações que exigem uma adequada e correta intervenção.

Independentemente das conjunturas, deve mover-nos uma Guarda da memória, a preocupação por uma cidade que preserve a sua história, dignifique os seus valores, honre os seus pergaminhos, mas saiba construir pontes sólidas para o futuro, envolver colaborações qualificadas, motivar o empenho dos seus habitantes, conquistar quem nos visita. “As cidades são como os homens; têm ou não carácter – e a tê-lo importa preservá-lo”, como escreveu Eugénio de Andrade.

A Guarda é muito mais que o património edificado; é memória, é somatório de vidas, experiências, é (deve ser) um pulsar coletivo, permanente. É imperativo de consciência e cidadania assumir-se uma atitude crítica, uma intervenção constante em prol do nosso espaço coletivo, de referência e de vivências. “O passado é, por definição, um dado que coisa alguma pode modificar. Mas o conhecimento do passado é coisa em progresso, que ininterruptamente se transforma e se aperfeiçoa” e, como acrescentava Marc Bloch, “a incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”.

Através da toponímia – tema que dá o mote para estas anotações – podemos abrir portas para o conhecimento do passado. Assim, poderemos começar por nos interrogar acerca da atenção que damos à toponímia, aos suportes físicos dos topónimos que condensam em si informação preciosa. Para além da necessidade de substituição de muitas placas, de forma a ser viabilizada uma clara identificação, importa lembrar a importância em associar anteriores denominações toponímicas. Sabemos que foram muitas as alterações toponímicas introduzidas ao longo do tempo.

Como escreveu Pinharanda Gomes, “na Guarda, e no decurso do nosso século [vinte], tem-se cometido, repetidas vezes, aleatórias modificações de toponímicos, dificultando ainda mais as tarefas dos que, por exemplo, dedicados a pesquisas arqueológicas, poderiam atacar desde logo o sítio exato, caso a memória do nome se mantivesse”.

Em vários casos, a designação atual de artérias citadinas é preterida, mercê do enraizamento de hábitos, ao antigo topónimo. Como exemplo, na Guarda, poderemos evocar a Rua Francisco de Passos que continua a ser designada, pela generalidade dos guardenses, como Rua Direita. O seu nome lembra o Governador Civil da Guarda que desempenhou funções entre 11 de junho de 1926 e 25 de agosto do ano seguinte. Esta rua, recorde-se, constituiu a principal ligação da urbe medieval, unindo a cidadela do Torreão (também conhecida por Torre Velha da fortaleza, edificada provavelmente no século XII) à Alcáçova existente junto às portas da Covilhã (na zona em frente da Escola de Santa Clara).

As alterações de nomes podem ser minimizadas, nestes como noutros casos, com a referência à anterior designação; aliás as novas placas toponímicas da Guarda, que estão a ser progressivamente introduzidas, já contemplam essa informação, quando é caso disso; essas placas, equipadas com “QRCode”, permitem aos transeuntes obter indicações sobre o nome ou facto referenciados. “Restaurar é restituir. A restituição da toponímia é um ato de honestidade cultural, de devolução do património à comunidade, de abandono de opções adventícias, por vezes decorrentes das situações políticas, e, por fim, de entrega aos arqueólogos e aos historiadores, de uma nova fonte documental para historiografia a fazer”, tal como anotou Pinharanda Gomes, num dos seus livros.

A toponímia da Guarda é um vasto campo para estudo e investigação e pode levar-nos à (re)descoberta de múltiplas facetas do seu passado, validado por mais de oito séculos de história, enquanto urbe. Neste contexto, justifica-se a edição de um trabalho atualizado, com informação documental pertinente para simples consultas ou para subsequentes investigações.

Recorde-se que a “Toponímia Histórica da Guarda”, da autoria de Vergílio Afonso, foi editada em 1984. Desde essa altura a cidade cresceu, foram criadas novas ruas e urbanizações, atribuídos muito novos topónimos. É certo que têm sido publicados alguns artigos e livros sobre toponímia, como é o caso de “A Toponímia da cidade da Guarda e a construção da memória pública no século XX”, da autoria de Maria José Neto, editado em 2013. Uma obra com o propósito de esclarecer como “as alterações de ordem política interferem na actualização e construção da memória pública”, através da qual foi feito “o levantamento dos topónimos existentes no início do século XX para (…) se identificarem, nas nomeações e renomeações das vias, os topónimos de continuidade e de ruptura com a conjuntura vigente. Caracterizado o espaço do centro histórico no início do século XX, acompanhou-se a expansão da urbe até ao ano de 1980, identificaram-se os protagonistas e os ritos usados na criação da memória pública.” Como escreveu, então, a autora.

Em 2015, o Politécnico da Guarda publicou o livro "Desafios e Constrangimentos do Estudo da Toponímia – intervenções e contributos”, na sequência de um fórum, com várias edições, sobre a mesma temática. Nos últimos anos, com maior ou menor regularidade, têm sido publicados alguns trabalhos incidindo sobre diferentes personalidades consagradas na toponímia guardense.

Ainda que as novas tecnologias e os equipamentos de comunicação hodiernos facilitem o acesso a muitos dados, isso não exclui a importância – para o presente e para o futuro – de uma publicação, abrangente e com múltiplos contributos interdisciplinares, sobre a Toponímia da Guarda; com rigor, ilustrada, de consulta fácil, acessível e útil à generalidade dos cidadãos, residentes ou visitantes.


Hélder Sequeira