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sábado, 11 de abril de 2026

Orquídeas selvagens estudadas na Canada do Inferno


No âmbito do protocolo de colaboração estabelecido entre a Associação de Orquídeas Silvestres de Portugal (AOSP) e a Fundação Côa Parque, realizou-se, recentemente, uma ação de trabalho de campo no sítio da Canada do Inferno, integrada no esforço de estudo e valorização da biodiversidade local.


A iniciativa teve como principal objetivo a observação, o levantamento e a contagem de espécies de orquídeas silvestres presentes naquele território de elevado valor ecológico.
A visita contou com o acompanhamento de Mónica Pinto, bolseira de doutoramento da FCT, e com a participação de dois dos mais reconhecidos especialistas europeus na área: Daniel Tyteca e Jean-Louis Gathoye.


Apesar das condições adversas provocadas por um inverno rigoroso, foi possível observar várias espécies em floração, nomeadamente 𝘖𝘱𝘩𝘳𝘺𝘴 𝘵𝘦𝘯𝘵𝘩𝘳𝘦𝘥𝘪𝘯𝘪𝘧𝘦𝘳𝘢, 𝘏𝘪𝘮𝘢𝘯𝘵𝘰𝘨𝘭𝘰𝘴𝘴𝘶𝘮 𝘳𝘰𝘣𝘦𝘳𝘵𝘪𝘢𝘯𝘶𝘮 e, na área envolvente, uma população de 𝘖𝘱𝘩𝘳𝘺𝘴 𝘴𝘤𝘰𝘭𝘰𝘱𝘢𝘹.
Esta ação reforça a importância científica e ambiental do Vale do Côa, evidenciando o seu papel enquanto território de referência para o estudo e a conservação da flora silvestre, em particular das orquídeas autóctones.


Fonte e fotos: Museu do Côa

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Envenenamento de aves

 


“O uso indiscriminado de toxinas no campo tem impactos profundos, afetando ecossistemas inteiros.” Alerta a Rewilding Portugal (RP) em nota publicada numa das suas redes sociais.

“Por isso mesmo – acrescenta aquela organização – combater o envenenamento ilegal exige uma resposta eficaz e integrada, que envolva autoridades, justiça, comunidade científica, projetos de conservação e sociedade civil.”

Este alerta surge a propósito do acompanhamento que a RP está a fazer relativamente ao caso recentemente noticiado em Leomil, onde foram encontrados cerca de 20 milhafres-reais mortos, com fortes suspeitas de envenenamento.

Envenenamento de Milhafres_foto R.Portugal 

foto: Rewilding Portugal 

“Trata-se de uma situação preocupante, que está a ser monitorizada também por nós, em articulação com as autoridades competentes, como o ICNF, o SEPNA/GNR e no âmbito do Programa Antídoto.”

Para a Rewilding Portugal, “este episódio volta a expor uma realidade alarmante, a confirmar: o uso ilegal de venenos continua a ser uma das maiores ameaças à biodiversidade em Portugal. Desde 2021, registam-se 2 casos suspeitos de envenenamento por mês, com mortalidade confirmada ou suspeita em animais selvagens e domésticos.

Embora frequentemente associados a aves necrófagas, o veneno não afeta apenas uma espécie. Águias-imperiais, abutres-pretos, raposas, lobos e muitas outras espécies protegidas por lei são vítimas diretas ou indiretas destas práticas ilegais.”

Segundo a Rewilding Portugal, “80% das aves de rapina em Portugal apresentam contaminação por raticidas anticoagulantes, químicos usados no controlo de roedores. Estes dados demonstram que o envenenamento secundário é um problema generalizado, silencioso e subestimado, com impactos severos na fauna selvagem.”

A RP lembra que o uso de venenos é crime, punível com pena de prisão. “No entanto, a escassez de capacidades laboratoriais e de provas legalmente válidas, resulta num número elevado de casos arquivados ou sem condenação. Importa também esclarecer que o veneno é frequentemente utilizado para eliminar outras espécies que causam danos à caça e à agricultura e por vezes a aves necrófagas, erradamente responsabilizadas por ataques ao gado. Mas seja qual for o alvo, os efeitos do envenenamento propagam-se em cadeia: animais que não contactaram diretamente com a toxina podem morrer ao consumir carcaças contaminadas.”

Em caso de suspeita, as pessoas devem contatar o SEPNA/GNR.