“O uso indiscriminado de toxinas no campo tem impactos profundos, afetando ecossistemas inteiros.” Alerta a Rewilding Portugal (RP) em nota publicada numa das suas redes sociais.
“Por isso mesmo – acrescenta aquela organização – combater o envenenamento ilegal exige uma resposta eficaz e integrada, que envolva autoridades, justiça, comunidade científica, projetos de conservação e sociedade civil.”
Este alerta surge a propósito do acompanhamento que a RP está a fazer relativamente ao caso recentemente noticiado em Leomil, onde foram encontrados cerca de 20 milhafres-reais mortos, com fortes suspeitas de envenenamento.
foto: Rewilding Portugal
“Trata-se de uma situação preocupante, que está a ser monitorizada também por nós, em articulação com as autoridades competentes, como o ICNF, o SEPNA/GNR e no âmbito do Programa Antídoto.”
Para a Rewilding Portugal, “este episódio volta a expor uma realidade alarmante, a confirmar: o uso ilegal de venenos continua a ser uma das maiores ameaças à biodiversidade em Portugal. Desde 2021, registam-se 2 casos suspeitos de envenenamento por mês, com mortalidade confirmada ou suspeita em animais selvagens e domésticos.
Embora frequentemente associados a aves necrófagas, o veneno não afeta apenas uma espécie. Águias-imperiais, abutres-pretos, raposas, lobos e muitas outras espécies protegidas por lei são vítimas diretas ou indiretas destas práticas ilegais.”
Segundo a Rewilding Portugal, “80% das aves de rapina em Portugal apresentam contaminação por raticidas anticoagulantes, químicos usados no controlo de roedores. Estes dados demonstram que o envenenamento secundário é um problema generalizado, silencioso e subestimado, com impactos severos na fauna selvagem.”
A RP lembra que o uso de venenos é crime, punível com pena de prisão. “No entanto, a escassez de capacidades laboratoriais e de provas legalmente válidas, resulta num número elevado de casos arquivados ou sem condenação. Importa também esclarecer que o veneno é frequentemente utilizado para eliminar outras espécies que causam danos à caça e à agricultura e por vezes a aves necrófagas, erradamente responsabilizadas por ataques ao gado. Mas seja qual for o alvo, os efeitos do envenenamento propagam-se em cadeia: animais que não contactaram diretamente com a toxina podem morrer ao consumir carcaças contaminadas.”
Em caso de suspeita, as pessoas devem contatar o SEPNA/GNR.
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