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domingo, 31 de maio de 2026

Um pavilhão com história...na Cidade da Saúde...


Hoje, 31 de maio, completam-se 73 anos após a inauguração do denominado Pavilhão Novo do Sanatório que constitui, hoje, o mais antigo bloco do Hospital da Guarda. 

Sanatório - Pavilhão Novo .jpg

Este acto, previsto inicialmente para 28 de maio de 1953, ocorreu três dias depois, com a presença dos Ministros do Interior e das Obras Públicas.

A imprensa da cidade deu especial relevo ao acato, apresentando o novo pavilhão como “um edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”.

Com a construção deste novo pavilhão, o Sanatório Sousa Martins procurou aumentar a capacidade de resposta às crescentes solicitações das pessoas afetadas pela tuberculose, ampliando assim o seu papel na luta contra essa doença.

É que o elevado número de doentes com fracos recursos há muito fazia sentir a necessidade de dotar esta conhecida estância sanatorial com novas instalações, pretensão que os responsáveis pelo Sanatório Sousa Martins tinham já manifestado ao Ministro das Obras Públicas, aquando da sua visita, à Guarda, em 1947. As obras do novo pavilhão foram iniciadas quatro anos depois.

A entrada em funcionamento deste pavilhão era aguardada com compreensível expectativa, mormente por quem trabalhava no Sanatório Sousa Martins.

Pavilhão novo -2 - HS.jpg

O seu diretor, Dr. Ladislau Patrício – que nesse mesmo ano deixaria essas funções, bem como a sua atividade clínica – definiu o edifício como “um novo e valioso instrumento na luta em defesa da saúde pública do país”.

Na Guarda viveu-se mais um dia festivo. “Cerca do meio dia, a estrada que conduz ao Sanatório tornara-se um rio de gente”, noticiou o jornal A Guarda. O Pavilhão Novo constitui, de facto, um marco importante na história do Sanatório Sousa Martins, instituição que não pode, de forma alguma, ser dissociada da Guarda do século XX.

Recordar esta efeméride é anotar, tão somente, quanto é fundamental a salvaguarda desta memória viva onde, no presente, prossegue a atividade hospitalar.

Conciliar os rumos exigidos pelo progresso com a especificidade deste edifício será contribuir para o reencontro com décadas em que a Guarda conquistou, justamente, a designação de cidade da saúde. 


Hélder Sequeira

 

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O esquecimento da história da cidade...

 

Aos dezoito dias do mês de Maio de mil novecentos e sete, num dos edifícios recentemente construídos no reduto da antiga Quinta do Chafariz, situada à beira da estrada número cinquenta e cinco, nos subúrbios da cidade da Guarda, estando presentes Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia (...), procedeu-se à solenidade da abertura da primeira parte dos edifícios do Sanatório Sousa Martins e da inauguração deste estabelecimento da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundada e presidida pela mesma Augusta Senhora (...)”. Assim ficou escrito no auto que certificou a cerimónia inaugural do Sanatório Sousa Martins.

Pavilhão Lopo de Carvalho.jpg

O dia 18 de maio de 1907 constituiu uma das mais imponentes jornadas festivas da Guarda, marcada por um expressivo envolvimento coletivo que importa evocar, pois nesse já longínquo dia abriu-se um novo período da história citadina com a inauguração de duas importantes estruturas de saúde.

Esta cidade, se por um lado ficou dotada com um moderno Hospital (tutelado pela Misericórdia), por outro iniciou – através do Sanatório – uma eminente atividade médica e assistencial que a colocou nos roteiros internacionais das estruturas de saúde vocacionadas para o combate à tuberculose.

O impacto económico e cultural destas duas instituições (Sanatório Sousa Martins e Hospital da Misericórdia da Guarda, a que seria atribuído o nome do então Provedor, Dr. Francisco dos Prazeres) fez-se sentir ao longo de várias décadas, como tem sido reconhecido e evidenciado em vários trabalhos já publicados. Nessa época conjugaram-se na Guarda uma série de fatores que viabilizaram a concretização do sonho de alguns, alicerçado numa sólida determinação e na multiplicidade de atos solidários, apesar dos circunstancialismos político-sociais do Portugal do início do século XX.

A inauguração (inicialmente prevista para 28 de abril e depois para 11 de maio) dos três pavilhões que integravam o Sanatório ocorreu a 18 de maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia que materializou nesta instituição a homenagem a Sousa Martins, atribuindo-lhe o nome daquele clínico; a sua a ação e dinamismo já tinha sido evidenciada por ela numa intervenção pública, no seio da Associação Nacional aos Tuberculosos, realizada em 1889.

Voltando a 18 de maio de 1907, refira-se que nesse dia, cerca das 15 horas, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia foram inaugurar o novo edifício do Hospital da Misericórdia da Guarda, na atual rua Dr. Francisco dos Prazeres. Na capela da nova unidade hospitalar, teve lugar a cerimónia da bênção do edifício, pelo Arcebispo-Bispo da Guarda.

O fluxo de tuberculosos superou, largamente, as previsões, fazendo com que os edifícios do Sanatório Sousa Martins se tornassem insuficientes perante a procura; este era aconselhado a todos quantos sofriam de “tuberculose pulmonar, anemia, fraqueza organica, impaludismo, etc.”, como noticiava a imprensa local. Assim, não é de estranhar as preocupações dos responsáveis pelo Sanatório, mormente do seu terceiro diretor, no sentido de ser construído um novo pavilhão.

O que viria a acontecer com a construção de um novo edifício a ladear a rodovia que seguia da Guarda em direção a sul, hoje designada por Avenida Rainha D. Amélia. A inauguração esteve inicialmente agendada para 28 de maio, sendo remarcada para dia 31, deste mesmo mês, pelas 12 horas. O ato contou com a presença dos ministros das Obras Públicas e do Interior, tendo transmissão em direto “pelo Emissor Regional e pela Rádio Altitude”. Como noticiava a imprensa local, “no Sanatório ficam agora mais 450 camas, sendo 350 no novo Pavilhão e 100 nos outros”.

Atualmente, é chocante o estado de abandono e degradação dos pavilhões D. António de Lencastre e D. Amélia, assim como de outros de edifício que desempenharam um papel importante na atividade do Sanatório. São páginas da história da Guarda do último século que estão a ser apagadas e destruídas, perante a confrangedora insensibilidade de quem pode e deve inverter esta situação.

Pavilhão D. António de Lencastre HS  .JPG

Parece que a salvaguarda do nosso património, da nossa memória coletiva, da história de uma instituição marcante, da lembrança de um eminente corpo clínico e de devotados profissionais de saúde, das múltiplas iniciativas desenvolvidas no seio do Sanatório, dos projetos informativos e culturais aqui nascidos são coisas para esquecer, sob o risco de um interessante contraponto com a dinâmica do presente…ou com a falta de ideias e projetos.

Uma vez mais voltamos a reafirmar que o Parque da Saúde da Guarda não pode continuar a ter no seu seio uma memória agonizante de um Sanatório que constituiu um incontornável ex-libris da nossa cidade. No próximo dia 18 de maio vai ocorrer o 119º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins; anotar esta efeméride não é persistir em exercício de memória ritualista, mas apelar para a preservação do património físico de uma instituição indissociável da História da Medicina Portuguesa, da solidariedade social, da cultura, da cidade mais alta de Portugal.

 

Helder Sequeira


 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

A propósito da Prisão Sanatório da Guarda...


Os edifícios da antiga Prisão Sanatório e da Cadeia Comarcã, como outros na Guarda, não podem ser dissociados do estudo da evolução citadina na segunda metade do século passado. As referidas estruturas devem ser valorizadas e estudadas face ao papel que desempenharam durante muito tempo; sobretudo a Prisão Sanatório pelo facto de ter sido pioneira em Portugal.

A construção de prisões-sanatório para o internamento dos presos condenados a qualquer pena privativa de liberdade, “que sejam tuberculosos ou predispostos para a tuberculose e necessitem de um tratamento compatível com um regime moderado de prisão” tinha sido já considerada na reforma dos serviços prisionais definida em 1936, através do Decreto-Lei nº 26643, de 28 de maio.

A necessidade de serem criados estabelecimentos prisionais com este perfil ficava sobejamente justificada face aos “graves e visíveis” inconvenientes do internamento de presos com tuberculose “nas prisões comuns”. Por outro lado, e como era referido no mencionado texto legal, “também não parece recomendável o internamento dos presos doentes nos sanatórios ou nas outras instalações destinadas a tuberculosos em geral (…)”; daí que a opção tenha sido pela “criação de uma prisão especial”.

Edifício que, como era sublinhado, foi construído “junto de um sanatório em funcionamento, com o principal intuito de, no interesse do Tesouro Público, aproveitar o material e o pessoal especializado pertencente a esse estabelecimento”.

Era igualmente anotado que a Prisão Sanatório da Guarda tinha “características novas dentro dos serviços penitenciários e que vai funcionar também em novos moldes, através do regime de colaboração a estabelecer com o Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”. O Decreto-Lei nº 40231, de 6 de julho de 1955, veio dar “existência jurídica” à Prisão Sanatório da Guarda.

A esta distância temporal, uma alusão ao facto poderá, para alguns, justificar apenas, e com alguma benevolência, um tímido registo de ocorrências do passado. Contudo, importa salientar que a entrada em funcionamento da Prisão Sanatório da Guarda representou mais uma inquestionável afirmação desta cidade – à época – no panorama nacional; isto na sequência de outros importantes serviços ou melhoramentos aqui realizados na primeira metade do século XX.

A escolha da Guarda para a localização desse estabelecimento prisional teve em conta, como já foi dito, a existência do conceituado Sanatório Sousa Martins (inaugurado em maio de 1907) e do seu reputado corpo clínico; aliás foi ele que assegurou o apoio médico e cirúrgico, no âmbito do protocolo estabelecido, então, entre o Ministério da Justiça e a Direção Geral de Assistência. Na Guarda teve lugar, neste contexto, a primeira aplicação prática dessa cooperação; atitude similar foi seguida, mais tarde, na Prisão Hospital S. João de Deus, cuja construção terminou muito tempo depois da inauguração do complexo prisional guardense.

A Prisão Sanatório da Guarda – junto à Cadeia Comarcã, inaugurada na mesma data, 29 de janeiro de 1955 – foi edificada para receber os reclusos, de todo o país, portadores de doenças pulmonares.

Como noticiou a imprensa citadina, a Prisão Sanatório era um “edifício magnífico, ocupando uma área de 1100 metros quadrados. Nas suas enfermarias e nos quartos de isolamento, optimamente mobilados, podem albergar-se mais de cem reclusos”. O Ministro da Justiça, de então, expressou, na altura, o desejo de “que muitos saiam daqui mais sãos no corpo, sobretudo mais sãos na alma”.

Prisão Sanatório - Guarda.jpg Foto de Arquivo_HS

 

No mapa nacional dos serviços prisionais, a mais alta cidade portuguesa ficava dotada, com uma estrutura ímpar, enquadrada na propalada “revolução no espírito e na orgânica”, fomentada e defendida pelos dirigentes políticos da época.

Por outro lado, ao serem viabilizadas novas instalações para a Cadeia Comarcã da Guarda libertou-se o centro da cidade do “espectáculo desagradável”, numa expressão da imprensa local, decorrente da permanência e do contacto com os presos, e asseguraram-se – pelo menos era essa a intenção oficialmente manifestada – novas condições para a desejada regeneração dos reclusos.

As duas prisões (e edifícios anexos para os guardas e serviços de apoio) representaram um investimento de cerca de 5 000 contos, verba muito significativa nos tempos (igualmente difíceis no plano financeiro), que decorriam.

A partir de 1971 passou a funcionar nas instalações da Prisão Sanatório o Estabelecimento Prisional Regional da Guarda, até porque “a evolução entretanto verificada nos métodos de tratamento da tuberculose determinou o encerramento daquela unidade prisional”, como era evocado no Decreto-Lei nº 359/85 de 3 de setembro que decretou a extinção da Prisão Sanatório da Guarda.

Apesar das sucessivas alterações, a matriz da Prisão Sanatório da Guarda permanece naquela estrutura que ladeia o atual Parque da Saúde, constituindo um património guardense em relação ao qual temos o dever da memória…

 

Hélder Sequeira

domingo, 18 de janeiro de 2026

A doente do quarto 23...

 


“A Doente do quarto 23” foi um dos mais divulgados trabalhos de Ladislau Patrício, uma peça que chegou a ser representada em Goa, sendo este  médico apresentado como eminente tisiólogo português”. Referenciado ainda, a propósito da apresentação dessa peça,  como diretor de um dos melhores sanatórios de Portugal, destacavam-no como “como cientista de nomeada, de fama internacional na sua especialidade”, assim como “figura prestigiosa no mundo das letras”; “a doente do quarto 23 é uma jovem meiga e formosa, atingida pela tuberculose na flor da idade. Filha e neta de tuberculosos, o implacável bacilo de Koch não a poupa por sua vez”.

Doente do Quarto 23 

Foto, criada com IA

Uma peça de teatro onde, como sublinhou Antonieta Garcia, “perpassa um agudíssimo sentido do valor da vida humana, do absurdo da sua condição”, colocando o autor “do lado dos que não desistem, não se contentam, dos que questionam esperançadamente o tema da cura”. É certo que o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins enquadra esta obra no contexto da época, mas nem por isso deixa de ter ideias e verdades que estão ainda hoje válidas, atuais.

Mas quem foi Ladislau Patrício? Um guardense ilustre, médico distinto, apreciado escritor, um acérrimo defensor da sua terra, das qualidades das suas gentes, das suas riquezas históricas e culturais.

Ladislau Fernando Patrício nasceu na Guarda, a 7 de dezembro de 1883. Após concluir os estudos nesta cidade foi para Coimbra, onde conviveu “fraternalmente com alunos das diversas Faculdades, alguns dos quais se distinguiram mais tarde, pela vida fora, no campo das ciências, das artes, das letras e da política”, nomeadamente António Sardinha, Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, Alfredo Monsaraz, Cândido Guerreiro, Ramada Curto, João de Barros, entre outros.

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Antes de terminar a formação conducente à obtenção da licenciatura em Medicina, Ladislau Patrício prestava já cuidados médicos – como ele próprio revelou – tendo “praticado no Sanatório” em 1907, aquando da entrada em funcionamento desta unidade de tratamento da tuberculose. Em 1909 foi opositor a um concurso para exercer as funções de médico municipal em Loulé, cargo para o qual foi nomeado em 2 de setembro desse ano.

Com a implantação da República, este clínico teve uma fugaz passagem pela vida política; em 1910 aparece como Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda, presidida por seu cunhado, o poeta Augusto Gil. Em 1911 esteve à frente dos destinos do município guardense, mas foi breve a sua permanência como autarca.

Augusto Gil, juntamente com o matemático Mira Fernandes (também cunhado de Ladislau Patrício), tentou convencer o médico guardense a fixar-se em Lisboa, para aí desenvolver a sua vida profissional; contudo nunca o conseguiu demover da ideia de permanecer na localidade que o viu nascer.

O registo biográfico de Ladislau Patrício inclui ainda a referência à passagem pelo Liceu Nacional da Guarda, onde lecionou a partir de 1911. Entre 1917 e 1919 dirigiu o Sanatório Militar de S. Fiel, em Louriçal do Campo (Castelo Branco), atividade da qual deixou interessantes indicações num relatório que publicou, em 1920, sob o título “A Assistência em Portugal aos feridos da guerra por tuberculose”.

Em 1922, a convite do médico Amândio Paul, passou a trabalhar (como subdiretor) no Sanatório Sousa Martins, dirigido nessa época por aquele clínico, a quem viria a suceder, em 1932; nessas funções permaneceu até 7 de dezembro de 1953. Os sanatórios constituíram, aliás como aconteceu com os Dispensários, um dos pilares essenciais da luta contra a tuberculose

Na vida de Ladislau Patrício sobressai, de facto, um “autêntico sacerdócio pela Guarda e pelos doentes do Sanatório”, onde, como é sabido, se encontravam doentes de todas as condições sociais e económicas; provenientes das mais diversas origens geográficas. A sua atividade clínica estendeu-se igualmente ao Hospital Francisco dos Prazeres, tendo presidindo à Liga de Amigos daquela unidade de saúde; trabalhou ainda na Delegação de Saúde da Guarda e no Lactário desta cidade, após a morte do Dr. António Proença

No ano de 1939, Ladislau Patrício foi eleito vogal da Ordem dos Médicos, estrutura profissional que teve como primeiro bastonário o Prof. Elísio de Moura. Na sequência de uma proposta do médico guardense foi criada, no âmbito da Ordem, a especialidade de Tisiologia, “com o acordo unânime dos membros do Conselho Geral”. Especialidade cuja criação tivemos o ensejo de evocar, no passado ano, no Congresso Português de Pneumologia.

No Sanatório Sousa Martins sabemo-lo empenhado em apoiar, em finais da década de quarenta, a radiodifusão sonora; o primeiro regulamento da Rádio Altitude (1947), estação que nasceu naquele espaço sanatorial, tem a chancela de Ladislau Patrício,

Um dos seus principais sonhos concretizou-se em 31 de maio de 1953, com a inauguração do Pavilhão Novo do Sanatório Sousa Martins (paralelo à atual Avenida Rainha D. Amélia), um “edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”; meses depois completou 70 anos, “atingindo assim o limite de idade oficial como delegado de Saúde e diretor do Sanatório. Em finais de fevereiro de 1955 Ladislau Patrício foi viver para Lisboa; aí escolhido para Presidente do Conselho Regional da Casa das Beiras, função que viria mais tarde abandonar, a seu pedido.

Ladislau Patrício, que faleceu na noite de Natal de 1967, é um dos nomes consagrados na galeria de médicos-escritores, tendo manifestado bem cedo a sua faceta de homem de cultura. No Sanatório Sousa Martins apoiou projetos com indiscutível alcance cultural e social; veja-se o caso do jornal “Bola de Neve” e da Rádio Altitude.

O “Bacilo de Kock e o Homem” é uma das suas obras, de cariz científico mais divulgadas, a qual se integra na Biblioteca Cosmos, dirigida por Bento de Jesus Caraça; “Altitude: o espírito na Medicina” é outro dos mais significativos trabalhos de Ladislau Patrício, reunindo impressões, “vivas reações dum temperamento perante determinada série de factos”, onde o autor deixa vincado que o médico, para além das suas funções técnicas, “tem uma missão espiritual a cumprir. A sua atitude na vida, e sobretudo no tratamento dos doentes, deverá ser a do sábio que procura a verdade e a do artista que cultiva a ilusão”.

Ladislau Patrício escreveu ainda “Teatro Sem Actores” “Casa Maldita” e “O Mundo das Pequenas Coisas”, para além da peça a que aludimos no início, merecedora de ser, de novo, levada à cena.

Lembrar o nome de Ladislau Patrício (que integra a toponímia da Guarda e de Lisboa) é um inquestionável ato de justiça, pelo seu exemplo, pela sua dedicação aos doentes, pela postura intransigente na defesa dos cuidados de saúde e do progresso da mais alta cidade de Portugal.

 

Hélder Sequeira