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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Rádio e IA: um debate necessário

 

O Dia Mundial do Rádio foi assinalado na passada sexta-feira, 13 de fevereiro; uma comemoração instituída em 2011 pelos estados-membros da UNESCO, data que foi validada, no ano seguinte, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Em 2026 o Dia Mundial do Rádio, subordinado ao tema “Rádio e Inteligência Artificial”, teve como objetivo fomentar o debate sobre como a tecnologia baseada em IA está a modificar a produção, a distribuição e o consumo dos conteúdos radiofónicos, mas alertando também para a importância da salvaguarda da ética, da acessibilidade, da criatividade e da confiança dos ouvintes.

Para a UNESCO, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio ao rádio; aliás, como já anotámos noutras ocasiões, a IA apresenta novos caminhos para mais eficiência e, outrossim, múltiplas vantagens ao nível da melhoria da programação e interação com os ouvintes.

Naturalmente que um dos grandes contributos da inteligência artificial é dado ao nível da automação das emissões radiofónicas, apresentando-se como eminente suporte para produção de notícias, definição da sequência musical e de um conteúdo programático convidativo e diferenciado. Através de algoritmos e modelos automatizados a IA tem a capacidade de proceder à análise de uma enorme quantidade de informação, identificando padrões e desencadeando, consequentemente, procedimentos adequados.

Por outro lado, o acompanhamento constante das atualizações e publicações nas redes sociais pode ser efetuado de uma forma rápida, detetando tendências e assinalando notícias e temáticas que podem interessar aos ouvintes, despertando, consequentemente, uma maior atenção da sua parte.

Através de software adequado podem ser produzidas mensagens para as redes sociais assim como conteúdos destinados a plataformas digitais que ampliam o trabalho da estação emissora. Como escreveu Cristiano Stuani, a IA “pode utilizar-se para produzir textos e conteúdos para as redes sociais, personalizar anúncios e analisar dados de audiência, ampliando o alcance da marca e oferecendo publicidade mais relevante e efetiva para os anunciantes”.

O debate em torno das implicações da inteligência artificial no meio rádio é atual e necessário, bem como a necessidade de um melhor conhecimento da diversidade de aplicações disponíveis; ao nível da automação, utilização de voz, criação de cópias de conteúdos, novas fórmulas de atração de ouvintes. Acresce a análise e clarificação das questões éticas, do impacto no emprego, da salvaguarda de direitos de autor e direitos conexos, da distinção de vozes criadas pela Inteligência Artificial. Assim a escolha desta temática, pela UNESCO, para ser debatida no Dia Mundial do Rádio, fez todo o sentido, deixando uma pertinente proposta de reflexão.


 

Na área da indústria de equipamentos para radiodifusão não tem faltado quem argumente que o uso abusivo da inteligência artificial poderá criar situações indesejáveis; para outros ajudará a personalizar os conteúdos das emissões de rádio, a automatizar tarefas repetitivas e a melhorar a qualidade geral da programação. Sustentam, ainda, que a inteligência artificial pode viabilizar economia de tempo para as emissoras, ao assegurar conteúdos para os períodos da noite e madrugada, criando rapidamente podcasts e outros materiais de áudio online para sites.

A utilização da inteligência artificial em novos equipamentos, produtos, serviços e inovações abre, assim, uma discussão ao nível político e ético, entre outras esferas de intervenção; vários especialistas, nesta matéria, fizeram já notar a existência de questões legais sobre os direitos de propriedade e autoria de conteúdos criado por inteligência artificial; alertando também para a clarificação da forma como as emissoras podem proteger, legalmente, os conteúdos próprios.

De facto, a discussão sobre a importância, vantagens e perigos da inteligência artificial deve prender a nossa atenção; não podemos olvidar que a humanização do Rádio é fundamental e as pessoas não podem ser afastadas do processo evolutivo deste meio de comunicação.

A tecnologia pode também contribuir para uma melhor compreensão das audiências, personalizando a experiência dos ouvintes e valorizando os arquivos sonoros; um exemplo elucidativo pode ser a recente sessão de escuta “E temos o Povo”, que decorreu nos estúdios da Rádio Altitude. Tratou-se de uma audição dos sons da primeira montagem radiofónica do 25 de abril, realizada por Pedro Laranjeira, Paulo Coelho e Adelino Gomes.

À margem desta sessão, e quando o questionado sobre se a IA pode ser um perigo para o Rádio, Adelino Gomes dizia-nos que “a inteligência artificial pode ser um perigo para todos nós, não é só para o jornalismo, é para todo o cidadão”, acrescentando haver esperança, “porque afinal todas as mudanças ao longo da história das civilizações foram mudanças que primeiro foram recebidas com muita precaução e até com medo, mas a humanidade, certas pessoas, conseguiram encontrar nelas a forma, o segredo de transformar aquilo que pode ser mau em coisas boas”. Daí chamar a atenção para a prevalência de “um sentido crítico, como sempre tivemos”, tanto mais que “nas redes sociais, os preguiçosos estão a fazer com que nós nademos no mar de falsas notícias. São os preguiçosos”.

E neste contexto de novas tecnologias e afirmação da IA, é interessante anotar que a rádio está a renascer, a reinventar-se. “Os mais jovens, muitos já não vêm televisão, ouvem podcast e ouvem rádio. Acho que por muitos céticos que tínhamos sido sobre o fim da era da rádio, a verdade é que há um renascimento nesse sentido”, comentava-nos Maria Inácia Rezola, Comissária Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, data que ficou indelevelmente marcada na história da radiodifusão em Portugal.

O Rádio, apesar dos múltiplos condicionalismos, continua a ter futuro; onde a IA terá uma presença cada vez mais consolidada, mas a voz, a empatia, a humanização e a essência deste meio devem continuar a orientar as emissões radiofónicas.

 

Hélder Sequeira

in O Interior 18|02|2026

Sessão Científica de Saúde Pública

 

A XII Edição da Sessão Científica de Saúde Pública dos Internos do Centro (SPiC) terá lugar no próximo dia 23 de fevereiro de 2026, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, reunindo profissionais, internos e especialistas para debater os principais desafios e respostas na área da Saúde Pública.


Organizada pela Comissão de Médicos Internos da Zona Centro e pelo Internato de Saúde Pública da ULSG, esta iniciativa anual afirma-se como um espaço privilegiado de partilha científica, reflexão crítica e promoção de boas práticas em saúde pública. O programa tem início às 09h00, com a abertura do secretariado, seguindo-se a Sessão de Abertura. Ao longo da manhã decorrerá uma Mesa Redonda dedicada aos Desafios das Unidades de Saúde, com diferentes perspetivas institucionais, incluindo a Delegação Regional do Centro da Direção-Geral da Saúde, o Conselho de Administração da ULS e a Unidade de Saúde Pública.

Após um momento de pausa para café, terá lugar uma segunda Mesa Redonda subordinada ao tema “Intervenção e Respostas em Saúde”, onde serão abordadas áreas como a Saúde Ambiental e as iniciativas de parceiros na resposta local. Da parte da tarde, destaca-se a Apresentação de Trabalhos Científicos, permitindo aos médicos internos partilhar projetos, investigações e experiências desenvolvidas no âmbito do Internato de Saúde Pública.

A SPiC constitui uma oportunidade de valorização do trabalho científico desenvolvido pelos internos e reforça o compromisso das instituições envolvidas com a formação, a inovação e a melhoria contínua em Saúde Pública.