O Prémio Eduardo Lourenço foi ontem a
atribuído a José Luis Puerto, a quem o júri reconheceu as qualidades em
consonância com o espírito deste galardão, no que diz respeito ao conhecimento
profundo da língua e da cultura portuguesas. Como foi referido, esse
conhecimento está evidentes nas suas traduções de poetas portugueses e na
integração de elementos culturais ibéricos na sua poesia, no seu trabalho
etnográfico e na sua investigação sobre a tradição oral.
O Júri do Prémio Eduardo Lourenço,
reuniu ontem na sede do Centro de Estudos Ibéricos, na Guarda; a 22ª edição deste
prémio Eduardo Lourenço destacou-se pela elevada qualidade e diversidade das
candidaturas apresentadas.
Destinado a galardoar personalidades
ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e
cooperação ibéricas, o Prémio Eduardo Lourenço 2026, no montante de 7.500,00€
(sete mil e quinhentos euros), foi atribuído por um júri constituído pelos
membros da Direção do CEI: Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio
Costa; e Reitores das Universidades de Coimbra e de Salamanca, Amílcar Falcão,
representado pelo Vice Reitor Delfim Leão, e Juan Manuel Corchado, representado
pela Vice Reitora Matilde Olarte; Antonio Notario e María Isabel Martín
Jiménez, da USAL; e pelas seguintes personalidades convidadas: Paulo Estudante
e Jorge Castilho convidadas pela Universidade de Coimbra e Milagro Martín
Clavijo e Juan Antonio Rodríguez Sánchez, convidadas pela Universidade de
Salamanca.
Recorde-se que personalidades de
relevo de Portugal e Espanha já foram galardoadas nas anteriores edições: Maria
Helena da Rocha Pereira, Professora Catedrática de Cultura Greco-Latina (2004),
Agustín Remesal, Jornalista (2006), Maria João Pires, Pianista (2007), Ángel Campos
Pámpano, Poeta (2008), Jorge Figueiredo Dias, Professor Catedrático de Direito
Penal (2009), César António Molina, Escritor (2010), Mia Couto, Escritor
(2011), José María Martín Patino, Teólogo (2012), Jerónimo Pizarro, Professor e
Investigador (2013), Antonio Sáez Delgado, Professor e Investigador (2014),
Agustina Bessa-Luís, Escritora (2015), Luis Sepúlveda, Escritor (2016),
Fernando Paulouro das Neves, Escritor e Jornalista (2017), Basilio Lousada
Castro, Escritor (2018), Carlos Reis, professor e investigador (2019), Ángel
Marcos de Dios, professor (2020), Fundação José Saramago (2021), Valentín
Cabero Diéguez, geógrafo e professor (2022), Lídia Jorge, escritora (2023),
Isabel Soler, professora e investigadora (2024) e José Tolentino de Mendonça,
escritor (2025).
José Luis Puerto (La Alberca,
Salamanca, 1953) é escritor, ensaísta, etnógrafo, professor e tradutor de
poesia portuguesa contemporânea.
Homem de Fronteira profundamente
enraizado na Serra de França e na Raia Ibérica, José Luís Puerto é um dos
etnógrafos e investigadores mais reconhecidos das tradições ibéricas, paixão
que combina com a criação literária, o ensino, o jornalismo e a reflexão
ensaística.
A sua trajetória estabelece uma ponte
entre o local e o universal, inspirada no percurso intelectual e cívico de
Eduardo Lourenço e na mensagem de grandes escritores portugueses como Eugénio
de Andrade, Nuno Júdice, Jorge de Sena e Miguel Torga, que traduziu com
profunda sensibilidade e uma linguagem plenamente humana e emocional.
Entendendo a Poesia como um
«território que ilumina e revela o ser humano no mundo» desenvolveu uma poética
singular, acompanhada de um olhar crítico, solidário, de resistência e
dignidade para com os menos afortunados e os esquecidos. A sua obra polifónica
oferece uma leitura da tradição com uma voz totalmente nova, que transcende o
folclore regional e o reposiciona num horizonte de análise cultural, onde
ritos, memórias e tradições são interpretados como respostas humanistas a
interrogações universais sobre o tempo, o território, a paisagem e a
identidade.
Como afirma Asunción Escribano, «Toda
a obra de José Luis Puerto ocupa um lugar de destaque na literatura espanhola
contemporânea, distinguindo-se pela sua profundidade, capacidade evocativa e
estética delicada. Desde a sua estreia em 1982 com o livro de poemas El tiempo
que nos teje, até ao presente, com obras líricas como Ritual de la inocencia
(2023), Cristal de roca (2024) ou La belleza de la huella (2024), Puerto
desenvolveu uma poética original caracterizada por uma exploração constante do
tempo, da memória e da arte».
fonte: CEI
