No Safurdão (Pinhel) foi retomada ontem, 17 de janeiro, uma tradição associada à festividade em honra de Santo Antão, protetor dos animais domésticos, santo que a Igreja venera desde o século IX.

A Comissão de Festas de 2026 empenhou-se em reavivar uma celebração “profundamente enraizada na identidade da aldeia”, como disse, ao CG, Diana Cruz e Sousa. “Esta celebração deixou de ser cumprida nesta data, há cerca de 45 anos, altura em que as festividades passaram a ser realizadas em agosto”.
O dia de ontem, sábado, foi marcado pela celebração eucarística em honra de Santo Antão, seguindo-se a tradicional bênção dos animais, “uma prática ancestral da comunidade”.
Diana Cruz e Sousa acrescentou ao CG que “no adro da Igreja, os habitantes de Safurdão voltaram a trazer os seus animais para serem benzidos, num gesto de agradecimento ao santo, recordando tempos em que a agricultura e a subsistência das famílias dependia diretamente do trabalho animal”.

Esta festividade prosseguiu depois com a arrematação de enchidos, “mantendo viva uma tradição comunitária que atravessa gerações”, culminando com um almoço convívio aberto a toda a população daquela freguesia.
Como nos foi referido, “o momento da partilha reforçou os laços entre os safurdenses e marcou o regresso a costumes que fazem parte da memória coletiva da aldeia”.
Com esta iniciativa, a Comissão de Festas de Santo Antão (ano de 2026, no Safurdão, “deu um passo significativo na preservação do património cultural e religioso local, resgatando práticas que definem a história e a identidade da comunidade”.

Das atividades tradicionais do Safurdão destaca-se a tecelagem artesanal, existindo ainda hoje, como salvaguarda da memória, alguns teares. Na primeira metade do século passado, existiam no concelho de Pinhel, várias tecedeiras que trabalhavam nos teares os fios de linho, tecendo também as conhecidas colchas de lã e as mantas de farrapos.
A cultura do linho teve uma expressão significativa no Safurdão, bem como noutras aldeias do concelho de Pinhel; o linho cultivava-se em terrenos que tinham bastante água e deitava uma flor azul, quando estava maduro.
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