Hoje comemora-se o Dia Mundial do
Rádio, este ano subordinado ao tema “Rádio e Inteligência Artificial”.
Pretende-se, assim, fomentar o debate
sobre como a tecnologia baseada em Inteligência Artificial está a modificar a
produção, a distribuição e o consumo dos conteúdos radiofónicos; num diálogo
que não afaste a ética, a acessibilidade a este meio, onde haja criatividade e
a confiança por parte dos ouvintes.
Para a UNESCO, a inteligência
artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio ao rádio, capaz de
automatizar tarefas rotineiras — como programação, locução assistida,
atualizações meteorológicas; auxiliando e agilizando processos administrativos,
de modo a permitir que os profissionais se concentrem nas tarefas primordiais.
A Inteligência Artificial apresenta
novos caminhos para mais eficiência e múltiplas vantagens ao nível da melhoria
da programação e interação com os ouvintes.
Para além da automação das emissões
radiofónicas a Inteligência Artificial apresenta-se como forte apoio para
produção de notícias, definição da sequência musical e de um conteúdo
programático convidativo e diferenciado.
Através de algoritmos e modelos
automatizados a IA tem a capacidade de proceder à análise de uma enorme
quantidade de informação, identificando padrões e desencadeando,
consequentemente, procedimentos adequados.
O acompanhamento constante das
atualizações e publicações nas redes sociais pode ser efetuado de uma forma
rápida, detetando tendências e assinalando notícias e temáticas que podem
interessar aos ouvintes, despertando assim a sua atenção.
Daí que a escolha do tema “Rádio e
Inteligência Artificial” para este Dia Mundial seja oportuna e mais do que
justificada.
Adelino Gomes dizia-nos,
recentemente, que, “temos de captar o bom que tem e que é extraordinário,
rápido, chega lá mais rápido do que nós e nós podemos avançar muito mais no
conhecimento, mas não podemos deixar que ela domine sem sentido crítico, não
tem sentido crítico nenhum.”
Recorde-se que a data de 13 de
fevereiro foi designada em 2011 pelos estados-membros da UNESCO como Dia
Internacional do Rádio. No ano seguinte esta escolha seria validada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas.
A opção por esta data fica a dever-se
ao facto de ter sido neste dia que, em 1946, o Rádio das Nações Unidas emitiu,
pela primeira vez, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.
Por esse ano ocorriam, na Guarda, as
primeiras experiências de radiodifusão sonora, as quais estiveram na origem do
Rádio Altitude. Evocar esta data é, também, exercer o dever de memória para com
o pioneirismo da Guarda no campo da radiodifusão sonora.
O tempo presente continua a ser do
rádio! De um rádio cada vez mais interventivo que saiba construir o futuro. É
também tempo de darmos uma nova e objetiva atenção às estações de radiodifusão
existentes no interior de Portugal.
É tempo de um apoio real às estações
que, apesar das múltiplas dificuldades continuam “no ar” e que, infelizmente,
apenas são lembradas no formalismo de datas comemorativas. Apoiar estas
emissoras é um imperativo moral e ato de justiça, pelo seu papel de serviço
público que desenvolvem em prol das populações, valorizando o seu protagonismo.
“A rádio tem realmente uma
dimensão extraordinária. É portátil, é leve, é gratuita e é fascinante”, nas
palavras de João Paulo Diniz.
“Por natureza – escrevia Jaime
Marques de Almeida – a Rádio é discreta. É elegante na forma como se
aproxima de nós. Raramente nos agride. A Rádio nunca está a mais.”
Embora neste Dia Mundial evidencie que
a Inteligência Artificial pode ser um precioso auxílio dos profissionais da
rádio, não podemos esquecer a essência deste meio de comunicação.
A humanização do Rádio é fundamental
e as pessoas não podem ser afastadas do seu processo evolutivo. O Rádio, pela
sua empatia, pela sua matriz tão distinta, continua a ter futuro, apesar dos
múltiplos condicionalismos e desafios. Festejemos o Dia Mundial do Rádio!
Helder Sequeira

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