
Sequóia. Parque da Saúde, Guarda.
Notícias da Guarda e região | Reportagem | Crónicas | Entrevistas | Apontamentos | Registos | Criado em 2008
Inspetores do Departamento de
Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária detiveram, na quarta-feira,
em flagrante delito, um homem com 64 anos que, reiteradamente, acedia e detinha
conteúdos pornográficos com menores de idade, em suporte informático.
Na sua posse foram encontrados,
em dois telemóveis, cerca de 36 mil fotografias com pornografia com crianças
menores de 14 anos.
A investigação da PJ teve início
com uma comunicação do Nacional Center for Missing & Exploited Children –
NCMEC, que detetou a utilização destes conteúdos por importação através do
motor de busca da Google.
De referir que o suspeito foi já
alvo de duas condenações em Tribunal, pela prática dos mesmos crimes,
encontrando-se com a pena aplicada de cinco anos de prisão, suspensa.
O inquérito é titulado pelo DIAP
da Guarda, onde o detido foi presente a primeiro interrogatório judicial e
viu-lhe ser aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

A Ponte de Sequeiros, localizada na área da União das freguesias de Seixo do Côa e Valongo do Côa (Sabugal) terá sido construída no século XIII e constituiu um marco de fronteira entre Castela e Leão e o reino português, antes da passagem das terras de Riba Côa para o domínio de Portugal, após o Tratado de Alcanices.
Trata-se de uma ponte medieval, de arco fortificada, “com tabuleiro rampante sobre arcos de volta perfeita, dois talhamares, pavimento lajeado, com continuidade em calçada, guardas em cantaria, e com torre de planta quadrada a Este rasgada por porta de vão em arco de volta perfeita. O tabuleiro assenta em três arcos de volta perfeita, sendo o central mais largo e alto, ladeados por talhamares e talhantes, estes últimos com zona superior sem função estrutural. Construída na área do mais importante centro do poder régio da zona sul do Côa, onde o rio fazia a fronteira entre três vilas leonesas e duas portuguesas, a ponte de Sequeiros, já com a sua estrutura incompleta, funcionava como marcação de portagem e, possivelmente, dispositivo militar.”
A ponte de Sequeiros, juntamente com a ponte de Ucanha constitui uma das pontes fortificadas existentes atualmente em Portugal.

No Café-Concerto do Teatro Municipal
foi apresentado ontem o projeto “Interior Sonoro” idealizado e dirigido por
Luís Fidalgo Sequeira e promovido pelo Município da Guarda através do TMG, com
apoio do programa Centro2030 – Inclusão pela Cultura.
Este projeto, que cruza a arte e a
inclusão, reúne utentes da CERCIG e da Associação de Estudantes dos Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) em sessões semanais de música,
teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e mindfulness.
O “Interior Sonoro” tem como guião o
eixo “sombra, sonho e trauma”. Na sessão da apresentação do projeto, a
vereadora da Câmara Municipal da Guarda, Cláudia Guedes, destacou a importância
da iniciativa por contribuir para uma cidade mais inclusiva, mais humana e mais
coesa, considerando ser mais do que um projeto artístico. “É a prova de que a
arte e a cultura podem fazer a diferença”, destacou.
Por seu turno, Paula Machado, da
administração da CERCIG, afirmou que esta experiência tem sido para os utentes
da instituição “uma terapia pela arte ou mesmo arte com terapia”. Rafaela
Lourenço, da Associação PALOP, disse que, “no início, houve muitas incertezas,
mas agora há muita gente a cantar, a dançar e a compor, e esta descoberta de
talentos devemos muito aos nossos formadores”.
Guiado pelo eixo “Sombra, Sonho e
Trauma”, o projeto, com direção artística do guardense Luís Fidalgo Sequeira
conta com a colaboração, como formadores, do rapper Maze (André Neves, dos
Dealema, escrita terapêutica criativa), Joana Cavaleiro (encenação), Miguel
Silva (fotografia/imagem), Hugo Quelhas (escrita criativa) e Vanessa Rei
(psicóloga).
O resultado do processo culminará no
espetáculo de apresentação, no Teatro Municipal da Guarda (TMG) no próximo dia
4 de julho de 2026, englobando ainda a criação de um livro com conteúdo do
processo e um álbum de temas originais.
“O ‘Interior Sonoro’ é um projeto de
cariz intercultural e para reforçar o sentido de comunidade através da criação
de uma obra musical multidisciplinar”, explicou Luís Fidalgo Sequeira (com o nome
artístico B.Riddim); lembrou ainda que este trabalho vem na sequência de outro
projeto da sua autoria realizado na Guarda e intitulado ‘Beat na Montanha’,
o qual começou em 2023. A inclusão social aliada ao estímulo criativo na área
da música e da escrita foi a ideia chave do projeto concebido por ele, dirigido
a crianças e jovens entre os 6 e os 16 anos. Nessa primeira edição, o projeto
implementou uma fusão sonora de vários instrumentos clássicos com eletrónica,
gerando texturas que possam ser usadas para uma ligação com textos em prosa e
verso; não esquecerá, também, a exploração de capacidades vocais. O primeiro
“Beat na Montanha” foi, nesse ano, desenvolvido com o envolvimento de crianças
e jovens do Centro Escolar de Gonçalo e Aldeia S.O.S. da Guarda.
No ano seguinte (2024), no âmbito da
segunda edição do Beat na Montanha, a música e a escrita serviram também de
estímulo à criatividade de 20 mulheres e homens reclusos num projeto de
inclusão que os levou ao palco do Teatro Municipal da Guarda; a segunda edição
do Beat na Montanha foi “um projeto de inclusão social, com incidência na
cultura cigana” que permitiu “levar as pessoas da etnia cigana ao TMG”, como
nos recordou Luís Fidalgo Sequeira, para quem esse trabalho representou “uma
capacidade de mudança, não só de mentalidades, mas também do paradigma sobre as
pessoas que estão privadas de liberdade".
Na terceira edição do Beat na
Montanha (projeto idealizado por B.Riddim/Luís Fidalgo Sequeira) os
protagonistas foram os alunos do Agrupamento de Escolas da Sé, Guarda. “Durante
vários meses, crianças e jovens mergulharam num processo criativo intenso, sob
orientação artística de Luís Sequeira, Maze e Miguel Silva”. Criação, ritmo e
imagem no topo da montanha foi a proposta para espetáculo final
multidisciplinar (música e imagem) apresentado no TMG. Nessa terceira edição, a
ideia foi “abrir um leque de opções, não só na parte educacional, a nível
pedagógico e educativo, mas também como obra final em si, será uma obra de
maiores dimensões, porque inclui teatro, coisa que não acontecia no projeto
anterior”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.
“Foi uma forma de prescrição social,
onde a criatividade se torna uma ferramenta de bem-estar. A arte tem um impacto
direto na nossa saúde mental”. Comentava, então, a psicóloga Vanessa Rei a
propósito do Beat na Montanha 3.0. “A música, o movimento, a palavra criativa, ativam
partes do cérebro ligados à emoção, à empatia e à nossa autorregulação, porque
nem todos nós conseguimos expressar através das palavras; a imagem acaba por se
tonar uma ponte entre o nosso mundo interno e externo”.
Em o “Interior Sonoro”, e como foi já
dito, o eixo ‘Sombra, Sonho e Trauma’ é o guião deste projeto de Luís Fidalgo
Sequeira, também autor da dramaturgia, da música e realizador de um
documentário sobre o projeto.
Os cerca de 50 participantes – 34 da
CERCIG [Cooperativa para Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da
Guarda] e 16 da Associação PALOP, integrada por estudantes e trabalhadores de
países africanos de língua oficial portuguesa radicados na Guarda – estão a
frequentar sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia,
expressão corporal e “mindfulness”.
“Cada pessoa, cada participante, tem
uma história completamente diferente. E é uma magia descobrir isso ao longo do
processo criativo”, disse Luís Fidalgo Sequeira.
O espetáculo do dia 4 de julho será
um musical com “muito rap, muito hip-hop, aos quais vamos acrescentar uma carga
teatral para falar de emoções, vamos trazer também alguma ironia e crítica
social para chamar a atenção do público para as comunidades imigrantes e para
as pessoas que têm algumas incapacidades motoras e cognitivas.”
Em simultâneo está a ser realizada um
documentário com três episódios, sobre o andamento do projeto.
A psicóloga Vanessa Rei está a fazer
um estudo “qualitativo e quantitativo” sobre o impacto do ‘Interior Sonoro’ nos
participantes. “O objetivo é ver a sua evolução ao longo do tempo e também nos
servirá como métricas para que, no futuro, as possamos apresentar e tê-las
também como objeto de estudo para outros projetos que possam eventualmente
surgir”.
De referir que no dia da estreia do
espetáculo, a 4 de julho no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda,
será ainda apresentado um livro com o conteúdo do processo criativo e um álbum
de temas originais do ‘Interior Sonoro’.
A localidade de Pousade, no concelho
da Guarda, tem uma profunda tradição ao nível do teatro religioso.
Este género de teatro, com raízes
profundas naquela localidade, foi alimentado ao longo de décadas pela
imaginação e improvisação de algumas pessoas daquela localidade, que concebiam
peças para serem apresentadas em datas marcantes do calendário cristão, como
sejam o Natal e a Páscoa.
Muitas delas eram transmitidas
oralmente e corriam o risco de se perderem; daí que, há anos atrás, se tenha
pensado, e bem, em verter para o papel os conteúdos dessas produções,
facilitando-se igualmente o respetivo conhecimento e a possibilidade de as tornar
objeto de estudo e investigação.
“A Paixão”, “Acto de Adão e Eva”, “O
Nascimento de Jesus Cristo”, “A Morte de Antípatro”, “A Vingança de Enoe” e
“Mártires da Germânia” são elucidativos exemplos dessas representações
populares, onde “um enorme capital de esforço, de trabalho e dedicação”, como
nos foi afirmado.
Daí que tenha sido importante o
trabalho, mormente de João Marques e outros seus conterrâneos, de “sensibilizar
a população para que fosse retomada uma tradição que se perde no tempo” – há,
naquela aldeia, manuscritos de 1898 com peças de cariz religioso e popular –
objetivo conseguido, como a progressiva adesão do público a estas
representações.
O teatro popular foi uma das
temáticas que entusiasmou José Miguel Carreira Amarelo que, como não poderia
deixar de ser, olhou com particular atenção para as tradições de Pousade,
editando dois volumes sobre o Teatro Popular. “O teatro popular é um continuum
que nunca foi abolido pelo teatro erudito de qualquer movimento literário”.
José Carreira Amarelo procurou, como
escreveu na apresentação do primeiro dos livros, “salvar do naufrágio do
esquecimento e da perda uma pequena parcela da nossa cultura popular e
regional”, destacando, por outro lado, “a perenidade e prevalência do teatro de
cariz popular a par de um outro de carácter institucional”.
Nesse seu trabalho, Carreira Amarelo
anotou que “de norte a sul do país, em Trás-os-Montes como nas Beiras, no
continente e nas ilhas subsistem, ainda hoje, representações populares
dramáticas, de carácter didático e formativo, de índole religiosa e profana,
ora com objetivos apenas recreativos, ora com fins satíricos e moralizadores”.
Nesta quadra da Quaresma em que são
promovidas diversificadas encenações ou representações sobre a temática e
tradições religiosas associadas, é oportuno não olvidar as especificidades
locais e regionais, realçando-as as suas raízes ancestrais e a matriz cultural;
assim como é justo evocar a investigação e a recolha atrás mencionadas que
devem suscitar novos estudos e abordagens, conducentes a publicações que se
afirmem com uma mais-valia em prol da salvaguarda da nossa cultura regional.
Hélder Sequeira