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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Discos Pedidos na Rádio


“Discos Pedidos” é o título da curta metragem, realizada por Luís Sequeira, que fala de um dos mais carismáticos programas da Rádio Altitude, nas décadas que antecederam a revolução de 25 de Abril de 1974.

O realizador referiu que “Discos Pedidos dá-nos a conhecer a realidade tão querida dos programas com esse formato, na Rádio Altitude (…). Este filme, mostra o lado de lá dos discos pedidos com um fiel retrato de uma espécie de jukebox do povo."

Discos Pedidos na Rádio Altitude

No filme/ documentário é também evocado o contexto político e social, bem como referidas algumas das músicas que eram alvo da censura e a formas como eram contornados os obstáculos para a sua difusão, por parte dos locutores/animadores de emissão.

A curta-metragem (que contou com a participação de antigos colaboradores e profissionais da Rádio Altitude, como é o caso de Emílio Aragonez) tem exteriores gravados no Parque da Saúde da Guarda, onde funcionou o antigo Sanatório Sousa Martins, e filmagens nas instalações da estação emissora guardense. Pode ser vista aqui.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Funcionários da CMG ajudam na Marinha Grande

 

Uma equipa de funcionários da Câmara Municipal da Guarda está desde ontem na Marinha Grande, para ajudar na reconstrução das zonas afetadas pela depressão Kristin.


Imagem de uma das intervenções. Foto CMG.

Os funcionários da autarquia guardense estão a realizar trabalhos de remoção de destroços e de reparação de edifícios, estruturas e equipamentos; efetuaram já intervenções em vários edifícios públicos e particulares, como o Jardim de Infância do Pilado e o Lar da Santa Casa da Misericórdia, tendo contado, neste caso, com o apoio dos fuzileiros.

De referir que a equipa do Município da Guarda é composta por 10 elementos, entre eletricistas, serralheiros, canalizadores, técnicos e operacionais. A sua deslocação tem por objetivo ajudar a resolver as necessidades mais urgentes e intervir logisticamente no apoio às populações.


PJ da Guarda deteve presumível abusador de crianças


A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, deteve ontem um homem de 18 anos, presumível autor de crimes de abuso sexual de crianças e de um crime de pornografia de menores. Foi vítima uma menor de 13 anos, que conheceu nas redes sociais.

Após contacto em ambiente digital, onde trocaram imagens íntimas, conheceram-se pessoalmente vindo a combinar encontros durante os quais vieram a ocorrer os atos sexuais de relevo.

Os abusos foram praticados entre janeiro e o mês em curso, no interior de casas abandonadas, tanto na cidade de Alenquer como da Guarda, onde o suspeito foi encontrado na companhia da vítima.



O inquérito teve origem numa pronta e eficaz comunicação do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento da GNR da Guarda, quando procediam a diligências no âmbito de uma comunicação de desaparecimento da menor em causa.

Salienta-se a colaboração do referido Núcleo que permitiu uma célere e bem-sucedida intervenção da PJ, levando à detenção do suspeito.

 O detido foi presente no dia de hoje a primeiro interrogatório judicial tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão domiciliária. 

O inquérito é titulado pelo Ministério Público da Guarda.


Relembrar José Augusto de Castro

 

Na toponímia da Guarda não faltam referências a personalidades que, mercê da sua ação, deixaram um marca profunda na cidade associando o seu nome a conjunturas e épocas.

Evocar essas pessoas não é exercitar o saudosismo ou olharmos embevecidos o passado; representa, antes de mais, um compromisso com a memória e afirmação de uma consciência crítica sobre o papel que desempenharam e do legado (cultural, científico, político, moral, etc.) transmitido. 

A cidade não pode alienar a sua história, a sua memória e identidade construída ao longo de séculos nem olvidar os exemplos de figuras que com o seu esforço, clarividência, saber, combatividade e cultura deram um inequívoco contributo para o desenvolvimento ou projeção da Guarda.

Pela proximidade temporal de uma efeméride, relembramos José Augusto de Castro, um combativo republicano.



Natural do concelho da Meda, concretamente da freguesia da Prova, José Augusto de Castro nasceu a 22 de Janeiro de 1862. Durante a meninice, num ambiente marcadamente rural, aprendeu com o seu progenitor o ofício de alfaiate, profissão que lhe granjeou o sustento, a par do apoio à família, quando – com apenas 14 anos – foi para o Porto. Nessa cidade, fruto dos contactos que manteve, e do ambiente político que se vivia, foi crescendo a sua simpatia e interesse pela causa republicana.

Em 1886 José Augusto de Castro voltou para junto da família, que residia, então, na aldeia do Vale (Meda) mas ali ficou por pouco tempo, tendo decido partir para o Brasil, onde estava estabelecido o seu irmão mais velho.

Os seus primeiros trabalhos jornalísticos são escritos na Baía, cidade onde singrou no ramo comercial. Ainda em terras brasileiras “tomou parte activa na questão da escravatura”; nesse país estava em Novembro de 1889, aquando da proclamação da República Federativa.

Atingido pela tuberculose veio para a Guarda. “A crueldade do Destino não impediu que me envolvesse a bondade de amigos de nobilíssimo coração, a começar pelo Dr. Lopo de Carvalho, o ilustre médico, especialista da tuberculose, que tomou a peito arrancar-me da garra dilaceradora doença temerosa”. Grato ficou também ao Dr. Amândio Paul, o segundo diretor do Sanatório Sousa Martins.

Este foi um período que o marcou profundamente, dele tendo ficado numerosas referências na sua produção literária. Na Guarda fundou, em 1904, “O Combate”, jornal que consubstancia a sua personalidade, espírito combativo e no qual foram publicados textos de grande valor. A sua intervenção e análise política não se limitou à realidade local e regional. Assim não é de estranhar que a implantação da República tenha sido assinalada, em O Combate, com grande e justificado entusiasmo, com o desejo de erguer “a Pátria das trevas onde há muito agonizava, acordando-a do pesadelo que a oprimia”.

Tendo desempenhado as funções de Secretário da Câmara Municipal da Guarda (a par de outras atividades nesta cidade), José Augusto de Castro dirigiu o referido jornal até Novembro de 1931. Posteriormente foi viver para Coimbra, onde faleceu a 13 de Maio de 1942. Os seus restos mortais foram transladados em Setembro do ano seguinte para a Guarda, a cidade que ele sempre distinguiu.

Para além do seu exemplo ímpar de republicano íntegro, de “idealista rebelde”, jornalista combativo e de autor de admiráveis textos publicados na imprensa, deixou obras como Terra SagradaÁrvore em FlorOs RebeldesO BispoO Inimigo e Labaredas.


Hélder Sequeira 


 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Câmara da Guarda envia apoio para a Marinha Grande

 

A Câmara Municipal da Guarda vai enviar hoje para a Marinha Grande uma equipa de apoio com viaturas operacionais, ferramentas e materiais (como lonas), para ajudar as populações afetadas pela depressão Kristin.

Segundo a autarquia guardense, esta ação está a ser desenvolvida em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, a Câmara Municipal da Marinha Grande, a Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande e a Estrutura de Missão para as Zonas Afetadas pela Depressão Kristin, “garantindo uma resposta coordenada no terreno”.


A equipa é composta por 10 elementos (eletricistas, serralheiros, canalizadores, técnicos e operacionais), que vão proceder ao levantamento das necessidades mais urgentes e intervir logisticamente no apoio às populações. Após este levantamento, o Município da Guarda irá solicitar a colaboração para a cedência de materiais a encaminhar para a Marinha Grande.


O dia da Rádio...

 


Estúdio de Rádio_foto Helder Sequeira .jpg


A data de 13 de fevereiro foi designada em 2011 pelos estados-membros da UNESCO como Dia Internacional do Rádio. No ano seguinte esta escolha seria validada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A opção por esta data fica a dever-se ao facto de ter sido neste dia, em 1946, que a Rádio das Nações Unidas emitiu, pela primeira vez, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Por esse ano ocorriam, na Guarda, as primeiras experiências de radiodifusão sonora, as quais estiveram na origem da Rádio Altitude. Evocar esta data é, também, exercer o dever de memória para com o pioneirismo da Guarda no campo da radiodifusão sonora.

Um pioneirismo materializado num projeto definido, oficialmente, em 1948 com as emissões regulares desta emissora.

O tempo presente continua a ser da rádio! De uma rádio cada vez mais interventivo que saiba construir o futuro. Deverá ser também o tempo de darmos uma nova e objetiva atenção às estações de radiodifusão existentes no interior de Portugal.

Onde muitas rádios foram perdendo o dinamismo inicial, esbatendo a identidade, afastando-se do quadro legislativo que definiu os seus objetivos, assumindo – em tantos casos – uma passiva retransmissão de outros canais.

É também o tempo de serem apoiadas as estações que, apesar das múltiplas dificuldades continuam “no ar” e que, infelizmente, apenas são lembradas no formalismo de datas comemorativas.

Apoiar estas emissoras é um imperativo moral e ato de justiça, pelo seu papel de serviço público que desenvolvem em prol das populações.

A rádio continua a ser indissociável das nossas vidas.

 

Helder Sequeira


Adriano Vasco Rodrigues

 

Natural da Guarda, onde nasceu a 4 de maio de 1928, Adriano Vasco Rodrigues foi um homem de cultura que desenvolveu a sua atividade nas áreas da história, arqueologia, etnografia e igualmente no ensino; teve ainda uma destacada intervenção na política e na administração pública.


“A Catedral da Guarda na História e na Poesia” (1953), “Prospecções Arqueológicas na Região de Longroiva” (1954), “Subsídios Arqueológicos para a História de Celorico da Beira “(1956), “Monografia artística da cidade da Guarda” (1957), “”Retrospetiva Histórica dos Concelhos de Meda, Longroiva e Marialva (1976), “Celorico da Beira e Linhares: monografia histórica e artística” (1979), “Terras da Meda: Natureza e Cultura” (1983), “Guarda - Pré-História, História e Arte (Monografia)” (2001), e “Salvador de Nascimento: Uma Vida - Um Ideal” (2005) são algumas das suas obras.

Adriano Vasco Rodrigues_fot Hélder Sequeira

Adriano Vasco Rodrigues, que dirigiu a Revista Altitude (editada pela Assembleia Distrital da Guarda), iniciou a sua atividade na docência no ano de 1951, após ter concluído o Curso da Escola do Magistério Primário do Porto, lecionando como professor do ensino primário (designação à época). Cinco anos depois licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas na Universidade de Coimbra, onde completou também o curso de Ciências Pedagógicas.

Adriano Vasco Rodrigues especializou-se depois em História da Arte Medieval na Universidade de Santiago de Compostela, onde fez o Curso de Língua e Cultura Espanhola. Lecionou no ensino secundário, inicialmente como professor eventual, profissionalizando-se em 1960. Entre 1958 e 1962, deu aulas no ensino superior, no curso de Arqueologia Peninsular no Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Porto.

Em Angola desempenhou, entre 1965 e 1969, as funções de Inspetor Provincial Adjunto da Educação, tendo dinamizado a formação de professores e organizado a secção de Arqueologia do Museu de Angola; em parceria com sua esposa Maria da Assunção Carqueja Rodrigues, produziu a primeira Carta da Pré-História de Angola.

Entre 1969 a 1974, foi reitor e organizador do Liceu-Piloto Garcia de Orta. Nos anos seguintes assumiu funções em cargos de destaque na administração pública e política, tendo sido deputado independente da Assembleia da República pelo CDS-PP (1976-1982), Governador Civil da Guarda (1982-1983) e Diretor-Geral do Ensino Particular e Cooperativo (1983-1986).

Em 1988, assumiu, por concurso internacional, o cargo de Diretor da Schola Europaea, na Bélgica, organismo da União Europeia, onde esteve em 1996.

Na Universidade Portucalense, a partir de 1997, desenvolveu pesquisas e cursos livres nas áreas de Arte Africana, Numismática, História das Religiões e Antiguidades.

Foi distinguido, em 1994, pela Câmara Municipal do Porto que lhe atribuiu a Medalha de Ouro; em 1996 o Presidente da República, Jorge Sampaio, atribuiu-lhe a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2009, no decorrer da jornada de homenagem que lhe foi prestada na Guarda foi-lhe entregue a medalha de mérito pelo Instituto Politécnico e a Medalha de Ouro da Cidade, pela Câmara Municipal.

Faleceu, no Porto, a 22 de Janeiro de 2025.