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domingo, 8 de março de 2026
A Actualidade: um jornal da República...
O distrito da Guarda foi pioneiro da imprensa, aqui tendo surgido, também, alguns dos mais expressivos jornais de cariz religioso e político. Com postura diferenciada, os periódicos desta região tiveram um importante papel na promoção das ideias políticas – mormente do ideário republicano – constituindo a sua leitura um (re)encontro com a realidade de tempos e lugares.
A história da imprensa distrital merece um aprofundado estudo, que dê sequência a alguns valiosos e meritórios trabalhos já existentes. Estaremos, com essa atitude, a honrar os esforços, o entusiasmo, o saber e o contributo de quantos editaram e mantiveram jornais locais e regionais, colocando-os ao serviço da democracia e da liberdade.
Nos jornais de matriz republicana, publicados antes e depois da data que marcou um novo ciclo na história política portuguesa, encontramos textos de grande lucidez e reflexões apaixonadas, a par de uma preciosa informação sobre o pulsar da vida local, sobre o papel interventivo de muitas personalidades, sobre as estratégias dos grupos que detinham ou pretendiam o poder, sobre as divergências pessoais ou de grupos.
Da leitura e do estudo, crítico, destes jornais poderemos evoluir para um conhecimento mais completo de um período em que o mapa político e institucional do distrito da Guarda era palco de grande agitação e outrossim de mudanças. “Uma grande responsabilidade pesa sobre os homens do governo de hoje. O país inteiro tem neles os olhos fitos. Se corresponderem a essa esperança fascinante de felicidade para Portugal, o regime realizar-se-á. Fomos condicionais monárquicos, isto é, colaborámos no velho regímen olhando sobre tudo para as venturas da Pátria. Hoje podemos ser republicanos, esperançados em que a República levante o país do estado a que o levaram os homens públicos do velho regime”. Assim se posicionava o “Districto da Guarda”, órgão do Centro Progressista.
Protagonizaram a intervenção republicana, cruzando argumentos e palavras na imprensa regional, as mais diversificadas figuras, oriundas de distintos meios sociais, culturais ou profissionais. Eram atores de uma interessante polivalência, como se pode deduzir através destes jornais.
Até nomes tradicionalmente associados a áreas muito específicas foram agentes ativos na defesa da República. É o caso de Augusto Gil – conhecido pela maioria dos nossos leitores como poeta – que fundou e dirigiu o jornal A Actualidade, entre 1910 e 1912.
Embora este periódico tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário. Augusto Gil escreveu, nesse semanário, textos de inegável qualidade e reveladores da sua posição política, a par da manifestação das divergências frontalmente assumidas, relativamente aos comportamentos e desvios de personalidades de relevo local e nacional; uma das suas lutas foi dirigida contra o caciquismo, objeto de vários e longos artigos.
“Além de um malefício nacional, o caciquismo é também uma feiíssima palavra. Se como democrata me provoca antipatia, como esteta tenho-lhe ódio. Não é pois para admirar que eu oiça de alegre aspecto o cerrado tiroteio que o alveja de toda a imprensa republicana e o clamor de vozearia que de jornal em jornal se vai repercutindo, como de monte em monte se reflecte, por estes ásperos contrafortes da Estrela, a berráta dos campónios no cerco ao lobo daninho. O pior é que a estrondeante assuada apenas conseguirá espavorir um pouco a fera e que as balas de papel mal hão-de chamuscar-lhe a pelagem…Se o caciquismo, pela devoradora gana, é comparável ao lobo, certo é também que pela rijeza do coiro é tal qual um hipopótamo. Os projécteis da República não têm, infelizmente, nem a penetração, nem a força dilaceradora suficiente para lhe darem a morte”.
Atento aos rumos que a política portuguesa estava a seguir, Augusto Gil teceu frequentes críticas aos seus correligionários, expressando o sentimento que as populações iam ampliando cada vez mais; outro dos atrativos de A Actualidade era uma secção denominada a “Lanterna Mágica”, onde foram inseridas caricaturas de algumas conhecidas personalidades da Guarda.
Decorrido 116 anos após a implantação da República, reencontrar Augusto Gil nas lides jornalísticas e políticas não deixa de ser uma agradável surpresa, em especial pela atualidade de muitos dos seus escritos...
Helder Sequeira
sexta-feira, 6 de março de 2026
PJ da Guarda deteve presumível violador
O Departamento de Investigação
Criminal (DIC) da Guarda, da Polícia Judiciária, em estreita articulação com o
DIAP desta cidade, deteve hoje, em Lisboa, um homem, de 25 anos, portador de
doença sexualmente transmissível, pela presumível autoria de um crime de violação
agravado, praticado contra uma adolescente, de 17 anos, na cidade de Seia.
A investigação iniciou-se a 3 de
novembro do ano passado, depois de a vítima apresentar queixa na GNR de Seia,
dois meses depois da ocorrência dos factos.
Vítima e agressor conheceram-se
nas redes sociais “Jaumo” e “Tinder”, tempos antes da prática do crime, sendo
que, ao fim de algum tempo de conversas, a jovem convidou o suspeito a
deslocar-se à sua casa.
Contudo, quando o conduziu ao seu
quarto, onde este iria pernoitar (com autorização dos pais), foi despida e
sujeita à prática do crime contra a sua vontade.
O detido foi presente a primeiro
interrogatório judicial e viu-lhe aplicadas as medidas de coação de
apresentações semanais e proibição de contatos com vigilância eletrónica.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Prémio Literário Júlio Pinheiro
As candidaturas para a terceira
edição do Prémio Literário Júlio Pinheiro vão decorrer entre 15 de março de
2026 e 15 de abril de 2026.
A Fundação Família Luzia Esteves
Pinheiro, em parceria com a Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo do
Município de Almeida, pretende com esta iniciativa prestar homenagem à memória,
ao legado cultural e ao contributo intelectual do Padre José Júlio Esteves
Pinheiro, falecido em 11 de julho de 2020.
Natural de Malhada Sorda (Almeida),
onde nasceu a 6 de agosto de 1935, Júlio Pinheiro foi ordenado sacerdote em 20
de agosto de 1958, por D. Domingos da Silva Gonçalves, foi coadjutor da
Paróquia da Conceição na Covilhã e em 1959 coadjutor e capelão do Hospital do
Sabugal; lecionou no Externato Secundário do Sabugal. José Júlio Pinheiro
esteve também ligado aos migrantes na Polónia e em França, onde foi assistente
nacional dos emigrantes e diretor da Revista “Evangelho e Vida”.
Licenciado em Psicologia, no
Instituto Superior de Psicologia Aplicada, fez posteriormente a licenciatura em
Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em França
obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doctorat d’Etat. Integrou o
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e desenvolveu ampla atividade na
área do ensino.
A partir de 1991 foi professor da
Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, tendo sido também docente da
Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto do Instituto Politécnico da
Guarda.
Colaborou com vários jornais e
revistas, nomeadamente com o jornal quinzenário “Notícias da Guarda”, o
semanário “A Guarda” e a Revista “Praça Velha”, além de outras publicações de
perfil cultural ou académico.
A terceira edição do prémio literário
com o seu nome é subordinada ao tema “Caminhos”, convidando os autores a
refletirem sobre percursos, escolhas, travessias e encontros que moldam
identidades e constroem histórias. O prémio promove a criação literária
contemporânea em língua portuguesa e em língua francesa, valorizando também a
diáspora da aldeia natal do homenageado, Malhada Sorda.
“Mais do que uma distinção, este
prémio representa um compromisso com a preservação da memória e dos valores que
marcaram o percurso do Padre José Júlio Esteves Pinheiro. Afirma-se como um
espaço de estímulo à criatividade, à reflexão e à expressão artística,
incentivando escritores a contribuir para o enriquecimento do panorama
literário e cultural.” É referido numa nota informativa divulgada a propósito
deste prémio.
Ao longo das suas edições, o Prémio
Literário Padre José Júlio Esteves Pinheiro tem consolidado o seu papel como
referência no incentivo à produção literária, reunindo participantes de
diversos pontos do mundo onde a língua portuguesa permanece viva.
“A continuidade desta iniciativa
reforça o compromisso da organização com a promoção da cultura, da leitura e da
valorização da literatura como património vivo e em constante construção.”
Os interessados podem obter mais informações
aqui.
quarta-feira, 4 de março de 2026
Sapadores florestais detidos por violação
A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal da Guarda, no âmbito de inquérito titulado pelo DIAP da Guarda, deteve, ontem, em Seia, quatro sapadores florestais do Município de Seia, com idades entre os 40 os 51 anos, fortemente indiciados pela prática dos crimes de violação, coação, coação sexual agravada e perseguição.
Os crimes ocorreram em contexto laboral, em locais ermos onde desenvolviam a sua atividade, sendo vítima um homem de 61 anos, assistente operacional, com funções de vigilância florestal, integrado na mesma equipa.
Desde setembro de 2018, a vítima foi sujeita a atos sexuais violentos, ações vexatórias e ofensas sexuais, quase diariamente.
A investigação iniciou-se a partir de uma denúncia efetuada pela própria vítima, à GNR de Seia, sendo motivada pelo seu estado de saúde periclitante, resultante das ações que sofreu ao longo dos anos.
Os detidos irão ser presentes, hoje, a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.
terça-feira, 3 de março de 2026
Candidaturas ao Prémio Eduardo Lourenço
O Centro de Estudos Ibéricos (CEI)
tem abertas até ao próximo dia 27 de março as candidaturas para a vigésima segunda
edição do Prémio Eduardo Lourenço.
Esta galardão destina-se a premiar personalidades
ou instituições com intervenção relevante no âmbito da Cultura, Cidadania e
Cooperação Ibéricas.
Instituído em 2004 para homenagear o
mentor do CEI, o Prémio, no montante de sete mil e quinhentos euros, será
atribuído por um júri constituído pelos membros da Direção do CEI, por oito
elementos representantes das Comissões Executiva e Científica e quatro
personalidades convidadas pelas Universidades de Coimbra e Salamanca.
Qualquer instituição ou pessoa pode enviar propostas de candidatura para o Centro de Estudos Ibéricos. O regulamento está disponível aqui.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Toponímia guardense...
A Rua Francisco de Passos é uma das mais conhecidas artérias da zona histórica da cidade.
O seu nome evoca o Governador Civil da Guarda que desempenhou funções entre 11 de Junho de 1926 e 25 de Agosto do ano seguinte
Embora o nome do primeiro governador do período do Estado Novo lhe tenha sido atribuído, por decisão do executivo municipal da Guarda, é por Rua Direita que muitos a continuam a identificar, privilegiando assim a tradição.

Aqui está uma atitude que reforça, no quotidiano, a importância de uma informação, complementar nas placas toponímicas citadinas (em especial, como é óbvio, nas zonas mais antigas), referenciando a atual e as anteriores designações.
Pinharanda Gomes alertou, numa das suas obras (e igualmente em vários textos) para o facto de que “a conservação dos toponímicos incólumes constitui um ato de prudência e de sapiência porque, ao mudar-se o nome de um lugar, atribuindo-lhe outro nome, porventura aleatório, é como se o nome antigo fosse arquivado e lançado ao esquecimento, pelo que a mudança de nomes censura a memória e perturba os roteiros orientativos”, considerando assim a “restituição da toponímia” um ato “de honestidade cultural, de devolução do património à comunidade”.
Se percorrermos o roteiro citadino, encontramos os mais variados exemplos de mudanças que romperam com a memória do passado.
A Rua Francisco de Passos – Rua Direita – constituiu a principal ligação da urbe medieval, unindo a cidadela do Torreão (também conhecida por Torre Velha da fortaleza, edificada provavelmente no século XII) à Alcáçova existente junto às portas da Covilhã (na zona em frente da Escola de Santa Clara).
Atualmente, a sua extensão está substancialmente reduzida pois este arruamento compreende o troço entre o entroncamento da Rua do Comércio, Praça Luís de Camões, Rua Augusto Gil e o Torreão; estabelece ligação, nomeadamente, com as ruas de D. Dinis, São Vicente, Largo de São Vicente, Rui de Pina e D. Sancho I.
É, sem dúvida, uma rua com história onde encontramos habitações centenárias e o edifício que funcionou (séculos XV e XVI) como Paço Episcopal; ali pode ser apreciada uma janela renascentista, “obra executada pelos artistas que estiveram a decorar a estilização da Sé Catedral, nomeadamente a Capela dos Pinas, no interior deste templo”.
Uma rua que abre outras artérias aos transeuntes, remetendo-os para a (re)descoberta da zona histórica da mais alta cidade portuguesa, unindo passado e presente.
Helder Sequeira





