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terça-feira, 24 de março de 2026

Dia mundial da Tuberculose

 

O Dia Mundial da Tuberculose é hoje assinalado sob o lema “Sim! Podemos acabar com a tuberculose”.

A tuberculose é uma doença curável, porém os esforços atuais para encontrar, tratar e curar todos os que ficam doentes não são suficientes, de acordo com a informação das estruturas e entidades ligadas ao tratamento da tuberculose.

O Dia Mundial da Tuberculose comemora a data, em 1882, em que Robert Koch anunciou a descoberta do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo que causa a TB.

Recorde-se que o Sanatório Sousa Martins, inaugurado na Guarda em 18 de maio de 1907, foi uma das principais unidades de saúde de Portugal no combate contra a tuberculose.



No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Tuberculose, a Direção-Geral da Saúde promove o webinar “Tuberculose em Portugal: Dados, Desafios e Caminhos para a Eliminação”, a 25 de março de 2026, dirigido a profissionais de saúde.

O webinar incluirá a apresentação dos dados mais recentes de vigilância epidemiológica da tuberculose em Portugal, referentes a 2025, bem como uma mesa-redonda dedicada aos principais desafios associados ao controlo da doença no contexto nacional.

Contará também com um painel de debate, com o objetivo promover uma reflexão sobre a evolução do país no controlo da tuberculose, destacando boas práticas implementadas, avanços no diagnóstico e na terapêutica, bem como os desafios que persistem para alcançar as metas definidas pela Organização Mundial da Saúde, no quadro da estratégia global de controlo da tuberculose.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 1/4 da população mundial esteja infetada e destes 5 a 10% têm risco de desenvolver a doença ao longo da vida, sendo este risco maior nos doentes imunodeprimidos.

A tuberculose representa a principal causa de mortalidade a nível mundial por patologia infeciosa. De acordo com o relatório mais recente da Direção Geral da Saúde (DGS) de vigilância e monitorização da tuberculose, no ano de 2023 foram notificados em Portugal 1584 novos casos de tuberculose. A taxa de incidência em Portugal é <20/100000 habitantes.

Em março de 2024 o Programa Nacional Para a Tuberculose (PNT) e a direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) publicaram referências para a reorganização dos antigos Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP) com criação da Consulta Respiratória na Comunidade (CRC).

A CRC é uma unidade especializada no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doentes com tuberculose doença, tuberculose latente e infeção por micobactérias não tuberculosas.

No átrio da consulta externa do Hospital Sousa Martins, na Guarda, vai estar uma banca informativa que poderá ser visitada por todos os interessados.



segunda-feira, 23 de março de 2026

Sousa Martins é relembrado na Guarda

 



A décima “Conversa Aberta” sobre Médicos Ilustres na Guarda terá lugar na próxima quinta-feira, 26 de março, e será dedicada a José Tomás de Sousa Martins. Trata-se de uma iniciativa da Secção Sub-Regional da Ordem dos Médicos, em parceria com o Museu da Guarda.

“Sousa Martins: um médico na Guarda da memória” é o tema que vai ser apresentado por Hélder Sequeira no Auditório do Museu da Guarda, a partir das 18 horas.

“Os esforços que Sousa Martins desenvolveu, fortalecidos pelas suas esclarecidas convicções, em muito contribuíram para a construção do Sanatório que viria a ter o seu nome, perenemente ligado à mais alta cidade de Portugal.” É referido a propósito desta iniciativa

“Para a Guarda – lembra Hélder Sequeira – vieram milhares de doentes que procuravam aqui a cura da tuberculose. Nesta cidade que não esquece o homem, o médico e o cientista, permanece a devoção popular e a afirmação, a muitas vozes, da sua influência espiritual.”

Esta conversa é aberta a todos os interessados.



sábado, 21 de março de 2026

João Baldi: um músico na toponímia guardense...


Considerado como um dos melhores músicos do seu tempo João Baldi tem o seu nome consagrado na toponímia da Guarda, cidade onde viveu alguns anos.

João Baldi nasceu em Lisboa no ano de 1770, filho de Carlo Baldi tenor italiano ao serviço da Patriarcal de Lisboa.

No Seminário Patriarcal recebeu, a partir dos onze anos, uma destacada parcela da sua instrução que muito beneficiou dos ensinamentos musicais de mestres como João de Sousa Carvalho, Jerónimo Francisco de Lima, Braz Francisco de Lima e Camilo Cabral.

Desde cedo manifestou as suas excecionais aptidões, assumindo-se rapidamente como cantor, organista e pianista distinto.

Como compositor ter-se-á estreado antes dos 19 anos.

No ano de 1789 veio para a Guarda, passando a desempenhar, na Catedral as funções de mestre de capela; num período de grande brilho musical da Sé guardense, com D. Jerónimo Rogado do Carvalhal a dirigir os destinos da diocese.

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Após cinco anos na Guarda, João Baldi rumou para a Sé de Faro e seis anos depois regressou a Lisboa, onde foi ocupar o lugar de segundo mestre da Real Capela da Bemposta.

Nessa altura exercia aí as funções de primeiro mestre o contrapontista e organista Luciano Xavier dos Santos; na sequência da morte deste, em 1806, João Baldi passou a ocupar o lugar principal.

Eminente compositor e organista, João José Baldi morreu a 18 de maio de 1816, com apenas 46 anos.

Por ocasião das comemorações do 804º aniversário da Guarda decorreu nesta cidade um concerto que proporcionou a estreia moderna da “Missa para Coro, Solistas e Orquestra”; uma obra que, recorde-se, foi recuperada pelo padre José Pinto Geada

Esta partitura tem para a Sé Catedral da Guarda, e como sustentou José Pinto Geada, uma «dupla importância: primeiro, por representar um dos grandes Mestres que por ela passaram; segundo, sendo o único espécime que resta do antigo arquivo incendiado nas invasões francesas, torna-se, ele mesmo, o símbolo de um espólio valioso, onde outros compositores estariam, de certo, representados”.

João Baldi deixou uma vasta obra, quer ao nível da música religiosa, quer na área da música profana. De lembrar que foi no seu tempo que ocorreram as invasões francesas, tendo sido também mobilizado, como oficial.

Nesses anos compõe vários hinos militares e dois “Te Deum”, assinalando também o final das invasões napoleónicas com o drama lírico “Ulisseia libertada”. João Baldi está, justamente, referenciado na toponímia guardense, mas também a merecer uma das novas placas que, permitindo uma melhor identificação da rua, viabilizará através do código QR associado um melhor conhecimento deste compositor.

 

Helder Sequeira

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Polícia Judiciária da Guarda deteve suspeito de abuso sexual de crianças

 

A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal da Guarda, deteve em flagrante delito, no dia de ontem, um homem com 22 anos, suspeito da prática dos crimes de pornografia de menores e abuso sexual de crianças.

De forma reiterada, o homem acedia e partilhava conteúdos pornográficos em suporte informático, com menores de idade.

Na sua posse encontrou-se cerca de 2700 vídeos e 800 fotografias de bebés, crianças e menores de idade, alvo de tais práticas.


No decurso das diligências operacionais, foram-lhe apreendidos três computadores e diversos dispositivos de armazenamento, guardando os referidos conteúdos.

O inquérito é titulado pelo DIAP de Castelo Branco, onde o detido foi presente, no dia de hoje, a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por necessárias.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Nos caminhos das "Alminhas"...

 

A Associação de Jogos Tradicionais da Guarda (AJTG) vai promover, no próximo sábado, 21 de março, mais um percurso pedestre temático, cultural e turístico inserido no programa da Semana Santa “Guarda – Cultura e Fé”.


Sob a designação o “Culto Privado das Almas” o percurso vai iniciar-se (pelas 9 horas) em Valdeiras e incidirá sobre o território de São Miguel do Jarmelo, no concelho da Guarda; será um percurso com um grau de dificuldade fácil, ao longo de nove quilómetros, devidamente guiado, com acompanhamento e informação. Recordamos os nossos leitores que a AJTG já em 2024 tinha promovido idêntica iniciativa nas aldeias de Trinta, Corujeira, Fernão Joanes e Meios (concelho da Guarda).

Como foi referido a propósito desse percurso, pretendeu-se levar os participantes à descoberta do património cultural material e imaterial, mas também do património natural daquela área do concelho da Guarda.

A AJTG promoveu também no passado ano (a 23 de março de 2025) um “Percurso das Alminhas” que, com início na Menoita, passou por várias localidades da freguesia de Pera do Moço: Menoita, Rapoula, Pera do Moço e Verdugal; com incidência no património local e na identificação de alminhas.

Singelos monumentos expressivos da religiosidade popular, as “Alminhas” constituem um património ímpar que não tem merecido a devida atenção e a necessária salvaguarda; deste modo, iniciativas como esta promovida pela Associação de Jogos Tradicionais da Guarda são de aplaudir, incentivar e apoiar.

Nesta região do interior existem inúmeros testemunhos do culto das almas, sob diversificadas manifestações de arte e nos mais distintos lugares, embora os caminhos e as encruzilhadas tenham constituído locais privilegiados para a sua implantação.

A representação do Purgatório num oratório, retábulo ou painel, com chamas envolvendo as almas que suplicam aos santos e apelam ao auxílio das preces de quem passa, materializou-se, inicialmente em pinturas, a partir do século XVI; conheceu uma maior difusão no século seguinte, no território português, com maior incidência a norte do Mondego (a sul essa manifestação artística ficou, muitas vezes, no interior das igrejas e nas capelas das Irmandades).

Embora alguns investigadores desta temática argumentem que as “Alminhas” se tenham inspirado e sejam uma herança das “civilizações clássicas de Roma e Grécia que nas suas deambulações já haviam erguido monumentos junto às estradas para devoção aos seus deuses”, sabemos que a origem das alminhas surge na Idade Média.

A partir do Concílio de Trento,1563, a ideia do Purgatório (anteriormente, e em especial nos primeiros séculos do cristianismo existia apenas o Céu e o Inferno) é imposta como dogma, atitude que é interpretada como uma resposta da Igreja Católica à reforma implementada pelos protestantes. Assim, o Purgatório surgia como um local (entre o Céu, para os bons, e o Inferno, para os maus) onde as almas passavam por um estado, forçado, de purificação. Estas manifestações de religiosidade popular e de arte eram, simultaneamente, um alerta permanente para a fragilidade da vida, perante a certeza da morte.

As “Alminhas” eram erguidas, normalmente, por iniciativa individual como homenagem, em memória de familiares ou no cumprimento de promessas. Esta devoção popular atravessou os tempos e embora a meio do século passado tenha sido evidente um rejuvenescimento através da introdução da azulejaria (e alterado o culto inicial para manifestação de fé em santos da predileção pessoal), muitos destes pequenos monumentos, mercê do tempo e da desertificação das regiões, caíram no esquecimento e em progressiva degradação.

 

“Ó vós que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando”…

 

Este apelo, inscrito em inúmeras “Alminhas”, bem pode ser, na atualidade, dirigido a todos nós que temos olvidado um peculiar património (não são conhecidos muitos mais exemplos – com exceção para alguns casos, raros – na Europa), disperso por caminhos, muros, pontes, campos, estradas…

O projeto da AJTG, centrado no “Culto Privado das Almas, é – como já tínhamos salientado em anteriores Anotações – um eminente contributo para a salvaguarda, estudo e divulgação deste património, o qual pode ancorar uma diversidade de roteiros, mas também suscitar investigações contextualizadas em épocas ou tipologias dessas expressões de religiosidade, permitindo a sua descrição/história através de códigos disponibilizados pelas novas tecnologias; exigindo igualmente a adequada sinalética e iluminação (mesmo nos locais mais ermos isso já é viável, através de focos/luminárias com energia solar).

No distrito da Guarda (como noutras regiões, obviamente) é urgente, fundamental, a completa referenciação (ou continuidade desse trabalho, já feito pela AJTG), a defesa, o estudo (por equipas interdisciplinares) e a divulgação das Alminhas, sob o risco de perdermos mais um importante traço identitário do nosso património e cultura.

No próximo sábado poderá redescobrir “alminhas” no percurso que a AJTG lhe propõe nos caminhos de um território rico de história, religiosidade e tradição.

 

Hélder Sequeira


 

terça-feira, 17 de março de 2026

Um chafariz histórico


Associado durante largos anos às tradições académicas da Guarda, o Chafariz da Dorna é uma das poucas construções do género existentes nesta cidade.

A escassos metros de um troço de calçada romana – da via que ligava Braga a Mérida – este chafariz, de estilo barroco, data de finais do século XVIII e foi uma importante estrutura do fornecimento público de água à malha urbana da Guarda.


Ladeado, atualmente, pela Avenida Francisco Sá Carneiro merece estar devidamente inserido no roteiro das referências citadinas.

Nas primeiras décadas do século passado, o Chafariz da Dorna foi o local de batismo dos caloiros guardenses, no contexto de uma tradição académica que tinha o seu ponto alto no primeiro dia de dezembro; nos dias de hoje também os estudantes (provavelmente por desconhecimento) estão alheados desta faceta, que podia ser facilmente revitalizada e aproveitada para projeção desse sítio, reatando os elos com o passado.

Aliás, o próprio espaço circundante pode e deve ser fruído permanente por parte dos guardenses, ou ser aproveitado para diversas atividades culturais, constituindo-se como cenário alternativo.

Há, nesta cidade muitos recantos e encantos por descobrir, valorizar e dinamizar. A criatividade, as propostas inovadoras, as estratégias consentâneas com o tempo presente, o trabalho determinado e a competência devem ser a resposta constante de uma cidade com história.

Há que sentir a cidade, sem deixar espaços, tradições e vivências em zonas de penumbra ou esquecimento, ou cair no pessimismo derrotista e maledicente de alguns…

 

Hélder Sequeira


segunda-feira, 16 de março de 2026

Uma marca incontornável


A história da radiodifusão sonora em Portugal tem a Guarda como capítulo destacado pois foi nesta cidade que nasceu e evoluiu a Rádio Altitude, uma inegável marca informativa. 

Rádio Altitude - Microfone antigo - HS.jpg

Desde 1976 que estou ligado à Rádio, muito particularmente a esta emissora. O Altitude foi uma verdadeira escola de rádio e jornalismo, um espaço de aprendizagem prática, de criatividade, de superação constante dos desafios diários. Tudo isto num contexto de excelente e salutar ambiente de trabalho, numa enriquecedora envolvência de diálogo entre as várias gerações presentes na rádio; uma emissora que fez nascer e consolidar amizades, laços afetivos e afirmou gratas memórias.

A polivalência de funções, por que todos passavam, traduziu-se numa maior capacidade de responder às solicitações do dia a dia da rádio, dos ouvintes, da região. De décadas de ligação à RA resultaram os mais diversificados momentos e episódios, reportagens ou entrevistas marcantes, o contacto com tanta gente que a rádio aproximou; ficaram muitas horas em antena ou nos bastidores da estação emissora, um trabalho nem sempre lembrado. Há vozes e rostos que estão indissociavelmente ligados a esta Rádio.

Antunes Ferreira é um desses rostos, hoje evocado nestas breves notas; esteve no Sanatório Sousa Martins, como internado, tendo (dentro do espírito da terapia ocupacional praticada naquela unidade) sido convidado para trabalhar na emissora guardense.

Em entrevista que nos concedeu em agosto de 2000, Antunes Ferreira recordava a abertura de um concurso, aquando da passagem do décimo aniversário da RA, para a escolha de alguns elementos destinados a trabalhos de apresentação de programas. "Fiquei classificado em quarto lugar", dizia-nos Antunes Ferreira que, juntamente com mais quatro companheiros, passou a desenvolver a sua atividade na, então, modesta estação de rádio.

Na altura, o suporte humano da Rádio Altitude "era o amadorismo puro. Éramos todos amadores e nas horas disponíveis é que íamos para lá. Nós, os doentes, íamos após a fase do período das curas, que eram de repouso total. Alguns iam trabalhar na locução, outros nos arquivos de discos, outros nos registos." A partir de então desenvolveu "uma colaboração assídua, durante vários anos. Juntamente com outras pessoas, de fora, assim se mantinha o Altitude". Cerca de 1960, o então Diretor do Sanatório Sousa Martins – Dr. Martins de Queirós - que para Antunes Ferreira "era a alma e o coração do Altitude", entendeu e perspetivou a importância daquela rádio como meio de comunicação social.

"Nessa altura começou a haver uma colaboração mais regular de outros elementos. Estava para sair do Sanatório, uma vez que estava curado, e o Dr. Martins de Queirós convidou-me para ficar, como profissional, isto à volta de 1965". Foi também a partir desse ano que começou a haver alguns profissionais. "A minha função não era propriamente de animador de emissão, até porque eu gostava mais da técnica. Dediquei-me mais à técnica". Um trabalho que Antunes Ferreira privilegiou ao longo dos 35 anos que trabalhou na Rádio Altitude.

"O ambiente era muito diferente do atual. Todos nós trabalhávamos mais sobre o joelho, mas poderei dizer que aquilo era uma escola de rádio. Houve muita gente que ali aprendeu e dali saíram para outros emissores; recordo que houve elementos que foram para os emissores associados de Lisboa, outros para o Porto. A Rádio Altitude nos seus primeiros vinte e cinco, trinta anos, funcionou como uma escola de Rádio". Lembrava, com alguma nostalgia, Antunes Ferreira. Havia "muito amadorismo e sobretudo muita vontade e amor àquela casa", uma fórmula que, na sua opinião, foi importante para se consolidar a projeção da Rádio Altitude. "Aqui na região o que mais se ouvia era a RA, não só pelo interesse das notícias, mas também pela música popular que passava, do gosto do nosso povo".

Como nos referiu nessa entrevista, que fomos resgatar ao arquivo, todos os programas deixaram boas recordações a Antunes Ferreira, mas "aqueles espaços que mais vivia, como técnico, eram as transmissões diretas. Eram feitas transmissões diretas desportivas, religiosas, quer de acontecimentos políticos".

A veracidade das notícias, para o povo, dizia-nos Antunes Ferreira, "era confirmada pela RA. Se o Altitude dava qualquer notícia era porque isso tinha mesmo acontecido". Daí que, fez questão em sublinhar, toda a população da Guarda sentia o Altitude como uma coisa deles. Toda a gente achava que tinha um bocadinho na própria Rádio Altitude. Aquela casa era de todos". As despesas eram suportadas pela publicidade, pelos discos pedidos, pelos anúncios de bailes e festas. “Vivia-se com o que se tinha e nada mais”.

Aquando dessa, entrevista, iniciado que fora um novo ciclo na vida da rádio, Antunes Ferreira, questionado sobre o que pensava do futuro da emissora disse: "Houve sempre uma coisa que sempre pedi: era que fosse o Altitude a ver-me desaparecer a mim [faleceu em novembro de 2008] e eu não ver desaparecer o Rádio Altitude. É isso que continuo a pedir."

E certamente que será essa continuidade da Rádio, assumida como voz da região, plural, interventiva, moderna, criativa, próxima das realidades que os guardenses desejam; sem esquecerem o seu historial de emissora solidária, associada a tantos nomes, um dos quais aqui evocado. Antunes Ferreira foi, durante largos anos um dos principais rostos da estação, trabalhador incansável, amigo, intransigente defensor dos verdadeiros interesses da sua estação emissora, cuja solidez económica soube sempre salvaguardar, mesmo nos períodos mais difíceis.

A Rádio continua a ter futuro; este passa pela perceção dos novos desafios, pela qualidade de conteúdos, pela presença em várias plataformas, pela reinvenção quotidiana, pela diferenciação programática com uma matriz da região que não anula, de forma alguma, uma presença global.

 

Hélder Sequeira