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A minha Lista de blogues
quinta-feira, 2 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Ciganitos: segundo single do primeiro álbum do projeto "Beat na Montanha"
“Ciganitos” é o segundo single do
primeiro álbum do projeto Beat na Montanha, editado pelo Teatro Municipal da Guarda
(TMG) em formatos vinil e digital. Interpretado por mulheres de etnia cigana, o
tema dá voz a experiências frequentemente inviabilizadas, refletindo de forma
honesta a relação com a comunidade, a família e os contextos sociais que marcam
as suas vidas.
O videoclip propõe uma representação
digna, humana e sensível destas mulheres, valorizando a sua identidade, cultura
e resiliência e tornando visível uma realidade raramente escutada: a voz
feminina cigana em contexto de reclusão.
Filmado numa pequena sala no
Estabelecimento Prisional do Mondego, com a participação de três das dez
reclusas envolvidas na segunda temporada do Beat na Montanha, o vídeo
transforma esse espaço num cenário simbólico, onde a simplicidade visual centra
toda a atenção nas intérpretes e na força da narrativa que transportam.
Pode ouvir aqui.
domingo, 29 de março de 2026
sábado, 28 de março de 2026
Judiciária deteve dois homens por sequestro e extorsão
O Departamento
de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária (PJ) desencadeou,
ontem, várias ações de vigilância que permitiram identificar dois dos supostos
autores da prática de um crime de sequestro seguido de roubo e extorsão, sobre
uma mulher residente na cidade da Covilhã.
Todo ocorreu
porque a vítima forneceu quatro contas bancárias aos suspeitos, a fim de
dissiparem o dinheiro proveniente da prática de crimes de tráfico de
estupefacientes e burlas informáticas, ou seja, para “branquearem” esses
montantes.
Em dado momento
a vítima, em conivência com os suspeitos, apoderou-se de uma enorme quantia de
dinheiro que não devolveu, tendo sido alvo de sequestro e posterior roubo de
equipamentos eletrónicos que tinha em casa.
Em estreita
articulação com o DIAP de Castelo Branco, a PJ deu cumprimento a um mandado de
detenção e procedeu a uma segunda detenção em flagrante delito.
De igual modo
efetuou uma busca domiciliária onde foi recolhido um relevante acervo de prova.
Os detidos irão ser presente no Tribunal do Fundão a fim de serem submetidos a
primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Escola de Agroecologia em Aldeias de Montanha
A localidade de Lapa dos Dinheiros,
em Seia, vai acolher entre 27 e 29 de março a primeira Escola de Agroecologia
de Montanha, uma atividade dedicada a valorizar e aprender mais sobre o
castanheiro.
Este projeto, promovido pela Rede de
Aldeias de Montanha, afirma-se pelo seu carácter inovador ao juntar o
conhecimento técnico, através da parceria com a Escola Superior Agrária de
Viseu (ESAV) e o saber das comunidades locais. “Esta união serve de base a um
modelo de turismo comunitário e regenerativo. Neste modelo, o turista não é um
mero espectador, pois é envolvido ativamente na preservação da paisagem.” É
referido em nota informativa a propósito desta iniciativa.
Na Escola de Agroecologia de Montanha
o objetivo é regenerar os soutos como ativos que asseguram a regulação do ciclo
hídrico, conservação do solo, fixação do dióxido de carbono, promoção da
biodiversidade e, simultaneamente, geram valor económico direto para as
populações e para o setor do turismo.
Através de experiências de turismo
comunitário, o visitante assume um papel de "cuidador" da paisagem.
Um exemplo prático será o workshop de enxertia no Souto da Lapa dos Dinheiros.
Este processo envolve as pessoas da aldeia e partilha de saber.
“Esta edição dedicada às
"Culturas do Castanheiro" marca o arranque de um ciclo mais
ambicioso. Estão já previstas outras edições da Escola de Agroecologia com
temáticas distintas, unidas pela mesma estratégia de valorização da paisagem,
do conhecimento técnico e do turismo comunitário.”
A Escola irá percorrer outras Aldeias
de Montanha dos concelhos que integram a rede, nomeadamente Fornos de Algodres,
Gouveia, Manteigas, Celorico da Beira, Guarda, Covilhã, Fundão e Oliveira do
Hospital, adaptando-se às especificidades e recursos de cada aldeia.
Os destaques do programa na Lapa dos
Dinheiros incluem momentos de transferência de conhecimento com o ICNF, a ESAV
e o Centro de Interpretação da Serra da Estrela, momentos de imersão
gastronómica como a "Mesa Partilhada".
Com a Escola de Agroecologia de
Montanha, propõe-se um novo paradigma onde o turista aprende, mas também
contribui ativamente para regenerar paisagens, criando uma ligação com o
território. As inscrições e o programa detalhado podem ser consultados aqui.
quinta-feira, 26 de março de 2026
Conversa Aberta sobre Sousa Martins
A décima “Conversa Aberta” sobre Médicos Ilustres na Guarda tem hoje lugar e será dedicada a José Tomás de Sousa Martins. Trata-se de uma iniciativa da Secção Sub-Regional da Ordem dos Médicos, em parceria com o Museu da Guarda.
“Sousa Martins: um médico na Guarda da memória” é o tema que vai ser apresentado por Hélder Sequeira no Auditório do Museu da Guarda, a partir das 18 horas.
“Os esforços que Sousa Martins desenvolveu, fortalecidos pelas suas esclarecidas convicções, em muito contribuíram para a construção do Sanatório que viria a ter o seu nome, perenemente ligado à mais alta cidade de Portugal.” É referido a propósito desta iniciativa
“Para a Guarda – lembra Hélder Sequeira – vieram milhares de doentes que procuravam aqui a cura da tuberculose. Nesta cidade que não esquece o homem, o médico e o cientista, permanece a devoção popular e a afirmação, a muitas vozes, da sua influência espiritual.”
Esta conversa é aberta a todos os interessados.
D. Sancho I: a simbologia de uma estátua...
Completam-se hoje 815 anos após a morte de D. Sancho I, monarca que está indelevelmente ligado à história da cidade da Guarda.
A 6 de dezembro de 1185 D. Sancho I subiu ao trono de Portugal, sendo aclamado rei, três dias depois, na cidade de Coimbra. Uma efeméride que, nestas anotações de hoje, pretendemos sublinhar, dada a ligação histórica deste monarca à cidade da Guarda.
Recordamos que em 27 de novembro de 1199 D. Sancho I outorgou à Guarda carta de foral, documento através do qual os seus habitantes recebiam diversos privilégios, sendo igualmente concedidos incentivos ao povoamento desta zona fronteiriça, aliás dentro da estratégia defendida pelo rei português.
O seu nome, como é do domínio público, está consagrado na toponímia guardense, numa artéria que, localizada em pleno centro histórico da cidade, liga a Rua Direita ao Largo do Passo do Biu.
D. Sancho I, segundo rei de Portugal e cognominado como O Povoador, era filho de D. Afonso Henriques e D. Mafalda de Sabóia; nascido em Coimbra, em 11 de novembro de 1154, o herdeiro da coroa ficou bem cedo ligado à vida político-militar do reino português, com uma associação efetiva à governação, a partir de 1172.
Dois anos depois, o futuro rei casou com D. Dulce de Aragão (filha da Rainha de Aragão e do Conde de Barcelona), continuando a assumir responsabilidades decorrentes do seu estatuto real; em 1178 é D. Sancho que comanda uma expedição em território sob domínio muçulmano, incursão que chegou aos arredores de Sevilha.
Após a morte do pai D. Sancho ficou à frente dos destinos do reino português; a reorganização do território português e a defesa das localidades junto às, ainda, indefinidas e instáveis fronteiras com os domínios de Leão e dos muçulmanos (a sul), foram duas das suas primeiras prioridades. Estas articularam-se com a imperiosa necessidade de incrementar o povoamento e defesa das zonas conquistadas.
Assim, promoveu a vinda de colonos estrangeiros, doou terras e fortalezas às ordens militares, criou concelhos e mecanismos de administração pública, fomentou o surto económico e agrícola e concedeu forais a cerca de cinco dezenas de localidades, nomeadamente à Guarda, em 27 de novembro de 1199 (documento que segue o modelo do foral de Salamanca).
Antes desta data (1199), a Guarda confinava-se a uma pequena comunidade “guardada por uma pequena atalaia ou torre – uma guarda – que vigiava a circulação de gentes e bens que percorriam a via colimbriana, o principal eixo de penetração no planalto beirão”, como escreveu Helena da Cruz Coelho.
A Guarda assumiu, deste modo, uma posição estratégica de vital importância na defesa da linha fronteiriça da época, protagonizando a centralidade de toda a vasta região envolvente, sobre a qual afirmava a sua influência direta; a sua notoriedade como centro urbano foi reforçada com transferência (entre 1201 ou 1202) da sede do Bispado da Egitânia, cimentando assim o seu estatuto de cidade.
Esta reorganização da jurisdição religiosa apoiou os propósitos régios ao nível do fortalecimento e valorização da zona fronteiriça.
Com a conquista de Silves (que viria a perder algum tempo depois) em 1196, D. Sancho passou a intitular-se Rei de Portugal e dos Algarves. A sua permanência no trono foi atravessada por diversas contendas militares, fomes e pestes, em especial no período entre 1192 e 1210.
As lutas com o vizinho reino de Leão e sobretudo os constantes prélios com os almóadas (dinastia marroquina que dominava as terras da Península Ibérica sob alçada muçulmana) ocuparam muitos anos do reinado deste monarca português, que teve ainda de se debater com alguns sérios problemas levantados pelo clero (vejam-se os conflitos com D. Martinho Rodrigues, Bispo do Porto, e também com D. Pedro Soares, Bispo de Coimbra, com os quais se reconciliou no último ano do reinado).
A célebre cantiga de amigo “Muito me tarda / o meu amigo na Guarda”, foi durante muito tempo associada a D. Sancho I que a teria, segundo alguns autores, dedicado a D. Maria Pais Ribeiro (a célebre Ribeirinha, de quem teve seis filhos); estudos mais recentes afastaram-no da autoria dessa poesia embora seja verdade que não foi alheio às necessidades de incremento cultural, como o comprova o apoio dado a alguns elementos do clero que estudaram além-fronteiras. D. Sancho I faleceu em Coimbra em 26 de março de 1211, tendo sido sepultado no Mosteiro de Santa Cruz.

A história da Guarda está indissociavelmente ligada ao segundo rei de Portugal; na Praça Luís de Camões (igualmente conhecida por Praça Velha) a sua estátua (cuja deslocalização tem suscitado os mais variados comentários e acesa controvérsia) é um dos símbolos citadinos mais visitados.
Se o local escolhido para “acantonar” a estátua do segundo rei português deve merecer uma análise serena e o confronto entre as soluções deva privilegiar uma inserção e contextualização naquele espaço com a merecida dignidade, por outro lado deveriam ser tomadas as medidas adequadas para o seu devido destaque naquela que é a sala de visitas da cidade.
Começando, desde já e sem demoras, pela iluminação noturna da estátua – que não configura grande dificuldade técnicas ou exige orçamentos significativos – de forma que não seja acentuada a ostracização a que tem sido votada; prosseguindo, sem hesitações, com a resolução definitiva do estacionamento desordenado de veículos, em redor da Catedral.
Se pretendemos uma imagem atrativa da nossa cidade, não se pode continuar a descurar pequenos pormenores que não passam desapercebidos aos visitantes e outrossim aos residentes. Até porque, como referiu Mia Couto, uma cidade “não é apenas um espaço físico” mas assume-se como “o centro de um tempo onde fabricam e refabricam as identidades próprias”.
Não esqueçamos, pois, a nossa identidade.
Helder Sequeira


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