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sábado, 25 de abril de 2026

Liberdade, rádio, abril…

 

A liberdade é sempre a liberdade daquele que pensa de uma maneira diferente do que nós pensamos”, dizia o Dr. João Gomes, figura incontornável da luta pela liberdade e democracia. Um nome, um guardense que bem se pode traduzir por grande e exemplar democrata, personalidade de vasta cultura e humanidade, advogado brilhante, orador apreciado; um homem sempre fiel aos valores que constituíram a sua ideologia democrática.

João Gomes, recorde-se, tutelou uma enorme atividade política, bateu-se pela liberdade, por princípios e ideias; esteve sempre na linha da frente dos interesses desta cidade, do distrito, do interior. Mesmo quando exerceu as funções de Governador Civil do Distrito não hesitava em discordar – sempre que a sua consciência e o seu amor pela Guarda assim o exigiam – das diretrizes políticas ou opções estratégicas que, na sua opinião, não serviam ou não eram as melhores para a Beira Serra; terminologia que gostava de usar e à qual dava relevo mediático no programa radiofónico “Reflexões Políticas”, emitido, durante alguns anos, na Rádio Altitude.


Em entrevista publicada no primeiro número do quinzenário “Notícias da Guarda”, que dirigimos, comentava a propósito das suas funções como Governador Civil que “a maior parte das pessoas vêm para estes lugares para se servirem e terem naturalmente de dizer sim ao Governo. Eu sou capaz de dizer não, se o Governo, para além de certos limites, ofender certos princípios que possam ofender não só a minha dignidade, mas também os interesses da gente da minha terra”.

Ao mesmo jornal, em 1984, afirmava: “para mim, a política é, acima de tudo, um ato de honra, de carácter e dignidade. Isso é que não vejo em muita gente. Há muitas pessoas que aproveitam a política para outros fins, prejudicando realmente as verdadeiras posições doutrinárias e ideológicas”. Uma postura que reforçou, por várias vezes, aos microfones da rádio da sua terra, valorizando a importância deste meio, até porque a radiodifusão sonora portuguesa teve, como é público, um contributo de relevo na revolução de abril.

“A rádio terá sempre o seu lugar e o seu papel”. Esta a convicção de João Paulo Diniz, um consagrado nome da rádio e uma voz da liberdade; com breves palavras evidenciou o papel deste meio de comunicação social num importante momento da história portuguesa; na noite de 24 de abril de 1974 colocou no ar – através dos Emissores Associados de Lisboa – a primeira senha do movimento dos capitães, ao anunciar “faltam 5 minutos para as 23 horas”, seguindo-se a apresentação da música de Paulo de Carvalho, “E depois do adeus”.


“A música foi escolhida inicialmente quando fui abordado pelo capitão Costa Martins, da Força Aérea, e pelo Otelo Saraiva de Carvalho, com quem eu tinha estado na Guiné.” Recordou-nos João Paulo Diniz em entrevista que nos concedeu no passado ano; quando o questionámos se as pessoas têm consciência da importância da rádio e do seu contributo para a revolução e subsequente afirmação da democracia, respondeu-nos: “não sei se têm. Há uma coisa que me custa um pouco. É que tenho a sensação de que, hoje em dia, os jovens sabem muito pouco sobre o que foi o 25 de Abril.” Daí acrescentar-nos ser “extremamente importante sensibilizar toda a população, mas em especial os mais jovens, para a importância” dessa data e de “todas as liberdades que nos permitiu. Liberdade sempre, obviamente, com a máxima responsabilidade. Uma e outra não se separam.”

A Rádio é também memória e daí que tenha assumido particular importância a sessão de escuta coletiva, designada “Temos Povo”, que decorreu na Rádio Altitude no passado dia 25 de janeiro, e que aqui lembramos nestas anotações. Uma iniciativa que convidou a ouvir abril, os sons da primeira montagem radiofónica do Dia da Liberdade e que serviu de mote para algumas considerações sobre a realidade e importância da rádio na atualidade e para sublinhar, ainda, que “em 1974, a rádio era, provavelmente, o meio de comunicação social mais importante. O rádio estava no centro das operações dos capitães”, como nos dizia Maria Inácia Rezola. A rádio estará uma vez mais presente na comemoração da passagem dos 52 anos após o 25 de abril de 1974.

Uma data indelevelmente ligada à Liberdade e à Democracia; entre estes marcos estão enquadradas importantes conquistas, valores e direitos que, durante décadas, estiveram submersos na prepotência de um regime totalitário.

Eleições livres, liberdade de expressão, poder local - recentemente revisitado na Guarda – liberdade de imprensa: toda uma terminologia que floresceu numa manhã de abril. Essa data representa um importante facto na História portuguesa contemporânea; a sua dimensão, contudo, não foi apreendida, por muitos, em toda a sua globalidade; noutros casos, as políticas e estratégias seguidas, os oportunismos registados contribuíram para um progressivo esmorecimento dos ideais proclamados, acentuaram um distanciamento de camadas sociais, traídas nas suas convicções e esquecidas nas suas realidades e anseios.


Consequentemente, o significado desta data foi-se afastando do pensamento e da prática quotidiana, pautada por outros padrões, comportamentos e atitudes; um quadro que não é original na história da nação...um facto histórico, complexo por natureza, desdobra-se em várias facetas, onde se entrelaçam aspetos políticos, económicos e sociais, refletindo a sua análise um cunho tanto mais acentuado quanto o seu enquadramento seja feito em termos de conjuntura ou estrutura.

Cinquenta e dois anos após abril de 1974, importa reter os ideais que animaram um movimento depressa convertido à escala nacional e abraçado por um sentir bem português, numa doação a que só a gente lusa se sabe entregar; sem se cristalizarem ideologias, dogmas ou extremismos. É fundamental que se apreenda o verdadeiro significado desta data, de forma a refleti-lo, a projetá-lo no presente, com o pensamento no futuro.

Abril foi o abrir de uma porta para o presente e para um Portugal europeu; interrogar o passado permitirá uma melhor compreensão do presente e permitirá aferir o rumo certo, as estratégias necessárias, as melhores soluções.  Evocarmos a data de 25 de Abril de 1974 é assumirmos individual e coletivamente - sem nos circunscrevermos apenas a um dia marcado no calendário – os deveres que nos inspiram a democracia e a liberdade!...

 

Hélder Sequeira



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Inauguração da sede do Comando Sub-Regional da ANEPC

 

Na Guarda foi hoje inaugurada a nova sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela-

As novas instalações ocupam o edifício da antiga Associação Comercial da Guarda, e anteriormente Escola Comercial e Industrial.

A nova estrutura – um investimento de mais de 800 mil euros feito pelo município da Guarda – reforça a capacidade de resposta, a coordenação operacional e a proximidade às populações.

O ato inaugural contou com a presença do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, e do Presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, e do presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, José Manuel Moura, além de outras entidades.

No decorrer da cerimónia foi homenageado o Comandante António Fonseca, recentemente aposentado, a quem foi atribuída a Medalha de Mérito de Proteção e Socorro, no grau ouro e distintivo azul.

Foto: CMG


Anotações


 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Prémio Eduardo Lourenço para José Luis Puerto

 

O Prémio Eduardo Lourenço foi ontem a atribuído a José Luis Puerto, a quem o júri reconheceu as qualidades em consonância com o espírito deste galardão, no que diz respeito ao conhecimento profundo da língua e da cultura portuguesas. Como foi referido, esse conhecimento está evidentes nas suas traduções de poetas portugueses e na integração de elementos culturais ibéricos na sua poesia, no seu trabalho etnográfico e na sua investigação sobre a tradição oral.


O Júri do Prémio Eduardo Lourenço, reuniu ontem na sede do Centro de Estudos Ibéricos, na Guarda; a 22ª edição deste prémio Eduardo Lourenço destacou-se pela elevada qualidade e diversidade das candidaturas apresentadas.

Destinado a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas, o Prémio Eduardo Lourenço 2026, no montante de 7.500,00€ (sete mil e quinhentos euros), foi atribuído por um júri constituído pelos membros da Direção do CEI: Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa; e Reitores das Universidades de Coimbra e de Salamanca, Amílcar Falcão, representado pelo Vice Reitor Delfim Leão, e Juan Manuel Corchado, representado pela Vice Reitora Matilde Olarte; Antonio Notario e María Isabel Martín Jiménez, da USAL; e pelas seguintes personalidades convidadas: Paulo Estudante e Jorge Castilho convidadas pela Universidade de Coimbra e Milagro Martín Clavijo e Juan Antonio Rodríguez Sánchez, convidadas pela Universidade de Salamanca.

Recorde-se que personalidades de relevo de Portugal e Espanha já foram galardoadas nas anteriores edições: Maria Helena da Rocha Pereira, Professora Catedrática de Cultura Greco-Latina (2004), Agustín Remesal, Jornalista (2006), Maria João Pires, Pianista (2007), Ángel Campos Pámpano, Poeta (2008), Jorge Figueiredo Dias, Professor Catedrático de Direito Penal (2009), César António Molina, Escritor (2010), Mia Couto, Escritor (2011), José María Martín Patino, Teólogo (2012), Jerónimo Pizarro, Professor e Investigador (2013), Antonio Sáez Delgado, Professor e Investigador (2014), Agustina Bessa-Luís, Escritora (2015), Luis Sepúlveda, Escritor (2016), Fernando Paulouro das Neves, Escritor e Jornalista (2017), Basilio Lousada Castro, Escritor (2018), Carlos Reis, professor e investigador (2019), Ángel Marcos de Dios, professor (2020), Fundação José Saramago (2021), Valentín Cabero Diéguez, geógrafo e professor (2022), Lídia Jorge, escritora (2023), Isabel Soler, professora e investigadora (2024) e José Tolentino de Mendonça, escritor (2025).

José Luis Puerto (La Alberca, Salamanca, 1953) é escritor, ensaísta, etnógrafo, professor e tradutor de poesia portuguesa contemporânea.

Homem de Fronteira profundamente enraizado na Serra de França e na Raia Ibérica, José Luís Puerto é um dos etnógrafos e investigadores mais reconhecidos das tradições ibéricas, paixão que combina com a criação literária, o ensino, o jornalismo e a reflexão ensaística.

A sua trajetória estabelece uma ponte entre o local e o universal, inspirada no percurso intelectual e cívico de Eduardo Lourenço e na mensagem de grandes escritores portugueses como Eugénio de Andrade, Nuno Júdice, Jorge de Sena e Miguel Torga, que traduziu com profunda sensibilidade e uma linguagem plenamente humana e emocional.

Entendendo a Poesia como um «território que ilumina e revela o ser humano no mundo» desenvolveu uma poética singular, acompanhada de um olhar crítico, solidário, de resistência e dignidade para com os menos afortunados e os esquecidos. A sua obra polifónica oferece uma leitura da tradição com uma voz totalmente nova, que transcende o folclore regional e o reposiciona num horizonte de análise cultural, onde ritos, memórias e tradições são interpretados como respostas humanistas a interrogações universais sobre o tempo, o território, a paisagem e a identidade.

Como afirma Asunción Escribano, «Toda a obra de José Luis Puerto ocupa um lugar de destaque na literatura espanhola contemporânea, distinguindo-se pela sua profundidade, capacidade evocativa e estética delicada. Desde a sua estreia em 1982 com o livro de poemas El tiempo que nos teje, até ao presente, com obras líricas como Ritual de la inocencia (2023), Cristal de roca (2024) ou La belleza de la huella (2024), Puerto desenvolveu uma poética original caracterizada por uma exploração constante do tempo, da memória e da arte».


fonte: CEI

segunda-feira, 20 de abril de 2026

João Gomes: na Guarda da Democracia e Liberdade


A poucos dias da comemoração de mais um aniversário da revolução de abril, é dever de memória evocarmos uma figura incontornável da luta pela liberdade e democracia.

Falamos do Dr. João Gomes, um nome que bem se pode traduzir por grande e exemplar democrata, homem de vasta cultura e humanidade, advogado brilhante, orador apreciado, socialista distinto; um homem sempre fiel aos valores que constituíram a sua ideologia democrática. “Grande advogado, orador inflamado e eloquente, João Gomes, foi até à sua morte indefetivelmente fiel às suas convicções republicanas de sempre”, escreveu Mário Soares numa publicação editada, em 2009 pela Câmara Municipal da Guarda.

João Gomes tutelou uma enorme atividade política, bateu-se pela liberdade, por princípios e ideias; esteve sempre na linha da frente dos interesses desta cidade, do distrito, do interior.

Mesmo quando exerceu as funções de Governador Civil do Distrito não hesitava em discordar – sempre que a sua consciência e o seu amor pela Guarda assim o exigiam – das diretrizes políticas ou opções estratégicas que, na sua opinião, não serviam ou não eram as melhores para a Beira Serra, terminologia que gostava de usar e à qual dava relevo mediático no programa radiofónico “Reflexões Políticas”, emitido, durante alguns anos, na Rádio Altitude.

Em entrevista publicada no primeiro número do quinzenário “Notícias da Guarda” comentava, a propósito das suas funções como Governador Civil que “a maior parte das pessoas vêm para estes lugares para se servirem e terem naturalmente de dizer sim ao Governo. Eu sou capaz de dizer não, se o Governo, para além de certos limites, ofender certos princípios que possam ofender não só a minha dignidade, mas também os interesses da gente da minha terra”.

Dr. João Gomes - Entrevista ao jornal Notícias d O Dr. João Gomes em entrevista ao jornal Notícias da Guarda, publicada no primeiro número daquele quinzenário

 

João Gomes nasceu a 26 de julho de 1912 na freguesia de Avelãs da Ribeira (concelho da Guarda), onde frequentou a instrução primária. Estudou, depois, no Liceu da Guarda e completou o curso liceal em Viseu, no ano letivo de 1928/29; no ano seguinte foi estudar Direito na Universidade de Coimbra, curso que concluiu em 1934.

A sua atividade profissional iniciou-se na Comarca de Celorico da Beira, como subdelegado do Procurador da República e no final do ano de 1935 vem trabalhar para o Cartório Notarial da Guarda, exercendo a partir do início de 1936 as funções de Conservador do Registo Predial da Guarda. A sua atividade como advogado inicia-se em novembro de 1937; no ano seguinte passou a estar ligado, como redator principal, ao “Distrito da Guarda”, semanário republicano regionalista.

Em 1945, João Gomes aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD); no ano de 1958 apoiou a candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República, presidindo à comissão distrital e dinamizando diversas ações e sessões eleitorais; nesse mesmo ano foi nomeado Delegado, na Guarda, da Ordem dos Advogados.

Nos anos seguintes desenvolveu uma determinada e notável ação política, no contexto da Oposição Democrática e como candidato, nas listas pelo distrito, à Assembleia Nacional.

Em abril de 1974 está na linha da frente do apoio ao Movimento das Forças Armadas, que saúda no decorrer da manifestação realizada a 26 desse mês junto ao Regimento de Infantaria 12, na Guarda; dois dias depois, juntamente com outras figuras políticas vai esperar Mário Soares na fronteira de Vilar Formoso.

Exerceu, no pós-25 de abril, funções docentes no Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, lecionando a disciplina de “Introdução à Política”. A partir de finais de 1975, foi o primeiro presidente da Delegação Distrital da Guarda da Cruz Vermelha Portuguesa.

Em 1977, como presidente da Comissão Executiva da Subcomissão Regional, João Gomes é o responsável pelo programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, realizadas na Guarda. No ano seguinte foi nomeado Diretor Distrital da Segurança Social do Distrito; em julho de 1983 tomou posse do cargo de Governador Civil do Distrito da Guarda, onde esteve até dezembro de 1985.

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 O Dr. João Gomes, Governador Civil da Guarda, nas I Jornadas de Imprensa Regional Organizadas pelo Notícias da Guarda.

 

Esse lugar foi-me oferecido e quero acentuar que foi por uma questão moral que aceitei. Eu posso ser ainda útil ao meu distrito e essa foi uma das razões que me levaram a aceitar o cargo”. Afirmava, em janeiro de 1984 ao Notícias da Guarda. “Para mim, a política é, acima de tudo, um ato de honra, de carácter e dignidade. Isso é que não vejo em muita gente. Há muitas pessoas que aproveitam a política para outros fins, prejudicando realmente as verdadeiras posições doutrinárias e ideológicas”, acrescentava na entrevista que nos deu para esse jornal, deixando vincadas outras preocupações sobre a cidade e o distrito da Guarda, cuja unidade sempre defendeu.

Em novembro de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade, pelo então Presidente da República. Ramalho Eanes considerou-o, num texto publicado em 2009, “um homem bom, que bem quis e soube render os seus talentos”, destacando também ser merecedor do epíteto de “Homem histórico”, “pela sua ação coerente, pela sua ação de uma vida, dedicada aos portugueses.”

Este ilustre guardense foi distinguido em várias ocasiões e lugares, nomeadamente pela Região Militar do Centro (em 1994) com a medalha de brasão de armas e pela Câmara Municipal da Guarda de quem recebeu, em 1988, a Medalha de Prata.

João Gomes faleceu, em Lisboa, a 23 de maio de 2003.

Aquando da comemoração dos 99 anos da implantação da República, a Guarda prestou-lhe uma justificada homenagem e a autarquia fez o lançamento do livro “João José Gomes – Homem do pensamento e da cultura / Homem da palavra e da acção”, que permite um melhor conhecimento do guardense que hoje recordamos; “advogado das liberdades e dos mais necessitados, mas sobretudo o intelectual que, sem desistência de qualquer tipo, sempre procurou estar totalmente atualizado com as grandes questões do nosso tempo”. Anotou Jorge Sampaio.

O seu nome passou está inscrito toponímia da Guarda, da sua cidade, numa rua da zona urbana do Torrão. Como lembrou a sua filha, João Gomes “serviu a Guarda desinteressadamente. Tinha a sua profissão e viveu dela. Nunca se serviu da política. Infelizmente, nem sempre foi compreendido. São, às vezes, ambições desmedidas e invejas mal contidas que provocam determinadas situações”. Escreveu Maria Isabel Gomes no livro atrás referenciado, onde Monteiro Valente (capitão de abril e o rosto da revolução na Guarda) sublinhou que preservar a memória de João Gomes “é fundamental para que as novas gerações compreendam melhor o que foi a ditadura e quanto custou a liberdade. Para que percebam também que o regime democrático em que vivem não foi o resultado de um acaso da história, de uma simples e normal mutação política, mas expressão culminante das aspirações de liberdade dos Portugueses”.

Honrar a memória de João Gomes passa por refletir sobre o seu exemplo, sobre sua vida e atividade política, sobre o seu pensamento, sobre o seu constante empenho no desenvolvimento social e cultural, sobre o seu contributo em prol das verdadeiras causas da cidade e do distrito, sobre o seu amor à Guarda e à liberdade.

A liberdade – dizia João Gomes – é sempre a liberdade daquele que pensa de uma maneira diferente do que nós pensamos”.

 

Helder Sequeira

 

domingo, 19 de abril de 2026

Vinil "Beat da Montanha": lançado o Vol. I


       No Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda foi  apresentado  na passada  sexta-feira, 17 de abril, o “Beat na Montanha Vol. 1” em formato vinil e digital, editado pelo TMG.

Este trabalho nasceu de processos criativos desenvolvidos em contextos educativos, comunitários e prisionais, reunindo rap e cultura bass como ferramentas de expressão coletiva. Com produção de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira) e participação especial de Maze (Dealema), o álbum dá voz a histórias reais onde cada música é um encontro de talento, expressão, transformação e comunicação coletiva.


Beat na Montanha é um projeto de inclusão social através da arte onde música e palavra se encontram para dar a conhecer vozes que por norma não são ouvidas. “Une crianças, jovens e comunidades vulneráveis num encontro de criatividade, expressão e liberdade de movimento. Cada nota, cada verso, cada imagem é um gesto de inclusão, esperança e transformação”, aliado à sensibilidade artística de cada um.


“O Beat na Montanha aposta fortemente na inclusão social, não apenas como ação artística, mas como espaço de integração, comunidade, expressão de identidade, reconhecimento da diversidade e oportunidades iguais de participação criativa”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

Para ele, “a arte surge como ferramenta de transformação onde a música, a escrita, o som ou a imagem são vistos como meio de conectar diferentes pessoas, dar voz a quem normalmente não teria visibilidade, fomentando a autoestima, comunicação e empatia.”


Por outro lado, acrescentou, o Beat na Montanha “incentiva a descoberta de talento e expressão pessoal, oferecendo meios para que os participantes explorem diversas aptidões (ritmo, voz, imagem, vídeo, composição, escrita), e aprendam técnicas artísticas, colaborando e comunicando coletivamente. Insere grupos vulneráveis ou marginalizados (crianças em instituições sociais; reclusos) num contexto de criação artística coletiva e de valorização com a restante comunidade.”

Ao envolver escolas, instituições sociais e prisões, o Beat na Montanha demonstra que a arte, especialmente música e cultura urbana –onde neste projeto se destaca a sonoridade Hip-Hop – pode ser uma ponte entre realidades distintas e gerar laços comunitários, empatia, reconciliação e inclusão social.


Inclui ainda vertentes audiovisuais, design e ferramentas multimédia, ajudando a desenvolver competências técnicas e criativas nos participantes, algo que pode ter impacto educativo, cultural e até profissional no futuro dessas pessoas.

O vinil está já pode ser adquirido.






Guarda: PJ detém suspeitos de tráfico de droga


Inspetores do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária abordaram e detiveram, ontem, dois cidadãos estrangeiros que transportavam consigo cerca de 500 doses individuais de resina de haxixe e 120 doses individuais de cocaína. A detenção surge na sequência de ações de vigilância e prevenção.


Das diligências investigatórias efetuadas, aferiu-se que ambos difundiam na sua comunidade estes produtos estupefacientes e, após esta informação, foram vigiados e abordados, precisamente, quando se encontravam na posse das referidas drogas ilícitas.

Os detidos irão ser presentes ao Tribunal Judicial de Idanha-a-Nova. O titular do inquérito é o Ministério Público de Idanha-a-Nova.