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terça-feira, 14 de abril de 2026

Beat na Montanha Vol. I


No Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda vai ser apresentado na próxima sexta-feira, 17 de abril, o “Beat na Montanha Vol. 1” em formato vinil e digital, editado pelo TMG.



Este trabalho nasce de processos criativos desenvolvidos em contextos educativos, comunitários e prisionais, reunindo rap e cultura bass como ferramentas de expressão coletiva. Com produção de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira) e participação especial de Maze (Dealema), o álbum dá voz a histórias reais onde cada música é um encontro de talento, expressão, transformação e comunicação coletiva.

Beat na Montanha é um projeto de inclusão social através da arte onde música e palavra se encontram para dar a conhecer vozes que por norma não são ouvidas. “Une crianças, jovens e comunidades vulneráveis num encontro de criatividade, expressão e liberdade de movimento. Cada nota, cada verso, cada imagem é um gesto de inclusão, esperança e transformação”, aliado à sensibilidade artística de cada um.

“O Beat na Montanha aposta fortemente na inclusão social, não apenas como ação artística, mas como espaço de integração, comunidade, expressão de identidade, reconhecimento da diversidade e oportunidades iguais de participação criativa”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

Para ele, “a arte surge como ferramenta de transformação onde a música, a escrita, o som ou a imagem são vistos como meio de conectar diferentes pessoas, dar voz a quem normalmente não teria visibilidade, fomentando a autoestima, comunicação e empatia.”

Por outro lado, acrescenta, o Beat na Montanha “incentiva a descoberta de talento e expressão pessoal, oferecendo meios para que os participantes explorem diversas aptidões (ritmo, voz, imagem, vídeo, composição, escrita), e aprendam técnicas artísticas, colaborando e comunicando coletivamente. Insere grupos vulneráveis ou marginalizados (crianças em instituições sociais; reclusos) num contexto de criação artística coletiva e de valorização com a restante comunidade.”

Ao envolver escolas, instituições sociais e prisões, o Beat na Montanha demonstra que a arte, especialmente música e cultura urbana –onde neste projeto se destaca a sonoridade Hip-Hop – pode ser uma ponte entre realidades distintas e gerar laços comunitários, empatia, reconciliação e inclusão social.

Inclui ainda vertentes audiovisuais, design e ferramentas multimédia, ajudando a desenvolver competências técnicas e criativas nos participantes, algo que pode ter impacto educativo, cultural e até profissional no futuro dessas pessoas.

Como se referiu, a apresentação do Beat na Montanha Vol. 1 (LP) terá lugar no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda, no dia 17 de abril, pelas 18 horas, com entrada livre.



Sardinhas doces de Trancoso

 

Sardinhas Doces - Trancoso - HS.jpg

 

As Sardinhas de Trancoso são um doce típico da daquela cidade do distrito da Guarda, cuja designação tem mais a ver com a forma e não com a sua composição.

É um doce conventual, criado pelas Clarissas do Convento de Nossa Senhora do Sepulcro, hoje um apreciado produto tradicional feito à base de ovos, amêndoa ralada, azeite, chocolate, açúcar, sal e canela.

Em 2019, as Sardinhas de Trancoso chegaram à semifinal do concurso “7 Maravilhas Doces de Portugal”, após terem sido eleitas como “maravilha doce” do distrito da Guarda.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Prémio Cinco Estrelas Regiões para Catedral da Guarda

 


Foto: CMG

A Sé Catedral da Guarda conquistou o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria “Monumentos”, no distrito da Guarda.

O Prémio Cinco Estrelas Regiões distingue, de acordo com a opinião dos consumidores portugueses, o melhor que cada região do país tem para oferecer a nível de recursos naturais, gastronomia, arte e cultura, património e outros ícones regionais de referência nacional.

Na edição deste ano, o processo de avaliação contou com a participação de cerca de 500.000 consumidores, tendo sido evidenciados 1.048 marcas e eleitos 100 ícones regionais.

A construção da atual Sé Catedral começou no reinado de D. João I (a partir de 1390), tendo as obras decorrido com lentidão e apenas foram concluídas no reinado de D. João III, em 1517, quando D. Jorge de Melo era Bispo da Guarda.



(Re)Visitar Riba Côa

 

Há dois anos, a décima segunda edição do evento “Muralhas com História”, promovido em Sortelha pela Câmara Municipal do Sabugal, foi dedicado ao reinado de D. Dinis. A autarquia sabugalense sublinhou, então, que o sexto rei de Portugal “é um dos responsáveis pela criação da nossa identidade nacional e pelo alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação. Durante o seu reinado, ele procurou reorganizar a administração interna, elaborando um conjunto de leis baseadas na realidade política, económica e social do país, marcando de forma inequívoca e permanente este território de fronteira.”

O rei D. Dinis (cujo reinado foi o mais longo de todos os monarcas da primeira dinastia, 46 anos) nasceu em Lisboa a 9 de outubro de 1261; era o filho mais velho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela (sua segunda esposa), tendo sido aclamado rei (em Lisboa) no ano de 1279. Em 24 de junho de 1282 casou com Isabel de Aragão (a Rainha Santa Isabel), sendo o casamento celebrado em Trancoso; na cerimónia estiveram presentes o Bispo da Guarda, D. Fr. João Martins, Mestres de Ordens de Cavalaria e destacados elementos da nobreza de Portugal e Aragão.

Castelo do Sabugal -HS_

O monarca, de que falamos, deu particular atenção às fortalezas destas terras raianas, valorizando-as e reforçando as suas funções defensivas. As terras de Riba Côa começaram por estar sob o domínio militar de D. Afonso Henriques e mais tarde foram ocupadas por Fernando II de Leão, constituindo um território onde as oscilações dos limites fronteiriços eram constantes. O Tratado de Alcanices, assinado a 12 de setembro de 1297 naquela localidade espanhola, é considerado “um dos suportes da identidade de Portugal”.

E outro si eu El Rey Dom Fernando, entendendo, e conocendo, que vós aviades direito en aluns lugares dos Castellos, e Villas de Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villa Mayor, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor. e de Monforte, e dos outros Lugares de Riba Coa, que vós Rey Dom Diniz teendes agora en vossa mão, e por que me vós partades do direito, que aviedes en Vallença, e em Ferreira, e en no Sparagal, que agora tem a Ordem d’Alcantara asá maão, e que aviades en Ayamonte, e en outros Lugares dos Reinos de Leon e de Galiza”.

Assim era referido no texto daquele tratado, que estabeleceu a transferência para o domínio português dos castelos do Sabugal, Vilar Maior, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida e a localidade de San Felices de los Gallegos, além de Olivença, Ouguela e Campo Maior. O rei D. Dinis, de acordo com o estabelecido nesse tratado, desistia da posse de Aiamonte, Esparregal, Valência e Aracena. A conjuntura interna espanhola (nomeadamente as divergências profundas dos tutores do rei castelhano) não deixou de se refletir neste tratado, bem como a visão estratégica do monarca português.

San Felices de los Gallegos  (Foo HS) 

San Felice de los Gallegos

Com o objetivo de serem acentuados os compromissos assumidos, firmou-se a promessa de casamento do rei espanhol, D. Fernando IV, com a filha de D. Dinis (a infanta D. Constança), enquanto D. Beatriz, infanta de Castela, foi prometida ao príncipe D. Afonso (filho de D. Dinis).

A importância do Tratado de Alcanices para a formação da nacionalidade portuguesa – voltamos a sublinhar – é inquestionável, evidenciando Portugal como o país europeu com fronteiras mais antigas; o Tratado fixou, de forma clara, a fronteiras portuguesas deste território de Riba Côa, limitado pelos rios Côa e Águeda e pela ribeira de Tourões. Era, como escreveu Pinharanda Gomes, uma “terra de ninguém”. O Rio Côa abandonou, na altura, o seu papel de fronteira física e sobre ele se lançaram novas pontes que favoreceram a circulação de pessoas e produtos; veja-se o caso do Porto de S. Miguel (assinalado no Foral de Castelo Mendo, de 1228, como Portum Mauriscum) ou de Rapoula do Côa.

Segundo Miguel Ladero Quesada, foi o espírito diplomático de D. Sancho IV “nos últimos anos do seu reinado, sobretudo, a sua morte prematura e a gravíssima crise política castelhana na menoridade de Fernando IV que permitiram a D. Dinis jogar, alternativamente, as cartadas da guerra e da aliança para conseguir mais territórios dos que havia esperado e fixar as fronteiras em limites muitos favoráveis aos seus interesses”.

Para aquele investigador, é de supor que “algumas cláusulas do tratado seriam inconcebíveis em circunstâncias normais para os reis castelhano-leoneses, como as que se verificaram até 1295”. Contundo, no quadro conjuntural da época D. Dinis terá tido a perceção de como era importante não deixar escapar a oportunidade de alargar o território português através de uma faixa em relação à qual Castela atribuía um interesse menor face às questões oriundas do reino de Aragão e da área peninsular sob domínio islâmico, a sul. Assim, Alcanices traduz, como muitos reconhecem, um protagonismo inteligente da diplomacia portuguesa, evidenciado mais tarde por vários historiógrafos, cuja interpretação relativamente à passagem de Riba Côa para a Coroa lusitana assentava não na conquista territorial mas na justa restituição de terras, onde se erguia – por exemplo – o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (junto à histórica localidade de Castelo Rodrigo). Por outro lado, e numa leitura dos discursos historiográficos e geográficos sobre Alcanices, Luís Carlos Amaral e João Carlos Garcia realçam que “a História precede a Geografia no debate do tema, mas é uma certa Geografia que fixa em imagem cartográfica Alcanices como marco final de um processo. Também nem todos os historiadores se preocuparam particularmente com este facto diplomático e político do reinado de D. Dinis”.

Este rei impulsionou a coesão nacional, reorganizou o exército e a marinha, incrementou a defesa da língua e da escrita, preocupou-se com o exercício e administração da justiça; manifestou uma grande preocupação pelo desenvolvimento da agricultura (o cognome de O Lavrador não surgiu por acaso), mas não esqueceu a importância das florestas e dos rios, bem como a necessidade de aumentar o povoamento das terras, de dinamizar as trocas comerciais (concedeu um elevado numero de cartas de feira e instituiu as primeiras feiras francas), desenvolvendo a economia.

A D. Dinis se deve a fundação do Estudo Geral, em Lisboa, instituição inicial da formação universitária em território português; é também com ele que os documentos régios passam a ser redigidos em português. Como escreveu Helena da Cruz Coelho, “no contexto dos reinos peninsulares, a monarquia portuguesa reconhecia-se, agora, também pela sua individualidade linguística, pelo português.” D. Dinis faleceu em Santarém, a 7 de janeiro de 1325. Como bem sintetizou a investigadora que acabámos de citar, “(…) delimitar, identificar, defender, povoar, valorizar, administrar parecem ter sido os princípios norteadores” da atividade deste rei.

Rei D.Dinis

No passado ano assinalou-se o sétimo centenário da morte de D. Dinis, de quem  muito se falou, a propósito da apresentação da reconstituição facial (em 3D), daquele monarca, fundamentada em dados arqueológicos, antropológicos e genéticos. Este estudo, inédito em Portugal, representou mais um eminente contributo para o conhecimento de um rei que deixou uma forte marca da sua atividade governativa e administrativa nesta região raiana.

Assim, revestem-se de grande importância todas as iniciativas que nos levem a (re)visitar os territórios de Riba Côa, as localidades referenciadas no Tratado a que temos estado a aludir; incrementando o conhecimento da História, do papel desempenhado pelos monumentos de arquitetura militar desta região, fomentando novos roteiros turísticos, abrindo novas investigações e estudos, viabilizando um maior conhecimento da personalidade e do papel do Rei D. Dinis. Iniciativas que valorizem, promovam a região e reforcem a nossa identidade regional.

 

Hélder Sequeira


sábado, 11 de abril de 2026

Orquídeas selvagens estudadas na Canada do Inferno


No âmbito do protocolo de colaboração estabelecido entre a Associação de Orquídeas Silvestres de Portugal (AOSP) e a Fundação Côa Parque, realizou-se, recentemente, uma ação de trabalho de campo no sítio da Canada do Inferno, integrada no esforço de estudo e valorização da biodiversidade local.


A iniciativa teve como principal objetivo a observação, o levantamento e a contagem de espécies de orquídeas silvestres presentes naquele território de elevado valor ecológico.
A visita contou com o acompanhamento de Mónica Pinto, bolseira de doutoramento da FCT, e com a participação de dois dos mais reconhecidos especialistas europeus na área: Daniel Tyteca e Jean-Louis Gathoye.


Apesar das condições adversas provocadas por um inverno rigoroso, foi possível observar várias espécies em floração, nomeadamente 𝘖𝘱𝘩𝘳𝘺𝘴 𝘵𝘦𝘯𝘵𝘩𝘳𝘦𝘥𝘪𝘯𝘪𝘧𝘦𝘳𝘢, 𝘏𝘪𝘮𝘢𝘯𝘵𝘰𝘨𝘭𝘰𝘴𝘴𝘶𝘮 𝘳𝘰𝘣𝘦𝘳𝘵𝘪𝘢𝘯𝘶𝘮 e, na área envolvente, uma população de 𝘖𝘱𝘩𝘳𝘺𝘴 𝘴𝘤𝘰𝘭𝘰𝘱𝘢𝘹.
Esta ação reforça a importância científica e ambiental do Vale do Côa, evidenciando o seu papel enquanto território de referência para o estudo e a conservação da flora silvestre, em particular das orquídeas autóctones.


Fonte e fotos: Museu do Côa