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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sátira, colorido, animação...

 




Na Guarda decorreu, domingo, o tradicional desfile de Carnaval que antecedeu o Julgamento e Morte do Galo do Entrudo.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

"Interior Sonoro" : arte e inclusão na Guarda

 

“Interior Sonoro” é a designação de um projeto que está a ser promovido pelo Município da Guarda e Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Este projeto, que cruza a arte e a inclusão, reúne participantes da CERCIG e da Associação de Estudantes dos Países Africanos de Língua Oficia Portuguesa em sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e mindfulness.



Guiado pelo eixo “Sombra, Sonho e Trauma”, o projeto, com direção artística do guardense B.Riddim (Luís Sequeira) conta ainda com a colaboração, como formadores, de Maze, Joana Cavaleiro, Miguel Silva, Hugo Quelhas e Vanessa Rei.

O resultado do processo culmina no espetáculo de apresentação, no Teatro Municipal da Guarda (TMG) no próximo dia 4 de julho de 2026, englobando ainda a criação de um livro com conteúdo do processo e um álbum de temas originais.


"Escape Livre" : um programa de rádio dedicado ao mundo automóvel.

 

Na Guarda a comemoração do Dia Mundial da Rádio, na passada sexta-feira, teve um sublinhado muito especial. Se, por um lado, a partir desta cidade emite a rádio local mais antiga do país, por outro foi assinalada a passagem do 53º aniversário de um programa de rádio dedicado ao mundo automóvel.

Um programa que nasceu na Rádio Altitude, estação emissora cujas emissões oficiais foram iniciadas no longínquo ano de 1948. O “Escape Livre” (EL) é o mais antigo programa de rádio dedicado aos automóveis e, outrossim, à segurança rodoviária, sendo emitido semanalmente a partir da Guarda e hoje audível em todo o mundo através das plataformas digitais.

Foto Luis Celínio Capa - polaroid.jpg

A primeira emissão deste programa ocorreu em 13 de fevereiro de 1973; depressa se afirmou como um espaço emblemático da Rádio Altitude e, atualmente, é um original exemplo de longevidade no panorama da radiodifusão sonora portuguesa, fruto de um trabalho determinado, cuidadoso, qualitativo, permanente do seu impulsionador e principal responsável, Luís Celínío.

Uma das principais e mais marcantes ações do Escape Livre foi, logo nos primórdios, a campanha de segurança realizada na Guarda, com o apoio da Mobil. O empenho e, diga-se em abono da verdade, o ineditismo desta ação tiveram resultados surpreendentes junto da população citadina, sensibilizada através de vários meios e de demonstrações teórico-práticas.

Em termos desportivos, a equipa do Escape Livre “desdobrava-se”, já nessa época, para poder acompanhar os ralis e a velocidade, não só em Portugal, como no estrangeiro.

Ano após ano e ao longo destes cinquenta e três anos, o “Escape Livre” foi-se afirmando, projetando, conquistando simpatias, despertando o interesse de responsáveis das principais marcas de automóveis. Luís Celínio já nessa altura – e como já tivemos o ensejo de escrever há alguns anos – procurava potencializar as várias iniciativas como alavancas de promoção turística da região.

Como marca credenciada por um trabalho constante, projetos diversificados e pelo empenho em apresentar um produto radiofónico com elevada qualidade, o “Escape Livre” associou desde a primeira hora uma faceta que não ficou subalternizada aos objetivos do programa; é que se constituiu, desde logo, como um canal aberto para o conhecimento e promoção da Guarda, da região e do país.

A própria rádio onde nasceu, se era já um marco incontornável no espectro radiofónico de Portugal, ampliou a sua projeção através de um espaço informativo/formativo onde foi visível desde o início uma perceção lúcida da evolução de um sector e das problemáticas que lhe estavam associadas.

O “Escape Livre” tem, desde o início, a marca da rádio; é que o seu aniversário ocorre precisamente no Dia Mundial da Rádio, com todo o simbolismo que a radiodifusão sonora e a data associam.

O 13 de fevereiro foi designado pelos estados-membros da UNESCO como Dia Internacional do Rádio. A opção por esta data ficou a dever-se ao facto de ter sido neste dia, em 1946, que a Rádio das Nações Unidas emitiu, pela primeira vez, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Por esse ano ocorriam, na Guarda, as primeiras experiências de radiodifusão sonora, as quais estiveram na origem da Rádio Altitude.

O programa “Escape Livre”, o seu historial de 53 anos de emissões ininterruptas, comprova que a partir da nossa região – e com os seus recursos humanos – se podem desenvolver excelentes projetos, com influência territorial sem limites; o que nos leva também a reforçar as palavras de Luís Celínio, sobre este “caso sério de qualidade de informação e divulgação da Beira Interior através do automóvel”.

Um caso que deve merecer o nosso reconhecimento e o aplauso por todo o trabalho idealizado, desenvolvido a partir da mais alta cidade de Portugal.


Helder Sequeira

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Julgamento do Galo decorrerá na Guarda


O julgamento e morte do Galo do Entrudo vai decorrer amanhã, 15 de fevereiro, na cidade mais alta de Portugal, integrado no programa GuardaFolia, atividade a decorrer desde o dia 7 até à próxima terça-feira.

“Já foi ópera, festival da canção e até espetáculo de marionetas gigantes.  Este ano, o Julgamento do Galo, catarse coletiva da Guarda, sobe ao palco em formato Wrestling! Em 2026, na Guarda, expiamos os males do mundo com uma Luta de Galos, no Domingo Gordo de Carnaval”. Pode ler-se numa nota informativa da Câmara Municipal da Guarda, que organiza este evento.

O Julgamento e Morte do Galo, ponto alto do GuardaFolia 2026, será este ano uma produção do Teatro do Calafrio, “numa criação satírica, feroz e delirante sobre poder, 'showbiz', vigilância e eterna luta por ocupar o poleiro.”

O espetáculo, a iniciar pelas 18h30 de Domingo Gordo (dia 15 de fevereiro, na Praça Luís de Camões, após o desfile das freguesias, que decorrerá a partir das 16 horas a partir da Avenida Rainha D. Amélia, na Guarda), terá como ponto de partida um grande 'show-trial' onde será decidido o destino do Galo, numa mistura de justiça, manipulação e intriga. No centro estará o galináceo concebido pelo artista plástico Rui Miragaia. O espetáculo terá texto de Pedro Dias de Almeida e direção artística de Simão Barros.


O enredo, que culminará obviamente com a condenação do Galo à fogueira, decorre num tribunal transformado numa arena de 'Luta de Galos': quatro combates híbridos entre 'wrestling', MMA e lutas clandestinas, onde cada galo-personagem disputa o poleiro supremo, o trono frágil do poder.

No centro de tudo, um Showman omnipresente e omnipotente, parte apresentador de 'reality show' parte tirano, que controla a narrativa, manipula o público e guia o caos como quem muda canais.

À sua volta, a maquinaria judicial distorce-se até ao grotesco. Entre golpes coreografados, intrigas sujas e discursos inflamados, as lutas revelam não só as ambições dos galos, mas também a fragilidade das estruturas que fingem manter a ordem. Tudo culmina num ritual final em que o Galo é condenado, queimado e purificado não pelo peso da justiça, mas pela voracidade do espetáculo.



Ruas das Guarda

 

A Rua Francisco de Passos é uma das mais movimentadas artérias da zona histórica da cidade.

O seu nome evoca o Governador Civil da Guarda que desempenhou funções entre 11 de Junho de 1926 e 25 de Agosto do ano seguinte

Embora o nome do primeiro governador do período do Estado Novo lhe tenha sido atribuído, por decisão do executivo municipal da Guarda, é por Rua Direita que muitos a continuam a identificar, privilegiando assim a tradição.

Guarda - Rua Francisco de Passos - HS.jpg

Aqui está uma atitude que reforça, no quotidiano, a importância de uma informação, complementar nas placas toponímicas citadinas (em especial, como é óbvio, nas zonas mais antigas), referenciando a atual e as anteriores designações.

Pinharanda Gomes alertou, numa das suas obras (e igualmente em vários textos) para o facto de que “a conservação dos toponímicos incólumes constitui um ato de prudência e de sapiência porque, ao mudar-se o nome de um lugar, atribuindo-lhe outro nome, porventura aleatório, é como se o nome antigo fosse arquivado e lançado ao esquecimento, pelo que a mudança de nomes censura a memória e perturba os roteiros orientativos”, considerando assim a “restituição da toponímia” um ato “de honestidade cultural, de devolução do património à comunidade”.

Se percorrermos o roteiro citadino, encontramos os mais variados exemplos de mudanças que romperam com a memória do passado.

A Rua Francisco de Passos – Rua Direita – constituiu a principal ligação da urbe medieval, unindo a cidadela do Torreão (também conhecida por Torre Velha da fortaleza, edificada provavelmente no século XII) à Alcáçova existente junto às portas da Covilhã (na zona em frente da Escola de Santa Clara).

Atualmente, a sua extensão está substancialmente reduzida pois este arruamento compreende o troço entre o entroncamento da Rua do Comércio, Praça Luís de Camões, Rua Augusto Gil e o Torreão; estabelece ligação, nomeadamente, com as ruas de D. Dinis, São Vicente, Largo de São Vicente, Rui de Pina e D. Sancho I.

É, sem dúvida, uma rua com história onde encontramos habitações centenárias e o edifício que funcionou (séculos XV e XVI) como Paço Episcopal; ali pode ser apreciada uma janela renascentista, “obra executada pelos artistas que estiveram a decorar a estilização da Sé Catedral, nomeadamente a Capela dos Pinas, no interior deste templo”.

Uma rua que abre outras artérias aos transeuntes, remetendo-os para a (re)descoberta da zona histórica da mais alta cidade portuguesa, unindo passado e presente.

 

Helder Sequeira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Celebrar o Rádio no seu Dia Mundial

 

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Rádio, este ano subordinado ao tema “Rádio e Inteligência Artificial”.

Pretende-se, assim, fomentar o debate sobre como a tecnologia baseada em Inteligência Artificial está a modificar a produção, a distribuição e o consumo dos conteúdos radiofónicos; num diálogo que não afaste a ética, a acessibilidade a este meio, onde haja criatividade e a confiança por parte dos ouvintes.

Para a UNESCO, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio ao rádio, capaz de automatizar tarefas rotineiras — como programação, locução assistida, atualizações meteorológicas; auxiliando e agilizando processos administrativos, de modo a permitir que os profissionais se concentrem nas tarefas primordiais.

A Inteligência Artificial apresenta novos caminhos para mais eficiência e múltiplas vantagens ao nível da melhoria da programação e interação com os ouvintes.

Para além da automação das emissões radiofónicas a Inteligência Artificial apresenta-se como forte apoio para produção de notícias, definição da sequência musical e de um conteúdo programático convidativo e diferenciado.



Através de algoritmos e modelos automatizados a IA tem a capacidade de proceder à análise de uma enorme quantidade de informação, identificando padrões e desencadeando, consequentemente, procedimentos adequados.

O acompanhamento constante das atualizações e publicações nas redes sociais pode ser efetuado de uma forma rápida, detetando tendências e assinalando notícias e temáticas que podem interessar aos ouvintes, despertando assim a sua atenção.

Daí que a escolha do tema “Rádio e Inteligência Artificial” para este Dia Mundial seja oportuna e mais do que justificada.

Adelino Gomes dizia-nos, recentemente, que, “temos de captar o bom que tem e que é extraordinário, rápido, chega lá mais rápido do que nós e nós podemos avançar muito mais no conhecimento, mas não podemos deixar que ela domine sem sentido crítico, não tem sentido crítico nenhum.”

Recorde-se que a data de 13 de fevereiro foi designada em 2011 pelos estados-membros da UNESCO como Dia Internacional do Rádio. No ano seguinte esta escolha seria validada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A opção por esta data fica a dever-se ao facto de ter sido neste dia que, em 1946, o Rádio das Nações Unidas emitiu, pela primeira vez, um programa em simultâneo para um grupo de seis países.

Por esse ano ocorriam, na Guarda, as primeiras experiências de radiodifusão sonora, as quais estiveram na origem do Rádio Altitude. Evocar esta data é, também, exercer o dever de memória para com o pioneirismo da Guarda no campo da radiodifusão sonora.

 
Estúdios da Rádio Altitude, 1981. Emissões em onda média

O tempo presente continua a ser do rádio! De um rádio cada vez mais interventivo que saiba construir o futuro. É também tempo de darmos uma nova e objetiva atenção às estações de radiodifusão existentes no interior de Portugal.

É tempo de um apoio real às estações que, apesar das múltiplas dificuldades continuam “no ar” e que, infelizmente, apenas são lembradas no formalismo de datas comemorativas. Apoiar estas emissoras é um imperativo moral e ato de justiça, pelo seu papel de serviço público que desenvolvem em prol das populações, valorizando o seu protagonismo.

A rádio tem realmente uma dimensão extraordinária. É portátil, é leve, é gratuita e é fascinante”, nas palavras de João Paulo Diniz.

Por natureza – escrevia Jaime Marques de Almeida – a Rádio é discreta. É elegante na forma como se aproxima de nós. Raramente nos agride. A Rádio nunca está a mais.”

Embora neste Dia Mundial evidencie que a Inteligência Artificial pode ser um precioso auxílio dos profissionais da rádio, não podemos esquecer a essência deste meio de comunicação.

A humanização do Rádio é fundamental e as pessoas não podem ser afastadas do seu processo evolutivo. O Rádio, pela sua empatia, pela sua matriz tão distinta, continua a ter futuro, apesar dos múltiplos condicionalismos e desafios. Festejemos o Dia Mundial do Rádio!


Helder Sequeira