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terça-feira, 7 de abril de 2026

Projeto "Interior Sonoro" em curso na Guarda


No Café-Concerto do Teatro Municipal foi apresentado ontem o projeto “Interior Sonoro” idealizado e dirigido por Luís Fidalgo Sequeira e promovido pelo Município da Guarda através do TMG, com apoio do programa Centro2030 – Inclusão pela Cultura.


Este projeto, que cruza a arte e a inclusão, reúne utentes da CERCIG e da Associação de Estudantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) em sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e mindfulness.

O “Interior Sonoro” tem como guião o eixo “sombra, sonho e trauma”. Na sessão da apresentação do projeto, a vereadora da Câmara Municipal da Guarda, Cláudia Guedes, destacou a importância da iniciativa por contribuir para uma cidade mais inclusiva, mais humana e mais coesa, considerando ser mais do que um projeto artístico. “É a prova de que a arte e a cultura podem fazer a diferença”, destacou.


Por seu turno, Paula Machado, da administração da CERCIG, afirmou que esta experiência tem sido para os utentes da instituição “uma terapia pela arte ou mesmo arte com terapia”. Rafaela Lourenço, da Associação PALOP, disse que, “no início, houve muitas incertezas, mas agora há muita gente a cantar, a dançar e a compor, e esta descoberta de talentos devemos muito aos nossos formadores”.

Guiado pelo eixo “Sombra, Sonho e Trauma”, o projeto, com direção artística do guardense Luís Fidalgo Sequeira conta com a colaboração, como formadores, do rapper Maze (André Neves, dos Dealema, escrita terapêutica criativa), Joana Cavaleiro (encenação), Miguel Silva (fotografia/imagem), Hugo Quelhas (escrita criativa) e Vanessa Rei (psicóloga).

O resultado do processo culminará no espetáculo de apresentação, no Teatro Municipal da Guarda (TMG) no próximo dia 4 de julho de 2026, englobando ainda a criação de um livro com conteúdo do processo e um álbum de temas originais.


“O ‘Interior Sonoro’ é um projeto de cariz intercultural e para reforçar o sentido de comunidade através da criação de uma obra musical multidisciplinar”, explicou Luís Fidalgo Sequeira (com o nome artístico B.Riddim); lembrou ainda que este trabalho vem na sequência de outro projeto da sua autoria realizado na Guarda e intitulado ‘Beat na Montanha’, o qual começou em 2023. A inclusão social aliada ao estímulo criativo na área da música e da escrita foi a ideia chave do projeto concebido por ele, dirigido a crianças e jovens entre os 6 e os 16 anos. Nessa primeira edição, o projeto implementou uma fusão sonora de vários instrumentos clássicos com eletrónica, gerando texturas que possam ser usadas para uma ligação com textos em prosa e verso; não esquecerá, também, a exploração de capacidades vocais. O primeiro “Beat na Montanha” foi, nesse ano, desenvolvido com o envolvimento de crianças e jovens do Centro Escolar de Gonçalo e Aldeia S.O.S. da Guarda.

No ano seguinte (2024), no âmbito da segunda edição do Beat na Montanha, a música e a escrita serviram também de estímulo à criatividade de 20 mulheres e homens reclusos num projeto de inclusão que os levou ao palco do Teatro Municipal da Guarda; a segunda edição do Beat na Montanha foi “um projeto de inclusão social, com incidência na cultura cigana” que permitiu “levar as pessoas da etnia cigana ao TMG”, como nos recordou Luís Fidalgo Sequeira, para quem esse trabalho representou “uma capacidade de mudança, não só de mentalidades, mas também do paradigma sobre as pessoas que estão privadas de liberdade".

Na terceira edição do Beat na Montanha (projeto idealizado por B.Riddim/Luís Fidalgo Sequeira) os protagonistas foram os alunos do Agrupamento de Escolas da Sé, Guarda. “Durante vários meses, crianças e jovens mergulharam num processo criativo intenso, sob orientação artística de Luís Sequeira, Maze e Miguel Silva”. Criação, ritmo e imagem no topo da montanha foi a proposta para espetáculo final multidisciplinar (música e imagem) apresentado no TMG. Nessa terceira edição, a ideia foi “abrir um leque de opções, não só na parte educacional, a nível pedagógico e educativo, mas também como obra final em si, será uma obra de maiores dimensões, porque inclui teatro, coisa que não acontecia no projeto anterior”, referiu Luís Fidalgo Sequeira.

“Foi uma forma de prescrição social, onde a criatividade se torna uma ferramenta de bem-estar. A arte tem um impacto direto na nossa saúde mental”. Comentava, então, a psicóloga Vanessa Rei a propósito do Beat na Montanha 3.0. “A música, o movimento, a palavra criativa, ativam partes do cérebro ligados à emoção, à empatia e à nossa autorregulação, porque nem todos nós conseguimos expressar através das palavras; a imagem acaba por se tonar uma ponte entre o nosso mundo interno e externo”.

Em o “Interior Sonoro”, e como foi já dito, o eixo ‘Sombra, Sonho e Trauma’ é o guião deste projeto de Luís Fidalgo Sequeira, também autor da dramaturgia, da música e realizador de um documentário sobre o projeto.


Os cerca de 50 participantes – 34 da CERCIG [Cooperativa para Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda] e 16 da Associação PALOP, integrada por estudantes e trabalhadores de países africanos de língua oficial portuguesa radicados na Guarda – estão a frequentar sessões semanais de música, teatro, escrita terapêutica, fotografia, expressão corporal e “mindfulness”.

“Cada pessoa, cada participante, tem uma história completamente diferente. E é uma magia descobrir isso ao longo do processo criativo”, disse Luís Fidalgo Sequeira.

O espetáculo do dia 4 de julho será um musical com “muito rap, muito hip-hop, aos quais vamos acrescentar uma carga teatral para falar de emoções, vamos trazer também alguma ironia e crítica social para chamar a atenção do público para as comunidades imigrantes e para as pessoas que têm algumas incapacidades motoras e cognitivas.”

Em simultâneo está a ser realizada um documentário com três episódios, sobre o andamento do projeto.

A psicóloga Vanessa Rei está a fazer um estudo “qualitativo e quantitativo” sobre o impacto do ‘Interior Sonoro’ nos participantes. “O objetivo é ver a sua evolução ao longo do tempo e também nos servirá como métricas para que, no futuro, as possamos apresentar e tê-las também como objeto de estudo para outros projetos que possam eventualmente surgir”.

De referir que no dia da estreia do espetáculo, a 4 de julho no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, será ainda apresentado um livro com o conteúdo do processo criativo e um álbum de temas originais do ‘Interior Sonoro’.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Salvaguardar as tradições teatrais...


A localidade de Pousade, no concelho da Guarda, tem uma profunda tradição ao nível do teatro religioso.

Este género de teatro, com raízes profundas naquela localidade, foi alimentado ao longo de décadas pela imaginação e improvisação de algumas pessoas daquela localidade, que concebiam peças para serem apresentadas em datas marcantes do calendário cristão, como sejam o Natal e a Páscoa.

Muitas delas eram transmitidas oralmente e corriam o risco de se perderem; daí que, há anos atrás, se tenha pensado, e bem, em verter para o papel os conteúdos dessas produções, facilitando-se igualmente o respetivo conhecimento e a possibilidade de as tornar objeto de estudo e investigação.

“A Paixão”, “Acto de Adão e Eva”, “O Nascimento de Jesus Cristo”, “A Morte de Antípatro”, “A Vingança de Enoe” e “Mártires da Germânia” são elucidativos exemplos dessas representações populares, onde “um enorme capital de esforço, de trabalho e dedicação”, como nos foi afirmado.

Daí que tenha sido importante o trabalho, mormente de João Marques e outros seus conterrâneos, de “sensibilizar a população para que fosse retomada uma tradição que se perde no tempo” – há, naquela aldeia, manuscritos de 1898 com peças de cariz religioso e popular – objetivo conseguido, como a progressiva adesão do público a estas representações.

O teatro popular foi uma das temáticas que entusiasmou José Miguel Carreira Amarelo que, como não poderia deixar de ser, olhou com particular atenção para as tradições de Pousade, editando dois volumes sobre o Teatro Popular. “O teatro popular é um continuum que nunca foi abolido pelo teatro erudito de qualquer movimento literário”.

José Carreira Amarelo procurou, como escreveu na apresentação do primeiro dos livros, “salvar do naufrágio do esquecimento e da perda uma pequena parcela da nossa cultura popular e regional”, destacando, por outro lado, “a perenidade e prevalência do teatro de cariz popular a par de um outro de carácter institucional”.

Nesse seu trabalho, Carreira Amarelo anotou que “de norte a sul do país, em Trás-os-Montes como nas Beiras, no continente e nas ilhas subsistem, ainda hoje, representações populares dramáticas, de carácter didático e formativo, de índole religiosa e profana, ora com objetivos apenas recreativos, ora com fins satíricos e moralizadores”.

Nesta quadra da Quaresma em que são promovidas diversificadas encenações ou representações sobre a temática e tradições religiosas associadas, é oportuno não olvidar as especificidades locais e regionais, realçando-as as suas raízes ancestrais e a matriz cultural; assim como é justo evocar a investigação e a recolha atrás mencionadas que devem suscitar novos estudos e abordagens, conducentes a publicações que se afirmem com uma mais-valia em prol da salvaguarda da nossa cultura regional.

 

Hélder Sequeira


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Semana Santa na Guarda


O Município da Guarda está a promover até 12 de abril o programa “Semana Santa: Guarda, Cultura e Fé”, numa celebração da Quaresma com iniciativas na cidade e em vários pontos do concelho, em parceria com várias entidades.

O evento inclui atividades culturais, sociais e religiosas e assume-se como um momento de afirmação das tradições e do património imaterial que caraterizam as manifestações coletivas durante a Quaresma e a Semana Santa.

Hoje, Sexta-feira Santa, teve lugar a cerimónia da Paixão do Senhor e Adoração da Cruz na Sé pelas 17 horas; pelas 21horas, terá lugar o Enterro do Senhor, na Igreja da Misericórdia.

O ciclo encerra no dia 12 de abril com o Concerto de Pascoela, pelo Grupo Coral de Maçainhas e APM SCHOLA, pelas 16h00, na Igreja da Misericórdia.

A Semana Santa decorre em parceria com a Diocese da Guarda, nomeadamente com o envolvimento do Arciprestado Guarda/Manteigas, a Santa Casa da Misericórdia da Guarda, a Associação de Jogos Tradicionais da Guarda, coletividades e juntas de freguesia.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Ciganitos: segundo single do primeiro álbum do projeto "Beat na Montanha"

 

“Ciganitos” é o segundo single do primeiro álbum do projeto Beat na Montanha, editado pelo Teatro Municipal da Guarda (TMG) em formatos vinil e digital. Interpretado por mulheres de etnia cigana, o tema dá voz a experiências frequentemente inviabilizadas, refletindo de forma honesta a relação com a comunidade, a família e os contextos sociais que marcam as suas vidas.

O videoclip propõe uma representação digna, humana e sensível destas mulheres, valorizando a sua identidade, cultura e resiliência e tornando visível uma realidade raramente escutada: a voz feminina cigana em contexto de reclusão.


Filmado numa pequena sala no Estabelecimento Prisional do Mondego, com a participação de três das dez reclusas envolvidas na segunda temporada do Beat na Montanha, o vídeo transforma esse espaço num cenário simbólico, onde a simplicidade visual centra toda a atenção nas intérpretes e na força da narrativa que transportam.

Pode ouvir aqui