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terça-feira, 19 de maio de 2026

Judiciária da Guarda deteve presumível violador

 

O Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária procedeu, hoje, à detenção de um estudante universitário, com 23 anos, pela presumível autoria de um crime de violação, sendo vítima uma estudante universitária, com 22 anos. A detenção ocorreu na cidade da Covilhã.

A investigação teve início no passado dia 28 de março, depois da mulher ter apresentado queixa, na PSP da Covilhã.


Agressor e vítima conheciam-se do meio universitário e, após uma festa académica, conhecida pela “Festa das Tasquinhas”, o suspeito, aproveitando-se do estado da vítima, acompanhou-a à residência estudantil, introduzindo-se no interior do seu quarto, através da força física, consumando da mesma forma o ato de violação.

O detido será presente, amanhã, a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das adequadas medidas de coação. O inquérito é titulado pelo DIAP de Castelo Branco.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ruínas do Sanatório: atentado à história local


No dia em que se assinala o 119º aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins, recuperamos parte da entrevista que, há dois anos, Dulce Borges deu ao CORREIO DA GUARDA. 


Museóloga e investigadora, Dulce Borges elaborou no ano de 2000  o processo de classificação desse conjunto arquitetónico do ex-Sanatório Sousa Martins. Decorridos todos estes anos considera que “a ausência de interesse tem sido gritante, imperdoável e inaceitável. Os edifícios em completa ruína, além de constituírem um perigo permanente, são um verdadeiro atentado à história local”. Ao CORREIO DA GUARDA afirma que estamos perante “um dos maiores, se não o maior atentado patrimonial, cometido na Guarda, no último século.”

Natural da Guarda, Dulce Helena Pires Borges é licenciada em História e mestre em Museologia e Património Cultural; foi diretora do Museu da Guarda entre 1986 e 2012, tendo comissariado todas as exposições aí realizadas; entre 2018 e 2021 coordenou a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço.O Museu da Guarda entre o passado e o futuro; Espaços e Colecções” é um dos seus trabalhos publicados, tendo inúmeros textos seus em diversos catálogos, livros e revistas, bem, como na imprensa regional e nacional. 

Dulce Borges_Correio da Guarda

O que representou para si o período em que esteve como diretora do Museu da Guarda?

Ter sido diretora foi apenas uma circunstância. Claro que os 26 anos em que exerci o cargo de diretora, inicialmente por nomeação, seguida de renovadas comissões de serviço e provimentos por concursos públicos, me enchem de orgulho.

No entanto, o que realmente esse exercício significou para mim foi um encontro com a história e com o património da região e, em particular, o da cidade. Foi também um enorme desafio à construção e implementação de formas de comunicar e contar, através da realização de exposições, edição de catálogos e outras publicações, bem como, através da dinamização, de forma sempre qualificada, dos espaços e das coleções, de áreas do saber e de partes dessa história utilizando o património à guarda do museu e, por vezes, outro de tutelas diferenciadas. Fui diretora, em total acumulação com as funções de conservadora, no que de abrangente esta carreira profissional representa.

Desempenhei funções no Museu da Guarda desde 1982 até 2017. Uma realização profissional e também pessoal.

 

Quais os trabalhos/projetos que mais gostou de desenvolver?

Houve, felizmente, muitos projetos que me trouxeram grande satisfação. Desde o programa de dinamização do património classificado do distrito que ao tempo era coordenado pelo Museu da Guarda, como a Sé da Guarda, as muralhas de Almeida, o Convento de Santa Maria de Aguiar e os castelos de Pinhel e de Trancoso, através de concertos e exposições temáticas.

Nestas funções realço, como de superior importância, a recolocação do retábulo em talha dourada na igreja do Convento de Santa Maria de Aguiar, que há décadas havia sido retirado e levado para o Mosteiro da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. Nesta dinâmica posso recordar, ainda, o sucesso que constituiu a implementação de uma rentável bilhética para subida aos terraços da Catedral. Os protocolos com o IPG que permitiram ao museu aceder a inovadoras tecnologias, de que destaco um protocolo de colaboração, no âmbito do qual foi realizada e disponibilizada uma Visita virtual à exposição permanente do museu e que ao tempo constitui uma verdadeira revolução na linguagem de comunicação!

No campo da produção e apresentação de exposições destaco apenas as que reputo de maior importância porque estabeleceram marcantes plataformas de comunicação com os diversos públicos e com investigadores: Exposição sobre a história do Sanatório Sousa Martins; a que estudou e divulgou a obra fotográfica de António Correia – Foto Hermínios, a exposição, depois itinerante, acompanhada de catálogo sobre a vida e  obra da artista popular Maria Barraca; a exposição, realizada em parceria com os Museus de Gão Vasco e Lamego, sobre o importante património ex-votista existente nas respetivas dioceses, igualmente itinerante, com o titulo: Do Gesto á memória; a que foi realizada para comemorar os 800 de atribuição do foral à cidade: Guarda. História e Cultura Judaica, cujo catálogo mereceu, por parte da APOM, a atribuição do 1.º Prémio; a exposição integrada no Centenário da Implantação da República sobre Carolina Beatriz Ângelo, em que o catálogo foi igualmente vencedor do 1.º Prémio da APOM; a colaboração com o Instituto Arqueológico Alemão para realização de investigações no Cabeço das Fráguas, de que resultou a produção de um molde com a reprodução exata da inscrição que ali se encontra, com recurso a um scanner a laser, bem como, a exposição e o colóquio temático, projetos colaborativos bem conseguidos, que divulgaram o Museu da Guarda e as suas coleções no seio da comunidade cientifica europeia, conforme atesta a qualidade dos estudos realizados por aquele instituto e o painel de oradores participantes.

Dentro de uma abordagem à linguagem da arte contemporânea destaco a apresentação na Guarda da obra dos artistas plásticos Manuel Cargaleiro, Maria Keil, Bartolomeu dos Santos, Paulo Neves, Albuquerque Mendes, Júlio Cunha e ainda as três mostras, acompanhadas de catálogo, sobre a coleção particular de António Piné. A obra de artistas plásticos naturais da região como Eduarda Lapa, Evelina Coelho ou Abel Manta foram objeto de apresentação no Museu da Guarda. O concerto pioneiro, em 1989, de Pedro Caldeira Cabral. A primeira conferência proferida na Guarda pela historiadora Rita Costa Gomes em 1986 após a publicação do seu livro: A Guarda Medieval. Edições de catálogos ou outras publicações como A História da Música na Sé da Guarda, os estudos sobre Augusto Gil, a edição fac-similada do Foral do Jarmelo, os roteiros sobre o museu foram outras áreas de trabalho que ficam para as gerações futuras enriquecerem com novos estudos.

 

Defendeu, por diversas vezes e em contextos diferenciados, a criação de um museu no antigo espaço do Sanatório Sousa Martins. O que faltou para esta ideia se concretizar e que impacto teria uma unidade museológica com o perfil idealizado na altura?

Como certamente se recordará, na sequência da realização pelo Museu da Guarda em 1994 da Exposição sobre a história do Sanatório Sousa Martins, ganhou interesse a criação de um museu sobre a história da luta contra a tuberculose. Para o efeito, em 1999, foi criada uma comissão pela administração do Hospital, à qual presidi e que viu o seu mandato interrompido por decisão de uma nova administração, entretanto nomeada.

Em fevereiro de 2005 foi noticiado que o Museu Nacional de Saúde ficaria sediado num dos pavilhões do extinto Sanatório Sousa Martins, correspondendo a uma unidade museológica de âmbito nacional, dependendo, por isso, a sua concretização da vontade do governo de então, e que, por razões que desconheço, nunca foi efetivada.

Tal promessa, a ter tido concretização, teria sido uma extraordinária mais valia para o panorama cultural da cidade, através de uma descentralização museológica que vinha potenciar e qualificar uma rede museológica que, criada em tempo certo, teria aportado à cidade e região novos públicos, novos investigadores, mais conhecimento.


Acha que o conjunto do ex-Sanatório Sousa Martins é um caso perdido?

Elaborei o processo de classificação desse conjunto arquitetónico de carater assistencial em 2000, numa tentativa de salvaguardar, proteger e de alertar as instituições públicas, ministérios da saúde, da cultura e a própria autarquia, para esse importante marco da história da saúde em Portugal, mas, sobretudo, da história da cidade da Guarda nos campos da saúde, social, económico, cultural e ambiental e também na área de produção científica. O processo de classificação como CIP, Conjunto de Interesse Público, foi publicado na Portaria n.º 39/2014, DR, 2ª série, n.º 14 de 21 janeiro 2014, estranhamente, demorou 14 anos a ser concluído.

Como refere na sua pergunta trata-se, ou melhor, tratava-se, de um “conjunto” o qual valia sobremaneira, por esse mesmo aspeto que lhe dava unicidade. Era único no País! Senti sempre um enormíssimo distanciamento de todas as entidades. Os anos passaram, perdeu-se praticamente tudo, desde o património móvel e imóvel, ao paisagístico, florestal, lúdico, médico e científico.

A ausência de interesse tem sido gritante, imperdoável e inaceitável. Os edifícios em completa ruína, além de constituírem um perigo permanente, são um verdadeiro atentado à história local. Creio que é mesmo um dos maiores, se não o maior atentado patrimonial, cometido na Guarda, no último século.

 

A Guarda poderia ter outros museus? Quais?

Mais do que outras estruturas museológicas, que são sempre equipamentos culturais que, para funcionarem devidamente, absorvem grandes recursos financeiros, a cidade poderia ter, a partir da célula mãe (Museu da Guarda) alguns núcleos museológicos destinados a apresentar a herança judaica, a história comercial e industrial da cidade e a história da imprensa que, desde a segunda metade do século XIX, aqui teve enorme relevância.

Como podemos querer conhecer o outro se não nos conhecemos a nós próprios? Porque se desperdiçam energias na procura de falsas identidades? Há ainda muita história da Guarda por contar e é através dessas narrativas, que importa construir, que nos podemos diferenciar da repetição e da generalização. Falta potenciar a nossa identidade através de novas linguagens comunicacionais e criativas.




O poder dos Museus...

O Dia Internacional dos Museus é hoje assinalado.

Criado em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), este dia (18 de maio) pretende promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos museus no seu desenvolvimento.

Em Portugal, nas últimas décadas, aumentou significativamente, o número de museus; o distrito da Guarda não ficou fora dessa tendência. A pandemia veio, entretanto, a colocar fortes constrangimentos aos museus, que perderam visitantes e receitas, obrigando à adoção de diferenciadas estratégias e planos.

Claro que a designação de museu implica ter em conta o perfil e as características da instituição museológica. De acordo com o ICOM, por museu deve entender-se “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, que adquire, conserva, investiga, comunica e exibe para fins de estudo, educação e lazer, testemunhos materiais do homem e do seu meio”.

É inquestionável que o museu assume, cada vez mais, um eminente papel pedagógico e didático, afirmando-se, simultaneamente, como um eficaz meio de comunicação. Numa sociedade onde, face às transformações económicas, se dá uma maior atenção à ocupação dos tempos livres, ao turismo e à cultura, compreende-se que seja reforçado o papel dos museus como centros de conhecimento e de ofertas plurifacetadas, aproveitadas pela escola.

As conceções hodiernas do museu têm conduzido, nas últimas décadas, à criação de novos e inovadores espaços museológicos, de temáticas diferenciadas, e outrossim a uma nova prática na forma de expor os objetos e de os fazer “falar”. A nova museologia abriu promissores horizontes, mais abrangentes do grande público.

De um modo geral, as comunidades locais não geram mecanismo e atitudes de salvaguarda dos seus valores patrimoniais, já que do texto legal à atuação prática medeia, como sabemos, uma enorme distância. É que, muitas vezes, falta o primeiro impulso ou a consciência clara do caminho a seguir. É fundamental, neste contexto, desenvolver uma forte sensibilização, das pessoas e entidades, para que não se percam os valores existentes, assegurando a sua transmissão e conhecimento às gerações futuras.

O Museu está no centro deste processo e daí que o seu desenvolvimento tem de passar pelo apoio do público, do cidadão. O empenho e envolvimento dos amigos dos museus assegurará uma imagem diferente destas instituições junto da comunidade. O museu não é, hoje, “um mercado do tempo livre”, na elucidativa expressão de Francisca Hernández Hernández, mas um lugar de convivência e de encontro, na aceção mais lata da palavra. Assim, é fundamental que se amplie o número dos amigos dos museus e se valorizem, cada vez mais, estas instituições.

Nunca será demais sublinhar que “os museus são um importante meio de intercâmbio cultural, enriquecimento de culturas e desenvolvimento de compreensão mútua, cooperação e paz entre os povos”. Hoje, mais do que nunca, importa destacar a cooperação e a paz.

O Dia Internacional dos Museus é celebrado numa data particularmente importante para a Guarda; tenhamos em conta a inauguração do Sanatório Sousa Martins, em 18 de maio em 1907. Uma efeméride de que falamos já e a qual gostaríamos de articular com a temática que temos estado a abordar. É que a ideia e a proposta de um Museu do Sanatório Sousa Martins parecem ter ficado pelo caminho…pesem os esforços e a investigação desenvolvida, mormente por Dulce Helena Borges (cujo trabalho é de toda a justiça relembrar).

Exposição sobre o Sanatório .JPG Exposição sobre o Sanatório, realizada no Museu da Guarda (1994), dirigido, então, por Dulce Helena Borges.

 

Será oportuno recordar que, no ano 2000, uma comissão mandatada pela Administração do Hospital da Guarda efetuou o levantamento do espólio que seria destinado a um Museu do Sanatório Sousa. O que seria, desde logo, instituição única, com estas características, a nível nacional.

O trabalho desenvolvido, nessa altura, nos vários edifícios permitiu identificar e inventariar muitos objetos e equipamentos que pertenceram à antiga unidade de tratamento da tuberculose. A relação do material identificado, bem como as atas das reuniões da referida comissão foram oportunamente entregues à direção da unidade hospitalar em referência. Há anos, chegou a ser anunciada, na Guarda a criação do Museu da Saúde, que teria um âmbito nacional. Tempo depois, em Lisboa, foi assinado um protocolo entre o Instituto Nacional de Saúde “Doutor Ricardo Jorge” e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica com vista à implementação de um Museu da Saúde.

Face às mudanças físicas e estruturais operadas nos vários edifícios existentes no Parque da Saúde (e nas intenções que têm sido anunciadas, mas como intenções valem o que valem…), urge acautelar, salvaguardar, o espólio ainda existente, definindo séria e responsavelmente um espaço condizente; honrando também a memória de clínicos cuja atividade profissional engrandeceu a Guarda.

Por várias vezes aqui acentuámos a importância que tem o conhecimento de personalidades ligadas à Guarda, quer pelo nascimento, quer por laços afetivos ou profissionais. O reencontro com essas pessoas e a salvaguarda da sua memória e obra, viabiliza uma valorização citadina, numa simultânea homenagem a quem protagonizou a afirmação e o engrandecimento da cidade.

Fará, assim, todo o sentido recordar médico Lopo José de Figueiredo de Carvalho, a propósito do aniversário do seu nascimento, ocorrido no passado dia 3 de maio; um distinto clínico que está ligada à cidade da Guarda e ao Sanatório Sousa Martins, de que foi o primeiro diretor. Ainda no Parque da Saúde, o outrora denominado pavilhão novo, que ladeia atualmente a Av. Rainha D. Amélia, completa o 73º aniversário; foi inaugurado, a 31 de maio de 1953, ainda com Ladislau Patrício a dirigir o Sanatório.

Pavilhão D. António de Lencastre HS  .JPG Pavilhão D. António de Lencastre, um dos edifícios do Sanatório Sousa Martins (Guarda)

 

Neste Dia Internacional dos Museus, que evoca o poder da instituição museológica, não será despropositado desafiar entidades, investigadores e cidadãos a refletirem e agirem no sentido de não ser apagada uma importante página da história da Guarda do passado século, bem como da história da saúde e da tuberculose em particular.

 

Hélder Sequeira 



Sanatório da Guarda inaugurado há 119 anos...

 

Pavilhão António Lencastre_Sanatório_foto HS_

Hoje, 18 de maio, ocorre a passagem do centésimo décimo nono aniversário da inauguração do Sanatório Sousa Martins que, durante décadas, desenvolveu uma eminente ação assistencial na cidade mais alta de Portugal.

A inauguração dos três pavilhões que integravam o Sanatório teve lugar a 18 de maio de 1907, com a presença do rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia.

Aos dezoito dias do mês de Maio de mil novecentos e sete, num dos edifícios recentemente construídos no reduto da antiga Quinta do Chafariz, situada à beira da estrada número cinquenta e cinco, nos subúrbios da cidade da Guarda, estando presentes Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia (...), procedeu-se à solenidade da abertura da primeira parte dos edifícios do Sanatório Sousa Martins e da inauguração deste estabelecimento da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundada e presidida pela mesma Augusta Senhora (...)”.

Assim ficou escrito no auto que certificou a cerimónia inaugural da referida estância de saúde. O Sanatório Sousa Martins foi uma das principais instituições de combate e tratamento da tuberculose em Portugal. A designação de “Cidade da Saúde” atribuída à Guarda em muito se fica a dever à instituição que a marcou, indelevelmente, no século passado.

A Guarda foi, nessa época, uma das cidades mais procuradas do nosso país, tendo a elevada afluência de pessoas deixado inúmeros reflexos na sua vida económica, social e cultural. 

As deslocações para zonas propícias à terapêutica “de ares”, e a consequente permanência, contribuíram para o aparecimento de hotéis e pensões; isto porque não havia, no início, as indispensáveis e adequadas unidades de tratamento; situação que originou fortes preocupações sanitárias às entidades oficiais.

Em 31 de maio 1953 um novo pavilhão (que ladeia hoje a atual Avenida Rainha D. Amélia) foi acrescentado aos três já existentes. Com a construção deste novo pavilhão, o Sanatório Sousa Martins procurou aumentar a capacidade de resposta às crescentes solicitações das pessoas afetadas pela tuberculose, ampliando assim o seu papel na luta contra essa doença. O elevado número de doentes com fracos recursos há muito fazia sentir a necessidade de dotar esta conhecida unidade de saúde com novas instalações; pretensão que os responsáveis pelo Sanatório Sousa Martins tinham já manifestado ao Ministro das Obras Públicas, aquando da sua visita, à Guarda, em 1947. O Sanatório Sousa Martins ganhou, consequentemente, maior dimensão e capacidade de tratamento de tuberculosos.


Busto de Sousa Martins quase encoberto...


Hoje, anotar a decrepitude dos antigos pavilhões, o perigo iminente de derrocada (ou outras eventuais ocorrências) e a passagem dos 119 anos após a inauguração deste Sanatório, não é um mero exercício de memória ritualista. É evidenciar o estado lastimoso em que se encontra o património físico de uma instituição com merecido relevo na história da saúde e da medicina em Portugal; um Sanatório ligado também à solidariedade, à cultura e à história da radiodifusão sonora portuguesa, mercê da emissora (Rádio Altitude) aqui criada em finais da década de quarenta do passado século.

“A ausência de interesse tem sido gritante, imperdoável e inaceitável. Os edifícios em completa ruína, além de constituírem um perigo permanente, são um verdadeiro atentado à história local. Creio que é mesmo um dos maiores, se não o maior atentado patrimonial, cometido na Guarda, no último século.” Como sublinhou, ao Correio da Guarda, Dulce Borges (com meritório trabalho de investigação, estudo e divulgação sobre o Sanatório) ao Correio da Guarda. 


Ruínas do Sanatório da Guarda

O abandono e degradação dos antigos pavilhões do Sanatório Sousa Martins não dignifica uma cidade que se quer afirmar pela história, pela cultura, pelo ensino, pelo turismo, pela qualidade do seu ar, pela sua localização…

E nada como uma visita ao local para nos apercebermos da vergonhosa realidade daqueles pavilhões do antigo Sanatório Sousa Martins, 119 anos depois da sua inauguração festiva a 18 de maio.


Hélder Sequeira

 

domingo, 17 de maio de 2026

Pela cidade...

Guarda.
 

Judiciária da Guarda deteve presumível violador


O Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária, com a colaboração da Diretoria do Centro, deteve ontem, nesta cidade, um homem, com 75 anos, pela presumível autoria de três crimes de violação agravada, em virtude da relação de parentesco e da especial vulnerabilidade da vítima, sua irmã, com 71 anos.


A investigação iniciou-se no passado dia 15 de maio, após queixa efetuada pela própria vítima, no Posto Territorial da GNR em Zebreira, Idanha-a-Nova, tendo a última agressão ocorrido poucas horas antes.

A vítima, num primeiro momento, deu entrada no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, e acabou transferida para o Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, onde foi assistida e realizou os exames necessários à salvaguarda da sua saúde.

De igual forma, apurou-se que, no passado mês de abril e no início deste mês de maio, da mesma forma, pela força e intimidação, o suspeito consumou outros dois atos de violação.

Assim, neste curto hiato temporal, foi possível efetuar inúmeras diligências investigatórias e reunir elementos probatórios fortemente indicadores dos atos denunciados, culminando, na noite de ontem, com a detenção, fora de flagrante delito, do suspeito.

O  detido será presente, amanhã, a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação. O inquérito é titulado pelo DIAP de Castelo Branco.



sábado, 16 de maio de 2026

"Exílio em Manaus" no TMG

 

“Exílio em Manaus - Um encontro cénico entre António Patrício e Roberto Gomes”, é a proposta do Teatro do Calafrio para hoje, na Sala de Ensaios do TMG.


Foto: Teatro do Calafrio

Com entrada livre, este “encontro” ocorrerá às 2h30. Três intérpretes movem-se por um terreno instável, onde tempo, história e olhar oscilam. Entre factos, invenções e perdas confessadas ou herdadas, procuram vestígios de um mundo em desaparecimento, guiados por música ao vivo.

No percurso, surgem fantasmas literários — António Patrício e Roberto Gomes — que se misturam às memórias do seringal e às marcas do trabalho na selva. O espetáculo convida o público a habitar um espaço onde passado e presente se confundem.

Esta criação dramatúrgica foi feita a partir do texto de Armando Nascimento Rosa e tem direção de Clara Passarinho e interpretação de Fábio Nóbrega Vaz, Joana Tavares e Luiz Guarnieri; a cenografia e figurinos têm a assinatura de Maria Luiz.