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domingo, 12 de julho de 2026

Porto Vintage dedicado a Eduardo Lourenço

 

Na Guarda foi apresentado ontem, em antestreia mundial, o vinho de autor “Celebrar Eduardo Lourenço”.

Esta criação de autor, um Porto Vintage 2023, foi desenvolvida por Tiago Alves de Sousa, um dos mais reconhecidos nomes da nova geração do vinho português que, entre outros galardões, foi distinguido com o prémio “Jovem Enólogo do Ano” 2025.


A sessão de apresentação deste vinho “Celebrar Eduardo Lourenço”, com edição limitada, decorreu ontem no anfiteatro da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, no âmbito do Guarda Wine Fest quer termina hoje nesta cidade e se afirma como uma montra privilegiada do potencial vínico e gastronómico do interior de Portugal. Esta apresentação integrou-se ainda na comemoração dos 25 anos do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), de que Eduardo Lourenço foi mentor.

Reforçando a ligação entre património cultural, literatura e enologia este vinho nasce do encontro entre duas referências da cultura portuguesa: o pensamento de Eduardo Lourenço e a excelência da enologia contemporânea. “Este vinho não é apenas uma homenagem, é uma declaração! (...) Estamos a dizer ao país aquilo que Eduardo Lourenço sempre soube: que a geografia não é um fardo, pode ser o centro do pensamento. Que a Guarda não está à margem de nada, está no centro de tudo o que importa. Aqui o vinho não é só um produto. É cultura. É pensamento. É identidade”, afirmou o Presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa a propósito deste momento de homenagem ao ensaísta português.

A Guarda Wine Fest está a decorrer na Alameda de Santo André e encerra na noite de hoje. A entrada é gratuita.


sábado, 11 de julho de 2026

Hotel Turismo da Guarda: requalificação vai avançar

 

O Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou ontem na Guarda que já tinha assinado o despacho de adjudicação das obras de requalificação do edifício do Hotel Turismo, desta cidade.


De acordo com aquele membro do Governo, a adjudicação foi feita ao grupo Lince. O Grupo The Lince Hotels é um projeto “que nasceu do sonho e motivação de Domingos Correia- CEO do Grupo Arliz- em apostar na diferença, excelência, autenticidade e inovação na hospitalidade. Uma aposta clara deste grupo hoteleiro português que se antecipa às expectativas, necessidades e motivações de quem nos procura.” É referido no sítio daquele grupo na internet.

Para a prossecução deste processo de requalificação falta agora a autorização do Ministério das Finanças, seguindo-se depois à apresentação do projeto à Câmara Municipal da Guarda. Recorde-se que no passado mês de março tinha sido aberto, pelo Turismo de Portugal, concurso público para requalificação do edifício, sendo mencionada a opção de compra a partir do quarto ano. As obras, a cargo do Grupo Lince, deverão ser concluídas num prazo entre 18 a 24 meses.

O edifício do Hotel de Turismo da Guarda, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade, encerrou a 31 de outubro de 2010. Esta unidade hoteleira, cuja propriedade era detida pela Sociedade Hotel de Turismo – da qual a autarquia guardense era a única acionista – foi vendida, por 3,5 milhões de euros, ao Instituto de Turismo de Portugal (ITP) que ali previa instalar ali uma Escola-Hotel, de quatro estrelas.

A venda do imóvel já tinha sido aprovada, pela maioria socialista, em reunião do executivo municipal, decisão ratificada, posteriormente, na Assembleia Municipal, com os votos do PS e do único deputado da CDU; os deputados do PSD e do Bloco de Esquerda votaram contra. Mais tarde o executivo municipal aprovou a dissolução da Sociedade Hotel de Turismo da Guarda, que em 2007 tinha adquirido esta unidade hoteleira à Câmara Municipal, após ter terminado o contrato de concessão com a empresa arrendatária.

A escolha do local para a construção deste Hotel foi feita, na década de trinta do século passado, pelo executivo municipal da Guarda, apoiado no parecer da Comissão de Iniciativa e Turismo. O projeto arquitetónico – da autoria de Vasco Regaleira – foi apresentado, publicamente, em 1933. Dificuldades de vária ordem, nomeadamente de ordem financeira, atrasaram as obras de construção, iniciadas em janeiro de 1934, no então denominado Campo da Boavista.

Ernesto Pereira, empossado em 1946 como Presidente da Câmara Municipal da Guarda em 1946, empenhou-se, desde logo, na conclusão das obras construção do Hotel de Turismo, na linha dos argumentos que há muito vinha divulgando acerca da urgência de a cidade se desenvolver do ponto de vista turístico. Por certo seria também a pensar nos potenciais visitantes que, junto da Direção Geral da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, defendeu a “justa regalia de que a Guarda sempre gozou por poder dispor de uma carruagem direta Guarda/Lisboa – regalia que certamente não lhe será negada”.

A inauguração do Hotel de Turismo da Guarda – à época uma das unidades hoteleiras mais prestigiadas de Portugal – ocorreu a 6 de julho de 1947, sendo concessionado pela entidade proprietária, a Câmara Municipal

Na década de 60 foram realizadas obras de ampliação do edifício, as quais seriam concluídas em 1971. Anos mais tarde o hotel viria a alvo de algumas melhorias e de transformações internas, de forma a adaptar-se às novas solicitações e necessidades de uma estrutura deste género, um dos alojamentos preferidos (e selecionado), durante décadas, nesta região do interior.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Estrela – Geoparque Mundial da UNESCO

 

Hoje, 10 de julho assinala-se o sexto aniversário do Estrela – Geoparque Mundial da UNESCO, o qual integra a lista de 162 geoparques distribuídos por 44 países em todo o Mundo.

A Serra da Estrela obteve assim a sua primeira classificação UNESCO e Portugal o quinto Geoparque; localizado no centro de Portugal, o geoparque adota o nome da serra da Estrela.



No Pleistoceno, um campo de gelo desenvolveu-se no topo do planalto, criando os elementos que dotaram a região das suas características geológicas distintivas: depósitos glaciares como o campo de Moreias de Lagoa Seca, bem como aterros glaciares como o vale glaciar do Zêzere.

O geoparque apresenta também uma grande variedade de formas de alteração do granito, tais como as colunas de granito do Covão do Boi, um grande conjunto de colunas de granito natural, controladas por uma densa rede de fraturas ortogonais, bem como várias formas grandes, incluindo inselbergs (colinas isoladas ou montanhas subindo abruptamente de um plano) e formações menores em forma de cogumelo.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Capacitação Digital dos Operadores Turísticos


O Município da Guarda está a promover o Programa Municipal de Capacitação Digital dos Operadores Turísticos para que as empresas possam melhorar e promover a presença digital dos seus negócios.


Segundo a autarquia, a medida prevê a disponibilização de vouchers de serviços até dois mil euros por empresa, em áreas como a fotografia, vídeos, gestão de redes sociais, websites, lojas e-commerce e posicionamento digital.

Este apoio é vocacionado a micro, pequenas e médias empresas, e empresários em nome individual, nomeadamente dos setores do alojamento local e turismo rural, restauração e similares, agências de viagem e operadores turísticos.

O programa, promovido em parceria com o NERGA – Associação Empresarial da Região da Guarda, e com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pretende contribuir para a modernização digital dos operadores locais, reforçando a sua capacidade de comunicação, visibilidade e competitividade, contribuindo para a valorização da oferta turística do concelho. As empresas abrangidas pelo programa não terão custos.

A Câmara Municipal da Guarda disponibiliza assistência técnica especializada para acompanhar gratuitamente todo o processo, incluindo o esclarecimento sobre o programa, a validação de elegibilidade, o apoio na preparação da documentação e o acompanhamento da candidatura.

Outras informações complementares podem ser obtidas através da linha de apoio 924 139 483.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lopo de Carvalho: o primeiro diretor do Sanatório Sousa Martins

 

Há 104 anos, a 6 de julho, falecia na Guarda o médico Lopo José de Figueiredo de Carvalho, um nome indissociavelmente a esta cidade sobretudo ao Sanatório Sousa Martins, de que foi o primeiro diretor.

Natural de localidade de Tojal (concelho do Sátão), onde nasceu a 3 de maio de 1857, Lopo de Carvalho frequentou a Universidade de Coimbra e licenciou-se em Medicina no ano de 1883. Aluno brilhante, no final do curso foi convidado, pela sua Faculdade, a iniciar o doutoramento, proposta que declinou.

Nesse mesmo ano foi trabalhar para a Meda, como médico municipal; aí exerceu a sua atividade profissional, durante dois anos, prosseguida mais tarde na Guarda, passando ainda o seu percurso como clínico pelos Açores (Graciosa) e por Lisboa.

Com a fixação na Guarda (onde residiu até à sua morte) passou também a exercer as funções de professor do Liceu, à semelhança do que aconteceu com outras conhecidas figuras guardenses da época; cedo se começou a dedicar à causa da luta contra a tuberculose e a empenhar-se, ativamente, na criação de estruturas vocacionadas para o tratamento daquela doença assim como no estabelecimento de normas e regulamentos sanitários.

“A defesa contra a tuberculose está regulamentada convenientemente, há muito tempo, na cidade da Guarda e em todo o distrito; o essencial é cumprir-se a lei e isso é da exclusiva competência das autoridades (…). É esta cidade a única no país que regulamentou a sua defesa contra a tuberculose. Os primeiros aparelhos de Trillat (pelo formol sobre pressão), para a desinfecção das casas e das roupas, que vieram para o nosso país foram adquiridos pela Câmara da Guarda por proposta minha”, escreveu aquele médico na resposta a acusações que lhe foram dirigidas por alguns articulistas da imprensa local, cujo entendimento sobre a importância do Sanatório divergia das ideias de Lopo de Carvalho e de quantos o acompanhavam na afirmação e desenvolvimento daquela unidade de saúde.

O primeiro diretor do Sanatório respondia aos seus críticos dizendo que “a higiene não se pode fazer somente em artigos de jornais e ofícios burocráticos. Para se fazer higiene é preciso gastar-se muita água e dinheiro”.

A “Curabilidade da Tuberculose Pulmonar”, trabalho apresentado no Congresso de Medicina de Lisboa, foi uma das suas mais aplaudidas intervenções em reuniões científicas, na maioria das quais levantou a bandeira das potencialidades da Guarda como cidade da saúde. Aquando do “Congresso de Tuberculose” realizado em Londres, em 1901, foi convidado por Sir William Broadbent para a vice-presidência honorária daquele evento científico.

Os seus esforços, conjugados com o apoio recebido da Assistência Nacional aos Tuberculosos, a que presidia a Rainha D. Amélia, conduziram à construção do Sanatório da Guarda, inaugurado em 18 de maio de 1907.

Lopo de Carvalho seria agraciado, pelo Rei D. Carlos, com a Comenda de S. Tiago. “É de todo o ponto merecida a distinção, que recai sobre um verdadeiro homem de ciência, tisiólogo eminente, que tem sido, no nosso país, um dos mais denodados combatentes contra a tuberculose”, noticiou o Diário Ilustrado.

Redator do jornal “Estudos Médicos”, assim como de “Coimbra Médica”, Lopo de Carvalho colaborou também com as publicações “Movimento Médico”, “Revista de Medicina e Cirurgia” e “Medicina Contemporânea”.

O seu consultório funcionou no edifício conhecido (na atual Rua Vasco da Gama) por Dispensário o qual doou, em 1932, ao Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos. Na rua que ostenta o seu nome existe uma casa que Leopoldina Lopo de Carvalho (a esposa deste médico) doou à cidade, com finalidades específicas; destinado, inicialmente a Arquivo Distrital nela funcionou um Jardim Infantil com o nome da benemérita senhora.

Lopo José de Carvalho (pai de outro conceituado clínico e professor universitário, Fausto Lopo de Carvalho) faleceu na Guarda a 6 de julho de 1922. “O seu enterro foi a expressão mais rigorosa e levantada da consideração em que o povo da nossa terra tinha o ilustre homem de ciência”, realçou a imprensa citadina. O jornal Distrito da Guarda, a propósito do seu falecimento, escreveu que “o nome do Dr. Lopo de Carvalho não se perde no passado; o que se perde é a sua inteligência e os seus vastos conhecimentos científicos”.

O mesmo periódico, passados alguns anos, destacava os serviços “prestados a esta terra” pelo referido clínico. “E no estrangeiro, onde foi por várias vezes, tomando parte de congressos, ou em viagens de estudo, conhecia-se o seu nome em todas as estâncias de cura de tuberculose. Conhecia-se e admirava-se porque, nesta especialidade, o médico distinto pairava muito acima do normal”.

De entre os trabalhos publicados mencionamos “Seroterapia na Tuberculose Pulmonar”, “Uma Epidemia da Febre Tifóide”, “As causa da Febre Tifóide em Portugal” e “Tuberculosos Curados”, este em coautoria com Amândio Paul, que lhe sucedeu na direção do Sanatório Sousa Martins.

Lopo de Carvalho tem o seu nome na toponímia guardense, numa artéria localizada entre o início da Avenida dos Bombeiros Voluntários (onde hoje está o Centro Comercial) e o cruzamento das Ruas Vasco Borges, Rua do Comércio e Largo General João de Almeida.

 

Hélder Sequeira


domingo, 5 de julho de 2026

Valorização do património arqueológico

 

O Município de Foz Côa, através do Museu e Polo Arqueológico da Casa Grande de Freixo de Numão, e a Fundação Côa Parque formalizaram um Protocolo de Cooperação Científica, Cultural e de Valorização do Património Arqueológico do Território.

Fica assim reforçada a articulação entre duas instituições que trabalham na investigação e na valorização do património cultural da região, assegurando também a sua salvaguarda.

A assinatura do protocolo decorreu após uma visita técnica ao sítio arqueológico de Castanheiro do Vento, na Horta do Douro.



A iniciativa permitiu acompanhar os trabalhos arqueológicos em curso, conhecer melhor o potencial científico e patrimonial daquele importante povoado da Pré-História e aprofundar o conhecimento sobre a sua proteção, contribuindo para uma melhor interpretação e divulgação.

O protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da investigação científica, valorização patrimonial, programação cultural, mediação do património e promoção integrada do território.

A parceria, segundo informação divulgada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa prevê o desenvolvimento de projetos de investigação, ações de formação, exposições, conferências, visitas técnicas e percursos interpretativos, promovendo uma leitura integrada do património arqueológico e da paisagem cultural do Vale do Côa e do Douro Superior.

 


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Interior Sonoro: criatividade, inclusão e multidisciplinaridade


“Interior Sonoro. Que grande trip, meu!” é o espetáculo multidisciplinar que terá lugar, amanhã (4 de julho) no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, a partir das 16 horas. A entrada é livre, mediante o levantamento prévio do bilhete.


Este espetáculo tem direção artística de B. Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), cruzando música, teatro, escrita e fotografia num percurso de criação coletiva, construída com participantes da CERCIG e da Associação PALOP.

Para Luís Fidalgo Sequeira, “nenhum processo está totalmente definido de forma prévia. Existe uma intenção, uma ideia, uma direção, mas tudo se constrói através da partilha entre as pessoas, no tempo que investimos e nas experiências conjuntas que nos vão guiando de forma natural, sem forçar nada, só deixar acontecer, como o tempo.”

O diretor artístico do “Interior Sonoro” esclarece que “o arco narrativo Trauma, Sombra e Sonho, foi algo pensado como proposta inicial para o espetáculo. Curiosamente, acabou por fazer sentido com tudo aquilo que a CERCIG desenvolve e até com experiências e situações com as quais a Associação PALOP da Guarda se depara.”

Instado a comentar o papel dos formadores, neste projeto, considera que eles “também têm o seu impacto através da sua diversidade, cruzando vários caminhos, mas com um propósito comum. Ao longo das sessões do Interior Sonoro surgiram muito mais do que exercícios criativos. Surgiram conversas que se prolongaram para além das atividades propostas. Surgiram memórias partilhadas pela primeira vez, gritos de revolta, qualidades que eram desconhecidas até aquele momento. Surgiram perguntas difíceis, momentos de descoberta, episódios de humor ou outros mais sérios. Surgiu a escuta e a cumplicidade. Aproximámo-nos e deixámo-nos levar, deixámos o tempo acontecer.”

Aludindo ao percurso percorrido, ao longo dos meses em que foi construído este trabalho que amanhã será apresentado no TMG, Luís Fidalgo Sequeira diz que “os cadernos começaram por receber as primeiras palavras soltas e acabaram por guardar reflexões, poemas, narrativas, letras de canções, memórias, recortes. Algo que nos irá acompanhar e que a nossa mente preservará com o maior carinho. Os exercícios de expressão corporal deram lugar a novas formas de confiança e comunicação. A música transformou emoções, ideias e experiências em ritmo, voz e numa presença evidente. A fotografia registou não apenas aquilo que era visível, mas também os pequenos gestos, as relações, os detalhes e todos aqueles instantes que definem um processo coletivo. Nós somos isso: um coletivo multidisciplinar.”

Aliás, um aspeto que o diretor artístico de “Interior Sonoro” sublinha nas suas declarações a propósito deste projeto. “O resultado não se resume a uma só disciplina artística. Cada linguagem acrescenta uma nova camada de significado aquilo que desenvolvemos de forma conjunta. No teatro habita a história. A escrita permite organizar pensamentos e emoções. A música é o ponto de encontro. A imagem preserva aquilo que as palavras nem sempre conseguem descrever.”

Por outro lado, acrescenta Luís Fidalgo Sequeira, “também surgiram relações de amizade entre participantes, formadores, técnicos e direção artística. Diferentes gerações, com percursos de vida distintos e diferentes referências culturais que através da comunicação conseguiram canalizar toda a partilha em novas perspetivas, reforçando a ideia de que a criação coletiva se constrói precisamente a partir da diferença.”

Assim, Luís Fidalgo Sequeira refere que amanhã, no TMG, vai ser apresentada “apenas uma parte visível desse percurso. As canções, os textos, as fotografias e os registos documentais são o resultado real de meses de trabalho. Mas existem outras dimensões que permanecem fora destas páginas: as conversas, os ensaios, os momentos de superação, as descobertas individuais, tristezas, as pessoas que decidiram sair quando realmente faziam falta e não se deram conta. Foram muitos os laços construídos ao longo deste caminho.”

B. Riddim retém que “talvez seja aí que resida a verdadeira obra. Não apenas no que foi criado, mas em tudo aquilo que se tornou possível através do processo. Na verdade, são todos esses meses, aquelas sessões, aquelas horas em que estivemos juntos que nos trouxe a este ponto.”

Este projeto é complementado com um livro e um disco que integra dez temas originais que cruzam Hip-Hop, spoken word e criação colaborativa. Igualmente com direção artística, produção, gravação e mistura de B.Riddim (Luís Fidalgo Sequeira), o vinil reúne participantes da CERCIG e da Associação PALOP, contando ainda com as participações de Maze, Kei e Miguel Silva.

“Inspirado pelos conceitos de Trauma, Sombra e Sonho, o álbum nasce de um processo de criação artística desenvolvido ao longo de vários meses com ambas as entidades participantes, transformando diferentes experiências, memórias e perspetivas numa narrativa musical comum. Entre a escrita, a palavra dita e a interpretação, cada tema reflete o encontro de diferentes vozes e linguagens numa obra que ultrapassa o seu contexto de origem.” Referiu Luís Fidalgo Sequeira

A masterização esteve a cargo de Gonçalo Peixoto e a edição é do Teatro Municipal da Guarda (TMG).

Disponível em formato digital e em edição física integrada no livro do Interior Sonoro, o álbum (com o mesmo nome) afirma-se como uma peça central de um universo artístico que inclui também o anteriormente aludido espetáculo multidisciplinar e uma série documental.