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domingo, 8 de fevereiro de 2026

António Arede: a Rádio é uma paixão

 

António Arede nasceu para a rádio (por quem continua a nutrir uma grande paixão) na Guarda; precisamente na estação emissora que em 1948 começou a emitir oficialmente na cidade mais alta de Portugal.

A sua atividade radiofónica começou em 1973/74 na Rádio Altitude, tendo passado depois pela Rádio Renascença entre 1975 e 1990. No tempo das rádios-piratas iniciou a colaboração no RCI, desde a sua criação, projeto que acompanhou nas diversas fases de expansão até à passagem para as instalações atuais.

Respeitado no meio rádio e do jornalismo pela sua larga experiência e pela sua exigência em termos de rigor e qualidade dos trabalhos que produz, António Arede é igual a si próprio, com inquestionável competência e saber, elevado sentido de humanidade e grande cordialidade.

Do seu percurso profissional destaca-se ainda a passagem pela RDP/Centro (Antena 1) e, mais recentemente pelo grupo Media Capital Rádios - Rádio Clube Português, Rádio Clube e pela M80 Rádio.

Com 70 anos, António Arede continua a fazer e a viver a rádio, sempre com a mesma entrega e paixão, abrindo igualmente porta para outra atividade que o tem entusiasmado, de que fala ao CORREIO DA GUARDA. “Hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!...”

António Arede - estúdio da Rádio Altitude .jpg

Quem é o António Arede?

Jornalista, 70 anos de idade, apaixonado pela rádio e comunicação, tendo também a atividade de Dj como complemento.

 

És um apaixonado pela rádio e pelo jornalismo. Quando começou essa vocação?

Em finais de 1973, então pela mão do correspondente da RTP em Viseu, José Ayres, que pelos seus conhecimentos no meio conseguiu a minha entrada como colaborador da Rádio Altitude para a área da animação, na altura locução.

 

Nos tempos do liceu o som e a música envolveram-te em atividades. Que recordações gostarias de deixar aqui?

A criação, em 1973, de um núcleo de rádio no liceu, que transmitia música nos intervalos das aulas, através de um sistema interno de som, com colunas instaladas nos recreios e sala dos professores.

Tratava-se do grupo Geração de 60, que também implementou no liceu um grupo de Teatro e um jornal com o mesmo nome (Geração de 60), que na época era impresso em tipografia.

Ainda fiz parte do grupo de Teatro como ator e mais tarde como sonoplasta, uma vez que sentia queda para essa área.

 

Nessa época a inclinação era mais para a Rádio ou para o Jornalismo?

Na época a inclinação era mais para a área da rádio (animação), visto que o conceito de jornalista de rádio ainda não estava criado, as notícias eram lidas de recortes de jornais por alguém que tivesse a melhor voz.

 

A imprensa não suscitou tanto a tua atenção? Porquê?

Na altura não sentia interessa pela imprensa escrita, também porque nunca pensei vir a ser jornalista, e mesmo como jornalista sempre privilegiei o sector rádio, tirando uma pequena experiência na imprensa (jornal Notícias da Tarde, do Grupo JN) e a Agência de Noticias ANOP.

 

Desde cedo tiveste o teu próprio estúdio, com equipamento diversificado, e já distinto na época. Fala-nos dessa época e do trabalho que foi desenvolvido.

Em 1973 estava mais virado para a locução em rádio…era um mundo para mim; depois com o avançar dos anos, em 1975/76, tornei-me correspondente da Rádio Altitude em Viseu.

Foi a partir daí que desenvolvi as minhas próprias instalações criando um sistema para envio do som para a rádio via telefone com mais qualidade, facto que veio a evidenciar-se mais tarde também com a minha entrada para a Rádio Renascença, em 1976; estação que viria a abraçar através da influência do Antunes Ferreira (da Rádio Altitude) e do José Ayres de Viseu.

António Arede - na Rádio Altitude .jpg

Há algum equipamento, adquirido, que te tenha deixado um entusiamo especial? Gravadores de bobines…?

Tenho ainda alguns gravadores de cassetes da época… uns funcionam, outros não; um pequeno OB (como se chamava na altura) para tratamento do som no envio pelo telefone e uma máquina de bobines, que pouco usava na altura, tirando a TANDBERG de fita, portátil, da Rádio Altitude ou a UHER da Rádio Renascença.

 

Recordas-te dos teus primeiros vinis? Quais eram os cantores ou grupos preferidos?

Tudo o que tocava na altura. Eu comprava muita música de vinil, singles e Lps…todo o dinheiro que os meus pais me davam eu investia em música…ainda hoje possuo uma discoteca de milhares de exemplares em vinil e também agora em Cds

Quanto aos grupos preferidos da época, não posso deixar de referenciar os Beatles, os Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Led Zeepllin, Pink Floyd,entre outros .

 

 

Ainda conservas os teus primeiros vinis? E cassetes?

Conservo tanto os vinis como as cassetes. Aliás no estúdio de radiodifusão que possuo atualmente, embora seja um estúdio moderno já com equipamento digital, também tem gravadores de cassetes a funcionarem, de onde destaco os velhinhos Marantz profissionais portáteis PM222.

Estúdio de António AREDE.jpg

Por essa altura acompanhavas, com frequência o José Ayres (que além de distinto fotógrafo trabalhava para a RTP). Qual foi a influência dele na tua atividade no campo da comunicação social?

Teve toda a influência. Aliás foi através dele que entrei no mundo da rádio e da comunicação…Foi a sua influência que conseguiu a abertura de portas na Rádio Altitude, a minha porta de entrada na Comunicação Social.

Outro homem muito importante para a minha integração foi o Antunes Ferreira que, desde o primeiro momento, me deu a mão e me ensinou bastante, tendo sido a influência para a minha entrada na Rádio Renascença.

AREDE RADIO RENASCENÇA.jpg

 

Como surgiu, e quando, a tua ligação com a Rádio Altitude?

Como já expliquei a minha ligação com a Rádio Altitude surge em finais de 1973 princípios de 1974… recordo-me que o meu programa que era gravado, começou ainda no tempo da censura.

Na altura a RA tinha dois administradores, o Antunes Ferreira e o Carvalhinho que era quem censurava os textos dos programas, e as notícias que iam ao microfone, pela voz do Vaz Júnior

 

Quais foram os teus primeiros trabalhos informativos para a Rádio Altitude?

Não me recorda já bem do ano, mas talvez em 1976. Eu ficava fascinado com a forma como se trabalhava... as gravações dos RMs (registos magnéticos) na “Ferrograph” (máquina profissional de fita magnética), onde se inseriam sem qualquer critério de importância de alinhamento as gravações a incluir nos noticiários do RA.

FERROGRAPH - foto.jpg

Foi reformada a redação talvez pelo ano de 1977/78 e foi criada uma redação em Viseu. Na altura tomávamos conta das notícias o Helder Sequeira, o Francisco Carvalho, o Emílio Aragonez, o António José Teixeira e eu.

Viseu enviava um pequeno noticiário com notícias da região que era inserido no noticiário das 12h30. Como a Rádio emitia em Onda Média, ouvia-se bem na região de Viseu, o que justificou a criação de uma segunda redação.

Eu gravava em minha casa as intervenções dos correspondentes da região de Viseu e inseria nos noticiários da Guarda, com outras noticias de Viseu... depois a redação da Guarda prosseguia o noticiário

radio altitude - edifício .jpg

Asseguravas a cobertura informativa, quase diária, para os noticiários da Rádio Altitude. Como tinhas estruturada a tua rede de correspondentes e as tuas fontes de informação?

Criei então uma rede, que contemplava um correspondente em cada concelho, embora na prática só intervinham com a sua voz gravada os correspondentes de zonas onde a rádio entrava e era ouvida.

Os correspondentes eram a minha fonte de informação...depois havia a imprensa regional da época e os contactos na polícia e no hospital…tudo era tido em conta.

 

Que equipamentos utilizavas e como era feito o envio para os estúdios na Guarda?

O envio era feito pelo telefone através de um OB, muito rudimentar, construído por mim, embora mais tarde utilizasse o Shure da Rádio Renascença, uma vez que estava a trabalhar também com eles na área da informação.

Aquilo era uma pequena caixinha que se ligava através de duas pinças à caixa do telefone…depois punha-se o gravador em formato de gravação para amplificar a voz e o som lá saia com qualidade, muito diferente do som normal de telefone…(também servia para gravar os correspondentes) porque recebia e enviava pelo mesmo modo …mais tarde vieram os híbridos telefónicos e tudo ficou mais simples

 

Asseguravas também a cobertura do desporto?

Penso também que sim, embora só as notícias…que eram depois escrutinadas pela equipa do desporto do RA, mas não fazia relatos

 

Em Viseu a tua atividade dinamizou várias iniciativas, que tiveram como palco o Rossio e a Feira de São Mateus. O que recordas desse período?

O aniversario do meu programa de rádio no Altitude…o “Tempo de Juventude” que era gravado em Viseu nos estúdios da Electro Carmo, que a empresa criou para eu poder gravar em Viseu as emissões.

Na festa da aniversário que decorreu no Pavilhão da Feira de S Mateus foram envolvidas várias associações de Viseu e contou com teatro, folclore e grupos musicais.

A Rádio Altitude decidiu, então, vir a Viseu nesse dia com o Antunes Ferreira e o Luís Coito para me entregarem pessoalmente nesse espetáculo a medalha dos 25 anos do RA.

 

Quais os/as colegas que recordas dessa época, em Viseu e na Guarda?

Na Guarda o Abel Vergílio, o Vaz Júnior, o António Pinheiro, o Emílio Aragonez, o Antunes Ferreira, o Luís Coito, o Luís Coutinho, o Padre Vergílio Arderius, o Francisco Carvalho e o Helder Sequeira, entre outros.

 

As pessoas identificavam-no no exterior, reconheciam a tua voz? Como era a reação das pessoas?

Tinha uma voz que era agradável, e as pessoas identificam-me pela voz …eu era o magrinho da voz forte

 

O teu percurso na Rádio passa também pela Guarda onde tiveste funções diretivas no Altitude. Era a época das novas estações de rádio e de novos desafios. O que significou para ti esse tempo?

Foi uma grande experiência para mim ter vindo da RDP para a direção da Rádio Altitude, a convite da então Governadora Civil da Guarda, Marília Raimundo e do Helder Sequeira… Na altura ainda funcionava a onda média, mas já tinham o FM, e eu criei duas programações distintas, uma para FM outra para Onda Média.

Vim também a dirigir a informação da rádio, criando uma agenda de serviços para cobertura de acontecimentos, mas os tempos eram outros… havia outras ferramentas…surgiram os primeiros computadores então oferecidos pela Governadora Civil que vieram facilitar em muito a missão.

Os jornalistas escreviam as notícias à mão, mais tarde na máquina de escrever e por fim nos computadores onde se podia guardar tudo…foi a revolução; na técnica também deixamos de gravar em fita para passar a gravar em computador o que simplificou as coisas.

 

Como vias a relação entre a Rádio e a Cidade/Região? Há algum episódio que te tenha marcado?

 

A Rádio Altitude tinha muito prestígio na cidade e na região. A voz do Altitude era respeitada por todos.

As pessoas ligavam para a rádio para dar a conhecer este ou aquele acontecimento…até nos acidentes era para nós que as vezes ligavam primeiro.

 

Para além do Altitude há também uma ligação profissional a outras estações, nomeadamente à Rádio Renascença? Fala-nos dessa atividade e das estações onde ocorreu o teu trabalho como jornalista.

 

Como já referi anteriormente a minha ligação à RR passa pelo Altitude…fui indicado pelo Antunes Ferreira, quando a RR criou a equipa nacional de correspondentes distritais.

A RA era o correspondente na Guarda da Rádio Renascença e eu era o Correspondente de Viseu.

 

Até agora qual foi a tua experiência mais positiva na rádio?

A mais positiva foi o ter de assegurar a direção geral de uma rádio em Viseu (Rádio No Ar) e reformatar toda a programação, criando tipologias de programas de acordo com o publico alvo /ouvintes do segmento rádio.

Ao organizar a equipa, consegui aperceber-me das vocações de cada um e todos foram colocados no lugar certo, executando as funções para as quais estavam vocacionados (animação, jornalismo/noticiários/ reportagem de rua, e entrevista em estúdio), pelo que o resultado final foi fabuloso. A rádio subiu as audiências e começou a faturar em publicidade.

António AREDE no estúdio .jpg

A rádio do passado e do presente: diferenças, semelhanças, desafios?

Eu penso que no meio rádio no passado havia mais criatividade.

Os programas eram de autor, pensados e idealizados com muito cuidado. Escolhia-se criteriosamente a música a passar e os textos para complementar a produção dos conteúdos. Hoje as rádios passaram a ser playlists musicais...e são quase todas iguais nos conteúdos, o que é mau…faltam os programas de autor

 

Hoje é mais fácil o acesso à produção de programas de rádio?

É tudo mais fácil, devido às ferramentas existentes… as novas tecnologias. Hoje pode fazer-se rádio na Web a partir de casa, com pouco equipamento e muita qualidade. A informática veio revolucionar o meio rádio.

 

Atualmente, e sem perderes a tua ligação à música dos anos da tua geração, tens também trabalhado como DJ. Como surge esta faceta?

A atividade de DJ surge numa altura em que entro para o Grupo Media capital rádios, - Rádio Clube Português – Rádio Clube (projeto de rádio informativa) e M80 Rádio. Foi aqui que despertei a vocação de DJ ao ver os colegas de Lisboa a passarem música em festas da Rádio.

Aproveitei a minha passagem por Lisboa e tirei lá o curso de Dj no Centro de Formação para DJs da Pioneer (i4DJ). Tirei dois cursos e hoje passo música dos anos 80 em todo o lado. Cada noite é um sucesso!... Sou requisitado para muitas atuações, tendo os meses quase sempre fechados com datas para tocar, aos fins de semana.

DJ AREDE FOTO.jpg

É um trabalho que gostas de fazer?

Adoro pelo contacto com as pessoas, …depois é o tipo de música que faz mexer toda a gente.

 

Que outras coisas gostas de fazer nos teus tempos livres?

Oiço muito rádios estrangeiras temáticas, para ver as tendências e os estilos, gosto muito de ler, procuro estar ao par das inovações tecnológicas do meio rádio, e ver televisão, noticias, filmes e música. 

 

Como vês hoje a Guarda? Acompanhas o que se passa aqui?

Não estou muito a par do que passa na Guarda atualmente, mas devo confessar que gosto muito das pessoas da Guarda… sempre me trataram muito bem e souberam respeitar o meu valor.

 

Achas que as cidades da Guarda e Viseu estão mais próximas?

Acho que sim, mas no campo político a aproximação devia traduzir-se em cooperações mais alargadas que fomentassem mais valias para ambas as cidades.

 

H.S.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Derrocada na muralha de Almeida


Em Almeida ocorreu uma derrocada de parte da muralha da fortaleza daquela vila, no sítio da Praça Alta, tendo-se registado a queda de pedras.


Foto: Câmara Municipal de Almeida

Uma ocorrência na sequência das intempéries que se têm feito sentir e que levou à tomada de medidas de sinalização e proibição de acesso, “de forma a salvaguardar a proteção de todas as pessoas que ali possam circular”, como informou a Câmara Municipal de Almeida.

Aquela autarquia apela “ao respeito pela sinalização existente e à não aproximação da zona interditada.”

De referir ainda que ocorreu uma derrocada numa parte da estrutura da Ponte dos Gaiteiros. Esta ponte integra um caminho rural que estabelece ligação a Valverde e à Estrada Nacional 340.

Por motivos de segurança, a ponte encontra-se devidamente vedada, estando interdita a circulação sobre a mesma até nova avaliação das condições estruturais.



Eduardo Flor: na procura das melhores fotos


Natural da Guarda, Eduardo Flor é Técnico de Prótese Dentária. Contudo, desde sempre que procurou atividades para os seus tempos de lazer de forma a tornar a sua vida “menos monótona”, como disse ao CORREIO DA GUARDA.

“Pratiquei caça, pesca, tiro de competição, danças de Salão e neste momento a fotografia ocupa-me todo o tempo disponível”. Para onde quer que vá, Eduardo Flor vai sempre acompanhado de máquina fotográfica. “E na ausência dela, uso o telemóvel”, acrescenta no seu peculiar tom jovial.

Dos seus projetos não exclui fazer um catálogo com as espécies de aves existentes no distrito da Guarda.

 

Eduardo FLOR.jpg

Quando surgiu o interesse pela fotografia?

Digamos que o interesse pela fotografia surgiu logo a seguir a ter deixado a caça, sentia falta de andar pelo monte à procura de algo.

Depressa me apercebi que o podia fazer com uma máquina fotográfica. Passei então, a ter muito mais prazer em andar pela natureza a “caçar” fotograficamente sem interferir com os animais e seu ecossistema.

A emoção é a mesma, rastejo, escondo-me e espero muitas vezes horas para conseguir o meu objetivo, trazer as melhores imagens que posso ou por vezes nada...

 

Que géneros de fotos prefere? Fotografia de rua, paisagem, retrato…?

Durante muitos anos pratiquei apenas fotografia de natureza, porém, comecei a reparar que, por vezes, observava paisagens espetaculares e únicas, monumentos, pessoas dignas de um registo fotográfico.

A atividade em ambiente agrícola entre outras, que poderiam enriquecer o meu portfólio. Neste momento, se bem que o foco principal é a natureza, não deixo de aproveitar uma boa fotografia, quer seja paisagem ou retrato, não esquecendo a fotografia urbana que gosto de fazer nas grandes cidades.

 

Fotografia a cores ou a preto e branco?

Como o meu foco principal é a fotografia da Natureza, as minhas fotos são na maioria a cores, pois as aves têm cores lindíssimas que se perderiam se fosse a preto e branco; pessoas, aldeias ambiente rural e urbano prefiro o registo a preto e branco.

 

Preocupa-se com o trabalho de edição das fotografias? É um trabalho moroso?

Como faço fotos em ficheiros Raw, todas elas passam por programas de edição, primeiro, porque tenho que as passar para jpeg, que é um ficheiro em que a foto fica com menos resolução, ficando assim preparada para ser postada numa qualquer rede social ou outro, e também para dar um toque nas sombras, quando é preciso, ou para dar um jeito nos enquadramentos.

Como tenho o cuidado de ajustar as funções da câmara às condições do local onde vou permanecer para fotografar, permite-me perder pouco tempo depois na edição.

 

A zona da Guarda é a preferida para os seus trabalhos? Que outras zonas em especial?

A zona da Guarda é a zona onde fotografo mais frequentemente, não por ser a preferida, mas por ser a zona onde habito; para o tipo de fotografia que mais faço (aves) a minha zona preferida é Aveiro, onde a biodiversidade é muito rica, a espécies de aves é muito superior devido à morfologia dos terrenos e zonas marítimas.

Também gosto de ir até Espanha para fotografar Aves Rapinas e algumas vezes vou para as Lagoas de Sesimbra, aquando das migrações das aves para essa zona.

 

O que gosta mais de fotografar na Guarda?

A riqueza dos nossos monumentos, que fazem já parte do meu portfólio, mas que não me canso de procurar outras perspetivas, a realização de eventos que tragam muita gente à rua, para aí sim me deliciar a fotografar expressões.

No Inverno, quando as neblinas estão localizadas na parte mais alta da cidade, também é um prazer fotografar e quando neva na mais alta.

 

Como têm reagido as pessoas à suas fotos?

A reação no geral é muito positiva; em primeiro lugar porque muitas das aves que publico nas redes sociais não são fáceis de registar e não são vulgares, de cores lindíssimas, de uma beleza invulgar.

Sendo habitual deslocar-me a muitos locais, fora do nosso distrito, tenho uma variedade enorme de espécies. Como publico fotos em várias páginas do facebook é frequente ter fotos reconhecidas e em destaque por esses grupos, daí que o feedback me parece positivo.

Foto ave - Eduardo Flor.jpg

O digital incrementou, junto das pessoas em geral, o gosto pela fotografia?

A facilidade com que agora se pode ter a experiência de fotografar, não é a mesma de há vinte anos atrás; neste momento com um simples telemóvel se pode tirar uma fotografia e publicar nas redes sociais sem nenhum custo, tornando assim mais fácil a experiência de fotografar, porém terá de se diferenciar a arte de fotografar e a simples captura de imagem.

Também o facto de podermos visualizar a imagem no imediato, assim como a facilidade de obter a foto, vem incentivar mais pessoas a fotografar.

Penso que não havendo a necessidade de criar condições especiais para a revelação, assim como a ausência dos custos associados, são também fatores facilitadores.

 

Fazer fotografia implica uma permanente atualização dos equipamentos?

Penso que no momento de comprar o equipamento deve-se pensar o que se pretende fotografar, pois teremos de comprar uma máquina, lente ou lentes, para vários tipos de fotografia.

O meu conselho é comprar uma camara média que, no momento da compra, pode ser um pouco mais cara, mas será uma máquina que durante uns anos servirá perfeitamente para o nosso objetivo sem precisarmos de atualizar o equipamento.

Conselho, perguntar sempre opinião a alguém que fotografe, um fotógrafo experiente dará sempre bons conselhos...

 

Os preços dos equipamentos são hoje mais acessíveis?

Bastantes mais acessíveis e não só; as máquinas fotográficas, neste momento são dotadas de configurações que há meia dúzia de anos atrás ninguém sonharia, filtros interiores, edição de imagem, GPS, Bluetooth, permitem isos altíssimos sem ruído nas fotos e, muito importante, bastante mais leves.

 

Para além das iniciativas que tem havido, na área de fotografia, o que podia ser ainda feito para aproximar o público em geral dos trabalhos fotográficos aqui produzidos?

Passeios fotográficos, como fazíamos antes da pandemia. Exposições de fotografia, debates com o tema “Fotografia”, realizar oficinas com abordagem a este tema.

Ave - Foto Eduardo Flor.jpg

 

Tem algum episódio curioso, ou que lhe tenha deixado boas recordações, no decorrer da sua atividade fotográfica?

Tenho feito bastantes amigos fora do distrito da Guarda, com episódios circunstanciais engraçados.

Recordo um episódio, antes da pandemia. Fui com um colega também fotógrafo de natureza dar uma volta pela zona de Figueira Castelo Rodrigo; andámos toda a manhã a fotografar, por volta das 13 horas fomos procurar um sítio para comer qualquer coisa.

Chegamos a uma aldeia e fomos a dois cafés para ver se nos podiam fazer uma sandes, mas nem pão nem nada para comer, mais à frente perguntámos a um habitante se haveria alguma aldeia perto daquela onde conseguíssemos comer algo. Disse logo que não, por ali não havia nada, mas para irmos à Casa do Povo onde estariam a preparar uns frangos para os caçadores de uma batida aos javalis, podia ser que dispensassem algum.

Lá fomos nós e realmente lá tinham as grelhas com frangos, dirigimo-nos ao senhor que estava a tomar conta da grelha e perguntamos se nos dispensava um frango, o senhor respondeu logo que sim e passados dois minutos já tínhamos uma mesa com pão caseiro um frango e umas cervejas, conversa mais conversa, o que fazíamos, o que fotografámos,

de onde eramos, se queríamos mais carne, que conheciam uma pessoa na Guarda com o meu apelido…bem, comemos até estarmos satisfeitos e ainda me ofereceram um garrafão de azeite!...

 

E episódio menos agradável?

Dois episódios menos agradáveis: o primeiro foi no verão passado, estava num local já há umas horas à espera que aparecesse algo para fotografar; de repente vem um bando de abelharucos beber água, quando aparecem, são cinco minutos de dezenas

de mergulhos, uma coisa brutal de se ver e fotografar, azar...ficaram tão perto de mim que a minha lente não os conseguia fotografar, foi mesmo uma grande frustração.

O segundo foi há três semanas atrás, descobri uma colónia também de abelharucos, uma das espécies de pássaros mais bonitos que vêm, nesta altura para acasalamento e fazer os ninhos em buracos profundos na terra onde criarão os filhos. Estavam muito juntos e em voos rasantes junto aos ninhos; coloquei a máquina no tripé e vai de disparar dezenas de fotos. Todo contente vim para casa rever as fotos que tinha feito...uma desgraça!... a maior parte todas desfocadas pois tinha alterado os modos da máquina para outro tipo de fotos e não fiz a respetiva correção. Importante, antes de sair de casa reparar nos valores da máquina, para não acontecerem erros destes.

Foto - Eduardo Lourenço.jpg

Que projetos tem no campo da fotografia?

Fazer umas quantas exposições com a fauna que temos por aqui… E quem sabe, fazer um catálogo com as espécies de aves do nosso Distrito.


Entrevista de:

Hélder Sequeira.

A propósito da Prisão Sanatório da Guarda...


Os edifícios da antiga Prisão Sanatório e da Cadeia Comarcã, como outros na Guarda, não podem ser dissociados do estudo da evolução citadina na segunda metade do século passado. As referidas estruturas devem ser valorizadas e estudadas face ao papel que desempenharam durante muito tempo; sobretudo a Prisão Sanatório pelo facto de ter sido pioneira em Portugal.

A construção de prisões-sanatório para o internamento dos presos condenados a qualquer pena privativa de liberdade, “que sejam tuberculosos ou predispostos para a tuberculose e necessitem de um tratamento compatível com um regime moderado de prisão” tinha sido já considerada na reforma dos serviços prisionais definida em 1936, através do Decreto-Lei nº 26643, de 28 de maio.

A necessidade de serem criados estabelecimentos prisionais com este perfil ficava sobejamente justificada face aos “graves e visíveis” inconvenientes do internamento de presos com tuberculose “nas prisões comuns”. Por outro lado, e como era referido no mencionado texto legal, “também não parece recomendável o internamento dos presos doentes nos sanatórios ou nas outras instalações destinadas a tuberculosos em geral (…)”; daí que a opção tenha sido pela “criação de uma prisão especial”.

Edifício que, como era sublinhado, foi construído “junto de um sanatório em funcionamento, com o principal intuito de, no interesse do Tesouro Público, aproveitar o material e o pessoal especializado pertencente a esse estabelecimento”.

Era igualmente anotado que a Prisão Sanatório da Guarda tinha “características novas dentro dos serviços penitenciários e que vai funcionar também em novos moldes, através do regime de colaboração a estabelecer com o Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”. O Decreto-Lei nº 40231, de 6 de julho de 1955, veio dar “existência jurídica” à Prisão Sanatório da Guarda.

A esta distância temporal, uma alusão ao facto poderá, para alguns, justificar apenas, e com alguma benevolência, um tímido registo de ocorrências do passado. Contudo, importa salientar que a entrada em funcionamento da Prisão Sanatório da Guarda representou mais uma inquestionável afirmação desta cidade – à época – no panorama nacional; isto na sequência de outros importantes serviços ou melhoramentos aqui realizados na primeira metade do século XX.

A escolha da Guarda para a localização desse estabelecimento prisional teve em conta, como já foi dito, a existência do conceituado Sanatório Sousa Martins (inaugurado em maio de 1907) e do seu reputado corpo clínico; aliás foi ele que assegurou o apoio médico e cirúrgico, no âmbito do protocolo estabelecido, então, entre o Ministério da Justiça e a Direção Geral de Assistência. Na Guarda teve lugar, neste contexto, a primeira aplicação prática dessa cooperação; atitude similar foi seguida, mais tarde, na Prisão Hospital S. João de Deus, cuja construção terminou muito tempo depois da inauguração do complexo prisional guardense.

A Prisão Sanatório da Guarda – junto à Cadeia Comarcã, inaugurada na mesma data, 29 de janeiro de 1955 – foi edificada para receber os reclusos, de todo o país, portadores de doenças pulmonares.

Como noticiou a imprensa citadina, a Prisão Sanatório era um “edifício magnífico, ocupando uma área de 1100 metros quadrados. Nas suas enfermarias e nos quartos de isolamento, optimamente mobilados, podem albergar-se mais de cem reclusos”. O Ministro da Justiça, de então, expressou, na altura, o desejo de “que muitos saiam daqui mais sãos no corpo, sobretudo mais sãos na alma”.

Prisão Sanatório - Guarda.jpg Foto de Arquivo_HS

 

No mapa nacional dos serviços prisionais, a mais alta cidade portuguesa ficava dotada, com uma estrutura ímpar, enquadrada na propalada “revolução no espírito e na orgânica”, fomentada e defendida pelos dirigentes políticos da época.

Por outro lado, ao serem viabilizadas novas instalações para a Cadeia Comarcã da Guarda libertou-se o centro da cidade do “espectáculo desagradável”, numa expressão da imprensa local, decorrente da permanência e do contacto com os presos, e asseguraram-se – pelo menos era essa a intenção oficialmente manifestada – novas condições para a desejada regeneração dos reclusos.

As duas prisões (e edifícios anexos para os guardas e serviços de apoio) representaram um investimento de cerca de 5 000 contos, verba muito significativa nos tempos (igualmente difíceis no plano financeiro), que decorriam.

A partir de 1971 passou a funcionar nas instalações da Prisão Sanatório o Estabelecimento Prisional Regional da Guarda, até porque “a evolução entretanto verificada nos métodos de tratamento da tuberculose determinou o encerramento daquela unidade prisional”, como era evocado no Decreto-Lei nº 359/85 de 3 de setembro que decretou a extinção da Prisão Sanatório da Guarda.

Apesar das sucessivas alterações, a matriz da Prisão Sanatório da Guarda permanece naquela estrutura que ladeia o atual Parque da Saúde, constituindo um património guardense em relação ao qual temos o dever da memória…

 

Hélder Sequeira

Discos Pedidos na Rádio


“Discos Pedidos” é o título da curta metragem, realizada por Luís Sequeira, que fala de um dos mais carismáticos programas da Rádio Altitude, nas décadas que antecederam a revolução de 25 de Abril de 1974.

O realizador referiu que “Discos Pedidos dá-nos a conhecer a realidade tão querida dos programas com esse formato, na Rádio Altitude (…). Este filme, mostra o lado de lá dos discos pedidos com um fiel retrato de uma espécie de jukebox do povo."

Discos Pedidos na Rádio Altitude

No filme/ documentário é também evocado o contexto político e social, bem como referidas algumas das músicas que eram alvo da censura e a formas como eram contornados os obstáculos para a sua difusão, por parte dos locutores/animadores de emissão.

A curta-metragem (que contou com a participação de antigos colaboradores e profissionais da Rádio Altitude, como é o caso de Emílio Aragonez) tem exteriores gravados no Parque da Saúde da Guarda, onde funcionou o antigo Sanatório Sousa Martins, e filmagens nas instalações da estação emissora guardense. Pode ser vista aqui.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Funcionários da CMG ajudam na Marinha Grande

 

Uma equipa de funcionários da Câmara Municipal da Guarda está desde ontem na Marinha Grande, para ajudar na reconstrução das zonas afetadas pela depressão Kristin.


Imagem de uma das intervenções. Foto CMG.

Os funcionários da autarquia guardense estão a realizar trabalhos de remoção de destroços e de reparação de edifícios, estruturas e equipamentos; efetuaram já intervenções em vários edifícios públicos e particulares, como o Jardim de Infância do Pilado e o Lar da Santa Casa da Misericórdia, tendo contado, neste caso, com o apoio dos fuzileiros.

De referir que a equipa do Município da Guarda é composta por 10 elementos, entre eletricistas, serralheiros, canalizadores, técnicos e operacionais. A sua deslocação tem por objetivo ajudar a resolver as necessidades mais urgentes e intervir logisticamente no apoio às populações.


PJ da Guarda deteve presumível abusador de crianças


A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, deteve ontem um homem de 18 anos, presumível autor de crimes de abuso sexual de crianças e de um crime de pornografia de menores. Foi vítima uma menor de 13 anos, que conheceu nas redes sociais.

Após contacto em ambiente digital, onde trocaram imagens íntimas, conheceram-se pessoalmente vindo a combinar encontros durante os quais vieram a ocorrer os atos sexuais de relevo.

Os abusos foram praticados entre janeiro e o mês em curso, no interior de casas abandonadas, tanto na cidade de Alenquer como da Guarda, onde o suspeito foi encontrado na companhia da vítima.



O inquérito teve origem numa pronta e eficaz comunicação do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento da GNR da Guarda, quando procediam a diligências no âmbito de uma comunicação de desaparecimento da menor em causa.

Salienta-se a colaboração do referido Núcleo que permitiu uma célere e bem-sucedida intervenção da PJ, levando à detenção do suspeito.

 O detido foi presente no dia de hoje a primeiro interrogatório judicial tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão domiciliária. 

O inquérito é titulado pelo Ministério Público da Guarda.