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domingo, 1 de março de 2026

Gouveia recorda Vergílio Ferreira

 

A Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, em Gouveia, assinala hoje, 1 de março, os 30 anos da morte daquele escritor (1916-1996), através de um conjunto de atividades culturais, que pretendem celebrar a sua obra e aproximar as novas gerações da literatura portuguesa.

Sob o mote “Evocação e Memória”, a iniciativa propõe um programa pensado para diferentes públicos, combinando momentos pedagógicos e de contacto direto com o legado literário do autor.


A programação começa pelas 11 horas com uma oficina de escrita criativa destinada a jovens entre os 10 e os 15 anos, incentivando a expressão literária e o desenvolvimento da criatividade através da palavra escrita.

Durante a tarde, a partir das 15h, terá lugar uma visita guiada à Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, espaço dedicado à preservação da memória do escritor e à divulgação da sua obra. No final da sessão, será realizado o sorteio do I Volume de Conta Corrente, uma das obras mais emblemáticas do autor, entre os participantes presentes.

Com esta evocação, o Município de Gouveia pretende não apenas homenagear o escritor, mas também estimular o interesse pela leitura e pela criação literária junto das novas gerações, garantindo que o pensamento e a obra de Vergílio Ferreira continuam presentes no panorama cultural contemporâneo.



Escola Superior de Saúde da Guarda

  

Escola Sup de Saúde da Guarda-IPG_HS .jpg

Em março de 2005, com a publicação da Portaria n.º 235/2005, a Escola Superior de Enfermagem da Guarda foi convertida em Escola Superior de Saúde da Guarda, estando integrada no Instituto Politécnico da Guarda.

A Escola Superior de Saúde (ESS) do Instituto Politécnico da Guarda assinala hoje a passagem do seu 58º aniversário.

Recorde-se que a Escola Superior de Saúde da Guarda foi criada, como Escola de Enfermagem, em 1965, por despacho ministerial de 16 de julho.

Em 1988, pelo decreto-lei n.º 480/88, de 23 de dezembro, o ensino de enfermagem foi integrado no ensino superior politécnico, tendo sido reconvertida em Escola Superior de Enfermagem em setembro de 1989.

A Escola iniciou no ano seguinte o Curso Superior de Enfermagem, que conferia o grau de Bacharel. Pela Portaria n.º 311/96, de 27 de julho foi criado o Curso de Estudos Superiores Especializados em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica. Em outubro de 1999, iniciou o Curso de Licenciatura em Enfermagem e em março de 2000 passou a lecionar o Curso de Complemento de Formação em Enfermagem.

Foi integrada no Instituto Politécnico da Guarda um ano depois; pela Portaria n.º 220/2005, de 24 de fevereiro foi criado o Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica.


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Capela do Mileu

Capela do Mileu. Guarda. Foto: Helder Sequeira

 

Salvaguardar a memória...


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses comemorar, em 2026, o seu 150º aniversário.

O programa comemorativo, como já foi divulgado, englobará uma diversidade de iniciativas e atividades.

Entretanto, e a título de sugestão, não poderíamos deixar de apontar a importância de colocação de sinalética/informação nos locais onde funcionaram os antigos quartéis dos Bombeiros Voluntários da Guarda.

Antigo quartel dos Bombeiros da Guarda

Será um importante registo da memória citadina; a partir das placas informativas (onde a colocação de um código QR pode remeter para uma plataforma digital na qual estejam disponíveis fotos das instalações, do edifício, de antigos equipamentos, de bombeiros e dirigentes, etc.) a colocar.

O reencontro com a história citadina, e neste caso dos Bombeiros da Guarda, pode ser proporcionado nas ruas desta altaneira e secular urbe.

 

H.S. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Um beirão migrante...


“Carlos Luiz – o beirão migrante” é um livro, da autoria de Paulo Leitão Batista, que evoca o percurso pessoal, profissional e político de um sabugalense que soube servir o seu concelho e o seu distrito. A propósito desta biografia política, João Soares sublinhava, no prólogo, que ela traça a “forma empenhada, cuidada, atenta e solidária como o parlamentar Carlos Luiz representou sempre, ao longo dos seus vários e ricos mandatos parlamentares, quer a nossa emigração, quer os interesses do interior de Portugal”.

Paulo Leitão Batista afirma que Carlos Luiz “abraçou a política para defender com garra o homem beirão e o homem migrante, inspirado na sua própria existência de vida e na aventura coletiva do seu povo de origem que, parecendo resignado ao amanho dos agros, passou a salto para a fronteira para ir em busca de melhor fortuna em terras distantes”. Refere, igualmente, na nota introdutória a esse livro que a vida política de Carlos Luiz se centra “em dois planos, que retratam o seu caráter: dedicação às causas dos que o elegeram e prestação de contas do trabalho realizado”.

Tivemos o ensejo, a convite do biografado e do autor da obra, de proferir algumas palavras na sessão de apresentação deste livro (ocorrida a 10 de junho de 2022, no Sabugal), o que nos levou a evocar um texto de Augusto Gil (escrito em 1911, na qualidade de jornalista e não de poeta como tradicionalmente é conhecido). “Os homens só valem pelo que de bondade e verdade tragam aos outros homens, porque, uma ou a outra, não caíram nunca em terra estéril, nem mesmo quando tombam na indiferença de rochedos”.

Bondade e verdade são duas palavras que bem se podem utilizar na biografia de Carlos Luís, para além de outras. Aliás, elas constituem o íman que sustenta o registo da memória, a propósito do nosso primeiro encontro com a personalidade retratada neste oportuno trabalho de Paulo Leitão Baptista; também ele um sabugalense de alma e coração. Do Sabugal guardo as lembranças e os afetos do período em que ali vivi e estudei. Anotamos uma observação de Pinharanda Gomes, ilustre sabugalense e figura relevante da cultura e da filosofia portuguesa. “(…) Na esquina do tempo, e tendo saído da Guarda há muitos anos (parece que temos o destino da emigração) foi-nos concedida a graça de permanecer fiel à mátria”.

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Foto de arquivo. Sessão de apresentação do livro, no Sabugal. 


Carlos Luís, apesar da sua multifacetada vivência em tempos e lugares tem permanecido também fiel à mátria, a uma terra que é o reflexo da universalidade. E volto ao reencontro com Pinharanda Gomes. Escrevia ele, há algumas décadas: “(…) a nossa região, una no espírito e divisa no corpo, é múltiplo nas almas e nas existências. Somos unos, somos múltiplos. Somos uma terra que tem características de singularidade, e que demora a assumir o que lhe é próprio. Somos um reflexo de universalidade nesta pátria, pequena pátria, coração da Lusitânia”.

Carlos Luís nunca afastou o coração desta pequena pátria, pela qual trabalhou e tem trabalhado; é certo que muitos esforços, nos bastidores, não são conhecidos, mas a sua importância é inquestionável, fundamental. Assim, e remetendo-nos esta publicação biográfica para muitos anos de intenso labor e diversidade de intervenções cívicas, políticas e culturais, o passado não deve ser olvidado.

Marc Bloch afirmava numa das sua obras que “o passado é, por definição, um dado que coisa alguma pode modificar. Mas o conhecimento do passado é coisa em progresso, que ininterruptamente se transforma e se aperfeiçoa”. Acrescentava, dentro desta linha de pensamento, que “a incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”.

Ora, este livro evoca um passado, de um cidadão que soube assumir sempre os seus compromissos, com elevado sentido de responsabilidade e liberdade, mesmo em tempo de incertezas. Que hoje também vivemos… Albert Camus falava de cidadãos “impacientes do presente, inimigos do passado e privados do futuro”; lembrava, por outro lado que “nunca alguém será livre enquanto existirem os flagelos”. O atual cenário bélico tem mostrado como a liberdade é cerceada…para não ficarmos privados do futuro e fruirmos da liberdade teremos de, objetivamente, aprender com esta invulgar experiência dos últimos anos, aferindo as necessárias adaptações ao nível da sociedade (globalmente entendida) e no plano individual; definindo prioridades, novas metodologias, fórmulas concretas de cooperação, acompanhadas de um constante exercício de cidadania.

Carlos Luís foi um exemplo e um protagonista de uma cidadania ativa, eficaz, consequente, materializada nos lugares por onde passou. “(…) As pessoas e as ideias, como as árvores, são uma harmonia com a hora e o lugar (…)”, escrevia Vergílio Ferreira, para quem “(…) o que mais importa não é o novo que se vê, mas o que se vê de novo no que já tínhamos visto”.

E que vemos agora com nova oportunidade, neste livro; sobre uma pessoa que conhecemos na década de 80, aquando da passagem do Carlos Luiz pelo Governo Civil do Distrito da Guarda, como adjunto de João Gomes (o então Governador Civil).

Logo nessa altura foi possível percebermos estar perante um homem que cultivava a diferença; cordial, atento, entusiasta perante as ideias e projetos que lhe eram apresentados. Era o tempo em que desenvolvíamos um projeto informativo consubstanciado no jornal Notícias da Guarda; uma publicação que Carlos Luiz acarinhou, apoiou, sentiu como sua e da região; desafiando-nos a implementar novas ideias que alargassem ainda mais o já significativo horizonte geográfico desse periódico.

Mesmo depois de deixar a Guarda, para exercer as funções de deputado (inicialmente), continuou atento à realidade da comunicação social guardense, desde logo também à Rádio Altitude.

Nas funções diretivas que tive nestes dois órgãos de informação, e nos múltiplos e diferenciados contactos ao longo dos anos, Carlos Luís foi sempre um excelente interlocutor, demonstrando um elevado respeito pela função social da rádio e do jornal, aceitando o confronto crítico, sabendo esclarecer e dialogar com inequívoca serenidade.

Teria, necessária e justamente, de deixar aqui este testemunho. “(…) Porque – dizia Vergílio Ferreira – a verdade das palavras não está só na sua verdade, mas na coerência e no momento em que se dizem”. Ao percorrermos a biografia de Carlos Luiz, ao atentarmos sobre o trabalho político desenvolvido, extraímos a sua determinação em afirmar a verdade e a liberdade.  “Não há forma de verdade sem liberdade, não há forma de liberdade sem verdade”, como observava Pinharanda Gomes.

O exemplo pessoal, político e cultural de Carlos Luiz aponta-nos uma desejada evolução desta mátria. Evolução que terá de contar com a predisposição e disponibilidade de todos, que sintam e vivam a região, independentemente de a sua residência física se aqui ou a centenas de quilómetros de distância.

É que não haverá novas realidades se continuarmos “socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados”, na elucidativa expressão de Miguel Torga. Fica o testemunho de profundo apreço por um homem que, dentro ou fora das fronteiras nacionais, tem sido um exemplo de verticalidade, competência, dedicação e um migrante com uma sólida matriz beira. Injustamente esquecido por alguns…

 

Hélder Sequeira

 


 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A propósito de Augusto Gil...

 


“Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim…

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim…

 

O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 97 º aniversário da sua morte. 

Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.

 Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.

De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

AUGUSTO GIL

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.

Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.

O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

Helder Sequeira 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Move Beiras alerta para situação na Linha da Beira Baixa

 

A direção da Associação Move Beiras manifestou a sua preocupação sobre a interrupção prolongada da Linha da Beira Baixa, causada pelas recentes tempestades e o impacto que está a ter na mobilidade da Beira Interior.

Em comunicado, enviado ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial e aos presidentes da CP e IP, a Associação Move Beiras, refere que, atualmente, “os comboios entre Castelo Branco e a Guarda se limitam ao serviço Regional, apesar deste troço estar operacional, reduzindo a oferta entre as cidades de Castelo Branco, Fundão e Covilhã para metade e, mais drasticamente, no troço Covilhã –Guarda, onde a oferta passou de 10 comboios diários para 4, inviabilizando que pessoas desse troço se possam deslocar, por exemplo, à Covilhã para consultas médicas pela manhã e regressar à tarde.”

A Move Beiras relembra que a Linha da Beira Baixa ficou fora dos investimentos do Plano Ferroviário Nacional. “Sabendo que a reparação da via junto ao Tejo, devido à complexidade do local, poderá demorar várias semanas, não é aceitável que esta população se veja privada de oferta de serviços, num território que já é altamente carente de transportes públicos.”

Para a Move Beiras “trata-se de uma questão de coesão territorial, numa região onde a mobilidade é um direito básico ainda por garantir plenamente e a manutenção dos serviços ferroviários desempenha um papel importante no combate às assimetrias regionais.”


A Move Beiras apela à tutela que “avance com medidas mitigatórias, através da reposição parcial dos Intercidades no troço Castelo Branco – Guarda, mesmo que seja através das automotoras que asseguram o serviço Regional, avaliando também que essas medidas possam ser estendidas ao troço entre Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, atualmente sem qualquer serviço, assegurando o restante trajeto até Abrantes com serviço rodoviário de substituição.”

Por outro lado, aquela associação, pede também à reposição do prolongamento do Intercidades da Linha da Beira Alta até à Covilhã, suprimida em 2022.