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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Escolas da Guarda vão estar encerradas amanhã

 

Na Guarda os estabelecimentos de ensino dos agrupamentos de Escolas Afonso de Albuquerque e da Sé, bem como a Escola Regional Dr. José Dinis da Fonseca e o Instituto Politécnico da Guarda vão estar encerrados amanhã, dia 23 de janeiro.

De acordo com uma informação divulgada pela Câmara Municipal da Guarda, na sequência de uma reunião entre diversas entidades locais, realizada na tarde de hoje, foi decidido este encerramento, face ao previsível agravamento estado do tempo nas próximas horas.


 Foto de Arquivo


A decisão, refere a autarquia, foi articulada num encontro com o vice-presidente da Câmara da Guarda, António Fernandes, responsável pelo pelouro da Proteção Civil, o Serviço Municipal de Proteção Civil, os dirigentes dos referidos estabelecimentos de ensino e também da Escola Profissional da Guarda, representantes da PSP, GNR e dos Bombeiros.

“Esta medida resulta da avaliação realizada às previsões meteorológicas previstas para o início da manhã de sexta-feira que apontam para queda intensa de neve a partir das 8h00. Perante este cenário poderiam não estar asseguradas as condições de segurança de regresso a casa ao final do dia, devido às prováveis complicações na circulação.” Pode ler-se no comunicado divulgado pela Câmara Municipal da Guarda.

“Aconselha-se a população a evitar deslocações desnecessárias. Em caso de situação de perigo, emergência ou constrangimento, os cidadãos devem contactar os números 965 920 678 ou 271 220 262, explicando claramente a situação para que seja possível uma intervenção rápida e eficaz.”

O Município criou uma Sala de Situação, que funcionará nas instalações da Câmara Municipal, com o objetivo de assegurar a monitorização permanente das condições meteorológicas e coordenar a resposta a todas as ocorrências que possam surgir durante este período.

Esta estrutura permitirá uma articulação eficaz entre os diferentes serviços municipais, proteção civil e entidades operacionais, garantindo uma atuação rápida e adequada, particularmente ao nível da circulação rodoviária, apoio à população e segurança de pessoas e bens.

A Câmara Municipal da Guarda pede para que as pessoas se mantenham atentas às informações meteorológicas e às indicações do Serviço Municipal de Proteção Civil, Bombeiros e Forças de Segurança.

Recorde-se que a Guarda está sob aviso Laranja a partir das 21h00 desta quinta-feira e até às 9h00 do dia 24 de janeiro (sábado).

A previsão aponta para vento forte e queda intensa de neve, inicialmente acima dos 800 metros de altitude, podendo descer a cota até aos 600 metros de altitude.

“A colaboração de todos é fundamental para minimizar os impactos negativos destes episódios de queda de neve”, sublinha a nota divulgada pela autarquia.



Conversa aberta sobre Ribeiro Sanches

 


A nona “Conversa Aberta” sobre Médicos Ilustres na Guarda será dedicada a António Nunes Ribeiro Sanches.

Este médico e humanista português foi um dos maiores vultos da ciência e cultura europeia do século XVIII. Exerceu medicina em Benavente, Guarda e Amarante, antes de se exilar para o resto da vida.

RIBEIRO SANCHES

A presença de Ribeiro Sanches, com um extenso tratado, na Enciclopédia Metódica de Diderot e d´Alembert, confirma a importância deste médico, natural de Penamacor, no contexto da medicina do século XVIII.

A “Conversa Aberta” irá decorrer no auditório do Museu  (hoje dia 22 de Janeiro de 2026, pelas 18h00 e terá o Dr. António Lourenço Marques como palestrante. A atividade é promovida pela Secção Sub-Regional da Guarda da Ordem dos Médicos, em parceria com o Museu da Guarda.

Nascido em Penamacor, a 7 de março de 1699, no seio de uma família de cristãos-novos, António Nunes Ribeiro Sanches viveu na Guarda, no período da adolescência, após ter concluído a formação escolar básica. Nesta cidade terá estudado música e, em particular, aprendeu a tocar cítara, seguindo as orientações paternas; alguns dos seus contactos citadinos possibilitaram-lhe a leitura de obras que o enriqueceram culturalmente, nomeadamente trabalhos de Damião de Góis.

Aos 16 anos foi estudar para Coimbra onde, mais tarde, cursou direito que, contudo, reconheceu não ser a sua vocação; o ambiente estudantil da cidade do Mondego provocou-lhe algum desagrado e em novembro de 1720 matriculou-se na Universidade de Salamanca (Espanha); aí estudou medicina e granjeou a estima de vários mestres; foi mesmo convidado para ali ficar como assistente; naquela cidade espanhola viveu calmamente, sem a preocupação de o identificarem como cristão-novo.

No período em que estudou em Salamanca, Ribeiro Sanches passou várias épocas de férias na Guarda, tendo aqui praticado o exercício da medicina com um clínico desta cidade, seu amigo.

Concluído o curso, em 1724, foi trabalhar para Benavente; os seus contactos familiares deram-lhe uma maior perceção da atividade, do peso e influência da Inquisição, a que foi denunciado como cristão-novo; facto que esteve, igualmente, na origem do impedimento de nomeação oficial como clínico, naquela localidade. Admite-se que esta situação, e o medo de vir a ser alvo da Inquisição, o tenham levado a sair de Portugal, nos finais de 1726. Terá partido, por via marítima em direção a Génova; em Itália frequentou, durante algum tempo, a Universidade de Pisa, visitando depois Montpellier e Londres (onde deu aulas e exerceu Medicina).

Mais tarde, acompanhado por um irmão (que ficou a estudar cirurgia em Paris), saiu para Bordéus e daí para Leiden (Holanda). D. Luis da Cunha, representante de Portugal em Haia, intercedeu a favor de Ribeiro Sanches junto de um influente ministro de D. João V, sem nenhum acolhimento. Frequentou, a partir de 1730, a Universidade de Leiden onde recebeu ensinamentos de Bernhard Siegfried Albinus Hieronymus, David Gaubius e de Herman Boerhaav; este último terá contribuído para a ida de Ribeiro Sanches para a Corte de Moscovo, onde chegou em outubro de 1731.

Nomeado médico do Senado e da cidade de Moscovo, foi transferido três anos depois para os serviços do exército russo. Em 1737 encontrava-se já em St. Petersburgo, como clínico do Corpo de Cadetes, uma estrutura de ensino e formação destinada à nobreza russa.

Ribeiro Sanches ingressou, por essa altura, na Academia das Ciências de Petersburgo, sendo nomeado em março de 1740, médico da Corte e posteriormente segundo médico da Regente Ana Léopoldovna e do, ainda, jovem Imperador Joannn Antonovič, sendo muito apreciado nos círculos do poder russo.

Um ano depois, Isabel Petrovna (filha de Pedro o Grande) passou a dirigir os destinos do império e Ribeiro Sanches foi, igualmente, seu médico, bem como de Catarina II que curou em 1744, quando esta tinha apenas 15 anos; facto que a futura czarina não esqueceu.

Em 1747, invocando problemas de saúde, Ribeiro Sanches pediu a demissão das suas funções.

A Imperatriz Isabel Petrovna distinguiu-o com um certificado de bons serviços e Academia Imperial das Ciências, nomeando-o membro honorário. De acordo com alguns biógrafos, esta repentina partida terá sido originada por alguma intriga na corte czarina que avivou a sua ligação judaica.

Após passar por Berlim, dirigiu-se a Paris onde passou a residir e a colaborar com os vultos mais eminentes do Iluminismo, escrevendo as suas principais obras: Dissertation sur la Maladie Vénérienne (1750), Tratado da Conservação da Saúde dos Povos (1756), Cartas sobre a Educação da Mocidade (1760), Método para Aprender e Estudar a Medicina (1763), Mémoire sur les Bains de Vapeur en Russie (1779).

Foi, até à sua morte, interlocutor de imensas figuras consideradas expoentes máximos da vida cultural e científica europeia, dessa época, sem ter tido a possibilidade de encontrar as condições para regressar a Portugal.

Ribeiro Sanches, um dos intelectuais portugueses que mais se distinguiu além-fronteiras e cuja vida passou pela mais alta cidade de Portugal, faleceu a 14 de outubro de 1783.

Esta será, sem dúvida, uma figura que bem se pode associar a uma Guarda culta e da ciência, merecendo adequado estudo e divulgação.


Hélder Sequeira 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Entrudo Lagarteiro é cartaz de Vilar Amargo

 

Em Vilar de Amargo, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, vai ocorrer no próximo dia 14 de fevereiro a Queima do Entrudo Lagarteiro, “um momento de encontro, identidade e memória coletiva, onde o ritual, a sátira e a celebração popular se unem.”

Entrudo Lagarteiro. Cortejo. Foto da Associação Lagarto

 

Esta celebração, promovida pela Associação Lagarto, envolve toda a comunidade. O Entrudo, figurado num boneco de palha, é contruído dias antes da queima, com roupas velhas cheias de palha.

O boneco é velado durante a tarde e sai à noite pelas ruas empedradas da aldeia, em procissão, numa marcha fúnebre que culmina com a leitura do sermão no largo da torre, a praça central da aldeia de Vilar de Amargo.

“A marcha fúnebre percorre as ruas da aldeia; a luz dos candeeiros, as sombras, as tochas de fogo, os passos, as casas e muros de pedra, bem conservados da aldeia, criam um ambiente único que envolve a marcha numa tónica fúnebre acentuada pela música e gritos de viúvas que choram o morto.” Refere uma nota informativa da Associação Lagarto.

Acrescenta que “a leitura do sermão e a queima tradicional do Entrudo são momentos altos desta celebração que vai também contar com muita animação, começando pela Caminhada Matinal no Trilho do Entrudo Lagarteiro, prosseguindo durante a tarde com vários espetáculos, Música Tradicional, Teatro de Rua e Gastronomia Local".

No Entrudo, como lembra a Associação Lagarto, “os excessos são permitidos: mulheres mascaradas de homens e homens de mulheres, com rendas e máscaras de cortiça a esconder a face, para que ninguém seja reconhecido nas pantominices que fazem uns os outros “…enfarinhar e tijenar com a fuligem das panelas de ferro era a tradição…”.

As viúvas, de negro, preparam o caldo apetitoso, nas tradicionais panelas de ferro, que será servido a todos.

A Associação Lagarto deixa o convite para uma visita à aldeia de Vilar de Amargo para participação no Entrudo Lagarteiro, lembrando que não deve ser esquecida a máscara de renda.



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Julgamento do Galo decorrerá na Guarda

 

 

Na Guarda vai decorrer, de 7 a 17 de fevereiro, a edição 2026 da GuardaFolia.

O programa integra o habitual Desfile e Julgamento do Galo, as Tabernas do Entrudo – com a gastronomia da época –, o Desfile Infantil, a Ópera Bufa, a Fun Run e o Concurso de Máscaras.

A apresentação da GuardaFolia - Aqui há Galo! decorreu ontem, dia 19 de janeiro, em conferência de imprensa, nos Paços do Concelho e contou com a presença de presidentes de Junta e coletividades que fazem parte desta atividade, envolvente, de base comunitária.



domingo, 18 de janeiro de 2026

Safurdão retoma tradição da benção dos animais

 


No Safurdão (Pinhel) foi retomada ontem, 17 de janeiro, uma tradição associada à festividade em honra de Santo Antão, protetor dos animais domésticos, santo que a Igreja venera desde o século IX.

SANTO ANTÃO

A Comissão de Festas de 2026 empenhou-se em reavivar uma celebração “profundamente enraizada na identidade da aldeia”, como disse, ao CG, Diana Cruz e Sousa. “Esta celebração deixou de ser cumprida nesta data, há cerca de 45 anos, altura em que as festividades passaram a ser realizadas em agosto”.

O dia de ontem, sábado, foi marcado pela celebração eucarística em honra de Santo Antão, seguindo-se a tradicional bênção dos animais, “uma prática ancestral da comunidade”.

Diana Cruz e Sousa acrescentou ao CG que “no adro da Igreja, os habitantes de Safurdão voltaram a trazer os seus animais para serem benzidos, num gesto de agradecimento ao santo, recordando tempos em que a agricultura e a subsistência das famílias dependia diretamente do trabalho animal”.

Benção dos animais_SAFURDÃO_Correio da Guarda

Esta festividade prosseguiu depois com a arrematação de enchidos, “mantendo viva uma tradição comunitária que atravessa gerações”, culminando com um almoço convívio aberto a toda a população daquela freguesia.

Como nos foi referido, “o momento da partilha reforçou os laços entre os safurdenses e marcou o regresso a costumes que fazem parte da memória coletiva da aldeia”.

Com esta iniciativa, a Comissão de Festas de Santo Antão (ano de 2026, no Safurdão, “deu um passo significativo na preservação do património cultural e religioso local, resgatando práticas que definem a história e a identidade da comunidade”.

Benção dos animais_safurdão_2_CORREIO DA GUARDA

Das atividades tradicionais do Safurdão destaca-se a tecelagem artesanal, existindo ainda hoje, como salvaguarda da memória, alguns teares. Na primeira metade do século passado, existiam no concelho de Pinhel, várias tecedeiras que trabalhavam nos teares os fios de linho, tecendo também as conhecidas colchas de lã e as mantas de farrapos.

A cultura do linho teve uma expressão significativa no Safurdão, bem como noutras aldeias do concelho de Pinhel; o linho cultivava-se em terrenos que tinham bastante água e deitava uma flor azul, quando estava maduro.

 

A doente do quarto 23...

 


“A Doente do quarto 23” foi um dos mais divulgados trabalhos de Ladislau Patrício, uma peça que chegou a ser representada em Goa, sendo este  médico apresentado como eminente tisiólogo português”. Referenciado ainda, a propósito da apresentação dessa peça,  como diretor de um dos melhores sanatórios de Portugal, destacavam-no como “como cientista de nomeada, de fama internacional na sua especialidade”, assim como “figura prestigiosa no mundo das letras”; “a doente do quarto 23 é uma jovem meiga e formosa, atingida pela tuberculose na flor da idade. Filha e neta de tuberculosos, o implacável bacilo de Koch não a poupa por sua vez”.

Doente do Quarto 23 

Foto, criada com IA

Uma peça de teatro onde, como sublinhou Antonieta Garcia, “perpassa um agudíssimo sentido do valor da vida humana, do absurdo da sua condição”, colocando o autor “do lado dos que não desistem, não se contentam, dos que questionam esperançadamente o tema da cura”. É certo que o terceiro diretor do Sanatório Sousa Martins enquadra esta obra no contexto da época, mas nem por isso deixa de ter ideias e verdades que estão ainda hoje válidas, atuais.

Mas quem foi Ladislau Patrício? Um guardense ilustre, médico distinto, apreciado escritor, um acérrimo defensor da sua terra, das qualidades das suas gentes, das suas riquezas históricas e culturais.

Ladislau Fernando Patrício nasceu na Guarda, a 7 de dezembro de 1883. Após concluir os estudos nesta cidade foi para Coimbra, onde conviveu “fraternalmente com alunos das diversas Faculdades, alguns dos quais se distinguiram mais tarde, pela vida fora, no campo das ciências, das artes, das letras e da política”, nomeadamente António Sardinha, Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, Alfredo Monsaraz, Cândido Guerreiro, Ramada Curto, João de Barros, entre outros.

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Antes de terminar a formação conducente à obtenção da licenciatura em Medicina, Ladislau Patrício prestava já cuidados médicos – como ele próprio revelou – tendo “praticado no Sanatório” em 1907, aquando da entrada em funcionamento desta unidade de tratamento da tuberculose. Em 1909 foi opositor a um concurso para exercer as funções de médico municipal em Loulé, cargo para o qual foi nomeado em 2 de setembro desse ano.

Com a implantação da República, este clínico teve uma fugaz passagem pela vida política; em 1910 aparece como Vice-Presidente da Comissão Executiva do Centro Republicano da Guarda, presidida por seu cunhado, o poeta Augusto Gil. Em 1911 esteve à frente dos destinos do município guardense, mas foi breve a sua permanência como autarca.

Augusto Gil, juntamente com o matemático Mira Fernandes (também cunhado de Ladislau Patrício), tentou convencer o médico guardense a fixar-se em Lisboa, para aí desenvolver a sua vida profissional; contudo nunca o conseguiu demover da ideia de permanecer na localidade que o viu nascer.

O registo biográfico de Ladislau Patrício inclui ainda a referência à passagem pelo Liceu Nacional da Guarda, onde lecionou a partir de 1911. Entre 1917 e 1919 dirigiu o Sanatório Militar de S. Fiel, em Louriçal do Campo (Castelo Branco), atividade da qual deixou interessantes indicações num relatório que publicou, em 1920, sob o título “A Assistência em Portugal aos feridos da guerra por tuberculose”.

Em 1922, a convite do médico Amândio Paul, passou a trabalhar (como subdiretor) no Sanatório Sousa Martins, dirigido nessa época por aquele clínico, a quem viria a suceder, em 1932; nessas funções permaneceu até 7 de dezembro de 1953. Os sanatórios constituíram, aliás como aconteceu com os Dispensários, um dos pilares essenciais da luta contra a tuberculose

Na vida de Ladislau Patrício sobressai, de facto, um “autêntico sacerdócio pela Guarda e pelos doentes do Sanatório”, onde, como é sabido, se encontravam doentes de todas as condições sociais e económicas; provenientes das mais diversas origens geográficas. A sua atividade clínica estendeu-se igualmente ao Hospital Francisco dos Prazeres, tendo presidindo à Liga de Amigos daquela unidade de saúde; trabalhou ainda na Delegação de Saúde da Guarda e no Lactário desta cidade, após a morte do Dr. António Proença

No ano de 1939, Ladislau Patrício foi eleito vogal da Ordem dos Médicos, estrutura profissional que teve como primeiro bastonário o Prof. Elísio de Moura. Na sequência de uma proposta do médico guardense foi criada, no âmbito da Ordem, a especialidade de Tisiologia, “com o acordo unânime dos membros do Conselho Geral”. Especialidade cuja criação tivemos o ensejo de evocar, no passado ano, no Congresso Português de Pneumologia.

No Sanatório Sousa Martins sabemo-lo empenhado em apoiar, em finais da década de quarenta, a radiodifusão sonora; o primeiro regulamento da Rádio Altitude (1947), estação que nasceu naquele espaço sanatorial, tem a chancela de Ladislau Patrício,

Um dos seus principais sonhos concretizou-se em 31 de maio de 1953, com a inauguração do Pavilhão Novo do Sanatório Sousa Martins (paralelo à atual Avenida Rainha D. Amélia), um “edifício gigantesco com 250 metros de comprido e com 350 leitos destinados exclusivamente a doentes pobres”; meses depois completou 70 anos, “atingindo assim o limite de idade oficial como delegado de Saúde e diretor do Sanatório. Em finais de fevereiro de 1955 Ladislau Patrício foi viver para Lisboa; aí escolhido para Presidente do Conselho Regional da Casa das Beiras, função que viria mais tarde abandonar, a seu pedido.

Ladislau Patrício, que faleceu na noite de Natal de 1967, é um dos nomes consagrados na galeria de médicos-escritores, tendo manifestado bem cedo a sua faceta de homem de cultura. No Sanatório Sousa Martins apoiou projetos com indiscutível alcance cultural e social; veja-se o caso do jornal “Bola de Neve” e da Rádio Altitude.

O “Bacilo de Kock e o Homem” é uma das suas obras, de cariz científico mais divulgadas, a qual se integra na Biblioteca Cosmos, dirigida por Bento de Jesus Caraça; “Altitude: o espírito na Medicina” é outro dos mais significativos trabalhos de Ladislau Patrício, reunindo impressões, “vivas reações dum temperamento perante determinada série de factos”, onde o autor deixa vincado que o médico, para além das suas funções técnicas, “tem uma missão espiritual a cumprir. A sua atitude na vida, e sobretudo no tratamento dos doentes, deverá ser a do sábio que procura a verdade e a do artista que cultiva a ilusão”.

Ladislau Patrício escreveu ainda “Teatro Sem Actores” “Casa Maldita” e “O Mundo das Pequenas Coisas”, para além da peça a que aludimos no início, merecedora de ser, de novo, levada à cena.

Lembrar o nome de Ladislau Patrício (que integra a toponímia da Guarda e de Lisboa) é um inquestionável ato de justiça, pelo seu exemplo, pela sua dedicação aos doentes, pela postura intransigente na defesa dos cuidados de saúde e do progresso da mais alta cidade de Portugal.

 

Hélder Sequeira

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Envenenamento de aves

 


“O uso indiscriminado de toxinas no campo tem impactos profundos, afetando ecossistemas inteiros.” Alerta a Rewilding Portugal (RP) em nota publicada numa das suas redes sociais.

“Por isso mesmo – acrescenta aquela organização – combater o envenenamento ilegal exige uma resposta eficaz e integrada, que envolva autoridades, justiça, comunidade científica, projetos de conservação e sociedade civil.”

Este alerta surge a propósito do acompanhamento que a RP está a fazer relativamente ao caso recentemente noticiado em Leomil, onde foram encontrados cerca de 20 milhafres-reais mortos, com fortes suspeitas de envenenamento.

Envenenamento de Milhafres_foto R.Portugal 

foto: Rewilding Portugal 

“Trata-se de uma situação preocupante, que está a ser monitorizada também por nós, em articulação com as autoridades competentes, como o ICNF, o SEPNA/GNR e no âmbito do Programa Antídoto.”

Para a Rewilding Portugal, “este episódio volta a expor uma realidade alarmante, a confirmar: o uso ilegal de venenos continua a ser uma das maiores ameaças à biodiversidade em Portugal. Desde 2021, registam-se 2 casos suspeitos de envenenamento por mês, com mortalidade confirmada ou suspeita em animais selvagens e domésticos.

Embora frequentemente associados a aves necrófagas, o veneno não afeta apenas uma espécie. Águias-imperiais, abutres-pretos, raposas, lobos e muitas outras espécies protegidas por lei são vítimas diretas ou indiretas destas práticas ilegais.”

Segundo a Rewilding Portugal, “80% das aves de rapina em Portugal apresentam contaminação por raticidas anticoagulantes, químicos usados no controlo de roedores. Estes dados demonstram que o envenenamento secundário é um problema generalizado, silencioso e subestimado, com impactos severos na fauna selvagem.”

A RP lembra que o uso de venenos é crime, punível com pena de prisão. “No entanto, a escassez de capacidades laboratoriais e de provas legalmente válidas, resulta num número elevado de casos arquivados ou sem condenação. Importa também esclarecer que o veneno é frequentemente utilizado para eliminar outras espécies que causam danos à caça e à agricultura e por vezes a aves necrófagas, erradamente responsabilizadas por ataques ao gado. Mas seja qual for o alvo, os efeitos do envenenamento propagam-se em cadeia: animais que não contactaram diretamente com a toxina podem morrer ao consumir carcaças contaminadas.”

Em caso de suspeita, as pessoas devem contatar o SEPNA/GNR.