A minha Lista de blogues

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Judiciária da Guarda deteve suspeito de tráfico de estupefacientes


 


O Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária (PJ) deteve, ontem, um homem por comercialização de um elevado número de embalagens contendo canábis, totalizando cerca de 27,5 kg.

A investigação decorria há cerca de dois anos e tinha como objeto as lojas exploradas pelo detido nas cidades do Porto, Caldas da Rainha e Lisboa, destinando-se à venda de bens de consumo, derivados da canábis, flor de canábis, resinas, óleos, essências, cremes, gomas vegetais e outros.

A operação “Over Limit” envolveu outras unidades da PJ, que em estreita colaboração com o DIC da Guarda, contribuíram para o sucesso da ação, designadamente a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de estupefacientes – UNCTE, as Diretorias do Norte e do Centro, o Departamento de Investigação Criminal de Leiria e ainda o Laboratório de Polícia Científica.

Após desenvolvimento de um elevado número de diligências, entre as quais buscas a lojas e armazéns, foi possível demonstrar-se que os produtos comercializados e armazenados num armazém nas Caldas da Rainha continham uma percentagem elevada de THC e HHC, produtos esses que se destinavam a ser consumidos por inalação e ingestão (pastilhas vegetais).

 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bombeiros da Guarda: 150º aniversário

 


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses completa hoje 150 anos.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses resultou da iniciativa de um grupo de guardenses preocupados com inexistência de um corpo de bombeiros na cidade da Guarda.

A reunião que desencadeou o processo de criação desta associação humanitária ocorreu a 5 de agosto de 1876, na residência de Geraldo José Batoréu, que liderou o grupo fundador. Foi assim constituída a “Companhia dos Bombeiros Voluntários”.

Geraldo José Batoréu, Manuel Jacinto, António Gonçalves Ribas, Jerónimo Rodrigues Leal, José Lopes Faia Júnior, Jerónimo Rodrigues Outeiro, Alfredo d´Almeida Barbas, António da Cruz, João Bernardo d´Oliveira, José Joaquim Rodrigues, Joaquim Gonçalves Ribas e Amândio Augusto Ferreira foram os elementos da comissão que fundou este corpo de bombeiros.


Gerardo Batoréu

No passado dia 13 de junho decorreu uma homenagem a Gerardo José Batoréu, fundador da então Companhia de Bombeiros Voluntários da Guarda, evocando todos aqueles que, há 150 anos, deram início à história da instituição; essa homenagem integrou uma recriação histórica do momento da fundação, dinamizada pela Associação Hereditas, seguindo-se a inauguração de uma placa evocativa junto ao local onde Gerardo José Batoréu reuniu ilustres cidadãos guardenses para fundar a corporação dos voluntários egitanienses.

 

sábado, 1 de agosto de 2026

Guarda é candidata a Capital Portuguesa da Cultura

 

 


A Câmara Municipal está a preparar a candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, em 2028.

De acordo com a informação divulgadas pela autarquia guardense, a candidatura integra-se num projeto estratégico que visa posicionar a Guarda como espaço de criação, participação, identidade e desenvolvimento.

Para a Câmara da Guarda a candidatura “será o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos. Cultura é o que faz de nós o que somos e o sonho do que queremos vir a ser.” Daí que a edilidade guardense solicite a colaboração ativa de todos através do preenchimento (até ao dia 15 de agosto) de um questionário, ao qual pode aceder aqui.

“Colabore na construção de uma visão cultural forte e partilhe este questionário com familiares e amigos, porque todos contam”, pede a autarquia.

“A candidatura parte da singularidade histórica, geográfica e cultural que define a cidade e o concelho como, simultaneamente, território de montanha e de fronteira, para construir uma visão cultural sólida, enraizada no município e projetada para a região e para o país.”

Sob o conceito de cidade “guardiã”: guardiã da história, da memória e da identidade, mas aberta à modernidade e ao futuro, a candidatura propõe uma visão assente na relação entre tradição e inovação, afirmando-se como instrumento essencial para o desenvolvimento da política cultural do concelho e de todo o distrito da Guarda.

O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considera “esta candidatura como uma ferramenta de que vamos dispor para concretizar a nossa visão do que entendemos por política cultural da Guarda nos próximos anos. Uma oportunidade em torno da qual o município se propõe agregar toda a produção cultural e artística”.

O município guardense pretende criar condições para a produção e criação artísticas a partir do território, mobilizando instituições, associações, criadores, agentes culturais e económicos, comunidades locais e parceiros nacionais e internacionais.

“A candidatura – como é referido – não se esgota na capital de distrito: quer ser o resultado de um esforço coletivo de articulação territorial, em efetiva colaboração em rede com todos os municípios da Região”.

Um dos eixos estruturantes da candidatura é a condição raiana da Guarda e a sua ligação umbilical às comunidades e municípios do outro lado da fronteira, em Espanha razão pela qual os municípios da raia espanhola vão integrar a candidatura como parceiros como esclarece o Presidente da Câmara da Guarda. “A fronteira do século XXI não é uma linha de separação, mas de cooperação ibérica. A Guarda sempre foi porta de entrada e de saída, lugar de passagem, de encontro e de acolhimento. Queremos transformar essa condição histórica numa força cultural contemporânea, capaz de ligar pessoas, territórios, criadores e instituições dos dois lados da fronteira”.


Por outro lado, a candidatura afirma, também, a vitalidade dos territórios do interior; sendo a Guarda um território de baixa densidade demográfica, “é simultaneamente um território de elevado potencial cultural e criativo”.

O projeto pretende deixar um legado duradouro em múltiplas dimensões: cultural e artística, de coesão e participação social, de inclusão e acesso à cultura, de estímulo ao turismo cultural e de criação de um modelo de governação cultural com continuidade estratégica para além dos ciclos autárquicos.

“A nossa ambição é que a cultura continue a ser motor de coesão, de participação, de identidade e de desenvolvimento. Esta candidatura não se esgota em 2028: quer deixar raízes, proporcionar condições para fixar criadores, reforçar os agentes culturais locais e projetar a Guarda”, acrescentou Sérgio Costa.

De acrescentar que a Câmara Municipal da Guarda constituiu, no passado mês de maio, uma Equipa de Projeto que tem por objetivo assegurar a preparação, coordenação e consolidação do processo de candidatura do Centro Histórico da nossa cidade a Património Mundial da UNESCO.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Concerto no Museu assinala aniversário

 

No Museu da Guarda decorreu ontem, 30 de julho, um concerto intitulado “Um Piano no Pátio”, integrado no programa comemorativo daquela estrutura museológica.

Pátio do Museu da Guarda. Foto: Hélder Sequeira

Este concerto, que decorreu no pátio do Museu, contou com a soprano guardense Rita Morais que foi acompanhada ao piano por Kewen Wang. O repertório variado que foi apresentado encantou o público presente, que encheu aquele espaço do Museu da Guarda, fundado em 1940 pelo município guardense.

Em 1985 o Museu da Guarda passou para a tutela do Estado voltando a estar sob a égide municipal a partir de 2015, mantendo como valores a preservação do património e promoção cultural de excelência nas artes.

“As aspirações da cidade da Guarda à criação de um museu remontam aos finais do séc. XIX. Em 1910 foi criada uma comissão destinada à constituição de uma unidade museológica que compendiasse as vertentes arqueológicas e artísticas”, como se pode ler no sítio, na internet, do Museu da Guarda.

No contexto das comemorações centenárias da independência nacional (1640-1940), foi nomeada uma comissão instaladora daquele espaço museológico que, apesar da sua gestão municipal, assumia a designação de Museu Regional da Guarda – nome que nunca perdeu aliás até ser transferido para o Instituto Português do Património Cultural (IPPC).

Na sessão de Câmara de dia 6 de janeiro de 1940 o Museu foi oficialmente fundado por deliberação unânime do Executivo; o Museu ficaria instalado em parte do antigo seminário, cujas obras de adaptação foram custeadas pela autarquia, abrindo as suas portas ao público no dia 30 de julho de 1940.

“Em fevereiro de 1982, a Assembleia Distrital da Guarda e o IPPC assinavam um acordo de transferência do Museu da Guarda para a dependência daquela última entidade. Em 1983 iniciaram-se obras de remodelação do edifício e elaborou-se o programa museográfico para as coleções em depósito. Assim, o museu abriu ao público em junho de 1985, sob a designação de Museu da Guarda e na dependência do Instituto Português do Património Cultural.”

O Museu da Guarda passou, entretanto (2007) a depender do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), situação que se manteve até 2012. Com a criação da Direção-geral do Património Cultural (DGPC), extinguiu-se a Direção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e reorganizaram-se as restantes direções regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), que viram as suas competências reforçadas.

Em outubro de 2015, o Museu volta a estar sob a égide da Câmara Municipal da Guarda, regressando assim às suas origens tutelares.  O Museu da Guarda encontra-se instalado no complexo arquitetónico formado pelo antigo Paço Episcopal e o antigo Seminário da Guarda, complexo esse que começou a ser construído no início do século XVII.

“De localização privilegiada, em pleno coração da cidade da Guarda, trata–se, pois, de um edifício emblemático, com forte identidade simbólica na ordenação da envolvente urbana, assumindo, pois, preponderância numa vasta área comercial, cultual e de lazer.”


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lembrar Augusto Gil...

 

“Batem leve, levemente,

Como quem chama por mim…

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

E a chuva não bate assim…

 

O poeta Augusto Gil, o autor da conhecida “Balada da Neve” é, seguramente, uma das figuras mais conhecidas da galeria de guardenses ilustres. Hoje assinala-se o 156º aniversário do seu nascimento.

Augusto César Ferreira Gil nasceu na freguesia de Lordelo, Porto, a 30 de julho de 1870; berço fortuito devido à circunstância de sua mãe se encontrar ali, acidentalmente. A família era toda Beira: “o pai do Maçal do Chão, concelho de Celorico; a mãe nada e criada na própria sede do concelho. Desde a idade de três meses, Gil residiu na Guarda, que ele considerava, pelos laços de sangue e do coração, como sua terra natal”. Escreveu Ladislau Patrício, biógrafo e cunhado do poeta.

 Gil passou a maior parte da sua vida na mais alta cidade de Portugal e aqui fez os primeiros estudos; frequentou, depois, o Colégio de S. Fiel, após o que regressou à Guarda, onde se encontrava em 1887. Tempo depois, ingressou como voluntário na vida militar que deixou com o início dos estudos na Escola Politécnica; estes seriam interrompidos, contudo, por motivo de doença. Em finais de 1889 foi autorizado a frequentar a Escola do Exército onde o aproveitamento letivo não foi exemplar; passados dois anos, em maio de 1891, ingressou no Regimento de Infantaria 4 e aí prestou serviço até ao mês de novembro.

De novo na Guarda, Augusto Gil fez nesta cidade, em 1892 e 1893, os exames do Liceu, rumando posteriormente para Coimbra, em cuja Universidade cursou Direito; na cidade do Mondego teve como companheiros Alexandre Braga, Teixeira de Pascoais, Egas Moniz e Fausto Guedes Teixeira, entre outros. Concluída a formatura, em 1898, Augusto Gil regressou à Guarda; neste período a vida não lhe correu de feição e foi confrontado com diversos problemas, de ordem profissional e de ordem económica; pretendeu exercer advocacia, mas não conseguiu “clientela que lhe desse ao menos para sustentar o vício do tabaco”; curiosamente, o poeta já tinha vaticinado estas dificuldades “na aldeia sertaneja, onde hei-de ser/o melhor poeta e o pior legista”.

AUGUSTO GIL

Desejou ser professor provisório do Liceu, mas o conselho escolar dessa época não o considerou competente para reger a cadeira de português. Ao longo dos anos sucederam-se diversas contrariedades e episódios que deixaram traços indeléveis no percurso literário de Augusto Gil. Decidiu ir para Lisboa e foi trabalhar com Alexandre Braga; em 1909 regressou à Guarda, enredado em dificuldades financeiras.

Com a implantação da República, impulsionou o aparecimento do Centro Republicano da Guarda e fundou o semanário “A Actualidade”, que dirigiu entre 1910 e 1912. Embora este jornal tenha surgido com meio de promoção do ideário republicano, assumiu um pendor acentuadamente literário, contando com a colaboração do Pd. Álvares de Almeida, Ladislau Patrício, Amândio Paul e Afonso Gouveia, para além de outras personalidades.

No mês de novembro de 1911 - quando João Chagas fez parte, pela primeira vez, de um governo da República – Augusto Gil foi nomeado Comissário da Polícia de Emigração Clandestina, pelo que foi viver para Lisboa. No ano seguinte casou com Adelaide Sofia Patrício, irmã do segundo diretor do Sanatório Sousa Martins, o médico e escritor Ladislau Patrício.

Após ter exercido, durante escassos meses, o cargo de Governador Civil de Aveiro, voltou para a capital onde teve, em 1918, uma passagem pelo Ministério da Instrução Pública; no ano seguinte foi nomeado Diretor Geral das Belas Artes. Em Lisboa foi uma figura altamente conceituada nos meios intelectuais e sociais; assim não é de estranhara a homenagem de que foi alvo no Teatro Nacional, em 19 de junho de 1927. A comissão promotora dessa iniciativa integrou nomes como Júlio Dantas, José Viana da Mota, Henrique Lopes de Mendonça, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Schwalbach e Gustavo Matos Sequeira. Distinguido com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada e com a Ordem da Coroa da Bélgica Augusto Gil foi eleito, em 12 de abril de 1923, por unanimidade, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O trabalho de Augusto Gil cruzou-se, frequentemente, com períodos de grande sofrimento, resultado da doença que o atormentava. “A doença que desde o primeiro quartel da existência o consumiu e as dificuldades materiais com que sempre mais ou menos lutou, encontram-se no fundo de toda a sua obra, e que sabe se até não a condicionaram”, observou Ladislau Patrício num apontamento biográfico sobre o poeta.

Nomeado Secretário-Geral do Ministério da Instrução Pública não chegou a tomar posse desse cargo pois morreu a 26 de fevereiro de 1929, numa casa situada na Rua Bartolomeu Dias, em Lisboa. O seu falecimento foi notícia destacada nos principais jornais do país e, naturalmente, pela imprensa da Guarda, em cujas páginas se sucederam as mais elogiosas referências ao homem e ao poeta.

O funeral de Augusto Gil (a 1 de março, na Guarda) constituiu, de acordo com os relatos jornalísticos da época, uma grande manifestação de pesar. “Tudo o que a Guarda tem de mais distinto acorreu a tomar parte na sentida homenagem” e participar no cortejo fúnebre que se “revestiu de desusada imponência”.

Os restos mortais de Augusto Gil repousam num jazigo localizado logo à entrada do cemitério municipal da Guarda, ostentando dois versos de “Alba Plena”: “E a pendida fronte, ainda mais pendeu.../E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu...”

“Musa Cérula”, “Versos”, “Luar de Janeiro”, “O Canto da Cigarra”, “Gente de Palmo e Meio”, “Sombra de Fumo”, “Alba Plena”, “Craveiro da Janela”e “Avena Rústica” foram as principais produções literárias deste poeta, cujo trabalho evoluiu quase à margem de escolas ou correntes literárias. “Não é um romântico, nem parnasiano, nem simbolista: é ele – o Augusto Gil – nome que é um gracioso ritmo”, observou Bulhão Pato.

Sampaio Bruno considerava-o, numa missiva que lhe dirigiu em 1915, “um dos raros e grandes escritores” do país, pois “tem emoção e é poeta; tem correcção, e é artista. Ter emoção e ter correcção é a sua perfeição”. Muitos dos versos de Augusto Gil passaram para o cancioneiro popular, como sublinharam alguns estudiosos da sua obra, suportada num verso melodioso e num ritmo suave.

Foi e é um dos poetas entre nós a quem o povo mais abriu o coração, e quando o povo abre o coração a um poeta, o seu amor repercutir-se-á pelo tempo além”, como anotou João Patrício. De facto, se Augusto Gil cultivou a poesia, as letras, cultivou também o seu amor pela Guarda onde escreveu uma grande parte dos seus melhores poemas; a cidade bem se pode orgulhar do seu “mais alto poeta” e recordá-lo é um dever de memória.

 

Helder Sequeira

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Rádio Altitude: 78 anos de emissões

 

Hoje celebramos a Rádio Altitude, evocamos nomes, gerações, serviço público, determinação, criatividade, solidariedade, memórias, uma história ímpar.

Setenta e oito anos conferem a esta emissora guardense um estatuto muito especial, uma marca que devemos honrar e salvaguardar adaptando-a ao atual contexto social, económico e cultural e também aos caminhos abertos pela tecnologia.


A Rádio Altitude é indissociável da Guarda e desta vasta região da beira serra. Revisitar o seu passado não representa um mero exercício ritualista ou saudosismo lamechas; deve, sim, constituir um ato de reflexão sobre os contributos vertidos na história desta rádio, por pessoas que a viveram apaixonada e responsavelmente; podemos lembrar – e numa rápida referência a alguns que já nos deixaram – Vaz Júnior, António Pinheiro, António Santos, Luís Coutinho, Antunes Ferreira, Luís Coito, Vítor Santos, Manuel Daniel, Bernardino Jorge, José Domingos ou Clavier Alves…que, à semelhança de tantos outros nomes que ao longo de décadas trabalharam, colaboraram e garantiram a evolução e consolidação de uma emissora que granjeou admiração e afetos dentro e fora do território nacional; nomes que devem merecer o nosso apreço por aquilo que deram à rádio e à região servida pelas suas emissões.

Como afirmámos noutra ocasião, estamos perante uma emissora de muitas vozes e rostos, de sonhos, de distintas colaborações; esta é uma emissora de afetos, de ideias, de originalidades; uma emissora com espírito solidário que lhe deu alma desde o longínquo ano de 1948.

A sua génese, a sua longevidade, o seu percurso ímpar e a sua matriz beirã conferem-lhe uma posição especial na história da Rádio em Portugal, mas também uma maior responsabilidade. Atualmente as emissões radiofónicas passam em larga medida, pelo meio digital, num recurso cada vez mais ligado às modernas aplicações e tecnologias. Por outro lado, hoje a Inteligência Artificial (IA) apresenta novos caminhos para mais eficiência e múltiplas vantagens ao nível da melhoria da programação e interação com os ouvintes. Para além da automação das emissões a IA apresenta-se como forte apoio para produção de notícias, definição da sequência musical e de conteúdos programáticos convidativos e heterógenos.

Embora se deva ter em conta que a Inteligência Artificial pode ser um precioso auxiliar dos profissionais não pode ser esquecida a essência da Rádio. A humanização deste meio de comunicação é fundamental e as pessoas não podem ser afastadas do seu processo evolutivo.

É fundamental que a função social da rádio continue a prevalecer, mesmo face ao desenvolvimento das tecnologias da informação. Assim, não é apenas no plano das ondas hertzianas que tem de ser posicionada a proposta radiofónica; a rádio tem de assegurar uma estratégia rigorosa e clara no vasto horizonte da emissão online.

O fortalecimento da sua presença será sustentado, em larga medida, pela atenção à realidade social, económica, cultural e política da região onde a Rádio está sediada. As pessoas, para além do entretenimento ou companhia que a rádio lhes proporciona, querem boas condições de audição, uma informação rápida, em cima da hora ou do acontecimento de proximidade; querem igualmente um interlocutor atento, objetivo e credível, uma rádio com gente dentro, de entrega a um serviço público, solidário, afetivo.

Uma rádio que questione, esclareça, atue pedagogicamente, aponte erros, noticie triunfos, sinta e transmita o pulsar da região, chame a si novos públicos; não é um trabalho fácil, mas o êxito constrói-se com competência, perseverança, humildade, diálogo, criatividade e sentido de responsabilidade.

Ao comemorar-se o septuagésimo oitavo aniversário da Rádio Altitude, devemos felicitar os seus atuais elementos e homenagearmos os múltiplos contributos pessoais e coletivos que guindaram a RA a uma posição de destaque no panorama radiofónico português.

A Rádio Altitude é uma marca informativa e cultural da nossa região e da cidade; marca que não deve ser esquecida. Parabéns Rádio Altitude!


Hélder Sequeira




domingo, 26 de julho de 2026

Judiciária da Guarda deteve presumível incendiário

 

Inspetores do Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária detiveram, no dia de ontem, fora de flagrante delito, o presumível autor de um incêndio rural ocorrido no passado dia 19 de julho, no interior da povoação de São Paio – Seia.

Esta detenção surge na sequência de diligências realizadas conjuntamente com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Centro Interior (GTRI Centro Interior – constituído por elementos da GNR, ICNF e PJ) e em estreita colaboração com o Núcleo de Proteção do Ambiente (NPA) da GNR de Gouveia-

Face aos factos, foram constituídas diversas equipas, integradas por elementos da PJ e do GTRI Centro Interior, que levaram a cabo a recolha de elementos de prova, concluindo-se assim pela forte indiciação do suspeito como autor do incêndio.

O detido, um homem de 56 anos, terá ateado o fogo com recurso a chama direta, num dos arruamentos da povoação, local que dada a sua orografia, potenciava a expansão do fogo, pela continuidade das habitações com a vegetação e terrenos agrícolas, pondo desta forma em perigo bens materiais de elevado valor, assim como as vidas dos habitantes e de animais.

O presumível autor atuou sem móbil comprovado, aparentemente por “incendiarismo” num quadro de provável alcoolismo. Refira-se que conforme informação do IPMA, à data o risco de incêndio era Muito Elevado.

O incêndio não assumiu maiores proporções em virtude da sua deteção precoce por parte dos populares residentes nas imediações, com o pronto alerta e eficaz intervenção dos bombeiros, apoiados por um meio aéreo.

Não fosse tal facto, a progressão do referido incêndio poderia ter colocado em perigo as habitações próximas e seus habitantes, bem como vastas manchas florestais e área agrícola. O detido, foi presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, tendo ficado sujeito a prisão preventiva.

O Inquérito é titulado pelo DIAP da Guarda.